Sobre Hildegard Angel

colunadahilde@gmail.com Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

AS FOTOS DA POSSE DO PREFEITO EDUARDO PAES

Solenes e belas, as fotos da posse do prefeito Eduardo Paes e do novo vice-prefeito, o petista Adilson Pires, prestigiada pelo governador Sérgio Cabral…

posseprefeito02 aEduardo Paes com Cristine e os filhos, Sergio Cabral, Adilson Pires e a vice-primeira-dama do Rio Maria do Carmo Pires

posseprefeito01 aA primeira-dama, Cristine Paes, de vestido na cor nude, com cintura bem baixa e saia de babado único franzido, no mesmo estilo do vestido da filha, só que a bainha da mamãe era mais curta. O menino também seguiu o look do pai Eduardo: de gravata azul e terno escuro, com paletó aberto.

posseprefeito03 aA posse no Salão Principal do Palácio da Cidade, com o arcebisco do Rio, Dom Orani Tempesta, na primeira fila, representantes do rabinato do Rio, o governador Cabral, o vice Pezão, e ainda os secretários estaduais Fichtner, Julio Lopes, os pais do prefeito, Consuelo e Walmar Paes, secretários municipais…

Fotos: Bruno Itan

 

NO PRIMEIRO MOMENTO DE 2013, UMA TRISTE NOTÍCIA

A alta sociedade carioca amanheceu 2013 com uma triste notícia que chegou a todos via email de Betsy Salles Monteiro de Carvalho junto com familiares de Simon Lane, o escritor companheiro dela dos últimos muitos anos.

A mensagem dizia:

“Queridos amigos de Simon.

Estamos com Betsy neste instante.

Gostaríamos de estar escrevendo simplesmente para dizer Feliz Ano Novo para vocês e suas famílias, mas lamentavelmente temos que lhes dar esta informação.

Simon morreu na sexta-feira às 21h05m na The London Clinic, onde ele vinha sofrendo de um câncer desde seu retorno à Inglaterra, vindo do Brasil, no verão passado.

Apesar dos grandes esforços feitos por Simon, a família, os amigos e naturalmente a maravilhosa equipe, liderada pelo professor Justin Stepping, no hospital, Simon não foi capaz de se recuperar da doença terrível. Depois de um longo período de sofrimento, foi sem dúvida um alívio, diante de tamanho tormento.

O funeral de Simon se realizará às 11h da segunda-feira, dia 7 de janeiro, na Grande Igreja de São Bartolomeu, Cloth Fair, West Smithfield, Cidade de Londres, EC1A 7JQ.

Metrôs: Barbican, St Paul’s ou Farringdon.

Depois do serviço, haverá um coquetel no The Chelsea Art’s Club, 143 Old Church Street, London, Greater London SW3.

Fretamos um ônibus para levar até 32 das pessoas entre nós, da igreja ao club, mas por favor fique à vontade para cuidar de seu próprio transporte se julgar essa forma inadequada!

Se você quiser enviar uma mensagem e pretender que ela seja lida para o grupo na segunda-feira, nós o faremos.

Por favor, não envie flores

Doações ao Macmillan Cancer Support

http://www.macmillan.org.uk/Donate/Donate.aspx

Afetuosamente e com os melhores votos de

Guy, Shaida e Betsy”

O registro acima serve não apenas como uma informação, que há de entristecer a muitos leitores, mas também como uma observação dos hábitos e tradições do povo britânico nos rituais de despedida de um ser querido. Com elegância, equilíbrio e objetividade, o que não significa dor menor do que a nossa em ocasiões semelhantes, os familiares que sofreram a perda não se esquecem da cortesia com os amigos, mesmo distantes, bem como lembram-se de fazer da ocasião uma oportunidade de ajudar aqueles que mais precisam. Bons exemplos. E quando os exemplos são bons, merecem ser copiados.

