Sobre Hildegard Angel

colunadahilde@gmail.com Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

Dia 11 de janeiro, data para celebrar um jovem casal de idealistas apaixonados, Sônia e Stuart

Vinicio Schumacher Santa Maria é um jovem advogado gaúcho que mantém em seu blog permanente prontidão no relato dos fatos históricos que mancharam o Brasil com ossos, sangue, carnes vivas e muito padecimento. Fatos que fizeram germinar heróis nos quatro pontos cardeais da fértil terra brasileira. Entre eles um jovem casal apaixonado e patriota, Stuart e Sônia. A cada 11 de janeiro, aniversário dele, Vinicio celebra a memória de ambos com textos que relembram sua saga cheia de esperanças, com as tintas de um idealismo incontido.

Aqui estão eles: Stuart, meu irmão, o Tuti, como o chamávamos. Sônia, minha cunhada, a Soneca, como ele dizia, contados abaixo em texto de Vinicio Schumacher Santa Maria.

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Stuart Edgart Angel Jones (11.01.1945+14.06.1971)
Ousar lutar! Ousar vencer! Esquecer jamais!

Segundo a versão mais conhecida de sua morte, dada por Alex Polari, que se encontrava preso no mesmo local e assistiu da janela de sua cela, Stuart foi amarrado a um carro e arrastado por todo o pátio do quartel. Em alguns momentos entre risos e chacotas, era obrigado a colocar a boca no escapamento do veiculo para aspirar os gases emitidos.

Polari ainda conta na carta, que foi remetida a Zuzu Angel e foi entregue no Dia das mães, que após ser desamarrado, Stuart foi deixado abandonado no chão, com o corpo já bastante esfolado onde seguiu clamando por água noite adentro.

Stuart foi casado com Sônia Morais Angel Jones, presa, torturada e morta dois anos depois. Sonia foi estuprada com um cassetete e depois de torturada, teve seus seios arrancados a alicate. Por fim, recebeu um tiro de misericórdia na nuca.

Foi no dia 30 de novembro de 1973. Ela tinha 27 anos.

A revelação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) de que um crânio encontrado no Rio é de Stuart fecha um ciclo de angústia na vida de Hildegard Angel e Ana Cristina Angel, suas irmãs. Elas vão poder realizar o desejo da mãe, que lutou até a morte em 1976, para reaver o corpo do filho e enterrar seus restos mortais com dignidade.

“É uma realização muito grande. São 43 anos esperando. Agora quero cumprir a meta da minha mãe, que era enterrá-lo. Nós já sabíamos que meu irmão tinha sido assassinado pelo regime. Stuart não é uma ficção. Ficção quem fez foram os militares, que transformaram em terroristas os aterrorizados”, afirmou Hildegard.

Stuart Edgart Angel Jones (1946+1971)

Stuart, que era filho do americano Norman Jones e de Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, figurinista e estilista conhecida internacionalmente, lutou contra a ditadura militar no grupo MR8.

Bicampeão carioca de remo pelo Clube de Regatas Flamengo na adolescência, ele foi estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Possuía dupla nacionalidade, brasileira e americana.

Foi preso, torturado e morto por membros do CISA (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica) em 14 de junho de 1971, aos 25 anos de idade. Foi casado com a também militante Sônia Morais Angel Jones, presa, torturada e morta dois anos depois e também dada como desaparecida.

Preso no bairro do Grajaú, perto da Avenida 28 de Setembro, na Zona Norte do Rio, Stuart foi levado pelos agentes à Base Aérea do Galeão para interrogatório. Os militares queriam a localização do ex-capitão Carlos Lamarca, chefe do MR-8 e então o grande procurado pelo regime.
Como se negou a falar, foi barbaramente torturado e espancado. Depois, foi conduzido ao pátio da base, vindo a morrer em consequência dos maus tratos.

Segundo a versão mais conhecida da sua morte, dada por Alex Polari, que se encontrava preso no mesmo local e assistiu da janela de sua cela, Stuart foi amarrado a um carro e arrastado por todo o pátio do quartel. Em alguns momentos entre risos e chacotas, era obrigado a colocar a boca no escapamento do veiculo para aspirar os gases emitidos.

Polari ainda conta na carta, que foi remetida a Zuzu Angel e foi entregue no Dia das mães, que após ser desamarrado o militante foi deixado abandonado no chão, com o corpo já bastante esfolado onde seguiu clamando por água noite adentro. De posse dela, a estilista denunciou o assassinato de Stuart – que tinha cidadania brasileira e americana – ao senador Edward Kennedy, que levou o caso ao Congresso dos Estados Unidos.

A revelação da Comissão Nacional da Verdade (CNV) de que um crânio encontrado no Rio é de Stuart fecha um ciclo de angústia na vida de Hildegard Angel e Ana Cristina Angel, suas irmãs. Elas agora planejam realizar o desejo da mãe, a estilista Zuzu Angel, que lutou até a morte em 1976, para reaver o corpo do filho: vão poder enterrar seus restos mortais com dignidade.

“É uma realização muito grande. São 43 anos esperando. Agora quero cumprir a meta da minha mãe, que era enterrá-lo. Nós já sabíamos que meu irmão tinha sido assassinado pelo regime. Stuart não é uma ficção. Ficção quem fez foram os militares, que transformaram em terroristas os aterrorizados”, afirmou Hildegard.

O capitão reformado Álvaro Moreira de Oliveira Filho revelou que o corpo de Stuart foi enterrado na cabeceira da pista da base da Aeronáutica de Santa Cruz, na zona oeste do Rio. O crânio, quase completo, havia sido localizado em 1976 num terreno no centro do Rio, porque a terra da pista fora revolvida numa reforma e levada para o centro pela construtora responsável pelas duas obras.

