Sobre Hildegard Angel

colunadahilde@gmail.com Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

Mensagem de Natal: O bom exemplo de Clara, breve raio de luz que deixou um rastro de bondade em sua passagem por esta vida

Emails chegam das assessorias sugerindo pautas de Natal com seus clientes. Sem desmerecer as sugestões, prefiro estrear a temporada de Natal com o exemplo da partilha, do amar o próximo como a si mesmo, enfim, com o autêntico ‘espírito natalino’.

Uma legítima pauta de Natal é o prêmio que o escritório carioca-paulistano Siqueira Castro Advogados acaba de conquistar, eleito o Melhor Escritório de Advocacia da América Latina em 2015, devido às suas práticas de Responsabilidade Social e Advocacia Pro Bono.

Um reconhecimento internacional notável, imensa honra para um escritório brasileiro, já que é título conferido pela Chambers, mais importante certificadora mundial de escritórios de advocacia.

Advocacia Pro Bono é novidade no Brasil. Sempre houve aquele escritório ou outro, que, com generosidade, defendeu causas meritórias “de graça”. Mas apenas muito recentemente a prática da Advocacia Pro Bono foi finalmente regulamentada e legalizada pela OAB.

Até então, o órgão de classe considerava infração disciplinar passível de penalidades um advogado prestar serviços jurídicos, sem cobrar honorários, a instituições de caridade e pessoas carentes.

Esta limitação absurda terminou em agosto passado, e quis o destino que, depois de anos de luta no Conselho Federal, coubesse justamente ao autor da proposta, o advogado Carlos Roberto de Siqueira Castro, ser seu relator junto ao Conselho Federal da OAB, obtendo sua aprovação por unanimidade, com o reconhecimento da legalidade da prática da Advocacia Pro Bono no Brasil e sua inserção no Código de Ética da OAB.

Essa luta e essa conquista tiveram como mentora a filha de Carlos Roberto, a advogada Maria Clara Siqueira Castro, que, à exemplo daquela Clara de Assis que lhe inspirou o nome, muito cedo viu de perto o sofrimento.

Vítima de uma diabetes aos 12 anos, Maria Clara, em sua peregrinação pelas clínicas, acompanhou o martírio de outras jovens, poucas com os mesmos recursos financeiros e o mesmo apoio de uma família amorosa, como ela.

O sofrimento alheio despertou-lhe, logo de início, o sentido da caridade e do respeito para com os necessitados. Sua primeira iniciativa foi criar uma ONG de apoio às jovens bulímicas. Em seguida, estendeu seus gestos fraternos a múltiplas necessidades.

Viveu na prática essa vocação do amor ao próximo, até seis meses atrás, quando seu corpo fragilizado por tantos embates não suportou mais os ataques sucessivos e violentos da doença.

Maria Clara partiu, deixando plantada a semente de sua bondade, que agora frutifica em belas ações e num prêmio de tal expressão internacional, o Chambers.

Deixo para vocês o relato comovente da carta póstuma escrita pelo advogado Carlos Fernando para sua irmã, Maria Clara, ao chegar em casa emocionado, logo após participar da solenidade do recebimento do prêmio.

“Querida irmã Maria Clara,

Confesso a você que esta premiação gerou em mim uma série de emoções fortes e conflitantes. Fico feliz pelo reconhecimento, embora eu e você saibamos que nossas atividades filantrópicas representam apenas algumas gotas de orvalho em um imenso deserto de dor, miséria e injustiça. Entretanto, acho importante que uma publicação tão relevante quanto a Chambers esteja dando importância e divulgando a questão da Advocacia Pro Bono. Isso incentiva outros advogados, escritórios de advocacia e departamentos jurídicos a iniciar ou intensificar suas respectivas práticas. Toda e qualquer ajuda é mais do que bem vinda: é necessária e essencial.

Por outro lado, digo a você que este prêmio não me envaidece ou emociona. Se vivêssemos em um mundo diferente, não haveria necessidade de existir prêmios por se “praticar o bem” ou fazer aquilo que é nossa obrigação, como advogados, cidadãos e seres humanos. Infelizmente, este tipo de “reconhecimento” ainda é importante.

Desnecessário dizer o quanto me lembrei de você quando soube da premiação. Foi você quem incutiu em mim e em nossa comunidade a “necessidade quase física” de dedicar parte de nosso tempo aos mais carentes. Você marcou de forma permanente nossas almas com o DNA de suas crenças e, principalmente, do seu exemplo de vida.

Me lembro bem quando você adoeceu. Foi em 1991. Primeiro veio a diabetes tipo I, depois a bulimia e a neuropatia. Por fim, veio a esclerose múltipla. Papai e mamãe ficaram desesperados. Embora já fossem pessoas religiosas, se apegaram a Deus de forma definitiva e procuraram proporcionar a você o melhor tratamento que estivesse disponível. Confesso que não me lembro exatamente quando eles começaram a praticar a caridade de forma mais intensa, mas certamente foi por sua causa. Todo pai pede, de alguma forma, que Deus poupe a vida de seu filho.

Os direitos autorais dos livros do papai começaram a ser doados para instituições de caridade. Em pouco tempo faltaram livros. No escritório, começamos a apoiar financeiramente diversas obras de filantropia, tanto com recursos financeiros para projetos específicos, como também com a prestação de serviços jurídicos gratuitos — a famosa Advocacia Pro Bono. Logo percebemos que quanto mais nos envolvíamos, mais nos sentíamos impotentes. Havia sempre novas obras, novos projetos, tanto por fazer e sempre fomos tão poucos.

Você decidiu fazer direito e ingressou no nosso escritório como estagiária. Desde seu primeiro dia, percebi que seu interesse não era o direito em si. Sua paixão era o desenvolvimento dos nossos projetos sociais. Sua dedicação começou lentamente a “contaminar” os demais. Sempre me impressionou o seu desejo de conhecer pessoalmente cada uma das obras assistidas, onde quer que fosse, e em participar ativamente das diversas atividades que progressivamente passamos a desenvolver com as diversas instituições atendidas.

Por sua iniciativa, decidimos nos organizar melhor e concentrar (até para o nosso controle interno) as atividades da Siqueira Castro em um Comitê de Advocacia Pro Bono e de Responsabilidade Social. Já estávamos no final dos anos 90. Por óbvias razões, você foi a primeira presidente do Comitê e assim permaneceu até quando a sua saúde permitiu. Até o fim você participou deste projeto. Sempre carinhosa e atenta aos mínimos detalhes.

Uma vez você me disse que viver era “a arte do  exercício diário da impotência perante a vida” e o que diferenciava as pessoas era a forma de exercer essa “impotência”. Se a minha memória não falha, você dizia que a “impotência” poderia ser “irresignada e combativa” ou “passiva”.

Você vivenciou e nos mostrou de forma verdadeira a primeira das duas opções. Sempre lutou, nunca se conformou com a situação ao seu redor e nunca foi indiferente com a dor do próximo. Ao mesmo tempo, nunca reclamou, praguejou ou culpou quem quer que fosse pelas suas limitações crescentes.

Confesso que era até difícil perceber o quão debilitada você já estava no final, tamanha a sua energia e entusiasmo com aquilo que foi a sua missão na sua breve vida: o crescimento do nosso Comitê Pro Bono e de Responsabilidade Social e incutir nas pessoas ao seu redor o seu entusiasmo por esta causa.

O fato é que você partiu. Não temos mais a sua presença entre nós. O mundo precisa de tantos milhares de “Marias Claras” e a única que conheci nos deixou cedo demais.

Também queria que você soubesse que as coisas não estão paradas por aqui. Muito pelo contrário, nesses últimos meses, muita coisa boa aconteceu:

Com esse prêmio que ganhamos, o pessoal do Marketing está me pressionando para soltarmos um comunicado institucional. Já pedi que eles próprios se ocupem disso. Frisei apenas que o mais importante era agradecer àqueles que têm estado conosco ao longo de toda essa caminhada e à Chambers, por divulgar a prática da Advocacia Pro Bono. Somos 850 mil advogados em todo o país. Se cada um de nós fizer um pouco que seja, isso já será simplesmente extraordinário

Espero que esta cartinha leve até você não somente o meu coração, mas também este prêmio que agora recebemos em seu nome. Ele é seu.

No escritório, nossos sócios quiseram prestar uma homenagem a você e estão criando o Instituto Maria Clara, que passará a ser o responsável pelas nossas práticas de advocacia Pro Bono e de Responsabilidade Social.

Acho que é só isso. Estou cansado e preciso dormir um pouco. Talvez esta noite eu consiga. Amanhã cedo a luta por aqui recomeça.

