Decepção deste sábado: fui almoçar no excelente restaurante Terzetto, na Praça General Osório, levando um casal de amigos engenheiros portugueses, toda entusiasmada para mostrar a eles a mesa cativa do grande Oscar Niemeyer, que costumava ter ali suas refeições assiduamente.
E quando eu entro na casa qual não é meu susto e minha decepção?! A mesa redonda tradicional, à direita de quem entra, foi substituída por um bar de alvenaria, uma construção, onde há dentro postado um barman!
Em vez de fazer dali um cantinho histórico, um marco da vida e da boemia carioca, com fotos do grande gênio da arquitetura mundial Niemeyer na parede, em variados momentos passados no restaurante, naquela mesma mesa, demolem, arrancam os pedaços da história e o substituem por uma suposta conveniência comercial!
Digo suposta porque mal sabem eles que, com isso, talvez tenham matado a verdadeira “galinha dos ovos de ouro da casa”, o charme, o atrativo, a referência, enfim, o marketing único: a “mesa Niemeyer”, que seria certamente a mais disputada e o grande chamariz da casa.
É o problema com a memória dos restaurantes e casas noturnas cariocas: inexiste.
Lembro da heresia cometida contra a obra do arquiteto Claudio Bernardes, ao meterem a marreta e jogarem por terra o mais lindo restaurante moderno que o Rio de Janeiro jamais teve, o Gourmet da Praça Nossa Senhora da Paz, todo azul turquesa, de azulejos, um projeto iluminado do grande Claudio, último trabalho dele para um local comercial. No lugar da demolição, fizeram qualquer coisa desimportante que a gente nem se lembra direito como era. Mudaram por mudar.
Essas pessoas, depois que demolem tudo, destroem o que bem entendem, são as mesmas que em seguida vão a Paris, lotam as brasseries antigas e comentam: “Que beleza!”. E ficam criticando o Brasil por não preservar suas coisas belas e históricas. Não olham o próprio rabo…
E vivam La Fiorentina, o Bar Luiz, o Bar Lagoa, raros espaços da memória preservada da boemia carioca!
























