Sobre Hildegard Angel

colunadahilde@gmail.com Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

PRIMEIRO FESTIVAL DE FADO NO RIO

Na cidade das Artes, aqui no Rio, o final de semana foi do Fado, com shows de Mariza, António Zambujo e Ana Moura. Além de estreitar os laços entre as culturas portuguesa e brasileira, o primeiro Festival de Fado apresentou uma exposição sobre o tema, desde o seu surgimento até os dias de hoje. Seguem registros do evento…

Fado-DSC_2764 Caio Blait e Maria RibeiroCaio Blat e Maria Ribeiro

Fado-DSC_2754  Joana Braga e Adriana Varejão

Joana Braga e Adriana Varejão

Fado-DSC_2743   Patricia Quentel e Chicô Gouvea

Patricia Quentel e Chicô Gouvêa

Fado-DSC_2874  Os cantores portugueses  Antônio Zambujo e Ana MouraOs cantores portugueses António Zambujo e Ana Moura

Fado-DSC_2862 Emílio Kalil  o  casal Malu Barreto e Vik Muniz e   Connie Lopes

Emilio Kalil, o casal Malu Barreto e Vik Muniz e Connie Lopes

Fado-DSC_2793 Moreno Veloso e Andrucha Waddington

Moreno Veloso e Andrucha Waddington

Fotos de Cristina Granato

GLAMURAMA EM FESTA PARA CARIOCAS

Como faz todos os anos, o site Glamurama reuniu um time de convidados vips cariocas para coquetel no Rio. A festa, neste final de semana, no terraço do Hotel Fasano, foi ao som do DJ Zeh Pretim, com presença, entre outros, de Leticia Spiller, Lenny Niemeyer, Michael Roberts, o ex-jogador Romário, Carlos Tufvesson e André Piva. Vejam quem foi lá…

Glamurama-Lenny Niemeyer e Michael RobertsLenny Niemeyer e Michael Roberts

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Lucas Loureiro e Leticia Spiller

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Maria Cortez

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Romário

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Toni Garrido e Regina Coelho

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José Hugo e Maria Alice Celidônio

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André Piva e Carlos Tufvesson

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Alan Ainbinder e Patricia Fainziliber

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Alexia Dechamps e Paula Medeiros

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Alexia Wenk

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Ana Carolina Regatieri, Rosana Saad e Thaya Marcondes

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Aninha Costa e Daniel Brandão

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Antonia e Renato Jerusalmi

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Bia Aydar, Conceição Queiroz e Alex Lerner

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Bia Braga

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Felipe Veloso e Andrea Viera

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Luiz Calainho e Roberta Catani

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Zeh Pretim

Fotos de Paulon Freitas e Juliana Rezende

ANGELA COSTA: É COM MULHERES DESSA QUALIDADE QUE SE CONSTROI UM PAÍS

Lemos neste fim de semana sobre A Dama das Américas, encontrada no Peru pelos arqueólogos,  revelando uma civilização pré-inca, de mais de dois mil anos, comandada por mulheres. Eram os Moche.

Essas mulheres lideravam às vezes por gerações, avó, mãe e filha, transmitindo seu poder à prole. As múmias são encontradas cobertas de ouro e preciosidades, até com vestido, cercadas, em seu entorno, de múmias de vassalos, que supostamente a serviriam na nova vida.

A Dama de Cao é uma dessas mulheres poderosas perdidas no tempo, cuja tumba, de 1,5 mil anos foi reencontrada há poucos anos.

Mulheres com poder sempre causam espécie, intrigam. Tenham elas dois mil anos de História ou sejam do tempo presente, do agora. Pois ainda hoje as contamos nos dedos. São exceções. Fogem à regra.

Quando acontece de haver mulher vitoriosa nos negócios, correm lendas e suposições. “É fortuna herdada da família”, especulam alguns. “Sucedeu ao marido no empreendimento”, afirmam outros.