Me despeço de você com aquela música da Legião Urbana que escutávamos tanto em Petrópolis e da qual você muito gostava: “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque se você parar pra pensar, na verdade não há”.

Um beijo carinhoso do seu pra sempre irmão,

Carlos Fernando Siqueira Castro”

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Nesses seis meses após a morte de Maria Clara, muitos progressos foram feitos, muitas conquistas se efetivaram. Como se lá do Céu ela estivesse abençoando o trabalho dos antigos companheiros do escritório. Das três novas instituições que passaram a ser atendidas pelo Comitê Pro Bono, elas agora são 78 em 15 estados brasileiros. Além disso, como contei acima, a prática da Advocacia Pro Bono foi regulamentada e legalizada pela OAB.

Clara sempre ironizou a limitação imposta pelo órgão de classe e nunca permitiu que isso fosse um empecilho para que continuassem a sua prática Pro Bono, mesmo “passíveis de punição”. Ela dizia: “Se um médico decide ajudar os mais carentes e os atende, isso não é crime. Se um professor resolve ensinar de graça a quem não pode pagar, isso não é crime. Então, por que “raios” um advogado que presta serviços jurídicos sem cobrar de instituições de caridade e de carentes comete infração disciplinar e pode ser penalizado pela OAB?”. Não é mais, Clara, você conseguiu!

A regulamentação e a legalização do Pro Bono pela OAB são mais legados, entre tantos outros, da combativa Clarinha ao povo de seu país.

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A saudosa e linda Maria Clara, anjo de luz que nos deixou este ano, e sua mãe, Silvia Siqueira Castro

Uma tarde no atelier da francesa Dominique Jardy, com o Olhar Carioca de Yolandinha

Dominique Jardy convidou para uma exposição em seu atelier. Clientes, admiradores, amigos, todos foram. Estava tudo arrumadíssimo, havia uma mesa com jarras de águas aromatizadas com frutas diversas e um espumante geladíssimo, além daquelas coisas que a gente gosta de beliscar enquanto conversa.

Os frequentadores do atelier de Dominique são todos chiques, discretos, muitos estrangeiros, e fala-se bastante francês no ambiente. As mulheres são magras, despojadas e bem vestidas. Os homens, igual. Um ambiente cool. Harmonia total com a obra da artista, que é do mais absoluto bom gosto.

Dominique pinta quadros, objetos, painéis, tecidos, ilustra cartões, e desenvolve produtos, como embalagens e jogos de mesa. Ela é multi.

Logo à mesa da entrada do atelier, naquela tarde festiva, havia em destaque o livro de fotos de Yolanda Barros Barreto, Um Olhar Carioca. Era obrigatório folhear, pois desde a capa ele cativa a atenção e se torna irresistível, como aliás é a própria Yolandinha.

Com seu olhar carioca, ela vai nos seduzindo, página a página, e lá fiquei eu de pé, folheando e fotografando para vocês. Quem quer ter um belo livro de fotos em casa ou presentear um no Natal, vale a recomendação.

A identificação das duas artistas, Dominique e Yolanda, remonta à época em que a Jardy ilustrou uma parede de 10 metros da fazenda dos Barros Barreto com macaquinhos renascentistas e ficou um deslumbramento.

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Na sequência de fotos que se segue abaixo, Dominique Jardy e suas “crias”: os quadros, os pássaros nas gaiolas abertas, ecologicamente corretas, os convites ilustrados por ela, abat jours com cúpulas e uma linha de embalagens de vidro desenvolvidas para uma indústria de sucos de frutas.

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Um passeio pelas maiores coleções de arte do Rio de Janeiro, levados pela mão e a fala de Evandro Carneiro

A Academia Brasileira de Arte encerrou com mesa redonda no Pen Clube seu Ciclo de Conferências comemorativo dos 450 anos da Cidade do Rio de Janeiro. O tema Design, Coleções e Memória da Moda foi  abordado, respectivamente, pelos acadêmicos Victor Burton, designer considerado nosso maior capista; Evandro Carneiro, renomado colecionador, e esta Hilde dedicada à implantação da Casa Zuzu Angel de Memória da Moda do Brasil.

Burton discorreu de improviso, estabelecendo uma polêmica instigante em torno da comparação entre os símbolos do 4º Centenário do Rio de Janeiro e dos 450 Anos do Rio.

Evandro Carneiro levou uma interessante palesta escrita, servindo de guia a comentários de improviso, que eu confisquei após a apresentação e resumo aqui para vocês. E é óbvio que eu quero compartilhar com meus leitores esse mapa ilustrativo do colecionismo, muito bem comentado pelo grande especialista.

O Pen Clube situa-se em triplex em prédio antigo na Praia do Flamengo, legado à instituição por um antigo membro, em testamento. As paredes são revestidas com azulejos portugueses da primeira metade do século 20. Naquele último andar morou, em fase de dificuldade, o escritor, conferencista, tradutor e imortal das letras Antonio Carlos Villaça, personalidade de hábitos monásticos, que deixou registrado em uma de suas obras o fascínio que a bela vista da Praia do Flamengo exercia sobre ele: “E me debruço na varanda e olho o mar. Vejo Niterói, ao longe. Vejo a brancura de Icaraí. Vejo a ponte Rio-Niterói.”

Vamos à palestra resumida do colecionador Evandro Carneiro:

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Evandro Carneiro fala no Pen Clube sobre As Grandes Coleções de Arte Formadas no Rio de Janeiro nos Últimos 50 Anos

Avisando que vai ultrapassar as fronteiras de sua pauta – as grandes coleções de arte formadas no Rio de Janeiro nos últimos 50 anos – e falar sobre outras coleções de arte, Evandro discorre sobre o que motiva um colecionador de obras de arte. Ele lembra o marchand Thomas Cohn, que declarou: “Minha coleção reúne trabalhos que me incomodam e me desafiam, têm alguma coisa na qual eu não consigo penetrar”. Cita a visão de Sérgio Fadel, que declara: “colecionar obras de arte é uma questão afetiva, à medida que o colecionador se envolve e se relaciona com cada obra, numa simbiose de emoção, sentimento e amor” Já para Adolfo Leirner “colecionar é um prazer individual, uma relação de afetividade com as obras que fazem parte do meu espaço”.

Observa o também colecionador Evandro: “Colecionar arte é uma aventura que envolve prazer, afeto, desafios, mistérios, descobertas, emoções, investigação, critérios e, quando a coleção é apresentada em espaços culturais, envolve a dimensão da interação com o público”.

Evandro avalia que a afetividade é determinante na formação das coleções de arte brasileiras. As aquisições pressupõem, além do conhecimento da obra, o do seu autor, nascendo daí laços de amizade duradouros de colecionador e artista.

Sem esquecer que comprar uma obra de arte é  um investimento que, na grande maioria dos casos, oferece retorno para seu investidor. Ele discorre a respeito. As pinturas de Portinari dos anos 40, da melhor fase do artista, podem passar do milhão de dólares. O valor dos quadros de Di Cavalcanti dobrou nos últimos 10 anos. Um Guignard que valia 50 mil dólares no início dos anos 90 hoje está avaliado em 500 mil dólares. E mesmo uma artista mais recente, como Mira Schendel, já tem obras vendidas acima de 200 mil dólares nos EUA e na Europa. Trabalhos de Lygia Clark têm sido vendidos a 2 e 3 milhões de dólares.

Os valores milionários de obras de arte, afirma Evandro, projetam algumas coleções de arte, como a do colecionador argentino Eduardo Constantini, que comprou um autorretrato de Frida Kahlo e a famosa Abaporu, de Tarsila do Amaral.

A história das coleções no Brasil, explica o orador, começou com a Missão Artística Francesa, no reinado de Dom João VI, que trouxe com ela obras adquiridas por Joachin Lebreton na França, que ainda podem ser vistos no Museu Nacional de Belas Artes, somadas àquelas deixadas por dom João VI, quando voltou para Portugal.

Pode-se dizer que foi dom Pedro II quem deu início à atividade de colecionar no Brasil, como grande patrono das artes, visitando salões oficiais e exposições de artistas, adquirindo obras, conferindo bolsas de estudos na Europa para nossos talentos.

Do imperador coroado, Evandro passa aos coroados do dinheiro: as grandes organizações financeiras que abrigam suas próprias coleções de obras de arte, e exemplificou com a Brasiliana Itaú, iniciada na década de 70, tornando-se “a mais abrangente coleção de quadros e objetos de cunho histórico, livros raros, desenhos, aquarelas, gravuras, mapas, documentos, manuscritos e fotografias do Brasil”.