Stuart, segundo depoimentos de testemunhas, foi o único preso morto pela Aeronáutica naquela ocasião, entre vários outros aprisionados. Sua morte causou a transferência de todos os presos das celas do CISA para outros lugares. No fim daquele ano, toda a cúpula da Aeronáutica foi substituída, devido às pressões causadas pela incessante procura e denúncias do desaparecimento de Stuart por sua mãe, Zuzu Angel, usando a imprensa no Brasil e no exterior.

Até o ano de sua morte (1976), Zuzu, a mãe de Stuart, peregrinou pelo poder militar tentando conseguir explicações e informações sobre o corpo do filho, oficialmente dado como desaparecido.

Sua campanha chegou ao mundo da moda, na qual tinha destaque, com desfiles de coleções feitas com roupas estampadas com manchas vermelhas, pássaros engaiolados e motivos bélicos. O anjo, ferido e amordaçado em suas estampas, tornou-se também o símbolo do filho. Zuzu chegou a realizar em Nova York um desfile-protesto, no consulado do Brasil na cidade.

Usando de sua relativa notoriedade internacional, ela envolveu celebridades de Hollywood que eram suas clientes, como Joan Crawford, Liza Minnelli e Kim Novak, em sua causa, e durante a visita de Henry Kissinger, então secretário de estado norte-americano, ao Brasil, chegou a furar a segurança para entregar-lhe um dossiê com os fatos sobre a morte do filho, também portador da cidadania americana.

Zuzu morreu em 1976, num suspeito acidente de automóvel no bairro de São Conrado, Rio de Janeiro, sem jamais conseguir descobrir o paradeiro do corpo de Stuart Angel.

Em 1998, a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos julgou o caso sob número de processo 237/96 e reconheceu o regime militar como responsável pela morte da estilista.

Sônia Morais Angel Jones (1946+1973)

 

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Sônia nasceu no dia 9 de novembro de 1946, em Santiago do Boqueirão, no Rio Grande do Sul. Seus pais, João Luiz de Moraes, militar que chegou a tenente-coronel, e Clea Moraes, sempre descrita como uma pessoa extrao-dinária. Ambos dedicaram suas vidas à preparação educacional de jovens à universidade.

Alegre e destemida, Sônia Angel dedicou sua juventude à luta contra à ditadura militar. De 1968 a 1973, foram oito anos de muitas atividades políticas, quase todos vividos na clandestinidade e dedicados à luta contra ditadura militar.

O contato de Sônia com as idéias revolucionárias começou no ano de 1966, quando ingressou no curso de economia da Universidade Federal de Rio de Janeiro (UFRJ). Já em seu primeiro dia de aula, foi eleita representante de turma. Sua liderança despontava naturalmente, pois era uma jovem que nunca escondeu seu amor à vida, transmitindo muita alegria com o carisma de sua personalidade divertida e espontânea. Gostava de viajar, namorar e ir a festas, vivendo sua juventude com plenitude e vigor.

Foi, também, na Faculdade de Economia que Sônia conheceu o jovem Stuart Angel Jones, com quem se casou em outubro de 1968. Stuart era um destacado militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), uma das mais importantes organizações surgidas durante o regime militar.

Sônia conheceu cedo os impactos da ação repressiva em sua vida e na de seus companheiros. Em 1969, um grupo de estudantes, entre eles Sônia, com apenas 22 anos, preparava-se para realizar panfletagem em portas de fábricas durante atividades de convocação do 1º de Maio, quando foi preso por agentes do famigerado Departamento de Ordem Política Social (Dops).

O argumento usado para justificar a prisão dos jovens foi o Decreto 477, criado pelo então Ministro da Educação, coronel Jarbas Passarinho, para reprimir as atividades das lideranças estudantis nas escolas e universidades. Com isso, Sônia foi sumariamente expulsa da Faculdade Nacional de Economia da UFRJ, onde já cursava o último ano.
Presa por mais de três meses no prédio do Dops, localizado na Rua da Relação, Sônia protagonizou um dos episódios mais ousados dos anos de chumbo, mostrando sua firmeza de jovem militante. Havia sido agendada uma visita do então Secretário de Segurança, o general Luiz de França Oliveira.

Ordenaram que todas as “detentas” ficassem sentadas em círculo e, a partir do apito do carcereiro, levantassem e se colocassem em posição de sentido diante do general. Todas obedeceram às instruções, menos Sônia, que permaneceu no seu lugar.

O general entrou na cela e dirigiu-se a ela, exigindo que cumprisse as determinações: – Levante-se, minha senhora. A senhora está diante de uma autoridade e deve reverenciá-lo. Sônia manteve-se sentada e respondeu com firmeza: Não me levanto pra policial nenhum!

Diante do clima de constrangimento e do receio por parte dos repressores de que aquela atitude contagiasse as demais prisioneiras, os carrascos recuaram e ordenaram que as outras presas sentassem.
Sônia foi julgada e absolvida duas vezes, por unanimidade, pelo Tribunal Superior Militar. No entanto, sua absolvição não significaria liberdade e segurança.

Sônia e Stuart estavam conscientes da realidade cruel que tomava conta do País naqueles anos de escuridão.

O apartamento do casal, localizado na Rua Pinto de Figueiredo, na Tijuca, tradicional bairro de classe média carioca, fora invadido, revirado, saqueado e destruído pelas forças da repressão e estava sob vigilância constante. Tal situação levou Sônia a tomar todos os cuidados logo após sua saída da prisão no Dops, pois estava ciente de que iriam fazer de tudo para capturá-la novamente.