Com meus profundos sentimentos à Betsy e aos familiares de Simon Lane.

simon laneSimon Lane e Betsy Monteiro de Carvalho em seus bons e felizes momentos cariocas (foto de Antonio Kampffe)

 

 

RÉVEILLON DOS SERPA: MAIS UMA NOITE PARA MARCAR NO CALENDÁRIO DAS EMOÇÕES VIVIDAS

O branco significa um ano inteirinho de Paz. O amarelo é riqueza. O rosa, felicidade no amor, e o vermelho, paixão. O verde é esperança. O laranja, sucesso financeiro. O lilás, cor anunciada por alguns místicos como a da passagem do último ano, inspiração e estabilidade. Mas houve também quem garantisse que a cor ideal para vestir, na virada de 2012 para 2013, seria o azul turquesa, da Paz de Espírito, cor também de Nossa Senhora da Glória, da permanente devoção do casal Carlos Alberto e Beth Serpa, que com turquesa se vestiram, cobriram a mesa, decoraram a casa. Com seu modo fraterno de sempre, abriram as portas.

Beth enfeitou a mesa com seus bichinhos prateados de todos os anos, o que já é uma tradição dela, que todos amam, apreciam, elogiam. E foi mais uma noite de muita beleza e alegria para marcar com uma estrelinha bonita no calendário das emoções vividas naquele apartamento, em noite de queima de fogos, uvas nas flûtes, pulinhos à meia-noite, beijos na boca e tim-tim!…

serpa 13serpa 13 aFotos de Verônica Pontes e Marcelo Borgongino

O LINDO RÉVEILLON DE NESTOR E LILI, COM DIREITO À TRINCA FENDI

Como todos os anos, Nestor Rocha e Liliana Rodriguez escancararam seus janelões do Edifício Chopin sobre o marzão de Copacabana, convocaram os amigos-de-fé-irmãos-camaradas, enfeitaram a casa lindamente com flores, balões, vestiram-se de branco como a tradição manda, assim como os filhos e todos os convidados, providenciaram um buffet maravilhoso, gelaram um champagne da melhor procedência e as rolhas passaram, a noite inteirinha, fazendo ploc, ploc, ploc, em todas as direções do apartamento lindo, praticamente competindo com o foguetório lá fora…

Enquanto isso, os transatlânticos fundeados em frente, com todas as cabines acesas, encaravam os prédios da Atlântica invejosos, doidos pra estar naquelas sacadas. E, por que não?, na sacada dos Rocha, onde havia tanta gente alegre e bonita, descolada, bem transada, animada….

E as comemorações na casa eram várias, além do 31. Inclusive a do aniversário de dona Ramona, mãe de Liliana, de Luvillia e da Jacyra, trinca de filhas que não negam, em seus looks, a origem espanhola do sangue materno…

E, por falar em trinca de mulheres fortes, havia lá outra:  a trinca Fendi. Esta mesmo, a Fendi da marca italiana de moda luxo, famosa inicialmente pelos seus couros, as bolsas, os sapatos, e depois vitoriosa em todos os campos da moda, dos óculos à perfumaria.

As Fendi estão no Rio mais uma vez, ciceroneadas pela Giovanna Deodato, e desta vez trazendo o sapateiro da marca com elas. E ser o sapateiro da Fendi, meus amores, é coisa à bessa. Isso traduzido em cifrões pode significar para a marca faturamentos de muitos milhões de euros….

Enfim, aí estão os flagrantes do lindo Réveillon de Nestor e Liliana, para os amigos queridos, simplesmente, Lili…

lili-e-nestorlili-e-nestor-2Lili-e-nestor-38Fotos de Sebastião Marinho

O RÉVEILLON DO COPA… PORQUE O COPA É O COPA, NÃO TEM PRA NINGUÉM

O prefeito Eduardo Paes e a primeira-dama Cristine Paes, as atrizes Flavia Alessandra, Mariana Rios, Fernanda Machado, Totia Meirelles, os modelos Yasmin Brunet e Evandro Soldati, os barões de Waldner, com Maria Pia Marcondes Ferraz e suas filhas, a publicitária Bia Aydar, o jornalista Sergio Zalis, editor da revista Contigo, e sua mulher, Catarina Zalis, no elenco, como sempre de primeiríssima linha, do Réveillon do Copacabana Palace, que manteve a tradição do buffet impecável, da elegância, tendo pela primeira vez sozinha à frente, a diretora Andréa Natal, sem mais contar com o importante respaldo do traquejado antigo diretor superintendente Philipp Carruthers…

Philipp, ausente, mostrou que soube fazer escola e formar equipe, pois tudo funcionou como um relógio suíço, à perfeição, contando, naturalmente, também com o olhar atento e a cortesia da public relations Claudia Fialho, ao lado de seu marido, Guilherme Sampaio Ferraz, com quem brindou à meia-noite ao ano 2013 –  e 13 tem sido, nos últimos 10 anos, o número que conduz o Brasil…

Um Feliz anos 13 para todos nós!

