Sobre Hildegard Angel

colunadahilde@gmail.com Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

RECEITA DE HOJE: TOMATES VERDES FRITOS A LUCY E LUIZ CARLOS BARRETO!

Programa de hoje: alugar o DVD do filme Tomates verdes fritos, de Jon Avnet, EUA, produção de 1991, praticamente um clássico no quesito sensibilidade e delicadeza, uma ode à vida e à amizade, com o desempenho de quatro fabulosas atrizes, e reunir em casa, para assisti-lo, os amigos de fé. Mas aqueles de verdade, com quem se gosta de fato de estar…

Depois da sessão, servir uma bela travessa de Tomates Verdes Fritos, acompanhados de Salada de Rúcula com Tangerina e Parma, receitas de hoje da chef chic Beth Winston. Não é uma ótima ideia?!…

As receitas são facinhas, facinhas. E ficam mais fáceis ainda explicadas assim, passo a passo, pela chef Beth. Confiram abaixo…

Ah, os homenageados de hoje, é claro, são do cinema, o  casal Luiz Carlos e Lucy Barreto, o Barretão e a Barretinha, que foram homenageados esta semana, pelo Grupo Severiano Ribeiro, por seus 50 anos de contribuição ao cinema nacional. E também porque são ótimos amigos dos amigos…

Ingredientes:

Tomates verdes

Alho, sal, pimenta do reino

Ovo batido em um copo de leite

Farinha de rosca temperada

Queijo parmesão

Óleo para fritar os tomates

Molho de tomate

Manjericão fresco

Mussarela de bufala (em manta)

Salada de Rúcula

1 maço de rúculas frescas

Presunto de Parma

Tangerinas

Limão

Molho da Salada

Azeite, alho, pimenta biquinho

Pimenta do reino e sal

Suco de limão

Suco de tangerina

01 cortar os tomates em fatias grossas e temperá-las com alho sal e pimenta à gosto

02 deixar descansar por 30 minutos na geladeira e depois passar na farinha de trigo

03 passar o ovo batido com leite

04 passar na farinha de rosca temperada e misturada com parmesão

05 fritar os tomates em óleo quente

06 molho de tomate com mangericão fresco

07 colocar as rodelas de tomates fritos em uma cama de molho de tomate

08 adicionar a mussarela de bufala em cima das rodelas

09 colocar mais molho de tomate por cima

10 acrescentar folha de manjericão nas rodelas

11 adicionar queijo parmesão

12 Molho da salada – azeite, alho, pimenta biquinho, pimenta do reino e sal

13 colocar suco de limão e suco de tangerina e misturar

14 Salada – rúcula, tangerina e presunto de parma

15 misturar as folhas ao molho

16 salada de rúcula com presunto de parma ao molho de tangerina pronta

Fotos de Marco Rodrigues

Beth Winston em foto de Antonio Guerreiro

NESTE SÁBADO, UMA HISTÓRIA DE FAMÍLIA

Em sua coluna (que sempre leio) de hoje em O Globo, com muita propriedade, Jorge Bastos Moreno ensinou que os dois mais ilustres filhos de Curvelo foram Adauto Lucio Cardoso e seu irmão, Lucio Cardoso.

Complementando, peço vênia ao Moreno (já que estamos em tempos de STF) para acrescentar à informação que a filha mais ilustre foi Zuzu Angel.

Os três, por sinal, nascidos do mesmo tronco da mesma árvore.
Adauto e Lúcio eram filhos de Nhanhá.
Zuzu, a Zuleika, era filha de Pedro.
Nhanhá e Pedro eram irmãos.
Zuzu, Adauto e Lúcio, o Nonô, como era chamado na família, eram primos-irmãos.
Zuzu amava Nonô, que amava Zuzu, que não amava Adauto, pois Adauto era udenista, lacerdista, apoiou o golpe dos militares. Daí houve a cisão familiar. Adauto se arrependeu (como Lacerda também), quando viu que os militares não entregaram o poder aos civis, depois de tomá-lo, como era esperado (assim, Lacerda, golpista vocacionado, julgava que chegaria ao trono do Brasil, já que pelo voto perderia para JK, cuja vitória em 1965 eram favas contadas).