Alguns dias após sua absolvição da Justiça Militar, um representante do então I Exército (atual Comando Militar do Leste) foi à casa de seus pais, levando uma intimação para que Sônia se apresentasse para prestar depoimento. A intimação não passava de uma manobra dos militares para prendê-la, enquadrá-la em novo processo e, com isso, mantê-la encarcerada.

Como Sônia já havia se juntado a Stuart em lugar ignorado, seu pai, João de Moraes, se prontificou a dar os esclarecimentos em seu lugar. Na saída do quartel, um companheiro de João que estudara com ele na Escola Militar lhe alertou: “Moraes, não deixe sua filha aparecer nunca mais, porque vão matá-la”.

Já eram crescentes as ações armadas em todo o país. Diante da situação, os pais de Sônia e os dirigentes do MR-8 concordaram que seria melhor o exílio voluntário do casal. Mas Stuart, peça-chave da organização, não admitiu deixar seus companheiros e decidiu ficar, não havendo nada que o demovesse de sua posição.

Ficou acertado que Sônia seria retirada do País, uma tarefa cada vez mais difícil, devido ao aprofundamento da perseguição política. Coube então à família tratar dos procedimentos para sua retirada.

A saída de Sônia do Brasil foi marcada por muitas dificuldades. Até a chegada na fronteira, a fuga clandestina ocorreu com “relativa normalidade”, apesar de duas revistas minuciosas por patrulhas do Exército, espalhadas pelas estradas na busca desenfreada ao Capitão Carlos Lamarca, embrenhado com seus guerrilheiros nas matas do Vale do Ribeira. No Paraguai, um acidente com o carro deixou-os muito feridos, quase comprometendo a ação, mas a viagem prosseguiu e o embarque para a França aconteceu.

No exílio em Paris, Sônia continuou sua militância. Couberam-lhe as tarefas (exercidas por ela com grande desprendimento), de micro-filmar os materiais enviados pelo MR-8 e dar assistência política e ideológica aos companheiros enviados para fora do Brasil, confortando e apoiando, material e psicologicamente, os que estavam traumatizados pela violência da tortura, da distância do país e da família.

A necessidade de organizar seus companheiros fez com que Sônia se transferisse para Santiago, no Chile. Foi lá que soube da morte de Stuart e das bárbaras circunstâncias do seu assassinato, cometido pela ditadura militar. A notícia deixou-a completamente arrasada e cristalizou ainda mais sua aspiração de retornar ao Brasil.

Para sobreviver, passou a trabalhar como fotógrafa profissional e se ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN), chegando ao Brasil em maio de 1973, aonde encontrou um novo companheiro, Antônio Carlos Bicalho Lana.

Com a “infiltração” de agentes da ditadura, espionando suas atividades, não demorou e a repressão armou uma emboscada para prender Lana e Sônia.
A data exata da prisão nunca foi estabelecida, mas sabe-se que era de manhã quando Antônio Carlos e Sônia pegaram o ônibus da Empresa Zefir com destino a São Paulo.

Vários agentes já estavam dentro do coletivo. Simultaneamente, nas imediações da agência de passagens do Canal 1, em São Vicente, encontravam-se outros policiais à espera que os dois descessem do ônibus para comprar os bilhetes.

Quando lá chegaram, apenas Lana desceu do ônibus. Cinco agentes esperavam dentro da agência e outros chegaram em vários carros. No guichê, o militante entrou em luta corporal com os policiais, mas foi dominado a socos e pontapés, levando uma coronhada de fuzil na boca.
Sônia, ao levantar-se do banco, foi agarrada e levou um pontapé nas costas. Saiu do ônibus algemada pelos pés e foi colocada em um Opala, enquanto Lana foi empurrado para outro carro.

Os dois ainda estavam presos quando a ditadura militar se encarregou de divulgar nos principais órgãos de imprensa que ambos haviam morrido numa troca de tiros em São Paulo. A família de Sônia só pôde descobrir o fato porque sua mãe havia exigido que ela lhe contasse seu nome clandestino: Esmeralda.

O empenho da família, que se dirigiu às pressas até a cidade litorânea de São Vicente, onde residiam Lana e Sônia, na tentativa de resgatar o corpo das vítimas, foi frustrado. O clima de enfrentamento da família Moraes com os militares chegou ao absurdo das ameaças de morte e ao constrangimento da prisão de seu pai.

Posteriormente, após um exaustivo processo de investigação, ficou claro que enquanto João Moraes estava preso, Sônia foi seqüestrada e conduzida para o Rio de Janeiro, onde padeceu monstruosas torturas. Levada de volta a São Paulo, aonde sofreu novas torturas, estupro e seviciamento. Por fim, recebeu um tiro de misericórdia na nuca. Foi no dia 30 de novembro de 1973. Ela tinha 27 anos.

Sonia foi enterrada como indigente no cemitério de Perus e seus restos mortais foram localizados graças aos esforços das entidades que atuam em apoio às famílias de mortos e desaparecidos políticos.

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Chico Buarque, entrevista à Rádio Atividade, Centro Cultural SP 1985

“Eu conheci muito a Zuzu. Ela foi uma mulher que durante anos depois da morte do filho (Stuart Angel Jones, preso político em 1971) não fez outra coisa senão se dedicar a denunciar os assassinos do filho, a reivindicar o direito de saber aonde é que estava o corpo dele. Ela ia de porta em porta mesmo. E lá em casa ela ia com muita freqüência, como em outras casas também. Ela sabia, inclusive, das ameaças que pairavam sobre ela e dizia que tinha certeza que se alguma coisa acontecesse com ela a culpa seria dos mesmos assassinos do filho, que ela citava nominalmente.”

