Sobre Hildegard Angel

colunadahilde@gmail.com Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

QUEM É REGINA PERMANECE MAJESTADE: REGINA MARCONDES FERRAZ EM FASE PÓS GAMA

Separada há um mês e meio do empresário do ensino Paulo Gama Filho, Regina Dória Marcondes Ferraz mantém o mesmo endereço no Edifício Chopin, do qual jamais saiu, desde que se mudou de São Paulo para o Rio, e o mesmo Marcondes Ferraz.

CA neo solteira Regina Marcondes Ferraz da janela de seu apartamento no Chopin, com vista para o Copa

Curioso é que, apesar de ela não aderir ao Gama do marido dono de Universidade, algumas pessoas não se conformavam e insistiam em chamá-la Regina Gama ou Regina Gama Filho. Chegou mesmo a receber correspondências endereçadas a “Regina Cândido Mendes”, “Regina Veiga de Almeida”, “Regina Estácio de Sá”. Foi poupada, contudo, do “Regina UFRJ” e do “Regina UERJ”, porque aí só mesmo se tivesse salgado a Santa Ceia, não acham?

Quando o marido franzia a testa e perguntava porque não se apresentava como Gama, ela justificava: “É porque nunca mudei o sobrenome no documento”. O que foi um pedido do filho, Luly. “Luly é tudo pra mim!”, ela me diz.

Findo o casamento com Paulo Fernando Marcondes Ferraz, seu segundo marido (o primeiro foi Baby Guinle, ainda em São Paulo), foram seis anos de solteirice, até se casar com Paulo Gama Filho, com quem viveu 14 anos, sempre no mesmo apartamento dela.

No início, quando ele tinha apartamentos em Lisboa e em Nova York, viajavam bastante. Depois, ele vendeu suas propriedades e os passeios ficaram restritos aos hotéis no exterior e aos fins de semana na casa dele em Araras.

regina m ferrazRegina Marcondes Ferraz e sua elegância Chanel

Separaram em bons termos. Regina define Paulo como “uma pessoa bacana e íntegra”. E, quando peço alguma explicação para o rompimento, ela não fala nos 16 anos de diferença de idade. Prefere dizer: “Somos muito diferentes. Paulo era ciumento dos meus amigos, das pessoas que chegavam perto de mim. A mulher também tem que ter sua vida própria, poder viajar com uma amiga por 15 dias, desligar a cabeça. Isso ele não aceitava”.

Ela lembra que, assim que se casou, engordou 14 quilos, cortou o cabelo (aquela trança capotante!) e não queria sequer se olhar no espelho. Não se reconhecia. As pessoas não a reconheciam. Não queria sequer se deixar fotografar. Depois retomou o prumo. Mas nunca como antes. Agora, sente vontade de viver, de ser alegre, de voltar a rir, dar gargalhadas com os amigos: “Ah, meu Deus, que coisa boa que é!”.

Semana que vem, seu aniversário, vai passar com a família em São Paulo, onde haverá almoço pra ela na casa da Maria Lucia Ribeiro, “irmã da vida inteira”.

Esta semana, se distrai ajudando a ex-enteada, Maria Pia, em sua mudança para o Jardim Pernambuco: “Maria Pia é praticamente um presente de Deus em minha vida. Quando ela e o irmão, Mariano, foram morar lá em casa, no tempo em que eu era casada com Paulo Fernando, formamos, com eles e o Luly, uma grande família”.

regina_e_maria_pia_Marcondes_Ferraz-3607“Maria Pia foi um presente de Deus para mim”

Sobre o rompimento do casamento com Paulo Gama Filho, a frase breve: “Chegou ao fim”.

Paulo foi para um apart hotel. Vai sentir falta da atenciosa Regina. “Eu estava sempre olhando, atendendo, cuidando, ele queria tudo o tempo todo na mão, estava acostumado assim”.

Os natais agora serão na casa nova de Maria Pia com o Carlos Augusto Montenegro, estrela da árvore de Natal tocando o teto, embrulhos lindos de presente por toda a volta, e todo mundo junto e feliz.

Aliás, é bom conferir o campo astral dos Marcondes Ferraz na área de romances e casamentos. Nem bem Regina se separou, Paulo Fernando recasou e Maria Pia vai celebrar a festa de seu casamento com Montenegro daqui a três semanas na casa nova.

E ainda há quem não acredite em Horóscopo, Numerologia, essas coisas…

VOCÊ SABE O QUE É A SAF?

