Sobre Hildegard Angel

colunadahilde@gmail.com Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

O “cabaré” do Villarino

Tarde de domingo, praia cheia, sol forte, cenário lindo do Copacabana Palace Luiz Villarino, na Pérgula, reunia grupo pequeno para festejar idade nova. O festão mesmo vai ser sábado no Le Poème Bistrô, do Petrit Spahija, marido da Maria Fernanda Cândido, que será transformado num cabaré dos anos 30, com orquestra e bailarinos a caráter…

Enquanto conversava, Villarino degustava camarões e brindava nas flutes comFernanda Bruni, Déa Liao, Adelle Zampieri, Georgiana Guinle…

Narjara Turetta contava para Isabelita dos Patins detalhes de Bouquet, sua personagem em Salve Jorge, novela de Glória Perez

Gerson Coser, sobrinho do Jair, falava de sua paixão pela caça aos javalis, enquanto Donatella, mulher dele, reclamava: “Ele está proibido de caçar aqueles bichinhos”. Bonitona, Kelly Duque Estrada, a “sereia do baile do Copa”, mas isso já lá se vão pelo menos 10 anos (ou mais!) revelou que está gravando um CD de música pop para lançar no verão…

Além de Bayard Tonelli, Kecya Félix, Karla Sabah, Eliana Ovalle, Daniela ArantesFátima Martins, Antônio Paulo Pitanguy Muller (filho do Paulo Muller e neto doIvo Pitanguy), que curtia com duas amigas espanholas, não resistiu ao buxixo e se juntou ao grupo…

Já era noite quando Fernanda Montenegro, que jantava no Cipriani, foi cumprimentar Isabelita dos Patins por sua recuperação após cirurgia…

Frisson assim, só mesmo no velho e sempre Copa

Bolo

Fernanda Montenegro  e Isabelita dos Patins

Narjara Turetta e Luiz Villarino

Kiko Henriques entre Dani e Rafaela Arantes

Danielle César e Helcio Hime

Kelly Duque Estrada

Fátima Martins

Donatella e Gerson Coser

Karla Sabah, Bayard, Kécia Felix

Fotos Vera Donato

Haja emoção!…

Amanhã tem o lançamento da quinta edição do livro Amei um pitboy, do jornalistaWaldir Leite, na Livraria da Casa de Cultura Laura Alvim, às 19h. Desta vez, o lançamento terá como atração especial a presença dos atores André Gonçalves eLui Mendes, que interpretaram o primeiro casal gay das novelas brasileiras em A próxima vítima, de Silvio de Abreu, na Rede Globo em 1995. Eles vão ler alguns contos do livro. Haja emoção!…

André Gonçalves e Lui Mendes, o primeiro casal gay das novelas

Hildegard Angel enterra José Dirceu

Obra de ficção, interpretada pela jornalista e atriz Hildegard Angel, em adaptação livre, feita por ela, do célebre discurso de Marco Antonio, na peça “Julio Cesar”, de Shakespeare, inspirada em personagens e fatos da atualidade brasileira.
Obs: Este vídeo foi veiculado antes do julgamento do personagem aqui
enfocado, não se sabendo se ele seria inocentado ou condenado,
deixando-se assim bem evidente que se trata de uma obra de ficção, não
se fazendo qualquer juízo de valor a respeito das ações que venham a ser
tomadas pelas autoridades mencionadas nesta obra aberta.

“Amigos, brasileiros, meus compatriotas, escutem-me. Vim  para enterrar José Dirceu, não para louvá-lo. O bem que se faz é enterrado junto com os nossos ossos, que seja assim com Dirceu. O nobre ministro Joaquim Barbosa disse a vocês que José Dirceu era ambicioso. E, se é verdade que era, a falta era muito grave, e José Dirceu pagou por ela com a vida, aqui, pelas mãos do Relator e dos demais Ministros do Supremo Tribunal Federal, sem esquecer de citar o nobre Procurador Geral da República. Pois Joaquim Barbosa é um homem honrado, e assim são todos eles, todos homens honrados.