Ao contrário, os militares no poder trataram de apertar o torniquete do Congresso, cassar Lacerda, JK e que tais. Caiu a ficha de Adauto e ele fez o belo gesto no STF, relatado por Moreno. Ficou bem no retrato da História. E Zuzu, naturalmente, admirou e louvou o gesto de seu primo-irmão. Mas cristal trincado, vocês sabem, é difícil de restaurar. Sobretudo quando, devido a esse mesmo golpe, se perde um lindo filho, na flor da juventude, da beleza, da inteligência, da bondade e do vigor dos mais belos ideais.

Zuzu perdeu o filho e deu a vida para que outras mães não perdessem os delas. E isso foi nos anos do pior e mais cruel dos ditadores, o Garrastazu Médici. Anos em que todos se calaram, se curvaram, paralisados, petrificados e silenciados pelo medo. Por isso se diz que ela  foi a “mãe da Praça de Maio brasileira”, pois naqueles anos negros do Médici, que se manteve no poder de 1969 a 1974, Zuzu Angel foi das raras vozes a se levantarem e a única voz de mãe a fazê-lo.

Depois que ela começou sua luta e suas denúncias, caiu o Ministro da Aeronáutica (foi o único ministro militar a cair na ditadura por esse tipo de denúncia) e nunca mais se soube de tortura ou morte na Base Aérea comandada pelo famigerado brigadeiro João Paulo Burnier.

Zuzu, como se dizia em Curvelo, era fogo na roupa.

(De meu livro Comédia desumana, em tempo de “fabricação”)…

Transcrevo abaixo a notícia da coluna de Moreno que motivou este post:

JORGE BASTOS MORENO

Coluna Nhenhenhém  17/11/2012

Um gesto absolutamente inútil

Quando o ministro Lewandowski levantou-se da cadeira e saiu da sessão em protesto contra o relator Joaquim Barbosa, a comunidade jurídica do país pensou estar diante, novamente, de um gesto de ousadia e coragem que marcou a história da Suprema Corte e do próprio país: ao ver o STF aprovar, contra um único voto, o seu, a lei de censura prévia, o então ministro Adauto Lúcio Cardoso, numa encenação cinematográfica, levantou-se da cadeira, arrancou a toga e a jogou no meio do plenário, como o pantaneiro costuma fazer com as redes de pescar, às margens do Rio Cuiabá. E nunca mais voltou.
Mas Lewandowski não fez isso. Prevalece, portanto, ainda, na literatura jurídica do país, o vaticínio do mestre Evandro Lins e Silva, no livro-depoimento “O salão dos passos perdidos”: “A verdade, parece-me, é que a atitude do ministro Adauto Lúcio Cardoso foi única, continua única, e provavelmente nunca se repetirá”.
Lewandowski saiu, mas se esqueceu de não voltar.

Cultura

A título de curiosidade: Adauto, antes, já havia renunciado à presidência da Câmara, em protesto contra as cassações dos mandatos de seis deputados. Foi um dos dois mais ilustres filhos de Curvelo (MG). O outro foi o escritor Lúcio Cardoso, seu irmão, cujo centenário está sendo comemorado agora. Lúcio, homossexual assumido, foi a grande paixão de Clarice Lispector.

 

Para distrair, antes de dormir

Duas frases ótimas que ouvi esta semana:

1ª – Quando contei a uma amiga do high society sobre o recente namoro de uma jovem princesinha da aristocracia social carioca com uma sambista mais madura de um clã do samba, ela reagiu assim: “Será que vai dar certo? Com uma diferença tão grande de idade!“… Novos tempos…

2ª – Ao telefone, diretamente da Espanha, numa temporada dedicada à saúde, num spa-clínica entre Barcelona e Sevilha, perto de Alicante e Valencia, Helcius Pitanguy comenta o incêndio do iate do Ricardo Rique, na Marina da Glória, o Rebeca VI: “Será que ele está querendo fazer concorrência comigo? É, mas não tinha um Rolling Stone dentro do barco dele, como tinha no meu quando pegou fogo”…