De 18 a 21 de Setembro vai haver no Rio de Janeiro uma reunião médica e científica mundial sobre a SAF, que vem a ser a Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo, reconhecida nos anos 80 em pacientes com lúpus e, logo em seguida, também de forma isolada.
Trata-se do 14º Congresso Internacional de Anticorpos Antifosfolipídeos, que, juntamente com o 4º Congresso Latino Americano de Auto-imunidade, acontecerá no Sofitel, na Avenida Atlântica.
A SAF é um dos grandes temores dos tempos modernos. Hoje em dia, ela é reconhecida como causa importante de abortos recorrentes, acidentes vasculares encefálicos (AVC) e tromboses venosas profundas em pessoas jovens sem outros fatores de risco conhecidos para trombose.
Assim como o lúpus, a artrite reumatóide e a esclerose múltipla, a SAF é uma doença autoimune. Assim que seu diagnóstico é confirmado, deve ser instaurado por toda a vida um tratamento com anticoagulantes, com o intuito de prevenir novos eventos trombóticos que podem ser fatais ou deixar sequelas irreversíveis.
Pela primeira vez a América Latina sediará o congresso mundial sobre SAF, que  acontece a cada três anos, e desta vez com o reforço de ser simultâneo ao 4º Congresso Latino Americano de Auto-imunidade.
Mais de 300 trabalhos científicos serão apresentados e o curso de revisão de imunologia será ministrado pelo professor Abul Abbas, nome ilustre da Universidade da Califórnia, em São Francisco (UCSF).
Será uma oportunidade única de aprendizado e atualização sobre autoimunidade, pois, contando com o patrocínio, dentre outros, da Capes e da Faperj, o Congresso trará cerca de 80 palestrantes convidados estrangeiros de diversas áreas da medicina,  apresentando os dados mais recentes sobre mecanismo, diagnóstico e tratamento da SAF e outras doenças autoimunes.
Presidido pelo professor da Uerj, dr. Roger A Levy, o Congresso, que deverá significar um marco na atualização do conhecimento e do tratamento da SAF na América Latina, conta com o apoio da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro.
Quem quiser saber mais, acesse o site: www.kenes.com/APLA-LACA
Ótima notícia para quem trata a SAF, e excelente para quem é portador da SAF

EM CAPRI, POTINS ESCALDANTES E PRINCESA CHARLOTTE GRÁVIDA!

É só do que se fala neste escaldante verão europeu… E as últimas fotos da mídia internacional parecem confirmar a história…

Sim, porque no fim deste mês, Mônaco não deverá estremecer apenas com o casamento do filho da princesa Caroline, Andrea Casiraghi, com a herdeira metade brasileira Tatiana Santo Domingo.

A celebração no principado poderá ser dupla!

article-2385782-1B2E2418000005DC-100_634x926Charlotte Casiraghi e o ator marroquino Gad Elmaleh

Firme em seu romance com o ator francês Gad Elmaleh, a irmã de Andrea, Charlotte Casiraghi está esperando um bebê de Gad e, ao que tudo indica, eles também estão noivos!

article-2385782-1B261A0E000005DC-309_634x842Charlotte ainda não confirmou seu estado interessante, mas este fala por si.

Espera-se que Charlotte, de 27 anos, se case com o ator marroquino antes do fim do ano, sacramentando a love story que tem gerado um tremendo falatório desde que a barriguinha da neta de Grace Kelly despontou no início da semana, nessas férias em Capri, e ela foi vista fazendo compras numa loja de roupas de bebês e de grávidas.

  article-2385782-1B261A42000005DC-122_306x423Charlotte, que é a quarta na linha de sucessão ao trono, não pareceu nem um pouco preocupada em disfarçar a barriguinha, muito menos o suposto anel de noivado em seu dedo, enquanto circulava pela cidade com um grupo de amigos.

article-2385782-1B26A0E8000005DC-992_634x826Sempre juntos, o casal deu uma peruada por várias lojas antes de retornar a seu iate para almoçar com a turma.

Ela conheceu Gad, que tem 42 anos e estrelou os filmes Priceless e Meia-noite em Paris, na festa de uma amiga em comum no fim de 2011.

Enquanto a neta da princesa Grace espera seu primeiro filho, o ator Gad já tem um de 12 de seu relacionamento prévio com Anne Brochet.