“Na manhã do dia em que aconteceu o acidente com ela, ela tinha estado lá em casa e deixado as camisetas que ela fazia, gravadas com aqueles anjinhos que eram a marca dela, para as minhas três filhas. Aquilo me chocou muito. Ela passava em casa quase semanalmente, mostrando os relatórios todos do trabalho que ela estava fazendo aqui e nos Estados Unidos – porque afinal, o pai do Stuart era americano -, então ela tinha contato com senadores americanos, inclusive alguns dos quais me lembro até hoje, como o Frank Church, o Mondale, que era um dos senadores com quem ela contava – nunca contou com o Reagan evidentemente… Ela tinha, inclusive, na lista dela, uma relação das posições políticas dos senadores e tinha até alguns “ultraconservatives” (ultra conservadores) que, por se tratar de um filho de cidadão americano, eram simpáticos ao clamor de mãe dessa mulher. Ela chegou a entregar a documentação ao Kissinger pessoalmente, se não me engano, no Hotel Sheraton, quando ele esteve aqui. Clandestinamente ela furou o bloqueio e, um pouco depois, lhe entregou uma pasta com os documentos todos que ela tinha e distribuía entre as pessoas em quem confiava, gostava. Ela morreu um pouco depois disso.”.

Rir ou chorar? Menos de 4% dos deputados foram a todas as sessões em 2015, e Tiririca foi o mais assíduo!

Do site Congresso em Foco

Menos de 4% dos deputados foram a todas as sessões

POR EDSON SARDINHA E LUCIO BATISTA |

Dos 19 que foram a todos os dias em que a presença era obrigatória em 2015, 11 estão em primeiro mandato. Entre os veteranos, capixaba completou dez anos sem uma única falta. Saiba quais foram os mais assíduos

 

Na estreia da nova legislatura, os deputados em primeiro mandato lideraram a bancada dos mais assíduos na Câmara. Menos de 4% dos 513 integrantes da Casa estiveram presentes em todos os dias em que o comparecimento era exigido, ou seja, aqueles em que há a chamada sessão deliberativa. Dos 19 parlamentares que marcaram presença em todos os 125 dias em que estavam previstas votações, 11 são “calouros” na Casa.

Entre os “veteranos” mais presentes em plenário, três também não tiveram nenhuma falta no mandato anterior: Manato (SD-ES), Tiririca (PR-SP) e Lincoln Portela (PR-MG). O caso de Manato é ainda mais curioso. Em seu quarto mandato, o capixaba marcou presença em todos os dias com votação nos últimos dez anos. A última vez que ele faltou a uma sessão foi em setembro de 2005, quando seu pai faleceu.

Veja a lista dos deputados que foram a todas as sessões de 2015

“Participei das sessões mesmo quando estava doente, com o braço quebrado ou com febre, por exemplo. Houve situações em que perdi o aniversário dos meus filhos e do meu casamento”, explica Manato, que se autodeclara “caxias”.

Mesmo reconhecendo que a assiduidade não é um fator determinante para definir a qualidade do trabalho do parlamentar, o deputado diz que o número excessivo de faltas de alguns de seus colegas atrapalha a produção legislativa, já que algumas sessões não reúnem quórum suficiente para as votações.

Estreante na Câmara, a deputada Conceição Sampaio (PP-AM) começou o mandato em uma cadeira de rodas após passar por uma cirurgia na perna. “Sou a única mulher eleita do meu estado e ‘estou’ parlamentar. Amazonas também é Brasil, nós precisamos ser lembrados, e para isso, a presença é extremamente importante”, afirma a deputada. Ela conta que também teve 100% de presença em seus dois mandatos de deputada estadual.

A bancada dos 100% presentes reúne deputados de dez estados e 11 partidos. São Paulo, com cinco parlamentares, e Minas, com quatro, são as unidades federativas com mais representantes nessa lista. Amazonas e Rio de Janeiro têm dois nomes cada. Espírito Santo, Tocantins, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Ceará têm um nome.

Já entre os partidos, o PR, de Tiririca, é o que tem mais representantes entre os assíduos: quatro deputados. PSB (3), PMDB (2) e PMB (2) aparecem na sequência. Há um parlamentar do Solidariedade, do PP, do PTN, do Psol, do PSC, do PRB, do PSDB e do PSD.Além dos 19 deputados que foram a todos os dias em que estava prevista votação, outros 26 tiveram apenas uma falta.

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Palhaço Tiririca se elegeu com o lema “Por que tá não fica, vote no Tiririca!” e é o menos palhaço e mais assíduo de todos…

Os dados são de levantamento exclusivo do Congresso em Foco, baseado em registros oficiais da Câmara.

 

 

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Engenharia nacional e setor petrolífero abrem o olho atentos à portaria da ANP

A ANP – Agência Nacional de Petróleo – colocou em consulta Pública num período que inclui o Carnaval uma Minuta de resolução pela qual são alterados os cálculos do valor do petróleo para efeito de cálculo de royalties.

Preocupadas com os danos que tal mudança possa significar para os setores de produção do Estado do Rio de Janeiro, várias instituições de credibilidade se mobilizam, com vistas a ser criada, em regime de urgência, uma comissão de análise do assunto para se posicionarem em conjunto quanto a essa minuto. A saber: Clube de Engenharia, AEPET, o CREA, SENGE, OAB, IBP e mais quantas venham a aderir a essa mobilização.

Um artigo do jornal Folha de São Paulo no último sábado (ver a transcrição abaixo) dispõe que esta mudança deve implicar num aumento de R$ 1 bilhão nos valores pagos pela Petrobras, com impacto reduzido sobre as demais petroleiras, já que a fórmula definida agora privilegia o aumento de royalties sobre os petróleos mais pesados, característicos do pós sal.

A matéria complexa é apresentada sob o manto sem atrativos da tecnicidade, mas as conseqüências não escapam a uma análise.