No mais, como não poderia deixar de ser, a frase clássica desta coluna: porque o Copa é o Copa, não tem pra ninguém!

copa 2012Copa 20121 B

Fotos de Paulo Jabur

PORQUE OS FOGOS DE COPACABANA SE TORNARAM O GRANDE VILÃO DO RÉVEILLON CARIOCA!

fogos copaFogos de Copacabana na noite de 31 de dezembro

“Eu quero ver você correndo atrás de mim…”
“Ai se eu te pego, ai, ai se eu te pego…”
“Eu gosto quando fica louco, eu já tou cheio de tesão, e cada vez eu quero maaaais uísque com água de côco, pra ficar maneiro cada vez eu quero maaaaaaais…”
“chega que a bunda desce até o chão, chão, chão, chão, chão, chão…..!”

Desde a manhã deste dia 31 esse repertório da pior, pioríssima qualidade, no volume máximo das poderosas caixas de som instaladas a plenos pulmões, reverbera na Avenida Atlântica diante de hoteis cinco estrelas.

Agora, coloquem-se na posição do turista de bom gosto ao qual está sendo imposto esse repertório de quinta.

Ponha-se na posição de um idoso que quer dormir durante o dia para estar em forma à noite para assistir ao show dos fogos.

Veja-se na pele de alguém enfermo, na orla de Copacabana, onde não adianta sequer fechar todas as janelas que o som é tão alto que os vidros tremem, vibram, com o risco de trincar.

Coloque-se no lugar de um religioso umbandista (eu sou católica apostólica romana, mas não faço restrição a qualquer religião e consigo ver o belo em todas elas), que vê a data e o local de seu ritual por tradição, o dia 31 de dezembro nas praias de Copacabana, Ipanema, Leblon, onde as oferendas há quase um século eram entregues a Iemanjá, serem enxotados para outras praias e outras datas mais distantes, por conveniência do populismo político e do comércio publicitário e da mídia, em detrimento da própria cidade.

Pois o turismo dito “qualificado”, na cartilha das agências, sempre amou aquele ritual da Umbanda brasileira, a beleza única no mundo das areias de nossas praias pontilhadas com velas acesas e flores brancas plantadas, demarcando os círculos de dança, e barquinhos cheios de oferendas mimosas para a Rainha do Mar, que as ondas rendadas engoliam suaves, num folclore, num misticismo ondulante, que escrevia a história de nossa cultura popular.

Daquela tradição da noite do 31, só restaram as roupas brancas. Sim, é por isso que os brasileiros usam branco na passagem do ano. Único povo no mundo a cumprir esse costume. Por causa de Iemanjá e os orixás, que ficaram pra trás e viraram coadjuvantes nesse espetáculo em que já foram estrelas e hoje o que brilha são as caixas de som, os fogos nas balsas, os patrocinadores, os pagodeiros, as músicas de carnaval (e nem no carnaval estamos).

Os hinos bonitos, os cânticos, as palmas, as cirandas, as danças na roda, as orações… ah, isso existia? Deixa pra lá!…

A justificativa para afugentar toda aquele beleza branca religiosa, tosquiada pelos fogos que agora explodiam junto às saias das baianas rodopiando sua fé, foi de que as flores poluíam nossas praias. Preferiram a poluição das latinhas de cerveja, das garrafas pet e da poluição sonora. Quem diria!

Deram prioridade, isto sim, ao popularesco fácil, ao dinheiro das propagandas, à estratégia apelativa pelo voto da massa, sem qualificar nem instruir nem se esforçar para mostrar ao nosso povo o que ele tem de verdadeiramente encantador em suas raízes…

Preferiram fazer espocar em nossa cara os néons sem vergonha das marcas multinacionais, como se fosse aquilo a lindeza.

E nossos artistas vendendo sua alma. Os melhores deles. Porque, se assim não for, sequer comem, sequer sobrevivem, sequer luxam, sequer exibem seus relógios e cordões de ouro, suas bolsas grifadas, suas casas de Caras, seus aviões privés…

E depois brincam de serem nacionalistas e de cultivarem raízes brasileiras em programas de TV glamurizados e  fosforescentes. OportunArtistas…

São prefeitos, não os de hoje, mas os de ao longo de décadas, que se voltaram contra o interesse de nossa cultura na sua forma mais pura e bela, contra nossa população e contra nossos frágeis tímpanos.