Difícil é assimilar como natural, e como primeira versão, a possibilidade de uma frágil criatura feminina ter fundado, há 33 anos, num dia 7 de agosto, a hoje maior empresa de embalagens de papelão do Estado do Rio de Janeiro, com uma produção de 800 a mil toneladas de caixas por mês, mantendo 150 funcionários, em plena fase de expansão, projetando um crescimento que vai aumentar a produção em cinco vezes e a abertura de mais uma fábrica, em Saquarema, além da que tem em Benfica.

Esta mulher é a empresária Angela Costa, presidente da Papillon Embalagens, fundada por ela um ano após se separar, há 34 anos, do marido, sozinha, juntando suas economias a empréstimo bancário, filhos pequenos para criar.

Corajosa e determinada, capaz, Angela Costa seguiu firme na direção de seus objetivos, envolvendo os filhos nesse projeto familiar, logo que as idades permitiram.

Começaram como estagiários, trabalhando na produção, a partir dos 17 anos. Vinicius, o diretor industrial, está com 34, e, com 35, a diretora financeira Michele, formada em engenharia de produção e metalúrgica, com mestrado em engenharia de embalagem.

Angela não passou a presidência aos filhos, permanece nela, faz a parte institucional, dá a meta e cobra resultados. Os três atuam na parte comercial. No momento, empenham-se num processo de verticalização da empresa e, ano que vem, passam também a produzir o papelão das embalagens da indústria, que é bastante automatizada. Na nova fábrica, vão diversificar três vezes mais do que na atual, onde a produção está até sufocada, tamanho o crescimento.

Quando Angela começou, ela tinha como grande objetivo sua fábrica ter um diferencial. “O Brasil ainda não tinha muito essa consciência”, ela me diz. Foi essa qualidade diferenciada que a fez ganhar mercado e credibilidade, que hoje considera seu maior patrimônio, com clientes de 30 anos. “E, quando a gente consegue um cliente, dificilmente nós o perdemos”, orgulha-se.

Tanto é que, na Firjan, ela preside o Conselho de Gestão Estratégica de Qualidade e Competitividade, assim como é vice-presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro.

Com tantos méritos e tamanhas realizações, ninguém como ela para ter o direito de festejar em grande estilo seu aniversário, junto com o da filha, Michele, no apartamento bonito de Ipanema.

Muito já se falou sobre a festa – que durou até 7 da manhã – no Facebook. Mas o muito foi pouco. Porque mais importante do que falar que o bufê do Demar estava irrepreensível, que o champagne era ótimo, que os 400 convidados foram embalados ao som do grupo The Six e com direito a show de Tiago Abravanel, é dizer que esta nossa Dama da América, Angela Costa, é um exemplo para todas nós, outras damas.

Exemplo de coragem, de luta, de fibra, de força de trabalho, de confiança no país, de liderança, de multiplicação de empregos. Exemplo de mulher que desfruta e usufrui de tudo que merece. Por conta de seu próprio e grande esforço. De muito suor do rosto. É desta Dama da América que estou falando. São Damas da América como Angela que constroem o Brasil, merecem e devem ser postas em relevo!

angela 1 Fotos de Sebastião Marinho

O QUE RUY BARBOSA PENSARIA DO EMBATE NO STF SOBRE OS RECURSOS DA AP470?

Vocês rapidamente perceberão que o texto abaixo, pelo brilhantismo e o “domínio do fato”, não é meu. Pois, do direito, no muito, tenho um senso de justiça, sei discernir o certo do errado, procuro andar em linha reta e não escrever por elas tortas. Isso, só Deus.
O brilhante autor do texto entre aspas é um sábio inquestionável, uma águia do direito brasileiro.

Coletei suas opiniões e pensamentos em livro adquirido em leilão, edição de 1917, sobre a “Questão Minas Werneck”, por ele defendida no Supremo Tribunal Federal, nas “Appelações de sentenças arbitraes”.

Em seus belos escritos, encontrei inspiração e grandes semelhanças com os impasses e mesmo as acaloradas discussões entre pares  – os ministros –  no julgamento dos recursos da AP 470, que acontece no momento no STF.

Como testemunhamos, na última sessão, quando o juiz Lewandowsky, pretendendo estudar um recurso e, talvez,  reconsiderar um voto, o juiz Barbosa interpôs-se a ele, por considerar aquela causa decidida.