O fogaréu não destruiu apenas o Rebeca VI. Dois outros barcos ao lado também se acabaram no fogaréu…

A clínica onde está o Helcius é qualquer coisa única no mundo. Chama-se Sha Wellness Clinic. É um spa médico considerado o melhor da Espanha e um dos melhores do mundo, com a alimentação toda orientada para os princípios da macrobiótica. E a macrobiótica, meus amores, seca mesmo. E seca priorizando a saúde e o bem estar. Com apartamentos enormes e confortáveis, hotelaria de primeiríssima, milhões de tratamentos. Mas ainda não foi descoberto pelos brasileiros, que, quando isso acontecer, vão ficar absolutamente si-de-ra-dos. É só aguardar para ver…

Angélique Chartouny já marcou a data de seu próximo black-tie: dia 6 de setembro. Abrindo a temporada de comemorações pelo aniversário de uma amiga…

O que se diz é que a bela casa na Urca à beira mar, de Regina Simões de Mello Leitão, falecida há poucos meses, foi vendida de porteiras fechadas, com todo o seu recheio intocado. Até o biombo Coromandel fabuloso…

O destino não tem visto com bons olhos as temporadas anuais de Vandinha Klabin no festival de música de Salzburgo, na Áustria. No ano passado, a viagem precisou ser cancelada porque o marido de Vandinha, Paulo Bertazzi, teve deslocamento de uma retina. Não foram. Este ano, passagens compradas, reservas feitas, quando, há três dias, Bertazzi teve o deslocamento da outra retina. Não vão de novo. Estão tentando passar os ingressos e devolver os bilhetes…

Nasceu, ontem, na Casa de Saúde São José, a primeira neta de Patrícia Peltier de Queiroz e Nelson Tanure, e segundo filho de Priscila e João Paulo Brunet, que já têm o pequeno Benjamin. Religiosos veem um sinal abençoado no fato de ela vir ao mundo já tendo, como nome escolhido, Stella, já que o 15 de agosto é a data consagrada a Nossa Senhora da Glória e Stella Maris é uma denominação antiga dada a Nossa Senhora…

HAPPY HOUR DE NOVIS PARA PITOMBO

Marta Novis reuniu em casa um time feminino de primeiríssima qualidade para celebrar Margot Pitombo. Foi um happy hour alegre, elegante e de altíssimo nível, isto é: a síntese do que é a própria homenageada Margot. Nossa querida Margot é uma vencedora em todos os aspectos. Como a mulher que esteve ao lado, vendo crescer e crescendo junto de um dos maiores cirurgiões plásticos do país, dr. Volney Pitombo. Como a formidável colecionadora de amizades. Como a mãe amorosa de Paula, filha única. E como a combativa vencedora de um câncer agressivo. Margot e suas amigas têm mesmo muito o que celebrar. Por isso, eu aqui, deste meu blog, estouro muitas garrafas de champagne e dou muitos vivas à querida Margot!

Fotos de Liliam Granado e Margot Pitombo

BABADOS IMPORTADOS DE PARIS

O high society bateu ponto ontem em Paris. Mas em Paris da Praia do Flamengo. O restaurante da Casa Julieta de Serpa. Na hora do almoço, mesa concorridíssima em que Mariza Gomes da Silva, viúva do saudoso vice-presidente José Alencar, recebia Inês Maria Neves Faria, mãe do senador Aécio Neves, Idinha Seabra Veiga e Rosa Maria Barreto…

À noite, no jantar, o restaurante viu surgirem, sem reserva prévia, Carmen Mayrink Veiga e Betty Lagardère acompanhadas do estilista Victor Dzenk. Betty aproveitou e reservou a sala privada do restaurante para um jantar, dia 24, homenageando Nélida Piñon, aniversário dela…

Numa outra mesa, estavam Antonio Neves da Rocha e Ricardo Stambowsky, acompanhado de Sueli, combinando a grande festa que vão montar no dia 30, nos salões do Copacabana Palace, pelos 40 anos da Fundação Cesgranrio. Na semana anterior, a fundação promoverá a entrega do seu primeiro grande prêmio de teatro, em grande estilo, no cinema Roxy, tendo Christiane Torloni como mestre de cerimônias…

Viram quantos babados? E todos eles colhidos em Paris…

ATHINA ONASSIS SOFRE ACIDENTE GRAVÍSSIMO NA HOLANDA!