Fotos Getty Images, xposurephotos.com, Splash News

OS REIS DA NIGÉRIA, AS POMPAS, OS PALÁCIOS, AS ROLLS…

Fora do poder há mais de 50 anos, os monarcas regionais da Nigéria ainda vivem com toda a pompa de uma corte. Moram em palácios, vestem túnicas exóticas, sentam-se em tronos ornamentados, andam em carros conversíveis e contam com uma legião de subalternos prontos para serví-los a todo e qualquer instante. As majestades são o arquétipo perfeito de reis africanos. Pode parecer um grande deboche se pensarmos na enorme disparidade entre as classes sociais nigerianas. Mas estes monarcas contam com grande respeito das comunidades onde vivem, sendo considerados figuras influentes e, mesmo tendo perdido todos os seus poderes constitucionais com a abolição da monarquia, em 1963, estes homens permanecem sendo grandes líderes populares, servindo de ponte entre a comunidade e o governo.

O fotógrafo George Osodi percorreu a Nigéria de canto a canto, fotografando o estilo de vida destes monarcas, que posaram para ele em uma série intitulada “Reis da Nigéria”, a ser exibida em outubro, no The Bermondsey Project, em Londres.

Você pode até não concordar com estilo de vida luxuoso destes monarcas, mas há de convir que estes retratos são interessantíssimos do ponto de vista antropológico e da moda!

Vejam!

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Oba Okunade Sijuwade – Ooni of Ife

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Emir of Kano Alhaji Dr Ado Abdullahi Bayero e sua old Rolls

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Alhaji Ado Abdullahi Bayero – Emir of Kano

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Benjamin Ikenchuku Keagborekuzi I – Dein of Agbor

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Deinmowuru Donokoromo III – Pere of Isaba

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Oba Oyetunji Jimoh Olanipekun Larooyell – Ataoja of Osogbo

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HM Wilson Ojakovo Oghoghovwe Oharisi III – Ovie of Ughelli

article-2381510-1B113F85000005DC-574_964x1033Obi James Ikechukwu Anyasi II – Obi of the Idumuje Unor Kingdom

Via Daily Mail

LANÇAMENTO AREZZO EM REDE SOCIAL

Lançamento de verão da Arezzo foi em clima de festa virtual, com foco em mídias sociais. Evento simultâneo nas principais capitais do Brasil. As convidadas não paravam de postar as escolhas da marca no Instagram. Foram 6.400 postagens na rede social pelo Brasil todo. Marininha Franco e José Camarano, DJs e amigos de longa data, tocaram juntos pela primeira vez apresentando sucessos dos anos 90. O agito rolou na Arezzo até depois das dez…

Arezzo-bebel niemeyer maria pia marcondes ferraz e ana cecilia lacerda-0936Bebel Niemeyer, Maria Pia Marcondes Ferraz e Ana Cecília Lacerda

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Ana Luiza Tiago, Andrea Rudge e Renata Lamarca

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Alexia Dechamps

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Alexia Wenk

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Ana Cecília Lacerda

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Aninha Costa e Fabiola Cabral

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Carol Averbach

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Chris Pitanguy

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Yara Figueiredo e Bebel Niemeyer

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Joana Canabrava

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Karina Vasilcovsky

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Kiki Perelmuter e Maysa Borges

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Luiza Sobral e Marcela Birman

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Maria e Isabel Teixeira de Mello

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Renata Fraga e Giovanna Priolli

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Robert Forrest

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José Camarano e Marina Franco

Fotos de Bruno Ryfer

A ARTE INÉDITA DE ABRAHAM PALATNIK

Um dos pioneiros e maior referência em arte cinética no Brasil, Abraham Palatnik terá exposição, a partir de amanhã,  na Anita Schwartz Galeria de Arte, na Gávea. Obras produzidas da década de 1950 até hoje, a maioria inédita, entre elas 25 obras recentes e históricas, muitas desconhecidas do público, que não serão vendidas.

Ainda na exposição, quadros com objetos em relevo, da década de 60, e trabalhos feitos com corda, de 1980 e 2000.

Aos 85 anos, Palatnik está produzindo quatro novas obras especialmente para esta mostra…

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Palatnik - Cinecromatico 15 - foto Vicente de Mello

Palatnik - Cinecromatico 5 - foto Vicente de Mello

Fotos de Vicente de Mello

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Fotos de Elisa Cohen

DEGUSTAÇÃO DE VINHOS NO SALITRE

Noite de vinhos e jantar harmonizado no restaurante Salitre, em Ipanema, que apresentou sua nova boutique de vinhos. Eram 50 convidados recebidos pelos sócios Luis Villarino, Simone Claro e Sisa Dutra. Entre os lá, Isabela e Luiz Felipe Francisco, Angélique Chartouny, Narjara Turetta, Fátima Martins, Alicinha Silveira com Marco Rodrigues e Vera Bocayuva, que demonstrou a maior disposição depois de degustar variedade de vinhos do menu: saiu pedalando sua bike…

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Alicinha Silveira e Marco Rodrigues