E nossos vereadores, a que nível chegaram, meu Deus! Não há sequer como dialogar com eles. Em que idioma? Em que dialeto?

Porém, a opção do Turismo do Rio de Janeiro há algumas décadas, como se viu, foi a do turismo estrangeiro predador, que pouco gasta, compra em camelô, frequenta quiosque, barraquinha e botequim. Aquele turista que deixa dólares de fato, não interessa, pois não anda em par com o habitante culturalmente pouco atendido da cidade e a estratégia é matar dois coelhos de uma tacada só: contemplar o turista e, ao mesmo tempo, o cidadão votante, a massa. Sem se esforçar em proporcionar a este cidadão uma programação realmente de alto nível e sem somar para a cidade. No final, o show quem faz de fato é o povo mesmo, com sua energia boa, seu encantamento, sua roupa branca, sua vibração.

E como os turistas endinheirados de que falei acima, aqueles que gastam e geram divisas (como fazem os brasileiros que deixam bilhões no exterior), que frequentavam o Rio no tempo em que a cidade era um luxo, lamentam o fim de nossos antigos Réveillons…

Os fogos na passagem do ano, um achado tão bacana, acabaram se tornando o grande vilão dos Réveillons do Rio, pois foi a partir deles que nossa noite de 31 deixou de ser uma manifestação mágica, encantada, única e se tornou um grande mafuá…

O chato de ter vivido o passado é poder compará-lo com o presente…

 

A VERDADE VERDADEIRA SOBRE A GUERRA CRISTINA KIRCHNER x CLARÍN

Vejam como as coisas são diferentes do que nos são contadas. Nós temos acompanhado, através do noticiário brasileiro, a novela da Lei da Mídia na Argentina. Quem assiste na TV  brasileira aos telejornais fica certo de que se trata de uma ação prepotente da presidente daquele país, tentando cercear a liberdade da imprensa. Mas quem se interessa pelo assunto, busca outras fontes, se informa e lê a respeito passa a pensar bem diferente.

Leiam essa magnífica reportagem abaixo, publicada pela revista brasileira Carta Capital, escrita pelo jornalista correspondente na Argentina, Eric Nepomuceno, e que aqui vou tomar a liberdade de transcrever, enfatizando alguns trechos com negritos, bem como a dividindo em capítulos, como uma novela, uma trágica novela, não de nossos dias, mas de muitos dias, dias que jamais terminam

 

O Leviatã midiático

Por Eric Nepomuceno – Carta Capital

Capítulo 1

Fala-se muito, e com razão, da guerra declarada por Cristina Kirchner ao grupo Clarín, que além de ter o jornal de maior circulação na Argentina detém o controle de mais da metade do mercado de televisão e rádio. Pouco ou nada se diz da guerra do grupo contra o governo. É como se fosse a batalha de um lado só.

Há um terceiro ator nesse confuso enredo, a Justiça. O desenlace final não oferece muitas opções: a Lei de Serviços de Comunicação -Audiovisual, conhecida por Lei de Meios ou Lei de Mídia, entrará em vigor. O problema é saber quando. Entre idas e vindas, diferentes instâncias da Justiça ora prorrogam, ora dão por suspensa uma medida liminar conseguida pelo grupo. Seja como for, o juiz Horacio Alfonso determinou que a lei é constitucional. O grupo recorreu, o recurso foi aceito, mas isso significa apenas, na opinião da maioria dos juristas argentinos, mais tempo até que se chegue à aplicação da legislação aprovada, em 2009, pela maioria do Congresso, contando com nutridos votos da oposição.

Embate. Cristina aposta na Lei de Mídia em um país cada vez mais radicalizado e dividido

Não era exatamente o que esperava o governo. A data, inicialmente determinada pela Corte Suprema, era a sexta-feira 7. O governo apostou alto. No domingo 9 estava programada uma imensa festa popular, para celebrar, de uma vez só, o dia dos Direitos Humanos (10 de dezembro) e o primeiro ano do segundo mandato de Cristina Kirchner – além, claro, da entrada em vigor da lei. Mais de meio milhão de argentinos cobriram a Plaza de Mayo e seus arredores. Uma espécie de resposta dos apoiadores de Cristina Kirchner às manifestações convocadas pela oposição. Em outras cidades do país, a mesma data reuniu outro tanto de gente.