Venho para falar neste emblemático “funeral” de José Dirceu. Ele era meu amigo, fiel e justo comigo. Mas Joaquim Barbosa diz que ele era ambicioso. E o ministro Barbosa é um homem honrado.
José Dirceu sacrificou sua juventude, os anos mais vigorosos de sua vida, e dedicou todos os seus sonhos a tentar libertar o Brasil de uma ditadura sanguinária. Isto seria uma atitude indigna e ambiciosa de Dirceu? Quando o povo sofria oprimido, Dirceu se solidarizava. Ora, a ambição torna as pessoas duras e sem compaixão. Entretanto, Barbosa diz que Dirceu era ambicioso. E Barbosa é um homem honrado.
Vocês todos souberam que, travando seu bom combate, por três vezes, Dirceu teve que se despojar de tudo, de seu país, de sua família, de seu rosto e até de renunciar à sua identidade. Passou a se chamar Daniel, teve que mudar o nome para Carlos Henrique. Enfrentou o bisturi do cirurgião, desfigurando a própria face. Escondeu da mulher que amava, mãe de seus filhos, o seu passado, para proteger a família do perigo de saber quem de fato ele era, clandestino que estava em seu próprio país. Em nome de uma ideologia, ousou viver e sobreviver despojado dos mais básicos elementos essenciais à auto-estima de um indivíduo. E se despojou de um ministério poderoso, de um governo que ajudou a eleger, para travar nova luta. Seria este um homem ambicioso? Mas Barbosa diz que ele era ambicioso, e Barbosa, todos sabemos, é um homem honrado.
Eu não falo aqui para discordar do que o digno ministro Barbosa falou. Mas eu tenho que falar daquilo que eu sei. Muitos de vocês, se não amaram Dirceu, pelo menos o admiraram, e tinham razões para isso. Qual a razão que os impede agora de homenageá-lo na morte?
Ontem, a palavra deste homem seria capaz de enfrentar o mundo, agora, está aqui, desmoralizada, morta. E um homem de palavra morta é um homem morto.
Ah! Se eu estivesse mal intencionada, disposta a aliciar os seus corações e mentes à revolta, eu falaria mal de Barbosa e de Marco Aurélio ou de Mendes e de Weber ou de Celso e Lucia e Britto, os quais, como sabem, são homens e mulheres honrados. Não vou falar mal deles. Prefiro falar mal do morto. Prefiro falar mal de mim e de vocês do que destes homens e mulheres honrados.
Mas eis aqui um email de Dirceu! Eu o encontrei em minha caixa de correio. É sua carta-testamento. Quando as pessoas do povo a lerem  (porque, perdoem-me, eu não pretendo lê-la),  elas se lançarão para  beijarem os ferimentos de Dirceu e molhar os lenços no seu sangue.
O quê? Vocês exigem que eu a leia? Tenham paciência, amigos, mas eu não devo fazer isso. Vocês não são de madeira ou de ferro e, sim, humanos. E, sendo humanos, ao ouvir o testamento de Dirceu vão se inflamar, ficarão furiosos. É melhor que vocês não saibam que são os herdeiros de Dirceu! Pois se souberem… o que vai acontecer?
Continuam a insistir? Então vocês vão me obrigar a ler o email-testamento do Zé? Façam então um círculo em volta do corpo e deixem-me mostrar-lhes Dirceu morto, aquele que escreveu este testamento.
Brasileiros. Se vocês têm lágrimas, preparem-se para despejá-las. Vocês todos conhecem este manto. Vejam, foi neste lugar que a sentença do ministro Barbosa penetrou. Através deste outro rasgão, o ministro Fux, tão querido de Dirceu, proferiu o seu voto e, quando ele o concluiu,  vejam como o sangue de Dirceu escorreu do ferimento. E oh! Deuses, que golpe brutal para Dirceu, que tanto o admirava! Foi neste momento que seu coração parou. Então eu e vocês e todos nós também tombamos.
Sim, agora vocês choram. Percebo que sentem um pouco de piedade por ele. Boas almas. Choram ao ver o manto de José Dirceu despedaçado.
Bons amigos, queridos amigos, não quero estimular a revolta de vocês. Aqueles que praticaram este ato são sábios e honrados e já apresentaram a vocês as suas ponderações, queixas e razões. Eu não vim para agitar seus corações. Eu não sou uma boa oradora, como o notável ministro Joaquim Barbosa. Sou apenas uma mulher simples e direta, que ama os seus amigos.
Mas já que tanto insistem, revelo enfim o conteúdo da carta-testamento assinada por Dirceu.
Para vocês, ele deixou todos os seus sonhos de um Brasil mais cidadão, com menos desigualdades, um Brasil nacional, dono de seu nariz, e para os herdeiros de vocês e para sempre.
Este era José Dirceu. Quando aparecerá outro como ele?”