Um acervo com mais de cinco mil peças, além da coleção de mestres modernos.

O grupo Moreira Salles também demonstra “uma postura responsável”, patrocinando e colecionando acervos memorialísticos, como fotos e discos da MPB. Bem como o Banco Central, que na condição de credor de instituições falidas ou extintas do sistema financeiro, tornou-se, desde os anos 70, guardião de suas inúmeras obras de arte. O acervo mais importante reunido pelo Banco Central é o da Galeria Collectio que reúne Tarsila, Bonadei, Ismael Nery, Volpi VRM, Mary Vieira, Di Cavalcanti, Portinari. O destaque do acervo do Banco Bozano Simonsen, formado a partir da década de 70, é a coleção ECO ART, de obras de latino-americanos dedicadas à temática da Ecologia e preservação da natureza. Evandro faz um raio X completo das artes em nosso mudo financeiro.

E enfim Evandro Carneiro chega “às importantes coleções formadas em terras cariocas”. Dá prioridade à coleção de Hecilda e Sérgio Fadel, de 1.500 obras. Relata que ela “ocupa três apartamentos no bairro do Leme, incluindo o chão e os banheiros e é a única que cobre nossa História da Arte, com talvez o mais importante conjunto do Século XIX”.

“A coleção abrange peças da época do Brasil Holandês até o Século XXI. Sua guarda tornou-se muito custosa e por isso seu proprietário busca um local para ambientar esse valioso acervo”, relata, lamentando que “as tratativas com o MAR, ainda na fase de implementação do museu, não prosperaram”.

No entendimento de Evando “sem dúvida, o destino desta magnífica coleção são as paredes de alguma instituição que venha a ser oferecida pelo poder público para receber acervo de tal importância”. E cita o marchand Jean Boghici: “Homens como Sérgio Fadel, que tornam públicas suas coleções através de edições e exposições, merecem incentivos por parte do Estado, em vez de ameaças de impostos castradores como, vez por outra, se vê nos jornais, mas que felizmente nunca se concretizaram”.

Passsemos à coleção de Roberto Marinho, “que, como a maioria das coleções particulares, reflete as preferências individuais do colecionador”.

“Apesar de existir desde as décadas de 30 e 40, a coleção começou de fato a crescer nos anos 70, quando foi iniciado o processo de expansão do conteúdo e do volume do acervo. Nessa coleção, o fator mais relevante é a concentração de obras de arte moderna nacional, figurativa e abstrata, do período que vai dos anos 30 até o final da década de 70. Roberto Marinho chegou a reunir 1.400 obras de arte, que foram divididas, certa vez, em 12 núcleos temáticos, para uma mostra no Paço Imperial do Rio de Janeiro: Abstratos, Flores, Paisagens, Retratos, Naturezas-mortas, Infância, Trabalho, Esportes, Fauna, Tapeçaria, Esculturas e Religião. A abrangência da coleção de Roberto Marinho vai felizmente permanecer exposta em sua antiga residência no Cosme Velho, onde deverá em breve funcionar o instituto Roberto Marinho, a ser dirigido por nosso confrade Lauro Cavalcanti”. Lauro, novo membro da Academia Brasileira de Arte, assiste à palestra na primeira fila.

A próxima coleção lembrada por Evandro é a do casal Maria Cecília e Paulo Geyer, que “reúne mais de 4 mil peças, entre livros, álbuns, pinturas, gravuras, litografias, desenhos, mapas móveis, trabalhos em marfim e objetos decorativos, como 200 pinhas de cristal e vidro, além da lanterna de prata que adornava a carruagem cerimonial do imperador Dom Pedro II”.

“Essa coleção, inclusive, foi tombada como bem patrimonial federal no ano passado, durante a 77.ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio e foi doada ao Museu Imperial de Petrópolis, incluindo a mansão de ambos no Cosme Velho, que será transformada em uma subunidade do museu petropolitano. Os dirigentes do Museu trabalham para que a coleção e a casa do Cosme Velho estejam disponíveis para visitação pública em abril de 2016” – Evandro dá a boa notícia para júbilo da plateia. A casa dos Geyer é vizinha à de Roberto Marinho, serão dois magníficos centros culturais, lado a lado.

Ele lembra o admirável Raymundo Castro Maya, “que, além de seu acervo, doou suas duas residências, com tudo que nelas havia: pinturas, gravuras, desenhos, aquarelas, livros, móveis, tapetes, arquivos, documentos, esculturas e toda a prataria”.

Dá o exemplo do Museu Casa do Pontal, que abriga coleção de arte popular brasileira mais significativa do país, “um museu inteiramente concebido e construído por seu proprietário, o designer francês Jacques Van de Beique, com cerca de oito mil peças de 200 artistas brasileiros, produzidas a partir do século XX, garimpadas por Jacques em 40 anos de viagens e pesquisas por todo o Brasil”.

Entusiasmado, Evandro rompe a barreira dos 50 anos pra trás de sua pauta e discorre sobre acervos de artistas importantes de outros países: “A maior coleção individual de obras do pintor francês pré-impressionista Eugène Boudin pertenceu ao barão do café de São Joaquim, José Francisco Bernardes, que comprou 20 telas doa artista em leilões em Paris e depois a doou ao Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. Trata-se do maior conjunto de obras de Boudin reunidas numa instituição fora da França, bem como o Museu Castro Maya possui a mais completa coleção de Debret”.

Ele revela que algumas coleções já nascem com critérios mais rigorosos, evitando a necessidade de fazer reformulações no futuro. “Esse é o caso da coleção de gravuras de Monica e Georges Kornis, da coleção de arte incomum de Guilherme Guttman e da coleção de fotografias de Joaquim Paiva, esta também em sistema de comodato no MAM – RJ”.

Animadíssimo, o palestrante também ultrapassa os limites do Rio de Janeiro, destacando “a grande novidade da coleção de Bernardo Paz, que criou, na cidade mineira de Brumadinho, o Inhotim, maior museu de arte contemporânea do mundo, onde Bernardo abriga magnífico acervo de grandes instalações e obras contemporâneas”.

Vai ao Pernambuco, onde está a coleção de Ricardo Brennand, “empresário dono de fábricas de vidro, aço, cerâmica, cimento, porcelana e açúcar, ele vendeu suas fábricas de cimento em 1999, utilizando parte dos recursos para fundar o Instituto Ricardo Brennand, que foi inaugurado no segundo semestre de 2002”. Relata que “o acervo do Instituto inclui objetos históricos e artísticos de diversas procedências, abrangendo o período que vai da Baixa Idade Média ao Século XX, com destaque para a documentação histórica e iconográfica relacionada ao período colonial e ao Brasil Holandês. O acervo inclui uma importante coleção de pinturas de Frans Post (1612 – 1680), que foi um dos artistas integrantes da comitiva do conde Maurício de Nassau, fundador da colônia de Nova Holanda em Pernambuco”.

A conclusão de Evandro é de que o destino inexorável das grandes coleções de arte são os grandes museus públicos, “o que transforma o patrimônio individual em patrimônio de toda a sociedade”. Dá como exemplos “a magnífica coleção de Gilberto Chateaubriand, doada em comodato ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro desde a década de 80, e a coleção de Arte Construtiva, Moderna e Contemporânea de João Sattamini, cedida à guarda do Museu de Arte Contemporânea de Niterói, instalada no belo prédio de Oscar Niemeyer”.

Grandes coleções pedem grandes espaços e pessoal especializado para sua manutenção. “Alguns dos mais importantes museus do mundo, foram criados justamente para abrigar coleções de arte doadas por seus proprietários, como o Whitney e o Guggenhein em Nova Iorque, o Museu Hirschhorn em Washington, o Museu Picasso de Paris, e o nosso Museu de Arte Contemporânea, da USP, formado pelas coleções de Ciccillo Matarazzo e Yolanda Penteado”, informa.

A aula de colecionismo prossegue: “À medida que uma coleção se desenvolve, a qualidade do acervo reunido se confirma pelas constantes solicitações de museus e instituições culturais para a realização de exposições. Surge então a percepção de que a coleção é um bem cultural do país – e não apenas o patrimônio de um indivíduo. E assim nasce a ideia de que a coleção deve ser vista por um público cada vez maior”.

“Esta consciência do valor cultural de uma coleção inaugura um processo de revisão e de reformulação dos critérios que deram origem à sua formação. Começa então um novo ciclo de aquisições de obras, destinado a cobrir lacunas, relacionadas com os diversos períodos da história da arte ou relacionadas com as diferentes fases da trajetória específica de um artista. Quando a coleção passa a ser considerada completa, digamos assim, é natural o impulso de doá-la para um museu ou instituição, e neste processo pesam inclusive os custos de manutenção física do acervo, que não são pequenos”.