Não à toa o épico jornalista do high society Ibrahim Sued dizia que “em sociedade tudo se sabe”. O assunto nesta tarde nas rodas mais fechadas da Sociedade Hípica Brasileira é que a amazona Athina Onassis sofreu ontem uma queda, quando saltava em seu manège, na Holanda, e esteve perto de sofrer consequências gravíssimas. Graves mesmo!

No primeiro momento, pensou-se até numa lesão medular resultando em paraplegia. Mas, ao que parece, este risco estaria descartado. Parece… Isso diziam pessoas que privam do conhecimento e – por que não dizer? –  da amizade de Doda e Athina, ainda há pouco, na Hípica carioca, onde anualmente acontece o torneio Athina Horse Show, vocês sabem…

Athina Onassis saltando no Athina Horse Show em foto de Sebastião Marinho para este blog

MEU MOMENTO VALE A PENA VER DE NOVO, AGORA COM LEGENDA

Atendendo a pedidos, aqui vai o “vale a pena ver de novo” de minha performance como Marco Antonio, na minha adaptação da peça Julio Cesar, de Shakespeare, agora com legendas, já que o áudio está absolutamente péssimo…

Este vídeo, vocês meus leitores sabem, uma obra de ficção, foi realizado e apresentado antes do julgamento de José Dirceu, o que significa que não havia qualquer juízo de valor…

Foi um repente da antiga atriz, coisa do meu passado. Escrevi, li, gravei, apertei o botão, foi pro YouTube e logo estava no ar. Coisas da tecnolopgia deste mundo presente que é do futuro…

Hildegard Angel Enterra José Dirceu

VOTE: AS MAIS BEM-VESTIDAS DA SEMANA!

Chegou a hora de conferir a nossa seleção pra lá de especial de As Mais Bem-Vestidas da Semana! E como você já sabe, o resto é contigo. Portanto, escolha sua preferida e vote na enquete ao final deste post…

Lembrando que a votação vai até quarta-feira (21)…

Capricha, hein!… 😉

Legendas: Adriana Birolli, Betina de Luca, Alexia Wenk, Liza Canha
Camilla Marins e Juliana Calcena na reinauguração da flagship da Schutz, em Ipanema; Mônica Mendes, Bianca Marques e Gloria Kalil na exibição do inverno 2013 de Bianca Marques; Raquel Alvarez e Juliana Burlamaqui no backstage da Sacada, no Fashion Rio

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STF USOU A JURISPRUDÊNCIA DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA CONTRA OS PETISTAS

Meu seguido/seguidor no Twitter, Fabio de Oliveira Ribeiro, ao ler minha menção da sentença de Tiradentes fazendo uma ilação com a dosimetria do STF, perguntou: “@Hilde_angel, não seria mais apropriado citar o fragmento da condenação do Tomás Antônio Gonzaga por suspeitas e sem provas?”…

Ato contínuo, ele próprio deu conta do recado e uma hora depois postou outra mensagem: “@hilde_angel Fiz uma detalhada comparação entre a condenação de José Dirceu e Tomás Antônio Gonzaga… Enjoy.”

Gostei muito do trabalho de pesquisa do Fabio. Bom demais. E reproduzo aqui para vocês, na íntegra:

STF USOU JURISPRUDÊNCIA DA INCONFIDÊNCIA MINEIRA PARA CONDENAR PETISTAS

Fabio de Oliveira Ribeiro

Ao proferir seus votos condenando José Dirceu e José Genoíno, os ministros do STF enfatizaram que eles deveriam saber o que estava ocorrendo, que, em razão dos cargos que tinham devem ser considerados os chefes do esquema criminoso, que é impossível que não tivessem conhecimento da conspiração criminosa e dela fizessem parte, que não deixaram provas diretas da prática dos crimes que lhes foram imputados, porque deles queriam ficar impunes e que se beneficiaram da trama, mesmo que não tenham tido pessoalmente acréscimo patrimonial.

