11h45m
Morreu esta madrugada, vítima de um problema pulmonar, o joalheiro e empresário Natan Kimelblat, aos 89 anos. O enterro será hoje, às três da tarde, no Cemitério Israelita, no Caju. Esta não foi a primeira internação de seu Natan, que já esteve internado há dois meses, com as mesmas complicações. Aliadas ao peso da idade, as complicações nos negócios, que levaram ao fechamento das portas da tradicional joalheria Natan, criada por ele e sua mulher, Aninha, contribuíram muito para o agravamento de seu estado de saúde.
Seu Natan, como era conhecido e chamado pelos seus clientes, era um apaixonado pela família e pelo seu negócio das joias, reconhecido pela qualidade e o refinamento de suas peças, pela limpidez das gemas usadas em seus colares, brincos, pulseiras, anéis, pelo trabalho requintado de ourivesaria, mantendo oficinas com ourives nas próprias lojas, praticando modelos únicos. Oficinas privadas que seriam praticamente inconcebíveis nos dias de hoje, em que as joias são industrializadas, adquiridas em feiras pelo mundo todo. Uma concorrência quantitativa, sem considerar a qualidade e o acabamento. A fast jewelry…
Descanse em paz, seu Natan, um realizador, que espalhou seu império de luxos, belezas e sonhos por todo o país, construiu até prédio, e viu depois esse reino ser demolido, pedrinha por pedrinha preciosa, devastado por um mundo novo em que não há mais espaço para o requinte, o luxo, o glamour de um Natan Kimelblat…
O ucraniano Natan Kimelblat chegou ao Brasil em 1946 e começou a construir seu reinado na joalheria. Na mesma época em que vieram outros e prosperam, como Jules Sauer, da Amsterdam Sauer, e Hans Stern, da H. Stern. Aqui, ele é beijado pelas filhas, Miriam Kimelblat e Jane Rose Klarnet. Com as joias preciosas a lhes correrem nas veias, elas permanecem na atividade da joalheria, individualmente. Com os meus pêsames sentidos às queridas amigas, à dona Aninha, agora viúva, e a toda a família



