Ficamos sabendo que a coleção de Gilberto Chateaubriand, que está em comodato no MAM do Rio, tem sido hoje a principal fonte da programação daquele museu, pela sua diversificação, permitindo exposições que fazem recortes de diversos aspectos, como o corpo humano, a arte concreta e neoconcreta, a busca de uma identidade brasileira e os conflitos urbanos, para mencionar apenas alguns deles, explica Evandro. “Diversos outros museus, instituições culturais e empresariais também promovem exposições de recortes da coleção de Chateaubriand, confirmando seu valor histórico, artístico e cultural”.

Segundo dito por Gilberto Chateaubriand, prossegue Evandro em seu relato, “as apresentações públicas da sua coleção cumprem “a importante função de educar o olhar brasileiro para a arte contemporânea”. Ainda segundo Gilberto, “a arte é um dos instrumentos mais eficazes de aprofundamento do ser de um país, um dos termômetros da sua virtualidade e das suas potencialidades”.”

Evandro encerrou sua fala e guarda a conferência num envelope pardo (posteriormente devidamente confiscado, como sabem). Aplausos para ele, logo cercado pelos que queriam cumprimentá-lo.

A  tarde no Pen Clube do Brasil começou na varanda, com vista para o Parque do Flamengo – e que bela vista! – e terminou com cafezinho e petit fours, conversa amiga, de modo mais civilizado impossível. O convívio dos acadêmicos da arte é cordial e sempre enriquecedor. São discretos, opinativos, atualizados. Um privilégio estar perto.

Três casamentos, três idades, três estilos, mas a alegria, a mesma

O amor é epidêmico. Contra ele, ainda não descobriram a vacina. Pega no ar, no olhar, no contato físico, na troca de fluidos, contagia sempre e de qualquer forma. O amor desafia qualquer sistema imunológico, desafia a penicilina, os bons conselhos, o juízo. O amor arrebata e comanda. Desmanda e manda. O amor está no ar.

Abram passagem para Sua Majestade!

sabine & Stéphane

Uma volta ao tempo em que os casamentos eram mínimos; os convidados, apenas os parentes próximos e os amigos íntimos. Ah, as noivas eram pontuais, as igrejas, decoradas de modo singelo, com grande delicadeza, os padrinhos eram poucos, a recepção não lembrava uma convenção ou congresso. Você se sentia efetivamente na residência da noiva (apesar de, às vezes, estar num espaço alugado), tudo era decorado com bom gosto e sobriedade, sob direta e única supervisão da mãe da noiva. A horas tais, ela já sem o véu, os noivos desciam a escadaria da residência (após uma escapulida a dois pós cerimônia religiosa, para mais tarde reaparecerem na festa).

Tudo fluía com normalidade, sem afetações, os grupos se formavam com elegância, as pessoas circulavam sem frissons nem exibicionismos, conversando cordialmente todos com todos, até o momento em que todos se reuniam ao redor de uma das salas, pois “o pai da noiva vai falar”.

Ele falava com espontaneidade, lembrando fatos da infância da filha, que certamente todos ali conheciam desde sempre. E cada um sorria, se divertia com as lembranças, sentindo-se parte da mesma família.

Cálidas recordações, costumando ser ilustradas por projeções de fotos das várias etapas da curta vida da jovem. Falavam em seguida o pai do noivo, um melhor amigo do rapaz e também a irmã da noiva, se ela a tivesse.

Depois, vinha o bolo, empurrado numa mesa de rodinhas para o meio da sala. Noivos e seus pais posavam para as fotos, atrás do bolo, faziam o brinde, cortavam os primeiros pedaços. Ato contínuo, se punham a dançar. No início, os noivos, os pais, os padrinhos. Seguidos por todos os pés de valsa presentes, até a pista se fazer pequena…

E havia a irresistível mesa de doces, e o champagne inesgotável, de qualidade sempre ótima. Ah, antigamente!

Não, meus amores, não foi antigamente. Foi dias atrás o casamento de Sabine van Riel e Stéphane Ménard, no Outeiro da Glória com recepção na The Mansion, em Santa Teresa.

Ela, franco-brasileira. Ele, francês totalmente. Conheceram-se na Itália. Moram em Nova York. Completamente internacionais. Daí que eram muitos os europeus presentes. A família de Stéphane produz vinhos no Sudoeste da França, onde há até um castelo onde abrigar essa princesinha carioca, que passou muitos verões de sua infância entre as areias de Búzios e o barco de pesca, onde fisgou sua primeira cocoroca aos 3 anos de idade, graças a uma persistência extraordinária. A cocoroca foi exibida no data show. Esse foi o tema do discurso espirituoso de seu pai, Hendrick van Riel, que, ao notar a obstinação da pequena pescadora, entendeu que Sabine seria uma vitoriosa.

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Sabine van Riel, com a irmã, Letícia, na idade em que pescou o primeiro peixe

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A primeira cocoroca de Sabine

A segunda grande fisgada de Sabine, Hendrick também projetou no telão: o Stéphane! Todos rimos, encantados com o momento deliciosamente familiar partilhado conosco.

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Sabine e a segunda grande conquista de sua jovem vida

Letícia, a irmã caçula, falou amorosa e ternamente de Sabine. Emocionou-se. As irmãs van Riel se abraçaram. Que dádiva, quando duas irmãs são grandes e verdadeiras amigas!

Lamentei não estarem mais entre nós o avô, José Carlos Laport, com sua verve inteligente e singular, e Nelly Laport, avó de Sabine e Letícia, que dela herdaram o porte clássico, de tal forma aristocrático, que era Nelly a mestra em “expressão corporal” mais solicitada para ensaiar os elencos dos espetáculos do teatro clássico, envolvendo temas da nobreza.

Patrícia Laport, mãe da noiva, anfitriã, articuladora e tecelã daqueles momentos e daquela harmonia, estava esplendorosa. Linda. Todos comentavam e a cumprimentavam pela sua beleza e por todos os acertos e a elegância daquela noite. Uma ocasião para se guardar e uma vista esplendorosa da Cidade do Rio de Janeiro,  que os europeus jamais irão esquecer. Parfait, Patrícia, parfait!.

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O altar do Outeiro da Glória, com bouquets delicados, na cerimônia em que o pároco, padre Sérgio, oficiou falando em quatro idiomas

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Vista sobre a cidade, da sacada da The Mansion, onde aconteceu a recepção após a cerimônia no Outeiro. Os europeus jamais esquecerão

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Os noivos Stéphane e Sabine e o pai da noiva, Hendrick van Riel

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A cabeça da noiva Sabine, como deusa grega, lembrando a avó, Nelly, em sua juventude

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Sabine e Suzy Gentil

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Amiga indiana de Sabine, sua madrinha de casamento

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Hendrick van Riel, pai da noiva, com os irmãos Marc e Kristen van Riel

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Naná Paranaguá e Patricia Laport, mãe-da-noiva-parecendo-irmã-e-linda

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A decoração, sempre com flores vermelhas, variava de sala para sala, de ambiente para ambiente

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Folhas de jiboia usadas como sous plats, copos azuis, vasinhos de vidro

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Flores tropicais lembrando corais

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Mesa de frios com potiches bleu de Chine e orquídeas

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Flores tropicais em todos os arranjos

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A mesa de doces circular, no foyer da entrada e a escadaria dando para os  quartos, onde os noivos repousaram um tiquinho, entre a cerimônia e a recepção

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Cada mesa, um décor

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O por do sol com aquele vistão – uma recepção low key

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As fotos vistas acima são “O Olhar da fotógrafa Claudia Niedzielski”

laport 12Os pais da noiva, Patricia e Hendrick, os noivos, Sabine e Stéphane,  e a mãe do noivo
laport 22A noiva Sabine Van Riel e sua mãe, Patricia Laport

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As irmãs Van Riel, Sabine e Letícia

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Patrícia observa os recém-casados dançarem a valsa nupcial

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Patrícia Laport dança com o genro; ao fundo, sua prima, Ana Cândida de Souza (de vermelho), e a atriz Mila Moreira

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Hendrick van Riel faz discurso de pai da noiva contando sobre a primeira cocoroca pescada pela filha Sabine

LaportLetícia discursa para a irmã, observada pela mãe, Patrícia Laport, e, ao fundo, de vestido listrado, a tia, Monica Laport Steuerman

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Patricia, o noivo e os pais do noivo

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Claudia Niedzilsky, Patricia Laport e Naná Paranaguá

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Maria Luiza Viegas

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Todos os arranjos, com flores tropicais

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No bolo, ela com a camisa da Seleção Brasileira, ele com a camisa de ‘Les Bleus’, a Seleção Francesa

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Desfocados na lente, mas totalmente focados em seu romance, Louis Albert Moustier e Francesca Romana

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Sabine, bela, na dança com o marido e com o pai

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Brinde familiar e beijo de nora e sogra

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O bolo pode ser lindo, mas a noiva nem se fala

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Hendrick van Riel com as irmãs Teresa Pé de Vento e Mimi Laport

laport hilde e ana

Irmãs Angel, eu e Ana Cristina

Fotos acima são minhas (dá pra perceber!)

manoela e luís felipe

O futuro dirá o efeito da soma dos DNAs da filha de um dos mais celebrados nome da arquitetura com o do filho de um dos mais consagrados nomes da decoração de eventos do estado.