Faltou, porém, o prêmio ansiado: na mesma sexta-feira em que deveria entrar em vigor, a lei acabou adiada novamente. A Câmara Civil e Comercial, uma espécie de vara da Justiça destinada a assuntos comerciais, tornou a prorrogar a liminar pedida pelo Clarín. O governo reagiu mal, com a habilidade de um dromedário embriagado, ao criticar duramente a decisão. Ou seja, uma vez mais abriu flancos para receber ataques furibundos dos grupos hegemônicos de comunicação, agora sob o argumento de pressão sobre juízes.

Vale anotar que parte das críticas duras do governo aos integrantes da Câmara Civil e Comercial se deveu ao fato de um de seus três juízes ter viajado a Miami à custa do Clarín.

Capítulo 2

Enroscos judiciais à parte, a faceta mais visível da briga entre o governo e o Clarín gira ao redor de um mesmo eixo, a formidável concentração de meios nas mãos do grupo. Nunca é demais repetir sua participação no mercado: 42% das licenças de rádio, 59% da televisão fechada (a cabo), 39% da televisão aberta. São 254 canais de televisão a cabo (algumas fontes mencionam apenas 237, o grupo diz que na verdade são 158, a nova lei diz que não podem ser mais do que 24 licenças), duas dúzias de televisões abertas (o limite permitido é dez). Promover a desconcentração caberá a Martín Sabatella, diretor da Autoridade de Serviços de Comunicação Audiovisual.

Há outros 20 grupos que acumulam licenças em volume muito superior ao permitido pela lei. Todos eles, inclusive gigantes como a Telefónica espanhola e o grupo, também espanhol, Prisa, concordaram em cumprir a lei e vivem agora um período de adequação. O fundo de investimentos -Fintech -Advisory, sócio do grupo Clarín na operadora de televisão a cabo Cablevisión, concordou em acatar a lei. O Clarín disse tratar-se de um sócio minoritário, sem poder de decisão. Detalhe: o fundo detém 40% das ações da Cablevisión. Não é um minoritário qualquer.

Essa história ainda vai se arrastar. Por quanto tempo, ninguém sabe. A distorção do noticiário dos meios do grupo Clarín não tem limites. Denunciam graves atentados à liberdade de expressão, e encontram amplo eco em seus congêneres em outros países, a começar, claro, pelo Brasil, onde cinco grupos dão as cartas.

Evidentemente, não é de liberdade de expressão que se trata, e sim da liberdade de acumular concessões. O objetivo da lei é criar mecanismos que impeçam semelhante concentração, principalmente de televisão fechada, que na Argentina tem um alcance muito maior que no Brasil (perto de 86% dos domicílios têm televisão a cabo ou via satélite). Isso, claro, para não mencionar a convergência com a internet de banda larga, que abocanha quase a metade do mercado argentino.

O governo de Cristina Kirchner não é, nem de longe, pioneiro nessa batalha contra a concentração e, muito especialmente, contra o Clarín.O primeiro presidente pós-ditadura, Raúl Alfonsín, tentou a mesma coisa. Chegou a mandar fiscais da Receita invadirem a empresa e durante meses virar pelo avesso sua contabilidade.

Carlos Menem, por sua vez, pretendeu podar as asas famintas do grupo. Optou depois pela conciliação.

Nestor Kirchner preferiu o caminho da cooptação: no fim de seu governo permitiu a fusão entre os canais Globovisión e Multicanal, o que consolidou de vez a hegemonia do grupo. A boa relação foi rompida em 2008, quando o Clarín se opôs com ferocidade à nova legislação fiscal sobre exportações agrícolas. Ninguém parece lembrar que os acionistas do grupo são acionistas de grandes companhias do agronegócio.

Enfim, de onde quer que se olhe há razões de sobra para que todos os presidentes argentinos desde a redemocratização de 1983 – Alfonsín, Menem, Kirchner e agora sua viúva e sucessora, Cristina – tenham tentado conter semelhante poder, semelhante avidez. Nenhum deles, porém, bateu tanto quando a atual presidente. (Comentário meu, Hilde: Uma mulher, vejam vocês, a mais peituda!)