A atitude do presidente da Corte inspirou a quem assistia serem, aquelas sessões de recurso, meras formalidades, para confirmar as primeiras sentenças.

Vamos ver o que diz o douto sábio dos sábios do Direito brasileiro. Vamos ver o que pensaria sobre o embate o notável Ruy Barbosa, a Águia de Haia!

Escutemos o GRANDE RUY:

“Apanhar-se em contradição, o sujeito que tem a coragem infame de variar de opinião, é o prazer dos prazeres. Se os deuses houvessem reservado como privilégio divino essa faculdade, cada consumidor brasileiro de papel seria um Prometeu absorto em escalar as nuvens, não à procura do céu, mas em busca da prenda celeste de escarafunchar  divergências de ontem para o hoje nas opiniões alheias. Quando se topa, nas letras remexidas, com um desses achados preciosos, é dia de festa, ilumina-se a casa, leva à boca o megafone e se anuncia ao longe que o adversário está esmagado.
Não há entretanto inutilidade mais inútil. Os homens de siso e consciência riem destas malícias. Só a ignorância ou a imbecilidade não se contradizem; porque não são capazes de pensar.

Só a vulgaridade e a esterilidade não variam; porque são a eterna repetição de si mesmas. Só os sábios baratos e os néscios caros podem ter o curso das suas ideias igual e uniforme como os livros de uma casa de comércio; porque nunca escreveram nada seu, nem conceberam nada novo.

A sinceridade, a razão, o trabalho, o saber não cessam de mudar: não há outra maneira humana de acertar e produzir. Varia a fé; varia a ciência; varia a lei; varia a justiça; varia a moral; varia a própria verdade; varia nos seus aspectos a criação mesma; tudo, salvo a intuição de Deus e a noção dos seus divinos mandamentos, tudo varia. Só não variam o obcecado, ou o fóssil, o ignorante ou o néscio, o maníaco ou o presunçoso.

Pode ser que no miolo de um compilador caiba inteiro o imenso universo jurídico, petrificado, imutabilizado e catalogado nas suas regras,  nas suas hipóteses e nos seus resultados. Tirante, porém, essas cabeças privilegiadas, tudo no direito é mudar constantemente; porque o direito resulta da evolução, e a envolver consiste no variar.
Há os grandes princípios, que formam a estrutura permanente desse mundo; mas, na vasta atmosfera de ideias que o envolve, nas grande correntes dos sistemas, que o sulcam, nos maravilhosos fenômenos criadores, que o animam, em todas as organizações que o povoam, em todos os resultados que o enriquecem, tudo se transmuta e renova e transforma dia a dia.

De dia em dia esses grandes princípios envolvem, progridem e cambiam, na interpretação, aplicação e reprodução, que lhes constituem a vida real.  Não há decretos, que se não revoguem, nem decisões, que se não alterem, nem sentenças, que se não reformem, nem arestos, que se não cancelem, ou doutrinas, que não passem, lições, que não desmereçam, axiomas, que não caduquem.

Os textos, os códigos, as constituições, guardado o mesmo rosto e a mesma linguagem, na sua inteligência e ação continuamente se vão modificando: significam hoje o contrário do que ontem significavam; amanhã exprimirão coisa diversa da que hoje estão exprimindo;  e, neste contínuo acomodar-se às exigências das gerações sucessivas, tomam, sucessivamente, a cor das épocas, das escolas, dos homens, que os entendem, comentam ou executam.

De sorte que, na tribuna do legislador, na cadeira do lente, na banca do causídico, no pretório do juiz, a palavra, as mais das vezes, não faz senão registrar as mutações e alternativas, em que direis consistir a essência mesma de nosso pensamento e atividade.
Assim que, debaixo do céu, tudo obedece a essa eterna lei de transmutação incessante das coisas. Se  nihil sole novum, também poderíamos dizer que nihil sub sole constans. Se todo o mundo se compõe de contradições , dessas contradições é que resulta a harmonia do mundo.  Se das variações pode emanar o erro, sem as variações o erro não se corrige.  A boa filosofia é a de Joubert, quando nos aconselha que, se por amor da verdade, houvermos de cair em contradições, não vacilemos em nos expor a elas de corpo e alma. Se “a razão nunca está em contradição consigo mesma, quando segue as suas leis”, como dizia o honesto Julio Simon, a única espécie de contradição, de que o espírito terá receio, é a de se empedernir no erro, quando enxerga a verdade.

