Não, este não é um post saudosista sobre os tempos áureos da moda. É apenas a constatação do declínio da indústria da moda atual. Hoje, pouco importa se Yves Saint Laurent revolucionou a moda feminina do século XX. Os grandes empresários só querem ver brotar a cor do dinheiro, nem que, para isso, tenham que jogar no lixo, da noite para o dia, anos e anos de história de uma marca icônica. É aí que está o grande erro.
Querem prova maior? Basta dar uma olhada na coleção de inverno da Saint Laurent, desfilada hoje, em Paris.
Há uma sucessão de erros no recente reposicionamento da marca no mercado. Tudo começou quando demitiram Stefano Pilati, que vinha realizando um bom trabalho há alguns anos como diretor criativo. Contrataram Hedi Slimane, que no passado já havia estado à frente da linha masculina da grife. Hum, ok. Mas não para por aí. Depois, anunciaram que a maison mudaria de nome, de Yves Saint Laurent, para Saint Laurent Paris. A ideia partiu do próprio Slimane, que, segundo assessoria, desejava “restaurar a verdadeira essência e pureza da marca, respeitando seus princípios e ideias”. Por fim, nos deparamos com essa coleção grunge horrenda. As roupas são usáveis e bastante comerciais. Mas, entendam, isso não é Saint Laurent, não corresponde à história e ao DNA da marca. Se me dissessem que esta coleção foi apresentada pela Topshop ou pela H&M, eu acreditaria. Ou melhor, preferiria acreditar. Acharia natural. Mas a realidade é que esta coleção que vocês vêem abaixo, meus queridos, é Saint Laurent! Não é preciso ser um especialista em moda para notar o quão decadente isto é.
A tentativa de rejuvenescer a marca foi totalmente frustrada. Isso, não necessariamente, deve passar pela ideia de diminuir a idade de seu público alvo, mas sim, de trazer uma roupagem mais contemporânea à peças que estão associadas ao universo e à história dessa maison. Só que, ao invés de tentar transformá-la em algo contemporâneo e bacana, mudou-se totalmente a idade e o perfil de seu público alvo. Ao que parece, os vestidinhos de comprimento curto e as mini-saias cairiam super bem no corpo de uma adolescente, que, certamente, os vestiria em uma noitada. Mas não esqueçam que a mulher que veste Yves Saint Laurent é uma mulher madura, com, pelo menos, 30 anos de idade. E, certamente, este tipo de mulher não está à procura deste estilo de roupa…
Neste caso, ninguém sai ganhando. Nem o público alvo, nem os empresários…
Certo que todos precisam ganhar dinheiro, mas não se pode renegar um DNA, um legado. É uma falta de respeito e total falta de visão dos próprios empresários que estão no comando destas grandes maisons. É claro que não temos mais Yves Saint Laurent, nem Christian Dior, nem Cristóbal Balenciaga. Para isso, temos novos estilistas, muitos deles talentosos e competentes, que carregam nas costas a difícil tarefa de comandar estas marcas. Difícil, pois há uma pressão terrível. Mais do que tentar resgatar os valores que seus fundadores deixaram, estes novos nomes precisam ceder às imposições do mercado de luxo, ou seja, dos grandes empresários da moda que detém das ações dessas marcas. E o que eles querem? Obviamente, vender.
Fotos via Style.com








