Capítulo 3

É o mais impressionante de todos, façam atenção!

Por trás desse conglomerado gigantesco, além do mais, há histórias escabrosas. O jornal Clarín surgiu em 1945, de forma relativamente modesta. Seu fundador, Roberto Noble, era um fervoroso admirador de duas figuras que haviam marcado época e deixado um rastro de barbaridades: um italiano chamado Benito Mussolini e um austríaco chamado Adolf Hitler.

Terminada a Segunda Guerra Mundial, vencidos e mortos os dois, Noble achava que parte de suas ideias merecia ser resgatada. Quando Juan Domingo Perón foi derrubado por um golpe militar em 1955, o Clarín demonstrou claras simpatias pelo novo regime. E assim foi. Havia outros grandes jornais que faziam pesada sombra. E se hoje é um dos diários de maior circulação na América Latina, até a última ditadura militar argentina (1976-1983) nunca deixou de ser um jornal de segunda linha, sem a tradição do conservador La Nación ou a ousadia de publicações que inovaram a imprensa do país, como a revista Primera Plana dos anos 60 ou o jornal La -Opinión dos primeiros anos 70.

Na ditadura, o jornal ganhou corpo e voz. E tornou-se um grupo importante, graças às manobras de seu executivo, Héctor Magnetto, que começou como contador e hoje é o segundo maior acionista da empresa. Além da cumplicidade aberta com o regime genocida, o jornal – ao lado do vetusto La Nación e o popularesco (hoje desaparecido) La Razón – conseguiu um maná a preço de banana: apoderar-se da Papel Prensa, única fábrica papeleira da Argentina. A apropriação é uma das tantas histórias de horror absoluto da ditadura iniciada pelo general Jorge Rafael Videla e continuada por outros adeptos da barbárie como meio de vida.

A Papel Prensa era, por certo, um negócio confuso. Foi fundada durante os efêmeros governos peronistas por um jovem e ousado financista, David Graiver, que contava com o apoio de José Gelbard, ministro de Economia de Héctor Cámpora e do próprio Perón. Graiver morreu num misterioso desastre aéreo no México, em agosto de 1976, quando a ditadura encabeçada por Videla cumpria cinco meses de horror. Sua viúva, Lidia Papaleo de Graiver, e a filha eram as herdeiras majoritárias, além de outros familiares do marido.

Naquele período, além de torturar, assassinar, desaparecer e mandar para o exílio dezenas de milhares de argentinos, os militares se distraiam apoderando-se dos bens de suas vítimas. Graiver era especialmente odiado. Além de judeu, era considerado (e muito, possivelmente com razão) o administrador da fortuna do grupo guerrilheiro peronista Montoneros, criada a partir de resgates milionários obtidos em sequestros. A Papel Prensa era um butim muito ambicionado.

Logo depois da morte de Graiver, sua viúva voltou para a Argentina. Queria cuidar das propriedades do marido morto. Foi quando conheceu a face cruel da ditadura e o rosto macabro de Magnetto. Presa, foi pressionada a vender as ações da Papel Prensa para um trio formado pelo Clarín, o La Prensa e o La Razón, além de uma participação que permanecia nas mãos do Estado.

Fragilizada, sob todo tipo de pressão – ameaçavam matá-la e desaparecer com sua filha, na época um bebê de 1 ano de vida –, capitulou. Vendeu suas ações e recebeu como sinal cerca de 8 mil dólares. O resto – outros 2 milhões, preço insignificante diante do que a Papel Prensa realmente valia – nunca foi pago. Até hoje ela move, na Justiça argentina, um processo na tentativa de receber o combinado. Neste ano, diante de um tribunal, ela contou como foi a venda e, principalmente, o que aconteceu em seguida.

Disse que pouco depois de ter assinado a papelada, foi presa. Há razões para que a prisão acontecesse depois da venda da Papel Prensa. Uma lei determinava que os bens dos subversivos presos ou mortos passassem diretamente às mãos do Estado. A ditadura queria compensar seus aliados da mídia. Prender Lidia Papaleo significaria passar a única fábrica de papel do país para o Estado. Feita a transação, sobrava uma viúva jovem, atraente, e certamente dona do segredo de outros milhões de dólares. Seus algozes queriam encontrar o dinheiro deixado por Graiver.