O homem não está em contradição consigo mesmo, senão quando o está com a sua natureza moral, que o ensina a considerar-se desonrado, quando atina com a verdade, e se obceca no erro. É assim que o nosso próprio organismo vive,mudando toda a hora, sem mudar nunca; porque da sua identidade realmente não muda, senão quando, quebradas as suas leis orgânicas pela doença ou pela morte, deixa de eliminar o que deve eliminar, e absorver o que lhe convém absorver.

Mas, se neste ir e vir contínuo e nesse incessante mudar giram todos os viventes, como todas as coisas, não haverá, talvez, nenhum domínio da vida, em que tanto suba de ponto a instabilidade, quanto nessas incomensuráveis regiões onde impera o direito, nas circunstâncias que o realizam, nos elementos que o definem, nas fórmulas que o regem, nas interpretações que o esclarecem, nas soluções que o aplicam. Por isto, não muda somente a jurisprudência nacional, com o variar dos tribunais, não muda só a de cada tribunal com a mudança de seus membros, senão também a de cada juiz, muitas vezes, na mesma causa, de um a outro julgamento, e não raras com toda a razão; pois justamente para isso é que a lei nos assegura, não só as apelações, de uma a outra instância, mas os embargos, decididos  pelo mesmo magistrado, a cuja sentença as opomos.

Pois, se a toga do magistrado não se deslustra, retratando-se dos seus despachos e sentenças, antes se relustra, desdizendo-se do sentenciado ou resolvido, quando se lhe antolha claro o engano, em que laborava, ou a injustiça, que cometeu, não compreendemos que caiba no senso comum dar em rosto a um jurista, ou a um advogado com o repúdio de uma opinião outrora abraçada.

E, se, como no caso, essa opinião era, não uma tese consagrada, mas uma novidade ainda imatura, se nem se sustentara com a tese do pleito, nem constituía argumento essencial numa demonstração, mas apenas a auxiliava, e lhe era acessória, óbvio parece que a ‘semrazão’ dobra e tresdobra em estranheza”.

Petrópolis, fevereiro de 1917
RUY BARBOSA

Ainda o RUY:

“O bom senso humano, em todos os tempos, tem reconhecido não ser lícito abandonar a sorte da lei comum e dos direitos por ela assegurados às contingências do julgamento por um só tribunal. Daí a concepção das instâncias, dos recursos e, especialmente, das apelações, destinadas a corrigirem, mediante segundo exame do caso em cada lide, os vícios, omissões e nulidades do processo, os erros, abusos e injustiças da sentença.

 “Apellandi usus quam sit frequens quamque necessarius,nemo est qui nesciat, quippe cúm iniquitatem judicantium vel imperitiam recorrigat.”
(Fr. I D. de appellationibus, XLII I.)

Ninguém há, que não saiba, diz o fragmento do texto de Ulpiano incorporado neste lance das Pandecas, “ninguém há, que não saiba quão frequente e quão necessário é o uso de apelar, remédio que se criou para corrigir a iniquidade e reparar a perícia dos julgadores”.
Desta noção de justiça rudimentar só discrepou a grande matriz do nosso direito civil e do nosso direito judiciário, a jurisprudência romana, em outras épocas tenebrosas como as de Calígula, que vedou as apelações, e Nero, que as impediu (…)”.

Petrópolis, fevereiro de 1917
RUY BARBOSA

*A jornalista, para tornar a leitura acessível a todos, atualizou alguns termos para a linguagem mais corrente, como, por exemplo, trocar “empeceu” por “impediu”.

ANIVERSÁRIO DO PÉ QUENTE COUTINHO

Uma das tradições de minha coluna é noticiar as festas de aniversário do Luiz Fernando Coutinho, mostrando as fotos. E como sou supersticiosa e acho o Coutinho um tremendo pé quente é claro que este ano vou fazer outra vez.