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Fátima Martins

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Chef Christophe Lidy, Isabela e Luiz Felipe Francisco

Salitre-Ilka Bambirra e Alda SoaresIlka Bambirra e Alda Soares

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Helcio Hime, Sisa Dutra e Narjara Turetta

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Amaro Leandro Barbosa, Angélique Chartouny e Luis Villarino

Fotos de Marcelo Borgongino

ANTIGO CONSULADO DA ÁUSTRIA NA ATLÂNTICA VAI VIRAR HOTEL EMILIANO

Mea culpa mea máxima culpa. Fui eu, sim, quem despertou a curiosidade de vocês sobre a casa rosa da Avenida Atlântica que está sendo derrubada, marreta por marreta, tijolo por tijolo, e lhes abri o apetite por mais detalhes. Pois lá vão eles…

A casa foi adquirida por 42 milhões de reais pelo Banco Pactual, do André Esteves, que vai construir o prédio com a bandeira do Hotel Emiliano, de São Paulo. O contrato com o operador é de longo prazo, como costuma ser nesse tipo de negociação, em que o gestor passa a pagar um aluguel.

No mês que vem, já começa a construção do prédio no terreno da casa rosa, que é mais antiga do que a casa de pedra, e foi adquirida pelo Pactual antes de Catito Perez comprar a de pedra na mesma Av. Atlântica, e ainda não demolida.

MÚSICA NO MUSEU NA EMBAIXADA EM VIENA

Enquanto a bela casa do Consulado-Geral da Áustria no Rio de Janeiro é posta abaixo junto com seus emblemáticos salões que avistam o mar de Copacabana, o Embaixador do Brasil na Áustria, Evandro Didonet, abre os belos salões de nossa embaixada em Viena para mais uma apresentação do Projeto Música no Museu. Será amanhã o concerto da pianista Miriam Grosman apresentando clássicos brasileiros, com lotação já esgotada. Um tremendo mérito, em pleno verão europeu, com todos de férias bronzeando-se nas praias…

Música no Museu- miriam grosman

MARIO SERGIO CONTI: QUEM NASCEU PRIMEIRO, O OVO OU A GALINHA?

Fui ontem ao cabeleireiro, dos melhores e mais concorridos da classe média de Ipanema, e o tema das conversas não era a saída do armário do Félix, era a entrevista da Mídia Ninja ao Roda Viva, da TV Cultura!

Mídia Ninja, vocês sabem, é o coletivo pop da internet, que entrou para o top hit parade há algumas semanas, desde o “casamento Bastilha” da neta de Jacob Barata no Copa. A Mídia  Ninja é uma unanimidade em todas as vertentes da imprensa. Escrevi sobre eles há duas semanas aqui neste blog uma avaliação que bem se assemelha à de Chico Otávio, em sua página inteira de domingo passado em O Globo, assim como à de Mario Sérgio Conti, o até então excepcional apresentador do Roda Viva em questão, tratando-se aquele de seu programa de despedida.

Não sei o motivo que levou Conti a se afastar ou ser afastado da TV Cultura, mas sei que ele escreveu o artigo brilhante, que abaixo transcrevo, contestando a biografia “não consentida” do Zé Dirceu, publicada e lançada com loas e capa da Veja.

Se a demissão de Conti foi em decorrência deste artigo ou se este artigo foi após ele se libertar dos limites que o selo “TV Cultura” impõe, será enigma que só resolveremos após decifrar outro mais antigo: “Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”.

Segue o artigo de Conti, reproduzido da revista Piauí:

CHUTES PARA TODO LADO

A incrível biografia de José Dirceu, o fauno que comeu cordeiro patagônico

por MARIO SERGIO CONTI

O título do livro de Otávio Cabral é Dirceu – A Biografia. O autor poderia ter dispensado o artigo ou posto “uma biografia”. Mas tascou biografia, o que indica a pretensão de ter feito relato completo e fidedigno da vida de José Dirceu. Tarefa difícil porque o biografado não quis ser entrevistado pelo biógrafo.

Otávio Cabral diz no prólogo ter contado com a ajuda de dois pesquisadores para “vasculhar nove arquivos públicos”. Três linhas adiante repete o verbo: “Vasculhei os acervos de nove jornais e oito revistas nacionais, além de quatro publicações estrangeiras”, se bem que a BBC não seja uma publicação, e sim uma emissora e um site. Ele fez mais que pesquisar arquivos e órgão de imprensa: vasculhou-os, que os dicionários definem como investigar e esquadrinhar com minúcia.