Todos os ministros citaram a teoria do domínio do fato para condenar os réus por suspeitas, suposições, ilações e até mesmo por falta de provas. O jurista alemão que criou a teoria usada pelo STF desautorizou seu emprego para condenar réus sem provas http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/11/513894.shtml . Portanto, os operadores do Direito precisam descobrir qual foi a jurisprudência empregada pelo STF.

Transcrevo abaixo dois fragmentos da sentença que condenou Tomás Antônio Gonzaga ao degredo:

“Mostra-se quanto o réu Tomás Antônio Gonzaga, que por todos os mais Réus conteúdos nestas devassas era geralmente reputado por chefe da conjuração, como o mais capaz de dirigí-la, e de encarregar o estabelecimento da nova republica; e supondo que esta voz geral que corria entre os conjurados, nascesse principalmente das asseverações dos réus Carlos Corrêa de Toledo e do Alferes Tiradentes, e ambos negassem nos apensos no. 1 e no. 5 que o réu entrasse na conjuração, ou assistisse em algum dos conventículos, que se fizeram em casa dos réus Francisco de Paula, e Domingos de Abreu, acrescentando o Padre Corrêa, que dizia aos sócios da conjuração, que este réu entrava nela, para os animar, sabendo que entrava na ação um homem de luzes e talento capaz de os dirigir; e o réu Tiradentes que não negaria o que soubesse deste réu para o eximir da culpa, sendo seu inimigo por causa de una queixa, que dele fez o Governador Luís da Cunha e Menezes; e igual retratação fizesse o réu Inácio José de Alvarenga na acareação do apenso no. 7 a folha 14, pois tendo declarado no apenso no. 4 que este réu estivera em um dos coventículos que se fizeram em casa do réu Francisco de Paula, e que nele o encarregaram da feitura das Leis, para o governo da mova republica, na dita acareação não sustentou o que havia declarado, dizendo que bem podia enganar-se, e todos os demais réus sustentaram com firmeza, que nunca este réu assistira, nem entrara em algum dos ditos abomináveis conventículos; contudo não pode o réu considerar-se livre da culpa pelos fortes indícios que contra ele reputam…”

Um pouco adiante, diz a sentença que condenou o pressuposto inconfidente:

“…que algumas vezes poderia falar e ter ouvido falar alguns dos réus hipoteticamente sobre o levante; sendo incrível que um homem letrado e de instrução e talento deixasse de advertir que o animo com que se proferem as palavras é oculto aos homens, que semelhante pratica não podia deixar de ser criminosa, especialmente na ocasião, em que o réu supunha que o povo desgostava com a derrama, e que ainda quando o réu falasse hipoteticamente, o que é inaveriguavel, esse seria um dos modos de aconselhar os conjurados , porque os embaraços, que o réu hipoteticamente ponderasse para o levante, podiam resultar luzes, para que ele se executasse por quem tivesse esse animo que o réu sabia não faltaria a muitos se se lançasse a derrama.”

Durante o interrogatório do réu Tomás Antônio Gonzaga, o juiz Vasconcelos Coutinho fez constar do depoimento que “… qualquer que intenta fazer um delito oculto, disfarça o seu animo em publico” e que nestes casos “… produz expressões opostas ao seu verdadeiro intento”.

Diante da veemente negação de Gonzaga de ser participante da conspiração, o referido juiz exige “…que dissesse a verdade, não afetando maliciosamente esquecimento”.
Várias vezes, o dito juiz afirma no interrogatório transcrito “… e ele, respondente, sendo um homem letrado de luzes e talento conhecido”.

A semelhança entre as condenações de José Dirceu, José Genoíno e Tomás Antônio Gonzaga são evidentes. Portanto, ao recorrer da condenação dos petistas, seus defensores podem e devem usar os mesmos argumentos utilizados pelo advogado do Gonzaga, que disse em seu arrazoado que:

“…não se presume também por Direito, que o homem que sempre viveu honrado com provas de fidelidade, sendo o próprio Executor das Leis, passe de repente a ser infiel e cometer um delito tão horroroso e infame, qual o de que se trata, sem que primeiro se exercitasse em outras torpezas.
Neque enin potest quisquis nostrum subito fingi nec cujsque repente vita mutari aut natura converti; nemo repente turpissimus.”