Gisella decola para fazer brilhar ainda mais o sol brasileiro

Está fazendo tempo bom nas praias do Nordeste do Brasil. E o sol passará a brilhar ainda mais a partir de amanhã, pois hoje à noite desembarca em Natal, Rio Grande do Norte, a Gisella Amaral, que será hóspede da família Barreto, no Hotel Vila do Mar

Gisella vai em sua permanente missão de vida: fazer bondade. Sua única programação social, nos dias 18, 19 e 20, consistirá num chá nos jardins da Escola Doméstica, promovido pela associação das ex-alunas, com participação do médico oncologista Aluisio Rodrigues, que fará palestra…

Quem acompanhará Gisella, organizou sua agenda e convidou pessoas envolvidas com filantropia, para se somarem a esse mutirão solidário durante a estada de nossaAmaralita em Natal, é a jornalista Hilneth Correia, a Hildezinha do Rio Grande do Norte

Hilneth será auxiliada por Suzana Ledebour, ex-mulher de Aluizio Alves Filho, Idaisa Fernandes, procuradora do Estado e paciente operada de câncer aos 50 anos,Ana Virginia Queiroz, além de voluntárias da Rede Feminina, do HATMO (grupo que trabalha com doação de medula) e das Casas de Apoio aos Portadores de Câncer

Gisella, que há sete anos ganhou uma batalha pessoal contra o câncer, vai proferir palestras sobre a importância da prevenção do câncer feminino e sobre os direitos legais dos portadores de câncer (direitos que grande parte da população brasileira desconhece), em vários lugares pontuais: Hospital da Liga do Câncer, Hospital Luiz Antônio, Hospital Infantil Varela Santiago e Casa Durval Paiva, congregando as demais Casas de Apoio. Ela também fará visitas oficiais a autoridades, na qualidade de presidente de honra e fundadora da obra social SorRio

Hilneth Correia vai outra vez ciceronear nossa querida Gisella Amaral em Natal, a partir de hoje

Gisella Amaral embarca hoje para o Rio Grande do Norte em sua missão de vida: disseminar bondade

Intocáveis: vi e gostei

Fui ver um filme francês em cartaz de que gostei muito: Intocáveis. O cenário é a mansão fabulosa de um parisiense bilionário, cercado de todos os luxos possíveis, porém tetraplégico, limitado a mover a cabeça, cuidado por um jovem imigrante africano, morador da área pobre da periferia parisiense, que é sua antítese.

O grande encantamento do filme, que nos faz sair quase querendo dançar, reside no contraste do homem totalmente enclausurado, fisicamente e por seus princípios, por seu academicismo, seus compromissos com a sociedade, o mundo e a família que o cercam, por sua fortuna, sua cultura clássica, versus o homem liberto que é seu cuidador, descompromissado, sem freios, sem padrões impostos, sem dinheiro e, por tudo isso, absolutamente fascinante.

A história é contada sem exageros, sem resvalar para o melodrama barato, sem arrancar lágrimas, ao contrário, nos fazendo rir bastante, com bons atores, excelente trilha sonora e cumprindo ao pé da letra o propósito de prender a atenção da plateia até o último segundo. Recomendo com entusiasmo. Depois me digam.)

Highlights do terceiro e último dia do Paraty Eco Fashion!

Domingão ensolarado em Paraty. E logo cedo o auditório da Casa de Cultura já fervia. Era a mesa de debate da pesquisadora Ruth Joffily com a estilista Lena SantanaLuiza Marcier, designer e futura diretora do Museu da Moda se atrasou um pouquinho, vindo diretamente do Rio, mas isso não impediu que o bate-papo fluísse de maneira descontraída, agregando, também, gente da plateia, como o historiador João Braga e Celina de Farias, do Instituto Zuzu Angel