Foi no Porcão de Ipanema. Onde aliás almocei neste sábado, uma sequência sensacional de carnes. em mesa longa cheia de Tostes, e numa mesa próxima estava o ex-ministro Ayres Brito, de terno preto e sem gravata. Na saída, foram feitas várias fotos dele para o painel de famosos da casa.

Bem, voltando à comemoração do Luiz Fernando, foi com jantar, na sexta-feira, com vários amigos famosos e sua mulher divina e maravilhosa, a Liège Monteiro.

IMG_9827Adriana Birolli entre Luiz Fernando Coutinho e Liège Monteiro

geovana lancellotti artu aguiar_9873Geovana Lancelotti e Arthur Aguiar

gisella amaral_9812Gisella Amaral

IMG_9817Tuca Andrada

Fotos Rodrigo dos Anjos / Ag. News

O GELADO CANADÁ ESQUENTA NAS AREIAS DA PRINCESINHA DO MAR

Responda rápido: quem é o diplomata estrangeiro mais bem instalado no país? Nem precisa perguntar duas vezes. A resposta é unânime: Sanjeev Chowdhury, o cônsul-geral do Canadá no Rio de Janeiro. Reside numa belíssima casa com jardins de Burle Marx, no Jardim Pernambuco, bandeira canadense a tremular na fachada, onde frequentemente promove recepções com autoridades e empresários, brasileiros e canadenses, num permanente trabalho de integração dos dois países, em todos os setores, empresarial, cultural, financeiro e, sobretudo, na arte de multiplicar contatos importantes para seu país, o que ele sabe fazer muito bem.

Além disso, ele acaba de inaugurar o novo escritório do consulado, ocupando um último andar inteiro na Avenida Atlântica, envidraçado sobre o mar de Copacabana, aquele vistão dominando todas as salas.

Décor clean, funcional, piso de madeira clara integrando o ambiente da sala do cônsul à areia da praia em frente, tudo no gabinete do cônsul Chowdhury é só bom gosto.

Não bastasse a beleza das novas instalações, acrescente-se a isso a alegria da equipe do consulado, a integração, o trato fraterno e respeitoso de Sanjeev para com todos os seus funcionários, independente do nível. Elegância em todos os aspectos.

Sanjeev Chowdhury, Embaixador Jamal Khokhar e Ministro John Baird e funcionariosO cônsul-geral Sanjeev Chowdhury, embaixador Jamal Khokhar, ministro John Baird e funcionários do consulado.

Na ordem: Alexandre Crispim, Roberta Valle, Laura Netto, Nadine Lopes, Ilana Belaciano, Thiago Rocha, Renan Esposito, Robert Cabral, Natalina Aleixo, Edileide Silva, Ana Penalva, Danae Balcon, cônsul Chowdhury, embaixador Khokhar, ministro Baird, Fernanda Brandão, Fernanda Custódio, Marcia Fabricio e Roman Szelazek

 Nesse clima harmonioso, o cônsul e seus auxiliares receberam autoridades do Estado, imprensa, empresários e amigos do Canadá, para inaugurar as instalações, por ocasião da visita ao Rio do ministro das Relações Exteriores de seu país, John Baird, com presença do embaixador, Jamal Khokhar, vindo de Brasília.

Cônsul-Geral Sanjeev Chowdhury, Embaixador Jamal Khokhar e Exmo. Ministro das Relações Exteriores John BairdCônsul-Geral Sanjeev Chowdhury, Embaixador Jamal Khokhar e Exmo. Ministro das Relações Exteriores John Baird. Uma trinca de jovens diplomatas, afinados na inteligência e no fino humor.

No momento de descerrar a placa da inauguração do escritório, o cônsul-geral fez breve speech, com sua verve habitual: “Vou cometer uma indiscrição. Não sei o que vai me acontecer depois disso. Se eu tiver que fazer minhas malas correndo, hoje à noite, e retornar ao Canadá, vocês saberão o motivo. É que, no carro, quando fui receber o senhor ministro que faz uma visita a 10 países, ele comentou comigo que o Brasil é o seu preferido”. Foi um frisson geral!