Aos interessados no julgamento do Mensalão, sugiro a leitura do livro Gonzaga e a Inconfidência Mineira, de Almir de Oliveira, publicado pela Edusp em 1985, de onde foram retirados os fragmentos acima transcritos.

Condenar sem provas para agradar ao rei era tradição colonial. Os condenáveis argumentos condenatórios usados contra José Dirceu e José Genoíno, citados ao início, provam satisfatoriamente que retornamos ao tempo da Colônia, mas agora o rei não é um indivíduo, é a mídia, que julga e condena por antecedência, para que o STF homologue a condenação após.

Em se tratando de processo criminal, prova deve existir e ser produzida pela acusação. Caso a mesma não exista ou não seja feita, o réu deve ser absolvido. Esta é a regra legal que apenas o ministro Lewandowski recordou e fez cumprir.

Link:

http://www.facebook.com/fabio.deoliveiraribeiro/posts/174948935979608 …

DOSIMETRIA DE TIRADENTES: MANDA QUEM PODE E OBEDECE QUEM TEM JUÍZO

Nesta última alta madrugada, insone, postei no Twitter a “dosimetria” de Tiradentes, ao qual foi imputada “morte natural pela forca e para sempre”…

Como bem disse nosso ministro da Justiça, preferível a morte a cumprir pena nas cadeias brasileiras, desumanas, sucursais pioradas de Guantanamo, e muito pioradas mesmo…

Vocês não são tolos, nem tenho pretensão de fazê-los de, então, como aqui falamos com franqueza, vocês sabem que eu estava me referindo no Twitter à condenação a José Dirceu e a José Genoíno, em cujas inocências acredito, apesar de longe de mim pretender colocar em dúvida as boas intenções da Justiça brasileira…

Na “dosimetria” ao réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, ele foi condenado a ser conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, enquanto à sua passagem, contam os livros de História, o povo o xingava, ofendia, cuspia, dele debochava. Hoje certamente estariam arrependidos…

Dizia a sentença que, quando chegasse à forca, “nela morra morte natural para sempre e que, depois de morto, lhe seja cortada a cabeça e levada à Vila Rica, onde no lugar mais público dela será pregada a um poste alto até que o tempo a consuma”…

Ali ficou a cabeça do alferes como um troféu, que o povo oprimido pela coroa portuguesa aplaudia, sem perceber que a vida daquele mártir foi tirada justamente para favorecer a ele, o povo explorado, idiotizado e manipulado por Portugal, o poder…

O  corpo, mandaram os juízes, foi dividido em quatro quartos pregados e expostos em postes pelo caminho de Minas, “onde o réu teve as suas infame práticas” (onde se reuniu com os inconfidentes) até que o tempo os consumisse. Ficaram lá aquelas carnes tremulando ao vento, à mercê dos urubus, dos risos e das piadas de mau gosto da “opinião pública”, sempre ela, na contra-mão da História…

Prossegue a “dosimetria” ao réu Tiradentes: “Declaram ao réu infame e infames seus filhos e netos, seus bens e sua casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, e que nunca mais no chão se edifique e, não sendo próprias, serão avaliadas e pagas ao seu dono pelos bens confiscados, e no mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infâmia deste abominável réu”…

Entenderam? A “maldição” a Tiradentes se estendeu aos filhos, aos netos, à casa e à terra onde ela se erguia. E com os aplausos gerais do populacho, que achava muito certo, muito adequado o que estava sendo feito ao salafrário do Tiradentes, que, além de ser subversivo, era um desgraçado de um dentista, que provocava dor arrancando os dentes alheios e agora estava tendo o troco merecido, e que aprendesse a não mais meter a colher onde não era chamado, querendo desafiar os poderosos, pois manda quem pode e obedece quem tem juízo…

Houve bailes nas cidades festejando a morte de Tiradentes, e o povo cantou, dançou, comeu, bebeu e celebrou a morte do grande vilão…

Tiradentes Supliciado, pintura de Pedro Américo, do acervo do Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora