Vivo estivesse no próximo 19 de outubro, Vinicius de Moraes estaria completando 100 anos. Seria o centenário do “poetinha”. Aquele que produziu uma obra amada e cultivada pelos seus de ontem e os de agora.
Celebrá-lo nessa data, mais do que a necessidade íntima que nos impõe a nostalgia, é a obrigação do reconhecimento ao grande artista, é sensibilidade cultural, é difundir nossa arte em momento mágico e pleno, é proporcionar ao Brasil e aos brasileiros um choque de auto estima, brio, amor próprio, lembrando a obra desse artesão de palavras, que bordava beleza, alma, amor, alegria, perfumes, misticismo, folclore, Brasil, paixões, com a elegância de um diplomata, a irreverência de um boêmio, a ingenuidade de uma criança, a malícia de um devasso, a impaciência de um jovem, a sofreguidão de um velho, o refinamento de um jardineiro inglês.
A ideia e a iniciativa é de Haroldo Costa, o produtor cultural, escritor, diretor de TV, teatro e rádio, embaixador cultural do Rio, jornalista e ator escolhido por Vinicius para viver o papel título na primeira montagem de sua peça Orfeu da Conceição.
Será de Haroldo a direção do recital concebido por ele, dia 30 de outubro, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes, “o branco mais preto do Brasil” como ele se auto-definia, reunindo os mais notáveis intérpretes de nossa música e de nosso teatro interpretando Vinícius, em canções e poesias.
As cantoras Nana Caymmi, Maria Creuza, Miúcha, Wanda Sá, Leny Andrade, Leila Pinheiro e o Quarteto em Cy. Os intérpretes Toquinho, Francis Hime, Carlos Lyra, Os Cariocas e Marcel Powell. Os atores Fernanda Montenegro, Zezé Motta, Christiane Torloni, Milton Gonçalves, Miele e o próprio Haroldo Costa.
Com iluminação do Jorginho de Carvalho, cenografia do Helio Eichbauer, direção musical do Eduardo Souto Neto.
Uma ficha técnica com tamanha expressão, complementada por seminário sobre Vinicius, reunindo, em mesas-redondas, o embaixador Marcos Azambuja, Maria Lucia Rangel, Zuenir Ventura, José Miguel Wisnik, registros que serão incorporados ao acervo do Museu da Imagem e do Som, juntamente com o do show.
Um projeto ambicioso que só poderia ser concebido por alguém como Haroldo que, por sua amizade, dedica grande estima à memória do poeta que deixou suas marcas na literatura, na música e no comportamento de nosso país.
Esta deverá ser a única homenagem a Vinicius de Moraes em seu centenário de vida. Pelo menos, até agora, é a única de que se ouve falar. Um projeto ambicioso, à altura dos nomes que ele envolve. Um gesto de grande coragem da Haroldo Costa Produções, em parceria com Lene Devictor, que confiam para isso na promessa do prefeito Eduardo Paes feita a eles de garantir os cachês de todo o elenco envolvido.
É a Prefeitura do Rio de Janeiro cumprindo seu papel fundamental de valorizar o legítimo e perene patrimônio cultural da Cidade, fazendo-o sempre lembrado, jamais esquecido.