O livro começa em 1968, com os pais de José Dirceu assistindo pela televisão à sua prisão no Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna. Informa que a notícia da prisão de José Dirceu foi “transmitida em rede nacional de televisão”. Mas o Brasil só teria rede nacional de tevê no ano seguinte.

O autor diz e rediz que Passa Quatro, onde José Dirceu nasceu, tinha 11 mil habitantes. São Paulo contava com 4 milhões de moradores quando ele se mudou para lá. O autor faz o cálculo e conclui que a capital era “trezentas vezes maior do que a sua Passa Quatro natal”. Cálculo errado: São Paulo era 363 vezes maior. Dirceu estudou no Colégio Paulistano, “na rua Avanhandava, próximo à praça da Sé”. Não, a escola ficava na rua Taguá, na Liberdade. Preparou-se para o vestibular no curso “Di Túlio”, que se grafava “Di Tullio”.

Antes do golpe de 1964, segundo a biografia, José Dirceu conheceu o autor de novelas Vicente Sesso, “com quem foi trabalhar na TV Tupi, ajudando a redigir roteiros”. Sesso “acabara de escrever Minha Doce Namorada, que deu à atriz Regina Duarte o apelido de ‘a namoradinha do Brasil’”. E José Dirceu “foi praticamente adotado por Sesso, que o levou para morar na sua casa, no mesmo quarto de seu filho adotivo, o ator Marcos Paulo”.

José Dirceu não trabalhou na TV Tupi nem fez roteiros. Foi datilógrafo de Sesso. Nunca morou na casa do escritor. Sesso, isso sim, lhe emprestou uma casa que tinha na rua Treze de Maio. Ele só veio a escrever Minha Doce Namorada em 1971, às pressas, para substituir uma novela que obtivera pouca audiência. Essas informações foram dadas pelo próprio José Dirceu numa entrevista a Marília Gabriela que se encontra transcrita na internet. A data e a composição de Minha Doce Namorada podem ser achadas em histórias da teledramaturgia.

São erros tolos? Sem dúvida. Para a caracterização de José Dirceu, interessa pouco saber que em 1968 não havia rede nacional de televisão. Que estudou em tal rua, e não em outra. Que São Paulo era tantas vezes maior que Passa Quatro. Que não escreveu roteiros para a tv Tupi. Mas todos esses equívocos estão nas seis primeiras páginas do capítulo inicial. E a sexta página se encerra com um abuso: Otávio Cabral afirma que José Dirceu apoiava Jango “mais para se opor ao pai do que por ideologia”. Nada autoriza o biógrafo a insinuar o melodrama edipiano. Ainda mais porque, dois parágrafos adiante, é transcrita uma declaração na qual José Dirceu afirma que, no dia mesmo do golpe, se opôs à ditadura por “um problema de classe”.

O livro realça aspectos pessoais em detrimento dos políticos. Ele repete cinco vezes que nos anos 60 Dirceu tinha cabelos compridos, outras quatro que era cabeludo, e duas dizendo que deixava a “barba por fazer”. Caso o leitor não tenha percebido, o livro estampa ainda catorze fotos de Jose Dirceu de cabelos longos e a barba nascendo. A aparência não é anômala nem define o biografado. Muitíssimos jovens eram assim naquela época.

Em contrapartida, o biógrafo não analisa se nos anos 60 José Dirceu era reformista ou revolucionário. Se queria o socialismo ou não. Se considerava a luta de classes o motor da história. Não explica se acreditava mais na guerrilha, no terror ou na legalidade institucional. Ao “vasculhar” a vida de José Dirceu, Cabral se ateve a uma ideia prévia, que ele enuncia assim: “Encontrava na atividade política um prazer e vislumbrava nela uma chance de ascensão social e profissional.”

A afirmação, caída do céu, é oca e insensata. Oca porque não há nada de mais em se ter prazer fazendo política – ou medicina, malabarismo, jornalismo, o que for. Insensata porque, por dez anos, José Dirceu correu perigo real de ser preso (o que lhe aconteceu), torturado e assassinado (o que ocorreu com centenas de outros). Gramou dez anos de exílio e clandestinidade. Não queria subir na vida e sequer tinha profissão. Fazia política em tempo integral.

Com a anistia de 1979, ajudou a construir um partido, o PT, que não lhe garantia “ascensão” alguma. Como dezenas de outros políticos surgidos nos anos 60, poderia ter aderido ao PMDB, ao PDT ou ao PSDB, que logo chegaram ao poder. Dirceu e o PT fizeram política mais de duas décadas antes de entrar no Planalto. Por que não foi pragmático, imediatista? Talvez porque tivesse convicções, as quais Otávio Cabral despreza. O autor prefere se perder em minudências.