Ministro John Baird descerra a placa inaugural do novo ConsuladoO ministro John Baird descerra a placa

Em seguida, falou o ministro John Baird: “Tenho duas notícias a dar a vocês. Preferem ouvir primeiro a boa ou a ruim?”. Todos preferiram a ruim primeiro. E ele: “Bem, o cônsul Chowdhury deverá fazer suas malas hoje à noite”. Risos. Enquanto a boa notícia era a que ele, John Baird, deixaria o ministério para se transferir para o consulado-geral do Canadá no Rio de Janeiro! Mais risos, mais aplausos.

Foi este o clima cordial e descontraído daquela tarde de inauguração, seguida de almoço, no último andar do prédio envidraçado na Avenida Atlântica, naquele escritório que começou a funcionar depois de ter sido abençoado por quatro dias de Papa Francisco, já que as janelas ficam exatamente no gargarejo do evento da Jornada Mundial da Juventude. O cônsul recebeu, com direito ao vistão, naqueles dias de Sua Santidade, além dos funcionários, alguns convidados e religiosos que vieram para a Jornada.

Um consulado que já nasceu “abençoado por Deus e bonito por natureza”. Tal e qual, como diz a música, é o nosso “patropi”, o Brasil.

Aproveitando o alto astral vigente, fiz um apelo ao ministro das Relações Exteriores canadense: “O senhor precisa nos ajudar a trazer um voo direto do Canadá para o Rio de Janeiro. Afinal, somos a Cidade Maravilhosa, com o maior fluxo de turistas no país. Conto com o senhor para o Rio ganhar um voo direto do Canadá, pelo menos uma vez por semana”.

E o ministro, simpático, atento: “Quando voltar ao Canadá falarei com o diretor da Air Canada a respeito”.

Hildegard Angel com o Embaixador Jamal Khokhar, o Ministro John Baird e o Cônsul-Geral Sanjeev ChowdhuryEsta jornalista com o embaixador canadense, Jamal Khokhar, o ministro John Baird e o cônsul-geral, Sanjeev Chowdhury

Vamos cruzar os dedos. Afinal, atualmente, o Canadá é o maior destino de estudantes brasileiros, já superando em muito os Estados Unidos, sabiam?

E ter que enfrentar horas e horas de desconforto no aeroporto de São Paulo, depois de uma longa viagem internacional, ninguém merece…

Adriana Novis, Danae Balcon, Diana Vianna e Thiago RochaAdriana Novis, chefe do cerimonial do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Danae Balcon, Diana Vianna e Thiago Rocha

Em seguida, o ministro do Canadá precisou partir para outro almoço, com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, na Associação Comercial, despedindo-se dos demais convidados para cumprir a puxada agenda de sua passagem pela cidade, depois de prestigiar, nesse tempo breve, seus concidadãos e os funcionários do consulado.

Fotos de Thiago Cruzeiro Rocha

NO AUGE DE SEU NOME CONSOLIDADO, ISABELA CAPETO RECOMEÇA VOLTANDO AO PASSADO DAS CHARMOSAS “MAISONS”

Neste momento em que os grandes investidores adquirem as marcas de moda mais bacanas e consagradas e renegam seus talentosos criadores originais, aqueles que lhes emprestam seus nomes, formando equipes anônimas.

Grupos estes, verdadeiros potentados, avassaladores, para os quais o consumidor existe apenas como item de estatística, e cuja providência é criar mega estruturas distanciadas do conceito das próprias marcas.

Neste exato momento e hora, Isabela Capeto retorna aos tempos das exclusivas maisons de moda de antigamente, instalando-se num bucólico ateliê no Horto, que ela inaugura amanhã e domingo.

Assim como mademoiselle Chanel tinha em Paris a sua sofisticada Rue Cambon (com seu apartamento acoplado ao atelier) ou assim como Zuzu Angel mantinha residência e atelier na casa charmosa da Rua Nascimento Silva 510, em Ipanema, Isabela, no auge de seu nome consolidado, propõe-se a um recomeço totalmente alternativo: a vanguarda retrô!

isabela capetoIsabela Capeto

Ela se instala num atelier petite maison, no bucolismo do Horto, cercada pelos aromas, os verdes e as orquídeas do Jardim Botânico e tendo, por testemunha, o sovaco do Cristo.