Mais uma vez, a polêmica do consumo irresponsável esteve em evidência. Vale a pena consumir um produto  barato, parém de má qualidade e de curta duração? Segundo Lena Santana, é o que podemos chamar de uma “falsa economia”. Somos atraídos pelo bom preço, mas, no final das contas, gastamos mais, pois somo obrigados a logo descartá-los e comprar novos produtos. Ruth Joffily acredita que, para mudar esse quadro, é preciso investir na educação e na consciência ecológica, tornando o consumidor ciente de seu papel e mais exigente em relação ao que consome…

A busca pela identidade de uma moda genuinamente brasileira também foi levantada. Por que muitos consumidores brasileiros preferem comprar roupas lá fora? Está claro que há certa insatisfação do brasileiro com a moda nacional, o que envolve uma série de fatores, entre eles o preço alto e a mania de achar que tudo o que vem de fora é melhor. Resquício dos tempos da Colônia. Contudo, muitos estilistas têm culpa nesse cartório, ao renegarem nossa moda, nossas raízes, nossa cultura… Logo, como competir com produtos estrangeiros, se os nacionais são, muitas vezes, praticamente cópias e até mais caros?…

Para Luiza Marcier, a identidade da moda brasileira ainda está sendo construída, pois nossa história é relativamente recente se comparada com os países europeus. Luiza acredita que, para se criar uma identidade própria, é necessário conhecer a História dos costumes e da moda brasileira. E não há melhor forma de se fazer isso do que preservando a memória. Para isto, o papel do Museu da Moda é essencial…

Logo após, o público foi brindado com uma bela apresentação do coral indígena de Paraty MirimBernadete Passos, idealizadora do evento, encerrou o ciclo de debates com a seguinte reflexão: “Saiam daqui pensando em como aproximar esses mundos respeitando a diferença de cada um deles”…

E para finalizar com chave de ouro o Paraty Eco Fashion, um grupo de cirandeiros da região foi seguido pela plateia ruas do centro histórico afora, até a praça da Matriz, onde foi montada uma tenda com feira de produtos sustentáveis…

Cobertura de Marina Giustino / Fotos de Cristiana Giustino

Jantar dançante de Maria Raquel de Carvalho

Sempre gentil, elegante e com simpatia, Maria Raquel de Carvalho, abriu as portas de seu belo apê na Avenida Visconde de Albuquerque, para jantar em torno deLucinha e João Araújo. Amigos vários do casal e todos nós presentes, música boa saindo do sax de Felipe Schmitt e dança animada pelo professor Patrick sacudindo as caveirinhas…

Foi naquele prédio com história, ali enviesado com a praia do Leblon, quase na subida da Niemeyer. Quando foi inaugurado, fim dos 60 /primórdios dos 70, seus andares eram ocupados por Antonio e Carmem Galdeano, Renato e Norma Simões, CarlosMaria Raquel de Carvalho, Esther Souza Leão, Tanit Galdeano na cobertura. Eram os festeiros do edifício. Os almoços, coquetéis, jantares se sucediam. Depois vieram, nas décadas sucessivas, Suzette Dourado, Beki Klabin, Rosinah Meirelles

Agora, lá estão os neo-condôminos Olivia Byington e Daniel Filho, que chegaram sorridentes ao jantar, com ares de casal que deu certo. Daniel me conta que julga o apê, onde até tem sala de cinema, absolutamente enorme, com seus 480 m². Área, porém, até acanhada perto dos 999m² de Gilberto Braga, na outra ponta da praia, noArpoador. E Gilberto nem sala de cinema tem!…

Eu, instalada numa cadeira D. João V da sala de jantar, que passou por reforma, perdeu parede e integrou-se ao living, tornando ainda maior o salão monumental, observo os convidados de Maria Raquel de Carvalho e vou lembrando histórias daquele edifício, daquele passado, daqueles vizinhos. Tantas e tantas…

Estão os velhos amigos de fé e irmãos camaradas do casal homenageado João e Lucinha Araujo. O Paulo César com a Isabel Ferreira, o coronel Paiva Chaves, a Marise Müller, o Nelson Jobim com Adrienne, o Yazigi com a Soraya, a Magali e o Sérgio Cabral. Estavam o Chico Mascarenhas do Guimas com a Timtim, fumante, que volta e meia se refugiava no janelão voltado pro mar pra dar umas tragadas junto com a Sandra Fernandes. E estavam a Regina Rique, a Maria Lucia Rangel, o Zuenir com a Mary, o Taunay com seu papo sempre brilhante,  a Ana Cristina Vilaça roupa de renda com cauda transparente, a Claude Amaral Peixoto. Os filhos de Maria Raquel com suas belas mulheres. E as duas amigas de fé da anfitriã, sei que vocês sabem os nomes, mas não custa repetir: Suzette Dourado e Maria Clara Tapajós. Impossível uma reunião em casa de Raquel, de três ou de 300 convidados, em que elas não estejam…