Vejamos como ele se perde. O biógrafo diz que Rui Falcão, hoje presidente do PT, foi colega de José Dirceu na Pontifícia Universidade Católica, onde estudou jornalismo. A PUC sequer tinha curso de jornalismo na época e Rui Falcão estudou direito, mas na Universidade de São Paulo. Relata que 5 mil estudantes se reuniram “nas arcadas do Grupo Escolar Caetano de Campos”, que não se chamava “Grupo Escolar” e não tem arcadas. Afirma que a Faculdade de Filosofia, na rua Maria Antônia, tem cinco andares, um a mais do que se vê em qualquer foto. Sustenta que uma das “ações ousadas” de José Dirceu foi a destruição do palanque do governador paulista, Abreu Sodré, no 1º de maio de 1968, na Praça da Sé. O ataque a Sodré foi feito por me-talúrgicos de Osasco, liderados por José Ibrahim. É isso que está dito na entrevista de Ibrahim a José Dirceu, no blog deste último. No Congresso da UNE em Ibiúna, José Dirceu ora é colocado num ônibus, ora num camburão, mas aparece numa foto numa Rural Willys. Depois de uma semana, é levado “para a Fortaleza de Itaipu, em São Vicente” – e a fortaleza fica no município de Praia Grande.

O autor não fica só nos erros menores. Escreve que em 1968 “a Guerra Fria encontrava-se no auge e a invasão dos Estados Unidos a Cuba era iminente”. A invasão de Cuba fora eminente em 1961, quando a CIA organizou o desembarque na Baía dos Porcos, e no ano seguinte, durante a crise dos mísseis, e não seis anos depois.

E 1968 não foi o ano do auge da Guerra Fria, e sim o da sua grande crise, que levou o capitalismo e o stalinismo a se darem as mãos. Em janeiro, na Ofensiva do Tet, os vietcongues chegaram aos jardins da embaixada americana em Saigon sem a ajuda de tropas da China e da União Soviética. Em maio, a greve geral na França foi deflagrada apesar da oposição frontal do gaullismo e do Partido Comunista, que seguia ordens de Moscou. Em agosto, a invasão da Tchecoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia, para massacrar uma experiência de socialismo democrático, most rou que o apoio dos Estados Unidos à Primavera de Praga não passava de retórica.

Em meio a esses três fatos turbulentos, que insuflaram as mobilizações brasileiras daquele ano, José Dirceu cresceu como liderança política. Seria interessante saber o que pensava a respeito deles. É obrigação de um biógrafo analisar o mundo no qual o seu biografado vive, e contar como ele reage a grandes mudanças. Otávio Cabral preferiu fofocar sobre os namoricos do líder estudantil, que ele trata como um fauno.

Dirceu foi um dos presos políticos trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, sequestrado no Rio, em 1969, por grupos esquerdistas. No México, onde desembarcou, segundo Cabral ele era “um dos mais paranoicos, tinha c erteza de que era vigiado pela CIA”. Se há documentos americanos comprovando que a CIA espionou os brasileiros exilados em Cuba, por meio de um agente duplo cubano, por que não os investigaria no México? Não havia paranoia nos cuidados de José Dirceu. O que há é a tentativa de Cabral em pintá-lo como um homem irracional e doente. Faz o mesmo com o PT e as alas à esquerda do partido, que ele qualifica de “raivosos”.

Uma das fontes dos capítulos sobre a estadia de Dirceu em Havana é O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil, de Denise Rollemberg, que é apresentada como historiadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas a historiadora se formou, fez mestrado, doutorado e é professora na Universidade Federal Fluminense. É compreensível, pois, que Dirceu tenha bobagens como a de dizer que ele foi instalado em “uma casa na periferia de Havana, a Casa do Protocolo, hoje um centro cultural”. Havia dezenas de “casas de protocolo” em Cuba, e não uma determinada.

José Dirceu passou um tempo clandestino no Brasil no início dos anos 70. Otávio Cabral se fia em papéis da ditadura para apontá-lo como um dos responsáveis pelo assassinato de um sargento da PM, em janeiro de 1972, “na rua Colina da Glória, no Cambuci”. Uma testemunha teria reconhecido Dirceu como participante no crime. Há três elementos que abalam a credibilidade dos documentos militares. O reconhecimento da testemunha foi feito com base numa foto antiga de Dirceu, antes de ele ter feito uma cirurgia plástica no rosto em Cuba. A morte do sargento não gero u inquérito nem processo. A rua Colina da Glória não existe no Cambuci nem em bairro nenhum de São Paulo. Otávio Cabral também leva em conta o depoimento de um sargento, integrante do Centro de Informações do Exército, que acusou José Dirceu de ter sido agente duplo e delator.