Aumento de royalties pagos pela Petrobras significa não só enfraquecê-la como também minar a indústria, aqui instalada no Rio de Janeiro, de produção de bens de capital e a engenharia de projetos. Ou seja, tudo de que nosso Estado não necessita.

No item 25 da Nota Técnica, nº 45/2015/SPG-ANP,  lá está:

25. “Cabe ressaltar que essa metodologia de cálculo do preço mínimo do petróleo nacional utilizada pela ANP já completou 17 anos de vigência (desde 1998) – sem contestações administrativas ou judiciais dos agentes afetados pela portaria. Assim, é possível afirmar que a metodologia da Portaria ANP no 206/2000 constitui uma prática regulatória adequada. Isso não impede, no entanto, que essa sofra, periodicamente, ajustes às condições do mercado internacional de petróleo”.

 

Temos que entender que, se “a metodologia….. completou 17 anos  de vigência”  é porque atende aos interesses das diversas partes. E que a mudança unilateral visa não o interesse nacional, como se vê acima. Enquanto a referência aos pleitos dos governos do Estado do Rio de Janeiro e do Espírito Santo não foi encontrada nos respectivos portais.

Preocupadas com os danos que tal mudança possa significar para os setores de produção do Estado do Rio de Janeiro, várias instituições de credibilidade se mobilizam, com vistas a ser criada, em regime de urgência, uma comissão de análise do assunto para se posicionarem em conjunto quanto a essa minuto. A saber: Clube de Engenharia, AEPET, o CREA, SENGE, OAB, IBP e mais quantas venham a aderir a essa mobilização.

A matéria da Folha:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/01/1727694-anp-propoe-novo-calculo-de-royalties-do-petroleo.shtml

Folha de SP 09/01/2016

ANP propõe novo cálculo de royalties do petróleo

NICOLA PAMPLONA / DO RIO

Proposta da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para alterar o cálculo do dinheiro repassado pela Petrobras a Estados e municípios —os chamados royalties– pode criar uma conta bilionária para a estatal, que já enfrenta dificuldades financeiras.

A medida, colocada em consulta pública nesta semana, representaria uma arrecadação adicional de cerca de R$ 1 bilhão por ano, segundo projeção do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) com base na arrecadação de 2015. Grande parte desses recursos seria repassado ao Rio e à União.

ENTENDA OS ROYALTIES

Os royalties são uma compensação financeira pela extração de recursos naturais, paga à União e aos municípios e Estados produtores. O cálculo dessa compensação, em vigor desde o ano 2000, considera o volume extraído e o preço do petróleo de cada campo —que varia de acordo com a qualidade do petróleo, ou seja, o tipo de combustível que ele produz, em comparação com o petróleo Brent, referência global. Petróleos mais pesados, como os da bacia de Campos, produzem menos gasolina e diesel e tendem a ter um desconto maior com relação ao Brent. Já o óleo do pré-sal é mais leve e mais valorizado.

As mudanças técnicas propostas pela ANP reduzem os descontos dos petróleos mais pesados. Segundo maior produtor do país, o campo de Roncador teria um preço de referência 8,9% maior em 2015 caso a nova fórmula estivesse em vigor, de acordo com a simulação da ANP.

O maior produtor do Brasil, Lula, no pré-sal da bacia de Santos, subiria 3,4%. Na média, a proposta eleva em 7% o preço de referência dos 20 maiores campos do país, responsáveis por quase 90% da produção nacional.

QUEM PERDE OU GANHA

Além de elevar o custo da Petrobras, a proposta vem em um momento em que as petroleiras preparam-se para questionar duas leis sancionadas pelo governo do Rio no fim do ano, que criam impostos e taxas sobre a produção.

Como o petróleo é uma commodity —cujos preços são fixados internacionalmente—, qualquer aumento de custos representa perda de rentabilidade. Procurados, nem a Petrobras nem o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), que representa as petroleiras, comentaram.

Defendida em reuniões na agência pelo próprio governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que enfrenta problemas financeiros no Estado, a mudança beneficia principalmente o Rio de Janeiro.

Em 2015, o governo estadual e municípios fluminenses ficaram com 33% da arrecadação de royalties do petróleo no país. Mas ficariam com a maior parte do aumento, porque os campos mais afetados ficam em frente ao litoral fluminense.

A proposta ficará em consulta pública até 10 de março, para críticas e discussão com os envolvidos. A ANP, porém, tem autonomia para fazer a mudança.

 

Não, essa raiva, esse sangue nos olhos nada têm a ver com o nosso Brasil

Essa polarização idiota no país provoca uma cisão nacional, em que uns exigem que outros se calem, caso pensem diferente.

É o auge do retrocesso, é um replay do obscurantismo ditatorial que já viveu o Brasil. Com o agravante que hoje quem conjuga o verbo proibir é parte da população completamente contaminada por um ódio cego, sem permissão para a divergência de ideias.

Não, essa raiva, esse sangue nos olhos nada têm a ver com o nosso Brasil.

Meu país está doente, massacrado pelas doses massivas diárias das “sessões terror” dos telejornais, noticiários dos rádios, editoriais e colunas de jornais e revistas, sem tréguas, goela abaixo dos brasileiros, sem pausa, sem refresco, sem lhes permitir um segundo para refletirem, sem lhes dar espaço para o pensar diferente, para o opinar divergente, para a versão contrária.

“Cine Atlântida – Uma chanchada musical!”, o espetáculo deste verão carioca

Estreou no domingo, sem qualquer divulgação, o espetáculo “Cine Atlântida – Uma chanchada musical!”. Não houve sequer anúncio em jornal, rádio, TV, convocação no Facebook, muito menos faixa de aviãozinho sobrevoando as praias, cartazes colados nos muros ou filipetas. Ao contrário, foi o próprio público que telefonou insistentemente para a bilheteria da casa, indagando quando haveria nova estreia e, antes da  hora marcada para o início, todos os lugares já estavam ocupados.