Maria Raquel de Carvalho entre os filhos Carlos Felipe e Carlos Fernando

Os homenageados: Lucinha e João Araújo

Regina Rique e Maria Clara Tapajós

Sérgio Cabral com Adrienne e Nelson Jobim

Ana Cristina Vilaça, transparência na saia rendada atrás

Claude Amaral Peixoto e Chicô Gouvêa

Patrick Silva, o professor de dança, e Felicia Brafman

Edmar Fontoura e Kátia Spolavori com o saxofonista Felipe Schmitt

Paulo Reis e Maria Lúcia Rangel

João Araújo e Alfredo Taunay

Carlos Fernando e Gabriela Carvalho

Maria Lúcia Rangel, Lucinha Araújo e  Suzette Dourado

Maria Clara Tapajós, Anita Gonçalves e Suzette Dourado

Salada de frutas

Peras ma-ra-vi-lho-sas!

 Fotos de Sebastião Marinho

Os highlights do segundo dia do Paraty Eco Fashion

Neste sábado, o mau tempo resolveu dar uma trégua em Paraty. Ainda que tímido, o sol brilhou, brindando a todos com um dia pra lá de quente! Mas não tão quente quanto as mesas das palestras e discussões, que contaram com nomes ilustres da moda e do design. A começar pelo primeiro bate-papo do dia, sobre moda e figurino, com as participações do super historiador de moda João Braga e da designer Eliane Damasceno, com mediação da designer e consultora do Instituto Zuzu Angel, Lucia Acar

Durante o bate-papo, João ressaltou a importância de se valorizar o que é produzido no Brasil, não só em termos de moda, mas, também, de figurino. Citou o exemplo de  figurinistas de fora quem vêm ao Brasil para conhecerem o Carnaval, muitos deles trabalham com óperas, e se quedam fascinados pela exuberância e a criatividade de nossas fantasias. Para o historiador, o Carnaval é a ópera brasileira. Eliane relembrou outro tipo de figurino bastante popular por aqui: o das telenovelas. Poderosa, a telenovela dita e lança moda, atingindo todas as camadas da sociedade. Em relação à questão ambiental, para ambos o despertar da consciência ecológica é algo recente, que ainda precisa ser maturado. De todas as áreas, a roupa, falando de moda e de figurino, talvez seja o produto com maior poder sensibilizador para a questão da sustentabilidade. E por que não aproveitar, por exemplo, a força de uma telenovela para tentar sensibilizar a população sobre a importância de se usar produtos ecologicamente corretos? Uma questão a se pensar…

Na segunda mesa do dia, Roberto Meireles, do Instituto Rio ModaLilyan Berlim, mestre em Ciências Ambientais e Nina Braga, do Instituto E, refletiram sobre as velhas e novas formas de produção, o descarte imediato de peças e o papel dos novos designers na tentativa de se fazer algo autoral, atemporal e sustentável. Nina ressaltou a importância de se unir a ética à estética. E Lilyan comentou que, na contra mão das fast fashion, muitos designers têm mostrado preocupação com o controle de sua produção, pensando e desenvolvendo um produto que seja usado a longo prazo. É o que podemos chamar de slow fashion.  Não irá demorar muito para que estes designers passem a ditar as regras do jogo. O próprio consumidor já está mais exigente em relação ao que consome e usa. Cedo ou mais tarde, a indústria da moda terá de rever sua forma de produção…