Diante do tribunal, Lidia Papaleo contou como foi violada, agredida, vexada. Teve o tímpano arrebentado a golpes de mão aberta contra o ouvido. Muitas vezes, depois de estuprada, era levada de volta para a cela e jogada, nua, no chão. “E então, contou ela ao juiz, ‘eles vinham e cuspiam, urinavam e ejaculavam em cima de mim’.”

Lidia Papaleo Graiver: “Eles vinham e cuspiam, urinavam e ejaculavam em cima de mim”

Contou que até hoje, em seus pesadelos, revê o rosto de seus torturadores. E disse que nenhum desses rostos a amedronta mais que o do homem que a pressionou para assinar os documentos da venda da Papel Prensa. Os olhos do homem que dizia, com uma voz serena e calma, que ou ela assinava, ou veria sua filha ser morta, antes de ela mesma ser assassinada.

Héctor Magnetto presidente do Clarín: ou Lidia assinava os papeis que ele lhe dava ou ela seria morta bem como sua filha bebê

Esse homem chama-se Héctor Magnetto e é o presidente do Clarín, do qual detém 33% das ações. (Ainda observação da colunista: o próprio nome Magneto já causa arrepios fazendo lembrar do vilão mutante do filme X-Men).

Graças a ele e aos seus métodos, o grupo tornou-se o que é hoje. É ele o patrão dos paladinos que dizem e asseguram que a Lei de Meios é um atentado à liberdade de expressão. É à sua voz que fazem eco os conglomerados de comunicação do Brasil.

Cristina Kirchner acaba de cumprir o primeiro ano de seu segundo mandato, envolvida numa briga tremenda com o grupo capitaneado por semelhante personagem.

O país enfrenta, seu governo também enfrenta, é verdade, um amontoado de problemas significativos. A inflação está em níveis elevadíssimos (deve rondar ou superar a marca dos 25%, em 2012), a economia apenas engatinha após anos de forte impulso, a classe média concentrada, principalmente, em Buenos Aires, e que sempre expressou contra o peronismo algo muito parecido ao preconceito (quando não ao ódio) de classe, se opõe de maneira cada vez mais radical a tudo o que seu governo faz.

Há acusações de corrupção, e, certamente, uma parte consistente delas tem fundamento. Os investidores desconfiam de suas ações, algumas multinacionais abandonam o país, há sérias dificuldades para obter divisas e honrar os compromissos internacionais.

Nada disso parece insolúvel. Se ela conseguir, e tudo indica que conseguirá, desmontar um conglomerado ávido e feroz, que nasce a partir de uma história de horror e indecência, terá deixado uma significativa marca. E um exemplo – outro – para os vizinhos: da mesma forma que é possível resgatar o passado e fulminar a impunidade de quem cometeu crimes de lesa-humanidade, é possível desmontar os monopólios e democratizar a informação.

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O link para a matéria da Carta Capital, na íntegra, ilustrada, é

Carta Capital

 

COMO FAZER O BEM E DAR O BOM EXEMPLO VESTINDO-SE DE CUP CAKE!

Ano terminando, dando os últimos suspiros, e a gente aqui catando os bons exemplos, selecionando o que de positivo houve para transmitir como saldo e levar na mochila das costas, para a travessia do calendário.

A Humanidade individualmente é na maioria boa, esta é a minha experiência de vida. O saldo é positivo. Gestos largos, expressivos, extraordinários. Gestos bonitos e generosos.

A Humanidade reunida em movimentos civis, ONGs preocupadas com o bem estar comum, é melhor ainda.

A Humanidade das Corporações, que se preocupam apenas com seu lucro, em detrimento de tudo e de todos, em detrimento da biodiversidade, da felicidade, da paz, da preservação das espécies, da nossa espécie, do próprio Planeta Terra, essa Humanidade é péssima.

A Humanidade que quer o Poder pelo poder e em nome disso vale tudo, as guerras, as invasões territoriais, os bombardeios, a manipulação da opinião pública, as torturas, as ditaduras, a tirania, é monstruosa.

Então, vamos buscar exemplos singelos, gestos pequenos de bondade, minúsculos até, que podem também modificar o mundo.

Como o da empresária do setor de cabeleireiros e estética, a luso-carioca Isabel Audi.
Nesse mês natalino ela resolveu fazer de seu próprio aniversário um modo de distribuir generosidades.