Esta é a grande tendência que os narizes fashion farejam no ar, este é o chique do momento: a moda com exclusividade. Abaixo a impessoalidade da moda apenas pela grife, da marca valorizada somente pelo preço ou pela notoriedade da celebridade que a veste.

Isabela Capeto entendeu que moda é individualidade, é contato pessoal, é olho no olho, é toque no tecido, é pele na seda. São as estampas e as cores fazendo arrepiar os cabelinhos do braço. E isso só acontece em uma maison muito pessoal.

Foi essa a coragem dela. De voltar ao início, ao que era antigamente, ao cafezinho servido pela copeira, ao bolo servido na mesa.

Esses pequenos luxos é que são os altos luxos, num mundo tão monotonamente superficial.

Com seu novo atelier, Isabela, que eu chamo de “Capetinha”, dá um grande salto para o passado rumo ao futuro. O contemporâneo é a memória!

Confiram o bate-papo que nossa Marina Giustino teve com a estilista e visitem em avant-prémière o endereço que ela inaugura amanhã!

Hildegard Angel

 

BLOG DA HILDE: Nesse momento em que grandes investidores adquirem marcas consagradas e negam o talento de criadores originais, você escolheu justamente seguir a onda contrária, de retornar às suas origens, ao tempo das maisons, valorizando o processo criativo de um produto autoral sem a pressão do mercado, de seguir um calendário ou produzir em larga escala. O que esse recomeço representa para você? E a partir de que momento surgiu em você a vontade de retomar esse antigo modelo de trabalho?

ISABELA CAPETO: Quando vendi a marca para um grande grupo há alguns anos, não deu certo. Acabei saindo de meu rumo. Nessa época, percebi que o que eu verdadeiramente gostava era fazer coisas mais autorais, coisas que vinham do coração. Juntar-se com o grupo me gerou uma grande frustração. Não tinha nada a ver comigo. Fiquei dois anos com eles e foram mais dois anos para me desvencilhar deles. Quero é fazer aquilo em que acredito! Quero fazer roupa que seja desejo, que seja trabalhada, que não seja efêmera. Roupa que passa de mãe pra filha. Peças únicas, em pouca quantidade.

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BLOG DA HILDE: Por quê o Horto?

ISABELA CAPETO: Adoro o Horto! Quando comecei, fui pra Gávea. Os lugares que mais amo no Rio são a Gávea e o Horto. Acho bucólico e tranquilo para a criação.

BLOG DA HILDE: Fale um pouco mais sobre esse novo espaço. Como você pretende utilizá-lo?

ISABELA CAPETO: Esse atelier é onde realizo todos os meus trabalhos, não só relacionados às roupas de minha marca, mas, também, a licenciamentos e figurinos, por exemplo. É um lugar que eu chamo de casa-trabalho. Um local onde posso encontrar minhas amigas. Aqui, quem vem em busca de minhas roupas são pessoas que realmente admiram meu trabalho. Posso ficar mais próximo do cliente, ter contato com ele, olho no olho. Na loja não era assim.

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BLOG DA HILDE: Você pretende fazer de seu novo atelier um ponto de encontro e de troca de ideias. Entre os seus planos, está o de lançar um curso de bordados. Fale mais sobre esse projeto.

ISABELA CAPETO: Ah, sim! Meu sonho é ter uma escola de bordados. Mas ainda preciso me organizar para dar os cursos. Quero que minhas bordadeiras possam ensinar e capacitar outras mulheres e, também, jovens interessados em aprender este ofício. Tenho vontade de poder ajudar, ensinar algo às outras pessoas.

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BLOG DA HILDE: Como você enxerga o papel do estilista atualmente?

ISABELA CAPETO: Estilista, antigamente, era criador. Ser estilista está muito difícil. As pessoas pensam apenas no glamour, mas é muita ralação!

BLOG DA HILDE: Que características vocês acha essenciais em um novo talento que deseja se destacar no mercado da moda?