A terceira e última mesa do dia contou com a mediação da jornalista de moda Heloisa Marra e com a presença dos convidados Renato Imbroisi, designer, e Mana Bernardes, designer-poetisa e artista plástica. Mana, uma das primeiras designers a apostarem na sustentabilidade no ramo das joias – quem não se lembra do colar de bolinha de gude em redinha de limão? – contou ao público sobre seu processo de criação. Ela não desenha, nunca desenhou. Mana cria um poema e, a partir daí, nasce uma joia. Para ela, a poesia é o central, o início de todo o processo. Bonito, né? Mana é uma dessas artistas completas. Suas joias possuem sentimento e um porquê de existir. E não é só a joia ou a poesia que tem importância neste processo. A embalagem em que ela virá envolta, o detalhe do fecho, enfim, tudo deve fazer parte de um conjunto para que este trabalho tenha um significado…

No mesmo dia, a tenda principal do evento, onde há uma feirinha de produtos sustentáveis, na Praça da Matriz, ficou repleta de curiosos, turistas e fashionistas, que foram conferir os desfiles das marcas que expõem no local. O casting de modelos foi de meninos e meninas da própria região de Paraty. Na foto, look da estilista Angélica Brasil, de Minas Gerais…

Cobertura de Marina Giustino / Fotos de Cristiana Giustino

Brasil jovem não conhece, não cultiva nem prestigia a memória!

Ignorar que é Ângela Maria, considerada a nossa maior cantora de todos os tempos, quem está na foto de hoje em O Globo, com Celso Russomano e o deputado Flavio D’Urso, é como se o francês Le Monde publicasse a foto de Edith Piaf e não identificasse na legenda sua cantora-mito ou se o diario português Jornal de Notícias omitisse o nome da diva maior do fado Amália Rodrigues, na identificação de uma foto com políticos. Com a grande e sintomática diferença que Ângela Maria ainda está viva…

Este é o nosso Brasil “jovem”, que não conhece, não cultiva nem prestigia sequer a memória recente, que dirá a memória remota…

 

A colunista propõe e Globo cria Grupo de Controle de Qualidade das novelas

Transpiram ecos de uma reunião havida semana passada na Rede Globo em que os autores de novelas teriam sido devidamente enquadrados pela direção que decidiu, por motivo de insatisfações várias, criar um Grupo de Controle de Qualidade  de sua dramaturgia que zelará de pertinho por tudo que diz respeito às novelas…

Informa hoje a colunista de TV da Folha de São Paulo, Keila Menezes, que os autores até ouviram que seus salários são suficientemente altos para que eles se preocupem mais com detalhes relativos aos resultados da dramaturgia, ops!…

O grupo acompanhará a produção do texto desde a elaboração da sinopse, do perfil dos personagens à escolha dos atores e toda a evolução da novela. Enfim, terão todos os cuidados para que histórias semelhantes não ocorram em novelas simultâneas. Para que não haja repetição de tramas, situações e tipos. Até na cenografia temos visto objetos decorativos de casa de núcleo brega (casa de Tufão em Avenida Brasil) repetidos em casa de núcleo chique (casa de Melissa em Amor eterno amor)!…

Este Grupo de Controle de Qualidade será tipo um Grupo de Bonis genéricos (já que o Boni original não se encontra disponível) e servirá de grande valia. Sua atuação poderá acabar com essa coisa chata de autores detonarem farpas uns contra os outros, disputando a primazia da ideia de uma trama ou da escolha de um ator…

O Grupo será muito bem-vindo se palpitar nos excessos cosméticos de artistas, que exageram no botox e nas cirurgias plásticas,  tornando-se quase “bonecos digitais”…

Tudo isso, não só afeta a dramaturgia, como também o próprio bolso da empresa, já que seu elenco é um item patrimonial importantíssimo, numa grande empresa de entretenimento como a Rede Globo

A reunião foi semana passada. Mas esta jornalista bate nessa tecla há tempos. Em janeiro propus exatamente a criação de um departamento de controle na empresa. Confiram…

No dia 14 de janeiro, perguntei no título:  “Onde estão os “bonis” do século 21 que não controlam o excesso de botox nas novelas?” http://bit.ly/Awyr0i

No dia seguinte, voltei à carga no post “Botox nas novelas gera polêmica”  http://bit.ly/Ud4oWy

No dia 7 de abril, postei comentário intitulado “Emissora global toma providência sobre excesso de botox de seus artistas!”  http://bit.ly/PmYdzd

O papel do jornalista não é o de apenas elogiar. É o de também elogiar, quando acha que isso é justo e necessário.

O papel do jornalista é o de ser construtivo e sincero, mostrando direções, dentro de suas possibilidades críticas…