Que mistério explica uma plateia assim determinada e confiante? Elementar: o trabalho de fidelização iniciado há seis anos pela Casa de Cultura Julieta de Serpa, em seus chás com teatro, apresentando peças musicais sempre de grande qualidade, atores cantores da melhor jovem safra do teatro nacional, figurinos luxuosos e capotantes assinados por Beth Serpa, orquestra ao vivo e texto sempre inspirador, com tintas de nostalgia, bem como o repertório, que nos fazem sonhar, voltar no tempo, nos sentir contentes, belos e revigorados.

E pouco a pouco vamos nos deixando contagiar por toda aquela beleza, cantamos junto,  soltamos os braços ao embalo das músicas, assim como soltamos o riso ou mesmo as gargalhadas, para ao final aceitarmos o convite amável dos dançarinos e dançarinas e nos pormos a bailar com eles, sambar em fila, como se a juventude nos tivesse arrebatado de volta em suas asas, num momento de descontração que, confesso, não tem preço.

Assim foi no último domingo, quando assisti à primeira récita de  “Cine Atlântida – Uma chanchada musical!”.

No aperitivo, antes de começar o show, projeções no telão de cenas das antigas chanchadas da Atlântida, Anselmo Duarte, Eliana, Adelaide Chiozzo, Zé Trindade, Ankito, Grande Othelo, Oscarito, Ângela Maria, Marlene, Emilinha e seus fãs clubes, todos lá…

Em seguida, os atores iniciam a peça, quando um grupo de simpáticos “empresários” pilantrinhas embarca num transatlântico levando um elenco “genérico”, se fazendo passar por Anselmo Duarte, Eliana, Adelaide Chiozzo, Zé Trindade, Ankito, Grande Othelo, Oscarito, Ângela Maria, Marlene, Emilinha e seus fãs clubes.

No recheio disso tudo, um rubi desaparece, roubado pelo mágico de bordo. E aí começa a diversão…

Um programa muito bem refrigerado, salgadinhos ótimos, docinhos irresistíveis, que eu absolutamente recomendo a todos vocês. Principalmente a TODAS vocês, frequentadoras, que já conhecem (ou não) os chás com teatro da Pérgula da Casa de Julieta, com seu elenco fixo de 50 artistas e técnicos liderados pelo produtor geral e diretor da Companhia, professor Carlos Alberto Serpa.

Depois, me agradeçam a dica! 😉

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O Mágico rouba o rubi e as ajudantes do mágico nos fazem rolar de rir
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A cena do balcão de Romeu e Julieta que Grande Othelo e Oscarito viveram no cinema

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OS figurinos de Beth Serpa, bonitos, bem feitos, fazem parte do encantamento

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Atores-cantores da melhor safra do teatro brasileiro

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O número da Boneca de Piche é um luxo

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Bandeira branca, amor…. e dá-lhe Dalva!

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Ao final, o público participa do espetáculo, aceitando o convite dos artistas, e tudo vira um grande baile de verão…

Fotos Marketing Casa de Cultura e Arte Julieta de Serpa

A transcrição do Testamento Político do Imperador Dom Pedro II

Devido à dificuldade de leitura no fac simile já postado, e atendendo à solicitação de vários leitores, aqui está a transcrição do Testamento Político de Dom Pedro II (  ) documento raro, desconhecido por grande parte dos historiadores, que a coluna revelou para vocês.

“Creio em Deus.

Fez-me a reflexão sempre conciliar as suas qualidades infinitas: Previdencia, Omnisciencia e Misericordia. Possuo o sentimento religioso, innato ao homem, é despertado pela comtemplação da natureza. Sempre tive fé e acreditei nos dogmas. O que sei, devo-o, sobretudo, á pertinacia.

Reconheço que sou muito somenos do que é relativo aos dotes da imaginação, que posso bem apreciar nos outros. Muito me preocuparam as leis sociaes; e não sou o mais competente para dizer a parte que de continuo tomei em meu estudo de applicação.

Sobremaneira me interessei pelas questões economicas, estudando com todo o cuidado as pautas das alfandegas no sentido de proteger as industrias naturaes até o período do seu prospero desenvolvimento.

Invariavelmente propendi para a instrucção livre, havendo sómente inspecção do Estado quanto á moral e á hygiene, devendo pertencer a parte religiosa ás famílias e aos ministros das diversas religiões. Pensei tambem no estabelecimento de duas Universidades  uma no norte e outra no sul, com as faculdades e institutos necessarios e portanto apropriados ás differentes regiões, sendo o provimento das cadeiras por meio de concurso.

Egreja livre no Estado livre; mas isso quando a instrucção do povo pudesse aproveitar de taes institutos. Estudei com cuidado o que era relativo á moeda corrente e se prendia á questão dos bancos. Quanto á legislação sobre privilegio, oppuz-me aos que se ligam á propriedade literaria, sustentando assim as opiniões de Alexandre Herculano antes que elles as tivesse manifestado.

Cautelosa e insistentemente estudei questões de immigração sobre a base da propriedade e o aproveitamento das terras, explorações para o conhecimento das riquezas naturaes, navegação de rios e differentes vias de communicação. Pensava na installação de um bom observatorio astronomico, moldado nos mais modernos estabelecimentos desse genero. Segundo as minhas previsões e estudos, poderia ser superior ao de Nice.

Cogitei sempre em todos os melhoramentos para o exercito e a marinha, afim de que estivessemos preparados para qualquer eventualidade, embora contrario ás guerras. Buscava assim evital-as. Preocuparem-me seriamente os estudos de hygiene publica e particular de modo a nos livrar das epidemias; e isso sem grande vexame para as populações.