As acusações de assassinato e delação são graves. Mereceriam investigação profunda, ponderação e exposição demorada. Seria preciso sobretudo ter boa-fé. Foi o que fez Elio Gaspari ao analisar casos semelhantes na série de quatro livros monumentais sobre a ditadura. Foi também o que fez o jornalista Vicente Vilardaga no recém-lançado À Queima-Roupa – O Caso Pimenta Neves, livro no qual relata o assassinato da repórter Sandra Gomide pelo diretor de redação de < em>O Estado de S. Paulo. Vilardaga busca entender um assassino, Pimenta Neves, cujo crime lhe é repulsivo. À Queima-Roupa é sólido justamente pelo seu empenho em compreender o que pensou e como agiu o homicida, situando o seu crime no contexto da imprensa paulista.

Já Otávio Cabral envolve José Dirceu numa névoa de insinuações para melhor denegri-lo. Em títulos de capítulos, chama-o de “camaleão”, “bedel de luxo”, “o maior lobista do Brasil” e “o maior vilão do Brasil”. Como Dirceu foi condenado e aguarda a prisão, o que Cabral faz é chutar um homem caído no chão.

Mas comete tantos erros que acaba chutando a sua própria reputação profissional. Em 1978, diz ele, José Dirceu participou de um grupo que ajudou a financiar candidatos do “MDB simpáticos à luta armada, como Anísio Batista de Oliveira e Djalma Bom”. Que surpresa. Anizio (com “z”) Batista e Djalma Bom eram sindicalistas no final dos anos 70. O primeiro era metalúrgico e integrava o grupo de Lula em São Bernardo. O outro estava na Pastoral Operária e militava na oposição metalúrgica de São Paulo. Ambos discordavam da luta armada e do MDB. Candidataram- se a deputados na década seguinte, e foram eleitos pelo PT.

Desconhecendo fatos comezinhos como esses, Otávio Cabral decreta logo em seguida: “Foram as mulheres, e não a política, o que mais atraiu Dirceu de volta a São Paulo.” Como ele pode ter tanta certeza? Apaixonar-se, meter-se em namoros tumultuados, praticar adultério, gostar de amor e sexo, ter filhas fora do casamento – tudo isso ocorreu com José Dirceu. E também com muita gente da esquerda e da direita, com pobres e ricos das mais diferentes atividades.

Achar que isso define alguém é ingenuidade, clichê reducionista. Para ficar em três exemplos da esquerda (que não têm nada a ver com José Dirceu, diga-se): Marx teve um filho com a empregada Helena Demuth, Lênin foi amante da comunista francesa Inessa Armand, Trotsky teve um caso com a pintora Frida Khalo. As traições amorosas explicam o que fizeram na política?

A torpe a maneira como Otávio Cabral trata as namoradas e esposas de José Dirceu. Ele escreve vulgaridades machistas como “loira alta e voluptuosa”, “encontrou a inesquecível lembrança deitada na cama”, “formas avantaja das”, “a bunduda do sindicato”. Dá nome, sobrenome e profissão de algumas das mulheres que amaram Dirceu. De outras, o primeiro nome ou só a ocupação. “Empresária”, por exemplo. Por quê? Talvez por incerteza. Talvez por covardia. O que sobressai é a alusão melíflua, e não a afirmação direta.

Em compensação, eis uma afirmação direta de Otávio Cabral sobre profissionais de sua área, o jornalismo: “Antigos companheiros de Ibiúna e de clandestinidade tinham posições de destaque na imprensa em meados dos anos 80, como Rui Falcão, que comandava a revista Exame, e Eugênio Bucci,diretor da Playboy.” Nem Falcão nem Bucci participaram do Congresso da une em Ibiúna. Oprimeiro porque não era mais estudante e o outro por ser criança. Eugênio Bucci jamais esteve na clandestinidade. Ru i Falcão, sim, mas não foi “companheiro” de Dirceu: clandestino, militava em outra organização e noutra cidade. Bucci nunca foi diretor da Playboy. São cinco erros factuais numa frase. Algum recorde foi batido.

A Biografia tem dezenas de barbaridades semelhantes. Uma das melhores: Fernando Collor, na tentativa de se manter no Planalto durante a campanha pela sua destituição, conclamou o povo a ir às ruas com roupas pretas para defendê-lo, e todos foram de verde-amarelo. Como todo mundo sabe, ocorreu o contrário. Collor incitou a população a se vestir de verde-amarelo e o Brasil foi tomado por manifestantes de preto.