Tal potencialização do bom gosto, do senso do equilíbrio dos espaços, da harmonia nas cores e nas formas, da noção de requinte e qualidade há de frutificar em algum talento  extraordinário para o belo.

Assim será o herdeiro ou a herdeira, que Manoela Mûller de Souza Campos e Luis Felipe Cordeiro Guerra, filhos da arquiteta Márcia Malta Müller e da decoradora Mônica Cordeiro Guerra, hão de, em breve, providenciar, para alegria e júbilo das avós e, também, dos vovôs, Vilobaldo de Souza Campos e João Dodsworth Cordeiro Guerra.

Uma amostragem da consequência desse bom gosto reunido nós tivemos na cerimônia e na recepção do casamento deles.

Vestida por Guilherme Guimarães, Manoela entrou pisando sobre ondas, com a cauda, não muito longa, em babados fazendo bicos de renda de tule. Estava toda linda, das sobrancelhas grossas à gola alta; das manguinhas do fourreau de renda ao véu preso na base dos cabelos.

Uma noiva composta como estava Manoela fica tão mais elegante e inspiradora!

Márcia Müller, Mônica Cordeiro Guerra e sua filha, Renata, também vestiam Gui-Gui. Maryse Müller, avó da noiva, e sua outra neta, Antônia, vestiam Glorinha Pires Rebello. Todas irretocavelmente bonitas.

Mônica floriu o salão em cor de rosa e branco. Os arranjos, caso fossem música, soariam delicados como as Bachianas. Eram degradés de rosa e de tons do branco ao creme, ao amarelo muito clarinho, ao verde água. Beleza duplicada e triplicada pelos espelhos – e quantos! – em todas as direções. Nos tampos das mesas, nos aparadores, nas bases dos arranjos, em cômodas espelhadas, espelhos venezianos nas paredes.

Os bouquets de flores se repetiam nas porcelanas inglesas, limoges refinadas, louças Vieux Paris. Guardanapos em tons pálidos, rosados e verdes, prosseguiam nessa bachiana visual, que nos enchia os olhos com suavidade.

Os noivos e suas famílias têm círculos grandes de amigos, de geração para geração. Fizeram questão de contemplar, na medida do possível, desde os amigos dos avós, aos dos pais e aos seus. Lá estava, à cabeceira de uma das mesas da família do noivo, Edith Vasconcellos, grande amiga da saudosa Lourdes Vivacqua, avó materna do noivo, bem como a Mappi Carino. E estavam várias gerações de Cordeiro Guerra, de Malta, de Müller e de Souza Campos.

Do teto, pendiam heras, musgos e flores, como se uma floresta secular tivesse, espontaneamente, brotado no forro do Museu Histórico Nacional, vertendo a pujança da natureza sobre nossas cabeças. Para completar o encantamento, só faltavam carruagens.

Não, não faltavam, porque o Museu Histórico Nacional tem um pátio com um acervo impressionante de carruagens imperiais expostas na passagem para o grande salão das festas.

Carruagens com pátina dourada e pinturas decorativas, estofadas em veludos, almofadadas em capitonê. Com borlas e galões. Lanternas de bronze, vidros bisotados. Capotas de couro, que fecham e abrem. Luxos de muito, muito antigamente, do tempo em que o luxo era luxo de fato.

Carruagem,aliás, tem tudo a ver com as três irmãs Müller Souza Campos, Carolina, Manoela e Antônia, típicas estrelas de contos de Charles Perrault, daquelas transportadas em carruagens puxadas por várias parelhas de cavalos raros emplumados.

Carolina se casou em setembro do ano passado com o advogado Adilson Macabu e tiveram uma linda menina, Vitória. Manoela casando-se agora com o Luis Felipe Cordeiro Guerra. E Antônia, que, já, já, se casa, com direito a carruagens e decoração da Monica Cordeiro Guerra. Quem viver, verá.

Este foi um clássico casamento da alta sociedade carioca.

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Linda, das sobrancelhas grossas ao buquê

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Manoela pisava em ondas de rendas, no vestido de Guilherme Guimarães

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Manoela e Luís Felipe Cordeiro Guerra: que sejam felizes para sempre

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Maryse Malta Müller, a bela avó da noiva, vestia Glorinha Pires Rebello, também um fourreau de renda

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Luís Felipe, a noiva Manoela e Bárbara Pittigliani

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Rosa Cordeiro Guerra, Katia e Arnaldo Danemberg

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Fernanda Basto

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Beth Vianna Pinto e Patricia Niemeyer, que veio especialmente da Virgínia, EUA, para o casamento

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Zelinha Peixoto de Castro Palhares, Ricardo Stambowsky, o cerimonialista, combinou a gravata com a decoração da festa, e Maria Letícia de Souza Campos Protásio

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Rosas, rosas, rosas…

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Bárbara e sua avó, Terezinha Pittigliani

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As irmãs Antônia e Manoela com a mãe, Marcia Müller, todas belas

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A pequenina Vitória com a babá

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Maria Eduarda Nanci

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Maria Eduarda e com a avó, Mappi Carino

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O cobre mesa de flores

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Guilherme Guimarães e Renata Cordeiro Guerra, vestida por ele

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A mesa dos doces florescendo nas forminhas

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Chef Demar e seu filho, Demar Junior, na recepção assinada pela chef Monique Benoliel

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Rafael Fragoso Pires e Márcia Malta Müller, um dos mais belos casais da festa

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Renata com sua mãe, Mônica Cordeiro Guerra

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Renata e o pai, João Cordeiro Guerra com a neta, Carol

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Mesa de doces florida por Raimundo Basílio

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Uma floresta com bromélias em flor, no Museu Histórico Nacional

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O bolo coberto com pérolas

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Espelhos refletiam a beleza dos bouquets

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O altar da Igreja de São Francisco de Paula

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Porcelanas francesas iguais aos arranjos

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Guardanapos nos tons dos arranjos

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Espelhos de cristal veneziano

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Raimundo Basílio, o flower designer, deu um show

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Heras, musgos, flores pendiam do teto do Museu Histórico

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Cobre mesa de flores

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Delicadeza própria da marca Mônica Cordeiro Guerra

Fotos Facebook e Hilde 

margarida e candido

Inspirado pelo justíssimo processo de beatificação de dom Luciano, seu irmão, jesuíta de sólida formação intelectual, defensor impecável das boas causas; que, vivo fosse, estaria tão na linha do papa Francisco, o professor, imortal das Letras e da Educação, Candido Mendes de Almeida, decidiu casar-se com Margareth Dalcomo.

Foi através de dom Luciano que Margareth e o professor se conheceram, quando ela, médica pneumologista, foi chamada para tratar o religioso, vítima de um acidente de carro, entre BH e Mariana, ao retornar de Roma.

Já lá se vão 25 anos. Agora, Candido com 87 anos, ela com 60, e não poderia ter sido celebração de casamento mais alegre, risonha e uma recepção mais dançante. No ofício religioso, por três vezes houve aplausos. O padre lembrou os muitos anos da história de amor. Foi uma história densa, madura, com suas cicatrizes, mas, sobretudo, foi uma construção a dois, com perseverança, alegria e amor.

O celebrante, padre Mario França, da PUC, jesuíta muito especial, amigo próximo de dom Luciano e da família Mendes de Almeida, é quem celebra todos os Natais na família nesses últimos anos. E last but not least é cliente estimado de Margareth.

Eram apenas 250 convidados, número mínimo de pessoas para aqueles, que, como o professor Candido Mendes e Margareth Dalcomo, possuem famílias numerosas e tantas amizades e relações profissionais.

Candido entrou no Outeiro da Glória, braços dados com as duas netas, Maria Clara e Julia, filhas de Maria Isabel e Eduardo Martins.