Acompanhava-me sempre a idéa de vêr o Brasil que me é tão caro, o meu Brasil sem ignorancia, sem falsa religião, sem vicios e sem distancias. Para mim o homem devia ser regenerado e não suprimido; e por isso, muito estudava a penalidade, tomando grande parte no que se fez relativamente a prisões e pensando todas as questões modernas, que tendiam ao seu melhoramento.

Procurei abolir a pena capital, tendo encarregado o Visconde de Ouro Preto de apresentar ás Camaras um projecto para a abolição legal da mesma pena.

Pacientemente compulsava todos os processos para a commutação da pena ultima: quando não encontrava base para isso, guardava-os, sendo a incerteza já uma pena para os réos.

Muito me esforcei pela liberdade das eleições e, como medida provisoria, pugnei pela representação obrigada do terço, preferindo a representação uninominal de circulos bem divididos; pois o systema, ainda por ora impraticavel, deve ser o da maioria de todos os votantes de uma nação. Conselho de Estado, organizado o mais possivel como o da França, reformando-se a Constituição para que pudesse haver direito administrativo contencioso.

Provimento de logar de magistratura, por concurso perante tribunal judiciario para formar lista dos mais habilitados, onde o governo pudesse escolher; concurso tambem para os logares de administração; categorias de presidencias para que se preparassem os que devião regel-as, conforme a importancia de cada um. Trabalhei muito para que só votasse quem soubesse ler e escrever, o que supõe riqueza moral e intelectual, isto é, a melhor.

Sempre procurei não sacrificar a administração á politica.                                         Cogitava na construção de palacios para os ramos legislativo e judiciario e para a administração, para bibliotheca e exposições de differentes especies, para conferencias publicas.

Nunca me descuidei de sorte physica do povo, sobretudo em relação as habitações salubres e a preço commodo é á sua alimentação. Nunca deixei de estudar um só projecto, discutindo com os seus autores e procurando estabelecer-me. O meu dia era todo ocupado no serviço publico e jamais deixei de ouvir e fallar a quem quer que fosse. Lia todas as folhas e jornais da capital e alguns das províncias para tudo conhecer por mim quanto possivel, e mandava fazer e fazia extractos nos das províncias dos fatos mais importantes que se ligavam á administração, com a idéa constante de justiça a todos.

Assisti a todos os actos públicos para poder vêr e julgar por mim mesmo.

Em extremo gostei do theatro dramático e lyrico, cogitando sem cessar da idéa de um theatro nacional. Nunca me esqueci da Academia de Bellas Artes, pintura, esculptura, desenho e gravura, e fiz o que pude pelo Lyceu de Artes e Officios.

Desejava estabelecer maior numero de dioceses, conforme comportasse o território, assim como differentes seminarios. Sempre me interessei pelas expedições scientificas, desde a do Ceará, que publicou trabalhos interessantes, lembrando-me agora a de Agassiz e de algumas que ilustrarão nossos patricios no continente europeu.

Presidia ultimamente a comissão encarregada do Codigo Civil e esperava que, em pouco tempo, apresentasse ella trabalho digno do Brasil. Pensava na organização de instituto scientifico e literario, como o de França, utilisando para isso alguns estabelecimentos de instrucção superior que já possuimos; e para isso eu encarreguei o Dr. Silva Costa e outros de formarem projectos de estatutos.

Sempre procurei animar palestras, sessões, conferencias scientificas e literarias, interessando-me muito pelo desenvolvimento do Museu Nacional. O que ahi fez o Dr. Conty tornou esse estabelecimento conhecido na Europa; muitos dos trabalhos do Museu são hoje citados e applaudidos.  Preocuparam-me as escolas praticas de agricultura e zootechnia.

Dei toda a atenção ás vias de comunicação de todas as especies no Brasil, tendo feito, além de outros, estudo especial dos trabalhos do celebre engenheiro Haukshaw relativos aos melhoramentos da barra do Rio Grande do Sul. Do mesmo modo, tudo quanto se referia estabelecer a circulação do Brasil por agua desde o Amazonas até ao Prata e dahi ao S. Francisco, da fóz para o interior ligando-se por estradas de ferro a região dos Andes ás bacias do Prata e Amazonas.

Oxalá pudesse a navegação por balões aerostaticos tudo dispensar e, elevando-se bem alto assim como submarina aprofundando-se bastante, nos livrassem ambas das tempestades.

São, porem, devaneios…

Nas preocupações scientificas e no constante estudo é que acho consolo e me preservo das tempestades moraes…

Cannes, 23 de abril de 1891.”

A biografia de Walther Moreira Salles

O jornalista Luís Nassif transfere-se para o Rio de Janeiro neste fim de semana. Vem colher depoimentos para a biografia que está escrevendo sobre o ex-ministro da Fazenda e banqueiro Walther Moreira Salles. Seu interesse abrange relatos também sobre a saudosa Elisinha, que foi sem dúvida a mulher da vida do fundador do Unibanco.

 

 

Ex-cônsul grego Kiriakos Amiridis de volta, agora como embaixador em Brasília

Foi breve o mandato do embaixador da Grécia no Brasil,  Nikolaos Tsamados, que apresentou suas Cartas Credenciais à presidenta Dilma em 20 de fevereiro de 2015,  apenas um dia após iniciar funções na embaixada em Brasília.

Recebi ainda há pouco mensagem amável de Atenas, do ex cônsul-geral grego no Rio de Janeiro, Kiriakos Amiridis, comunicando-me que, em meados deste janeiro de 2016, assumirá o cargo de Embaixador da Grécia no Brasil.

Imagino a satisfação e a alegria que esse retorno ao Brasil do diplomata Amiridis, desta vez em novo cargo, seja a mesma dos seus inúmeros amigos que soube conquistar aqui no Rio de Janeiro, estabelecendo fortes vínculos e com tantas gratas memórias.

Aguardem para breve o Festival de Boas-Vindas ao Embaixador Kiriakos Amiridis… Ou eu não me chamo Hildegard.

kiriakos

Kiriakos Amiridis, o diplomata grego que multiplicou amizades no Rio de Janeiro e agora fará o mesmo em Brasília

Ivo Pitanguy, quase 90, sai do hospital e vai traçar um bife numa churrascaria!

O professor Ivo Pitanguy, depois de sérios sustos, com idas e vindas ao Hospital Samaritano, fez ontem sua primeira incursão gastronômica pós soro na veia: foi almoçar na churrascaria Esplanada Grill!

Como sempre, estava acompanhado da beleza, pois não é o mestre Ivo quem a corteja, é a beleza que está sempre à sua volta.

Fazia companhia ao professor Pitanguy, sua bonita médica, dra. Rita, que, junto com o médico João Gaspar, tem demonstrado grande dedicação e competência nos cuidados da saúde do mestre.

Ivo mostrou apetite. Traçou uma picanha com todos os acompanhamentos, arroz, batata frita inclusive, sem esquecer o bom vinho tinto pra regar.

A mesa do Ivo era ao lado da parede onde há um belo portrait seu com o dono da Esplanada, o Jorge Adib. E quem não quer ter uma foto ao lado de tal celebridade?

O orgulho nº 1 da medicina brasileira encontra-se em ótima forma, depois do susto com problema nos rins num voo Paris-Rio, que o levou a uma internação de emergência, seguida de duas outras sucessivas – a última, dois dias após voltar para casa, devido a uma infecção hospitalar.

Para alegria geral da Nação brasileira, nosso ‘Samurai’ do bisturi recuperou-se às vésperas de completar 90 anos em julho. ‘Samurai’ porque Pitanguy jamais demonstra medo ou covardia diante das situações de vida mais adversas, dos casos médicos mais complicados. A tudo supera com talento, criatividade, notável habilidade humana e capacidade médica. Um guerreiro da ciência, de espírito refinado, que sempre manejou seu bisturi com disciplina e lealdade aos princípios éticos, ensinando seus discípulos a fazerem igual.

Desconheço, porém, se houve algum Samurai no Japão com a genialidade do nosso Ivo Pitanguy das Minas Gerais.

hilde e ivo

E eu, que estava no restaurante, tratei de fazer uma selfie com o ‘Samurai’ Ivo, o bife, as fritas e o vinho, pra ninguém dizer que estou mentindo 
elsa e ivo

Ivo e Elsa Gardenghi, que pediu para cortar da selfie dela o pedaço que mostra o bife, as fritas e o vinho – ah, exclusivista!

O Testamento Político do Imperador Dom Pedro II envergonha homens públicos de hoje

Para vocês, uma peça histórica. “O Testamento Político do Imperador Dom Pedro II”, que mereceu o título “Defensor Perpétuo do Brasil”, por ocasião da passagem dos 190 anos de seu nascimento .

Há  passagens do testamento de dom Pedro que envergonham nossos homens públicos de hoje, como quando externa suas preocupações com as leis sociais, seu empenho pelas eleições livres e por desvincular a gestão pública da política.

Acréscimo em 06/01/2016:

Impressiona também no testamento político de dom Pedro a frase: “Acompanhava-me sempre a ideia de ver o Brasil, que me é tão caro, o meu Brasil, sem ignorâncias, sem falsa religião, sem vícios e sem distâncias”. Nota-se, na ênfase, o amor legítimo do imperador por seu país, sua Pátria. O que, efetivamente, não vemos hoje em nossos políticos, que mais demonstram sua preocupação nas disputas do poder, do que apego pelo país.

Monarca ou não, Pedro soube amar o Brasil, o que os nossos políticos de hoje ainda precisam aprender.

Quando expulso do país pelo golpe militar de 1889, o imperador levou apenas a edição pessoal de “Os Lusíadas”, que pertencera ao próprio Camões, e um punhado de terra (da sua amada Petrópolis) para repousar a cabeça sobre ela quando morresse. O que de fato ocorreu, em 1891.

Pedro não tinha conta na Suíça, não acumulou patrimônios, só possuía a fazenda que se tornou Petrópolis, nada mais. Sua grande herança, a fortuna moral, bem poderia guiar nossos homens públicos de hoje, que dessa forma não nos decepcionariam tanto.

No twitter, Bruno Vaz Diniz comentou este post: “Nossa elite grotesca substituiu dom Pedro por um general!”. E Ricky Cifuentes arrematou: “Pedro II falava em universalização do ensino e reforma agrária. A elite mudou o regime para não perder o poder”.

A Lei Áurea, abolindo a escravatura, assinada pela regente princesa Isabel na ausência do imperador em viagem, empobreceu e enraiveceu os conservadores, que se valeram de mentiras, fofocas, intrigas e toda a espécie de notícias falsas para levar o marechal Deodoro da Fonseca a dar o golpe. Ele proclamou a República, respaldado pelo Exército, que há 20 anos, desde a Guerra do Paraguai, estava meio sem ter o que  fazer, numa articulação liderada por Rui Barbosa e outros próceres da imprensa e da elite.

Ah, a nossa elite, sempre ela a puxar a parelha de bois para trás da carroça, garantindo a si os privilégios e atrelando-nos ao atraso social…

dom pedro II

testamento d pedro

testamento d pedro 2

Fac simile enviado pelo leitor Jean Menezes do Carmo