Pediu a todas as clientes – e elas são centenas, pois Isabel não tem apenas 1 salão  – que levassem brinquedos (“brinquedos novos!”, ela insistiu) para ela distribuir às crianças apoiadas pelo projeto Pró-Criança Cardíaca. Em troca, se vestiria inteirinha de Cup Cake e daria, em seu salão maior de Ipanema, o Cultura da Beleza, uma big festa de Cup Cakes. Assim fez. Vestiu-se de bolo colorido, até com candelabro na cabeça, e montou um  mega cup cake coloridíssimo e com laços, também de glacê.

O salão e o staff estavam decorados de rosa-choque, com bolas de gás e orquídeas. O frisson geral foi ao auge quando Isabel acendeu as velinhas do candelabro que usava como tiara nos cabelos, design do premiado cabeleireiro Giovanno Gamba. Foi aí que o salão pegou fogo. Mas não o penteado da Isabel, ainda bem!

As joalheiras Lea e Esther Nigri passaram para dar um beijo na amiga e levar muuuuuitos brinquedos para a criançada.

Outra que prestigiou foi Sura Motta, diretora Internacional da revista Noivas de Passarelle, produzida também em Espanha, Portugal, México, Suécia e EUA.

E a grande surpresa da tarde: os convidados que levaram brinquedos ganharam de presente massagens, como shiatsu ou drenagem linfática, ou peeling de Cristal no rosto.

Saíram de alma leve pela boa ação, de corpo em formo e rosto lisinho. Viram como o bem que a gente faz à gente retorna?

Fotos Elza Barroso

RECEITA DA BETH WINSTON ENCERRA 2012: PAPAIA RECHEADO COM FRUTOS DO MAR

Quem hoje arrematou a temporada social do ano com um brunch regado a espumante, alegria e vistão da praia do Leme, diretamente do Hotel Windsor, foi a Idinha Seabra Veiga. Anfitriã impecável, a capixaba Idinha comportou-se como verdadeira carioca, brindando os brasilienses no Rio para o Réveillon com o melhor que o Rio de Janeiro tem, diante de um belíssimo e pródigo buffet de frutos do mar, onde as lagostas e os camarões exibiam-se disputando o privilégio de serem escolhidos pelas boquitas famintas. Vale uma pena uma ida ao brunch do Windson aos domingos, recomendo.

Eis então um bom motivo para homenagear a hostess Idinha Seabra Veiga, batizando com seu nome a tão aguardada receita da semana de nossa chef chic Beth Winston. Aí vai, pois, o prato de…

Papaia Recheado com Frutos do Mar à Idinha Seabra Veiga

Ingredientes

Frutos do mar: (camarões grandes, lulas, polvo, filé de peixe, etc.)

pimentão verde

pimenta dedo de moça

pimenta do reino moída

cebola picada, cebolinha, cebola roxa

alho porró, aipo

azeite

suco de limão

vinagre branco

sal

Recheio

Numa tigela (bowl) coloque o azeite, alho, cebola picada, cebola roxa, o aipo, alho

porró, cebolinha, pimenta dedo de moça, pimentões (amarelo, verde, vermelho).

Misture tudo e acrescente suco de limão.

Corte os frutos do mar depois do choque térmico (lula, polvo, filé de peixe, camarões cortados)

Regue com azeite

Pimenta do reino

Acrescente os temperos picados anteriormente, sempre misturando.

Deixe descansar na geladeira

Corte os mamões pela metade e retire as sementes recheie-os delicadamente, coloque-

os numa travessa e volte a colocar na geladeira até servir

 Salgar a gosto

01-numa tigela (bowl) coloque o azeite, alho, cebola picada, cebola roxa, o aipo

02 – acrescentar alho porró, cebolinha, pimenta dedo de moça, pimentões (amarelo, verde, vermelho)

03 – misturar tudo e acrescente suco de limão

04 – picar a lula

05 – picar o polvo

06 – picar o filé de peixe

07 – picar os camarões

08 – colocar os frutos do mar cortados em uma tigela (bowl) e regue-os com azeite

09 – colocar pimenta do reino e sal a gosto e acrescente os temperos picados anteriormente

10 – misturar bem e depois deixar descansar na geladeira

11 – cortar os mamões pela metade

12 – retirar as sementes

Fotos da receita: de Marco Rodrigues

Foto Antonio Guerreiro