ISABELA CAPETO: Quando uma pessoa faz algo diferente, todo mundo irá notar. Tem que ser do coração. A pessoa deve ser o que é. Precisa ser livre, autoral. Deve se desprender dessa armadura imposta pela sociedade.

BLOG DA HILDE: Em relação à moda brasileira, como você enxerga seu momento atual?

ISABELA CAPETO: A moda brasileira está num momento muito difícil. As coisas estão muito caras. As pessoas viajam e preferem comprar suas roupas lá fora. Quando comecei minha marca, comecei vendendo lá fora, porque os brasileiros não sabiam valorizá-la. Infelizmente, as pessoas preferem o que vem de fora. Querem ter a bolsa da marca francesa porque dá status. Assim fica difícil a moda brasileira se destacar no Brasil. Mas existe muita gente criativa, fazendo trabalhos autorais, desconhecidos ou famosos: Alexandre Herchcovitch, Gloria Coelho, Ronaldo Fraga, Pedro Lourenço… São todos criadores desprendidos de conceitos.

BLOG DA HILDE: Em relação ao processo criativo, o que mais te inspira?

ISABELA CAPETO: Busco minhas inspirações em meu próprio cotidiano ou quando tenho a oportunidade de viajar. Recentemente fui para Belém do Pará. Foi maravilhoso! Em minha nova coleção, trago muitas sementes de lá bordadas em roupas. Tudo pode servir de inspiração. Procuro observar cada coisa ao meu redor.

BLOG DA HILDE: Por último, fale um pouco mais sobre sua nova coleção de verão.

ISABELA CAPETO: Ela se chama “Tsunamis, caracóis e Flórida”. É uma junção desta minha atual fase da vida que parece um “tsunami”. Os caracóis se relacionam com o rodamoinho, tudo volta para o mesmo lugar. A Flórida tem a ver com uma viagem que fiz pra lá. Tem estampa de cartolinha, conchas, laranjas. Tem muita cor amarela também. Sou apaixonada por amarelo. Isso de ter que ter um tema diferente a cada coleção, que se dane! Faz o que quiser, faz o que gosta! Todas as minhas roupas são feitas no Brasil. Devemos valorizar o que é nosso. Reaproveito tudo! As batas de cambraia de linho dessa coleção são feitas de cortinas de minha antiga loja. Quanto mais antiga a cambraia, mais bonita ela fica. Eu faço assim, retinjo e reaproveito. Peças desse tipo são especiais, trazem com si uma história.

verão 2014 capeto

BORDANDO SONHOS NO RIO DE JANEIRO

Semana que vem, no dia 22, no Salão Nobre da Alerj, serão julgados os 30 trabalhos selecionados pelo público no I Concurso de Bordados do Rio de Janeiro, promovido pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico.

Além desta jornalista que vos fala, formam o time de jurados a bela Cleo Pires, o designer Gilson Martins, a vice-primeira-dama do Estado, Maria Lucia Horta Jardim, a doutora em antropologia cultural, Elisabeth Costa, a presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Tecidos, Vestuários e Armarinho, Nazra Corrêa Simão, e a representante das entidades civis voluntárias da Barra da Tijuca, Terezinha Freitas de Borges Franco.

Coordenado pela subsecretária estadual de Comércio e Serviços, Dulce Angela Procópio, o concurso pretende estimular o desenvolvimento do bordado, fonte de renda para muitas famílias do Rio de Janeiro, além de divulgar o trabalho de cada região do Estado.E há coisas belíssimas, creiam-me.

Mais de 100 artesãos de 32 municípios do Rio participam, com peças que vão desde luminárias, almofadas, tapetes, colchas a roupas e acessórios.

Você também pode participar. Até dia 20, as peças estarão expostas na Alerj, onde o público pode votar em seu trabalho favorito. A entrada é gratuita.

A decisão do júri será divulgada no dia 27 de setembro, com a escolha dos três primeiros lugares, que receberão prêmios de R$ 5 mil, R$ 3 mil e R$ 2 mil.

Agora confiram abaixo que coisas mais-que-lindas elas são!

BBordados_fotoDivulgacaoBBordados selecionados entram em exposição.Bordados selecionados entram em exposição.Fotos de Alessandra Coelho