Otávio Cabral tem mania de comidas e bebidas. Seguem-se exemplos do livro. “Frango ao molho pardo brasileiro, cozido e com um saboroso molho à base de sangue da própria ave.” “Molho ultrapicante, com pimentas, amendoim, canela e amêndoa.” “Os melhores runs.” “Coxinha, feijoada e doce de jaca com canela.” “Moqueca de peixe, cerveja e cachaça dominaram a noite.” “Cálices de vinho de sobremesa italiano.” “Coelho a Los Fubangos.” “Bacalhau assado à moda do Minho, arroz de marisco e chanfrana de cabrito.” “O refrescante vinho verde por tuguês Alavarinho Deu la Deu, escolhido a dedo para aplacar o calor.” “Toucinho do céu, tradicional doce português à base de gemas de ovos.” “Comeram pato laqueado, tomaram vinho e deram boas risadas.” “Cachaça Havana e champanhe Dom Pérignon.” “Filé com creme de mostarda, cebola, ervilha, presunto e batata palha.” “Vinho Romanée-Conti, safra de 1997.” “Comeu galeto e bebeu o vinho tinto italiano Brunello di Montalcino.” Chega?

Tem mais. “Risoto de carne-seca na moranga, acompanhado de um Chardonnay brasileiro.” “De sobremesa, goiabada com queijo e champanhe.” “Vinhos renomados, como o Almaviva chileno.” “Bufê com uísque e champanhe.” “Mal tocou no salmão grelhado.” “Pegou uma garrafa de rum cubano.” “O vinho melhoraria seu humor.” “Duas doses de bourbon antes de dormir.” “Algumas garrafas de vinho mais tarde.” “Ravióli de foie grascoquilles Saint-Jacques com trufas e endívias caramelizadas e lombo de javali com risoto de aspargos.” “As taças abastecidas sem intervalo com os melhores espumantes brancos e tintos da região.” “O compromisso teve cordeiro patagônico e um excelente Malbec no restaurante Barricas de Enopio.” Basta?

Pois ainda tem cupim, salada de batata, Cabernet Sauvignon chileno, paella, presunto de Parma etc. etc. etc. Mas é melhor parar porque esse cordeiro patagônico desceu mal. O Barricas de Enopio não é mais o mesmo.

Em menor grau, o livro é obcecado por novelas e futebol. São inúmeras as referências a tramas e atores do horário nobre. Todas descabidas, porque José Dirceu não acompanha novelas. Ele gosta de futebol, mas não mais que um torc edor típico. Apenas uma das referências futebolísticas tem sentido político, o jogo da Seleção Brasileira contra a do Haiti, em Porto Príncipe, em 2004. De fato, Dirceu – com Ricardo Teixeira e o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, apelidado de Kakay – pelejou pela organização do chamado Jogo pela Paz.

Se não discute o apoio de Dirceu à intervenção brasileira no Haiti (uma posição contrária à da esquerda ortodoxa), Cabral descreve com detalhes a viagem da “comitiva liderada por Lula e Dirceu”. Fala que os dois foram ao Estádio Nacional “num caminhão de bombeiros, junto com astros do futebol brasileiro como Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno. Dirceu tirou fotos com todos antes de entrar no veículo”. Conta que “às quatro da tarde, o Hino Nacional Brasileiro foi tocado e Dirceu chorou”. No segundo tempo, o goleiro Fernando Henri que substituiu o titular e, prossegue Cabral, “assim que viu o homônimo do ex-presidente entrando em campo, Dirceu virou-se para Kakay e ironizou: ‘Bem que esse Fernando Henrique podia tomar um gol. Aí a festa vai ser perfeita.’” É um belo relato.

Exceto pelo seguinte: José Dirceu não foi ao Haiti ver a partida.

Não era necessário entrevistar o biografado para saber que ele não assistiu ao Jogo pela Paz (procurado, Dirceu não deu nenhuma informação para esta resenha). Não há referências ao então chefe da Casa Civil nas copiosas reportagens sobre Lula e sua comitiva no Haiti. Foi feito um documentário sobre a partida, O Dia em que o Brasil Esteve Aqui, com mais de uma hora de duração, no qual Dirceu está ausente do jogo. Poder-se-ia perguntar a Lula, a Ricardo Teixeira, a Kakay, aos jogadores, às pessoas da comitiva, a todos que lá estivera m, se José Dirceu compareceu. E eles diriam: não, José Dirceu não foi ao Haiti. Em vez de trabalhar, Otávio Cabral preferiu a invencionice delirante.