Ato 1
Que estranho. O manifestante baderneiro, cujo carão foi focalizado bem grande nas TVs, é pego pela polícia de São Paulo, pois pegava mal não pegar, vai pra delegacia, e não é preso!
Apesar da desordem, do vandalismo, da destruição do bem público, dos N crimes que praticou, não passa sequer um tempinho no xilindró. Pede perdão com a cara mais limpa do mundo e se pica.
Ele é apresentado pela polícia como “estudante de arquitetura” e não dizem de que escola é, em que período está, há quantos anos estuda e se exerce algum tipo de profissão paralela aos estudos.
O estudante é fortão, todo trabalhado nos bíceps. O companheiro dele de vandalismo, como vimos na televisão, é um senhor entrado em anos, que deve ser PhD em Quebra-Quebra.
Aparentemente, afinidade nenhuma com aquela juventude novinha, tenra e bem intencionada, nada a fim de bater e muito menos de apanhar. Juventude que não quer destruir a Nação, quer ajudar a reconstrui-la mais bela e sem os atuais defeitos.
Os do mal comportamento pedem perdão e já estão prontos pra ‘tocar terror’ na próxima. Com o cuidado, desta vez, de cobrir os rostos.
Agora, estudante que leva jeito de estudante de verdade, este ganha pancada da polícia, spray de pimenta na cara, cassetete, bala de borracha, bordoada na cabeça e nas costas, passa a noite na cadeia, é fichado, responde a processo…
Escrito e escarrado como foi em 68.
Ato 2
O Movimento se chama Passe Livre, mas o passe não é tão livre assim…
Os com a bandeira da oposição tucana-demista-psolista ao governo Lula acham que é por causa deles que os jovens saem às ruas e repetem o mantra da “roubalheira do PT, como nunca dantes na História do país”.
Os com a bandeira petista-pcedobista-psteutista-pmedebista da situação dizem que “são os 40 milhões de brasileiros da nova classe média do período PT, que agora querem mais, melhores serviços, maior qualidade, no que têm todo o direito de exigir”.
Os do movimento gay agitam a bandeira do arco-íris.
Os que não agitam bandeiras e iniciaram o movimento cada vez dizem mais coisas.
Feliciano apoia.
O chefe da Casa Imperial apoia.
A Firjan apoia.
E por aí vão os discursos de vários matizes.
Ontem, todos se juntaram nas manifestações e foi um tal de um grupo protestar contra o outro que até lembrava esquete do Pânico:
“O que é que você está fazendo aqui?”
“Estou protestado”
“Contra o quê?”
“Contra você!”, dizia um grupo apontando pro outro.
“E eu estou protestando contra você!”, dizia o outro apontando pro um.
“Então sai do meu terreiro, grrrrr!”
“O terreiro também é meu, grrrrr!”
“@#$%¨&*&”
“&¨%$#@#$”
E tome cataplã, catapunbuntum, cataplummm!!!!
É o Brasil partindo pro grande abraço e saindo no braço, não obrigatoriamente nessa ordem.
Ato 3
Diante da prefeitura do Rio, alguns poucos protestando bonitinho, na base da paz e do amor, aí vem um desregrado e parte pra violência. Unzinho só. Em vez de prendê-lo, o que faz a polícia? Reage com truculência, como se ele fossem 500, e o que era um foguinho de churrasco de gato da esquina vira uma calamidade total. Que estratégia é essa: pra controlar ou pra fazer pegar como rastilho de pólvora? O comandante devia estar distraído tomando um cafezinho na hora, só pode.
Ato 4
Quem tinha bandeira do PT se ferrou. Do PSTU idem. Do PCdoB a mesma coisa. Assim como as bandeiras da CUT. Só uma bandeira foi agitada nas manifestações, sem o menor problema, pra lá e pra cá: a do partido caçulinha, o Pátria Livre. O pessoal deve ter pensado que eram as iniciais do movimento Passe Livre e deixou passar numa boa…