Como perdeu o pai há pouco mais de um ano, Margareth foi escoltada por Tite Borges, marido de sua amiga mais antiga, desde o jardim de infância, Angela Moreira Borges.

A noiva é capixaba. A fina flor do Espírito Santo veio expressamente brindar aos noivos. Estavam lá, os Bedran, os Buaiz, os Helal. Ah, os docinhos também vieram de Vitória. Irresistíveis!

O colunista Helio Dorea, da Folha Vitória, o mais importante veículo do Espírito Santo, dedicou página inteira ao evento, detalhada cobertura.

Margareth usava um fascinator, por sugestão da amiga Tanit Galdeano, que trazia, também o dela na cabeça. O tecido do vestido da noiva era Dior, comprado em Paris e costurado em Vitória, pela estilista haute couture Margareth Zamprogno. Estava muito bem feito e adequado.

A decoração não poderia ser mais original. No salão paroquial havia dois ambientes. A mesa em U da família dos noivos, imensa, ocupava um ambiente inteiro. Na outra metade do salão, várias mesas longas paralelas.

Todas as mesas estavam cobertas por toalhas brancas e, sobre elas, toalhas antigas bordadas ou rendadas, da família de Margareth, todas com fundo branco.

Havia toalha da Ilha da Madeira, toalha de renda do Norte, toalha chinesa bordada, toalhas bordadas a mão pelas antepassadas com pontos de laçada, bainhas abertas, pontos de entremeio, pontos de cruz, ponto cheio etc. Cada toalha, mais inspirada e bonita que a outra.

Flores em buquês variados, numa infinidade de vasinhos pequenos de vidro. Muito bonito. Singelo.

Uma noite de acadêmicos. Vários membros da Academia Brasileira de Educação, como os professores Heitor Gurgulino e Paulo Alcântara. Membros da Academia Nacional de Medicina, como os doutores Barros Franco, Jayme de Marsillac, Deolindo Couto e Pietro Novellino. E, da Academia Brasileira de Letras, Ana Maria Machado, Arnaldo Niskier, o presidente Geraldo Holanda Cavalcanti, o futuro presidente Domício Proença, Tarcisio Padilha, Marco Lucchesi, Rosiska Darcy de Oliveira, Zuenir Ventura, Sergio Paulo Rouanet.

O ex-ministro da Cultura, Francisco Weffort, com a ex-secretária da Cultura, Helena Severo.

Contudo, na alegria contagiante da comemoração no salão de festas do Outeiro, ninguém era acadêmico, ministro, doutor. Todos eram, igualmente, amigos do “vovô Candinho”, como os netos volta e meia chamavam o noivo, visto descontraído ao lado de Margareth, brindando e até dançando. Quanta alegria!

No quesito animação, o casamento dos veteranos bateu um bolão – esqueçam a rima, por favor.

A vida celebrada com generosidade, cercada de afeto e alegria, sempre é muito boa. Que assim sempre seja com Margareth e Candido.

Sabem de uma coisa? Adorei ter ido!

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A noiva vestiu ouro velho e levava orquídeas na mão, quando jogou o buquê, foi uma das netas de “vovô Candinho” a agarrá-lo

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O casal Margareth e Candido Mendes em mesa de seus amigos da Academia Nacional de Educação

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Lilian Gurgulino veio de Brasília com Heitor para o “Sim” Dalcomo-Mendes e acabou perdendo no trajeto o xale magnífico presenteado a ela pela Imperatriz do Japão – tristeza!

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Carlos Alberto e Tereza Barros Franco, no Outeiro

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Ruth e Arnaldo Niskier e Heitor Gurgulino, na mesa dos amigos da Academia Brasileira da Educação

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Rivana Kfuri, sobrinha da noiva

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Isabel Candido Mendes, filha do noivo, e Eduardo Martins, padrinhos

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Margareth entrou levada pelo grande amigo de toda a vida Luis Eugênio Borges

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Mônica Góes Mendes de Almeida e seus filhos, netos de Candido Mendes, filhos do Pedro

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Isadora e Ana Carolina, as bonitas recepcionistas na igreja

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Com meu marido e com Lilian Gurgulino, na mesa dos membros da Academia Brasileira de Educação

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Lilian e o professor Heitor Gurgulino, que, em seguida ao casamento, partiu para Genebra, onde, na qualidade de Presidente da Academia Mundial de Artes e Ciências, WAAS, participou da mesa abertura da Conferência sobre Ciência, Tecnologia, Inovação e Responsabilidade Social, na European Organization for Nuclear Research, CERN, co-promotora da conferência com a WAAS (presidida por Heitor), sob a chancela da ONU.

No laboratório do CERN em Genebra é que foi comprovada a existência do Bóson de Higgs – A Partícula de Deus.

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Professor Paulo Alcântara e professora Eva Alcântara

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Rosangela Dalcomo e Délio Prates

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Beth Dalcomo e Tereza Barros Franco

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Margareth Dalcomo entre Biza Mendes de Almeida e Monica Góes Mendes de Almeida

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Rivana Kfuri e a pequena Sofia, a demoiselle d’honneur mais ‘espoleta’ de que o Outeiro tem notícia… espoleteou, espoleteou… e depois bateu um soninho…

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A deputada estadual pelo PV, Aspasia Camargo, deu uma de paparazzo durante o casamento. Eu não resisti e também dei

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O professor Candido Mendes com a filha, Bebel

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Candido Mendes com Rita Freire Furtado, viúva de Celso Furtado

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O recém-casado Candido Mendes cercado pelos cinco netos

Fotos minhas (nota-se)

E la nave va…

Trinta anos de Jazz e Bossa Nova, pelas lentes de Cristina Granato

Abre na próxima quarta-feira, 18 de novembro, mas vocês têm agora, em avant-prémière, um “tiragosto” da mostra de fotos de Cristina Granato que vai inaugurar o Bossa Nova Mall, no Centro de Convenções do Prodigy Hotel no Aeroporto Santos Dumont.

O tema da mostra é “Jazz e Bossa Nova” e, através das lentes de Granato, ao longo desses 35 anos de militância da fotógrafa na noite carioca e no show business, os visitantes da exposição vão passear os olhos pelos principais personagens da cena musical brasileira nos dois gêneros, e lembrar endereços marcantes de nossa MBP, como os saudosos Canecão, Chiko’s Bar, Mistura Fina e o Teatro do Hotel Nacional..

Cristina Granato alimentou as colunas sociais, de comportamento e de cultura dos grandes jornais (e também dos pequenos) do país com suas fotos ao longo das últimas três décadas. Registrou imagens de ilustríssimos de vários segmentos, mas desde o início revelou afinidade e identificação com o meio cultural, que lhe abriu as portas com simpatia, sabendo conquistar sua confiança, o que não é tarefa fácil.

Além de boa fotógrafa, uma formiguinha produtiva e benquista pelos que se relacionam profissionalmente com ela.

Vejam uma amostrinha da mostra “Jazz e Bossa Nova”, de Cristina Granato:

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Roberta Sá, Fernanda Takai, João Donato e Bebel Gilberto

granato Paulo Moura -Show SAMBA e JAZZ - WAGNER TISO

Paulo Moura

granato Nivaldo Ornelas ,Victor Biglione

Nivaldo Ornelas e Victor Biglione

FOTO 01: Sivuca e Rildo Hora ASSUNTO: Show de Sivuca e Rildo Hora LOCAL: Asa Branca (RJ) DATA: Fevereiro 1986

Sivuca e Rildo Hora, em seu show no Asa Branca, casa de Francisco Recarey na Lapa

Janeiro 1988 - Projeto Ricardo Vaz - Chicos Bar - pasta 139 Joyce e Nara Leão .

Joyce e Nara Leão, projeto Ricardo Vaz, no Chiko’s Bar, de Francisco Recarey, 1988

granato Aito Moreira e Flora Purin- Canecão

Airto Moreira e Flora Purin, no Canecão de Mario Priolli

1988 Maio - Prêmio Sharp de Música - Hotel Nacional pasta 149 - Baden Powell

Baden-Powell, Prêmio Sharp de Música, Teatro do Hotel Nacional.

1988 Maio - Prêmio Sharp de Música - Hotel Nacional pasta 149 - Cazuza e Bebel Gilberto

Cazuza e Bebel Gilberto, Prêmio Sharp de Música

granato 07 -Tom Jobim , Milton Nascimento ... hico Buarque 1990

Tom Jobim, Milton Nascimento e Chico Buarque,  em 1990

112 - Pasta 790 - Festa -Aniver Milton Nascimento - Barra da Tijuca - out 1998 -TIFF - Wagner Tiso e Francis Hime

Festa de aniversário de Milton Nascimento na Barra da Tijuca, outubro de 1998, Wagner Tiso e Francis Hime

granato 6 - Léo Gandelma , Eliana Pitman e Serginho Trombone

Léo Gandelman, Eliana Pittman e Serginho Trombone

090 - Pasta 654 - Lançamento CD Marisa Gata Mansa - Mistura Fina -set 1997 - TIFF

Johnny Alf, Leny Andrade e Emílio Santiago, no lançamento do CD de Marisa Gata Mansa, Mistura Fina, na Lagoa, setembro de 1997

Flamingos deixam a Casa de Roberto Marinho, mas Lula não sai de lá !

A  casa rosa do Cosme Velho está menos cor de rosa. Esta semana, deixaram a antiga residência de Roberto Marinho as dezenas de flamingos, que tornavam la vie en rose do casal Lily e Roberto ainda mais pink. Entre as aves, quatro flamingos foram presenteados ao jornalista global por Fidel Castro.

O motivo da transferência do plantel de flamingos para uma fazenda, em Itaperuna, devidamente credenciada pelo Ibama para recebe-los, foi o alto grau de stress em que eles se encontravam devido à movimentação de obras, que acontecem ali, onde em breve será aberta ao público a Casa de Roberto Marinho.

Os flamingos, aflitos, saíam em debandada, para lá e para cá, a qualquer movimento no jardim, e numa dessas um deles quebrou a perninha.

A delicadeza no trato das aves é tão grande, que a veterinária, enquanto o tratava da fratura, o observava de longe, de binóculos, para não perturbá-lo em seu habitat.

A remoção dos bichinhos foi uma operação trabalhosíssima, envolvendo uma grande quantidade de meias calças. Sim, aquelas mesmas, usadas pelas mulheres. As pernas foram cortadas, separadamente, e cada flamingo foi acondicionado dentro de uma perna, ficando só com o longo pescoço e a cabeça de fora. Tal e qual as rosas colombianas, de caules longos, que chegam embaladas dentro de uma redinha, perceberam?

Depois, os flamingos foram colocados em caixas plásticas, tipo engradados de cerveja, dois em cada uma. Uma cabecinha pra lá, outra olhando pra cá. Tão fofinhos!

E lá se foram eles, conduzidos cuidadosamente pela estrada, a caminho do novo lar-doce-lar, que definitivamente não há de se comparar com a vibrante antiga residência de Roberto Marinho, onde eles conviviam com as carpas japonesas, que ainda lá estão no Rio Carioca; com um caranguejo, que acaba de cair na piscina vazia (provavelmente chegou transportado na areia da obra), e com o cão labrador da casa, cujo nome é… Lula!

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A saudosa Lily Marinho, na Casa de Roberto Marinho, no Cosme Velho, e ao fundo os flamingos cor de rosa, que esta semana deixaram a residência 

 

Marília Pêra, o que eu sei, o que ela me disse, e vamos prosseguir na corrente positiva

peraOuço dizer que houve desmentidos sobre o estado preocupante de saúde de Marília Pêra. Lamento muito, mas se trata da verdade. Acredito que pretendam preservá-la do assédio da imprensa ou poupar os incontáveis admiradores da preocupação. Compreendo, é justo. Noticiei, por força do ofício e com grande desagrado. Uma informação que detestei dar e relutei até isso, mas  fiz, pois creio que uma corrente positiva de pensamento e orações pode ser, de alguma forma, reanimadora.

Os recentes episódios de Pé na Cova, que vimos na Globo, foram gravados com bastante antecedência, quando Marília ainda estava bem. Agora, porém, permanece em seu leito.

O blog não mencionou qualquer hospitalização, disse que Marília está no oxigênio.

Foi por volta da Páscoa que Marília me falou, sem rodeios, que estava com câncer, quando almoçamos lado a lado no aniversário do advogado Roberto Halbouti, na pérgula do Copacabana Palace.

Ela ensaiava uma peça de teatro que lhe trazia muitos aborrecimentos, pois no ensaio geral nada estava pronto, nem figurinos, cenário, iluminação, nada. Uma produção falha e inconsequente é algo inconcebível para uma atriz de teatro experiente e responsável, formada na antiga escola.

Não postei nada a respeito, pois foi uma conversa entre amigas (leia-se, uma conversa numa ocasião social, onde havia outras pessoas, não foram confidências). Posteriormente, li uma coluna atribuindo a Marília as falhas no andamento dos ensaios da peça, imaginem! A produção deve ter sido a informante da noticia.

Isso me indignou, por saber do estado de saúde da atriz e por ver uma jornalista séria ser induzida a erro por interesses ocultos de terceiros.

Dessa forma, quero, do meu jeito e com meus instrumentos, tentar corrigir equívocos, que possam ter contribuído para dar ao público impressão errônea sobre o comportamento profissional de uma das maiores atrizes que o Brasil tem, já teve e terá, bem como contribuído para lhe provocar grande desagrado.

O importante é manter viva a corrente positiva pela rápida reabilitação de Marília Pêra.

Extremamente preocupante o estado de saúde de Marilia Pêra, diva única da cena brasileira

Historicamente, o Teatro Brasileiro tem três divas consagradas: Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira e Marília Pêra. Bibi, além de notável intérprete, possui voz incomparável.

Marília, das três, é a única que reúne os três atributos.

Com o coração apertado, a alma cheia de apreensão, vejo-me obrigada a compartilhar com vocês a informação que Marília inspira cuidados extremos, está no balão de oxigênio, tendo ao lado seu filho, Ricardo Graça Mello, a irmã, Sandra Pêra, e o marido, Bruno Rossi.

Já está concluído o livro, uma linda fotobiografia, que faz a retrospectiva da vida e dos trabalhos desta nossa estrela ímpar da cena, através de fotos memoráveis.marilia pera Marilia Pêra, diva impar da cena nacional, a única das grandes que reúne os três talentos, inspira cuidados, vamos todos juntos rezar e mentalizar por ela, que há de dar a volta por cima e nos proporcionar muitos outros momentos de embevecimento, com sua sensibilidade de grande atriz

Em 13/11/2015  13:07h

Esclarecendo: Os três atributos, aos quais me refiro, são aqueles que tornam uma artista cênica completa. Marília Pêra, desde sempre, atua, canta e dança de modo igualmente magistral. É a única. Nenhuma outra dama da cena brasileira alcançou a perfeição conjugada nos três itens ao nível de Marília. Quanto à fotobiografia é obra da própria Marília.

Não foi por falta de aviso, não foi por falta de lei. A tragédia de Mariana se deu por falta de prevenção e de cumprimento da lei!

Mais uma vez o Brasil chora uma tragédia após o leite derramado pela inépcia, o desleixo, a imperícia, via de regra parceiros nesses dramas, que levam vidas sem conta, destroem comunidades, rasgam cicatrizes não só nas vidas e famílias, como no histórico bom conceito da engenharia nacional, na terra, na dignidade brasileira.

A vergonha, nesse caso das barreiras de Mariana, a falta de compostura, agiu por contágio. Começou pela inoperância dois gestores, que não realizaram a devida e obrigatória manutenção, alastrou-se pela indiferença por vidas humanas, ao não haver qualquer esquema de aviso às populações no entorno, seguindo-se as mentiras pregadas pelos seus serviços de divulgação à imprensa, de que teria havido alertas, e depois a falta de qualquer consideração aos moradores, isolados sem explicação, dando-se acesso à área atingida apenas aos próprios responsáveis pelo fatídico, os gestores da empresa.

Terminando por contaminar a imprensa brasileira como um todo, que deu ao caso, inicialmente, uma cobertura pífia, inexpressiva, agindo aparentemente com total indiferença. Qualquer queda de prédio numa grande capital do país ocupa mais tempo nos telejornais do que o tempo dado à queda das barreiras de Mariana nos três primeiros dias após o ocorrido.

Foi preciso haver uma grita geral nas redes sociais, no Twitter sobretudo, foi necessário a lama enlamear tudo, outras cidades, os rios, ameaçar invadir o Espírito Santo e tornar-se um gravíssimo risco ambiental nacional, ainda maior do que já era, para a imprensa se mancar.

Lí um twitter que dizia que, fosse a Petrobras a responsável, a cobertura seria maior do que a queda das Torres Gêmeas. Seria sim. Mas tratam-se de duas multinacionais. Uma delas, com sede na Austrália, onde, tivesse ocorrido lá a tragédia, já estariam todos presos e endividados até a quinta geração. Aqui, querem repassar o prejuízo para o poder público e encenam a farsa de que um tremor de 1 ponto alguma coisa seria o responsável. Ora essa, as barreiras são projetadas para resistirem, prevendo até tremores de terra. Terremotos, inclusive.

Se o dono das barragens fosse um empreiteiro e, ainda por cima, um empreiteiro brasileiro, já estaria preso, desmoralizado e também atirado na lama com todos os seus funcionários sofrendo as consequências.

São dois pesos e duas medidas?

Legislação para isso, há. Foi fruto de um empenho obstinado e árdua luta de engenheiros combativos do país, liderados por algumas instituições, como o Clube de Engenharia do Brasil, situado no Rio de Janeiro.

A lama já chegou a Resplendor, em Minas, está chegando em Colatina, a caminho do Espírito Santo. O momento é gravíssimo.

Abaixo, dois artigos, publicados no jornal O Globo e Jornal do Commércio, ilustram o que digo.

barreiras JORNAL DO COMMERCIO

Artigo publicado no Jornal do Commercio,
Quinta-feira, 5 de novembro de 2009 – pág. A-15

É com frequência cada vez maior que o Brasil tem assistido a desastres causados pelo rompimento de barragens, seja por acumulação e retenção de água, seja por resíduos. Há poucos dias mesmo, os telejornais mostraram os estragos causados pelo rompimento de uma barragem construída para a regulação do nível de um rio na periferia de São Paulo. Chuvas realmente intensas e excepcionais, mas não totalmente improváveis ou imprevistas, estão castigando duramente várias regiões do país este ano.

Esses acidentes poderiam ser evitados com uma correta manutenção. Barragens não são estruturas convencionais, como a maioria das obras civis. Exigem atenção permanente do proprietário, em função das mudanças contínuas nas solicitações a que são submetidas durante sua vida útil. Não é assunto para leigos. Apenas engenheiros especializados são capazes de avaliar as reações e o comportamento estrutural delas, propor medidas preventivas e corretivas, além de acompanhar se tudo está compatível com o projeto.

Barragens são sempre vitimadas pelos excessos de precipitação, que podem causar aumentos bruscos de cargas por elevação não prevista do nível da água ou pelo encharcamento dos resíduos contidos. Muitas têm sistemas de monitoramento que precisam ser lidos continuamente, seguindo um manual. Não podem, portanto, ficar abandonadas à própria sorte, sem que se obedeçam às medidas de segurança destinadas a impedir sua degradação ao longo do tempo.

Os políticos gostam de fazer novas obras ou empreendimentos que lhes permitam aparecer na mídia e obter dividendos eleitorais. Gastos com manutenção quase não aparecem, mas são vitais para evitar desastres ambientais, materiais e, muitas vezes, até mortes. As empresas projetam e constroem as barragens dentro de normas técnicas, mas o poder público não exige do proprietário, ou gestor, qualquer sistemática de manutenção.

Pela primeira vez se pretende garantir a obrigatoriedade, em âmbito nacional, de se cuidar da segurança das barragens. Em setembro último, o deputado Leonardo Monteiro (PT-MG) apresentou projeto de lei (PLC nº 168/09) que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) e cria o Sistema Nacional de Informações de Segurança de Barragens (SNISB). O projeto está em análise na Comissão de Meio Ambiente do Senado.

No dia 21 de outubro, técnicos da Agência Nacional de Águas (ANA) estiveram reunidos com o relator do projeto, senador Gilberto Goellner (DEM/MT), propondo novos ajustes à PLC nº168/09 no sentido de aperfeiçoar ainda mais a agilidade e a eficácia dos controles, ampliar o foco na gestão de riscos, promover maior integração com a Política Nacional de Recursos Hídricos e estender o atendimento ao estado da arte, às mais modernas técnicas de engenharia, como é feito internacionalmente. É extremamente louvável a preocupação da ANA, entretanto, diversas rodadas de discussão com a participação da Agência já aconteceram na Câmara e esses pontos, ora levantados, demandarão novas modificações no projeto de lei e no envio do mesmo ao plenário do Senado para, finalmente, poder voltar à Câmara.

O senador Goellner anunciou que promoverá “novas reuniões” para avaliar o impacto das sugestões apresentadas e debatê-las com um grupo de trabalho informal formado por representantes da ANA, do sistema Crea/Confea, dos Ministérios da Cidade, da Integração Nacional e de Minas e Energia.

O PLC nº 168/09, como está, talvez não seja perfeito, porém, é melhor do que a situação de agora, sem regulamentação. Este ano, o país já assistiu a uma catástrofe de grandes proporções com o rompimento da barragem de Algodões, no Piauí. Não faz sentido esperar que um novo desastre aconteça para que o projeto seja aprovado em regime de urgência para entrar em vigor, como uma resposta a inevitáveis perdas humanas e materiais que advirão, mais dia menos dia.

A sabedoria popular prega que o ótimo é inimigo do bom, mas em nosso país as iniciativas em favor da proteção prévia da sociedade sempre esbarram em preciosismos exagerados que emperram os processos. Assim, ficam os projetos de lei adormecidos e só são despertados a toque de caixa quando eventos de trágicas proporções impõem uma solução política de emergência.

A engenharia nacional aguarda, com grande expectativa, um desfecho satisfatório e ágil para a questão, de modo que a lei possa ser finalmente promulgada. É o que a sociedade espera com ansiedade e, se possível, antes da calamidade.

Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia

Falta a responsabilidade administrativa – O GLOBO – 24/05/2013

 

Francis Bogossian,

A qualidade das obras públicas no Rio de Janeiro vem sendo posta em xeque na imprensa. Todos se perguntam como tantos desastres podem acontecer quando a engenharia brasileira é reconhecida internacionalmente pelo alto padrão técnico. Lógico que podem ocorrer erros de concepção, projeto, planejamento ou gestão, mas a principal razão para os recorrentes eventos que temos presenciado é a falta de manutenção das construções.

Obras de engenharia precisam de manutenção permanente não apenas para aumentar e garantir a vida útil da construção, mas, principalmente, por motivos de segurança. O gasto com manutenção de uma estrutura de concreto, por exemplo, é 25 vezes menor do que o custo de renovar a estrutura deteriorada, isto sem contar os possíveis riscos de acidentes.

Esta é uma verdade incontestável, mas dificilmente obedecida, principalmente no setor público!  Não há no Brasil uma consciência da importância dos gastos com manutenção, que deveriam ser permanentes e não esporádicos.

A boa prática construtiva não elimina a necessidade da conservação permanente das construções. Os administradores públicos estão sempre muito mais preocupados em realizar do que em manter o que foi construído por seus antecessores. É natural que queiram mostrar que executaram mais dos que os outros. Por isto mesmo, sem exigência legal e sem que se estabeleçam responsabilidades, a manutenção e conservação de obras de engenharia estarão sempre relegadas ao esquecimento.

Só após grandes acidentes é que se estabelecem regras para que fatos semelhantes não se repitam. Vários desastres provocados pelo rompimento de barragens levaram à criação da Lei Federal nº 12.334/2010,  que estabelece uma política nacional de segurança de barragens, com exigência de inspeções periódicas, atualização dos dados técnicos e estabelecendo responsabilidades dos autores envolvidos.

O desabamento em 2012 do Edifício Liberdade, na Av. Treze de Maio, no Centro do Rio de Janeiro, levou o governador a sancionar a Lei 6.400, de 5 de março de 2013, que determina a autovistoria em prédios públicos e privados. No âmbito do Município do Rio, o prefeito Eduardo Paes aprovou a Lei Complementar 126, de 26 de março de 2013,  estabelecendo obrigatoriedade de vistoria técnica periódica para as edificações com mais de cinco anos e a exigência de laudo técnico dos imóveis.

No segmento de pontes rodoviárias, todos os procedimentos relacionados no manual de inspeção constam da Norma DNIT 010/2004-PRO, mas não há nenhuma obrigatoriedade do administrador público de executar estes serviços com regularidade.

A prevenção de deslizamentos em encostas é outro assunto que não deslancha. Há uma grande comoção quando os desastres acontecem, mas o assunto cai no esquecimento. Não há trabalho preventivo. Prefeitos fecham os olhos para crimes ambientais, como ocupação irregular das encostas e das margens de rios, e ainda para o despejo irregular dos resíduos sólidos.

O Brasil precisa de uma lei de Responsabilidade Administrativa, com regras claras, para nos anteciparmos aos desastres previsíveis.

Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia e da AEERJ-Associação das Empresas de Engenharia do Rio de Janeiro.