DIVAS SOCIAIS SAEM DO FOCO DA MÍDIA, SUCEDIDAS PELO “PADRÃO KARDASHIAN”

As divas sociais partem, uma a uma, e seu mundo se extingue. Divas que eram proclamadas, aduladas e aplaudidas pela mídia e por todos, sem constrangimentos de ambas as partes.

Naquele outro mundo – que agora dá seus últimos suspiros – havia uma tolerância da sociedade menos favorecida para com as diferenças de status e privilégios. Sobretudo na América, onde o conceito do self made man sempre foi cultivado. Ser rico não era uma agressão, era um estímulo. Porém, quando o mundo dos mortais descobriu na pele que a “Meritocracia” era uma fábula de Polichinelo, que o mérito precisa do impulso das oportunidades, e que estas jamais são iguais no universo capitalista, o ressentimento social aflorou.

Kim Kardashian, uma beleza construída

PADRÃO KARDASHIAN

Os ricos da elite, hoje, se preservam, se escondem e isolam em seu pequeno mundo virtual restrito aos que tenham a senha de acesso ao seu Instagram, como um dos “escolhidos”. A retração dessa elite, que detém e exerce os códigos clássicos da vida em sociedade, deu margem a que surgissem as socialites “padrão Kardashian”. A primeira delas, mérito lhe seja dado, foi Paris Hilton, que, em vez de se mostrar humilhada, após ser divulgado na rede um vídeo seu fazendo sexo com o namorado, abraçou a fama e passou a ganhar dinheiro com ela.

RECATO TOTAL

As socialites “’padrão Kardashian” escancaram a casa em reality shows, mostram tudo, inclusive seus nudes, e formam opinião nos costumes, gostos, atitudes, moda. Até no shape do corpo. Elas fizeram da bunda, que tantas se esforçavam por reduzir, um objeto do desejo mundial e do preenchimento artificial. São liberadas e modernas; se casam com rappers e atletas negros; seu pai assumiu sua porção mulher, e se tornou uma; as crianças são superstars desde o berço. Tudo que delas emana se torna produto e faturamento de milhões de dólares. Inclusive as roupas das crianças…

Enquanto isso, a elite dos sobrenomes abre mão de seu protagonismo na mídia, que alcançou o ápice na segunda metade do século XX, e se recolhe ao recato em que vivia no final do XIX.

As irmãs Kardashian, Kim e Kourtney, vestindo Versace

SOCIEDADE MUTANTE

Interessante observar essas transformações em nossa sociedade, processos mutantes, que devem servir de observação e aprendizado. O advento do Facebook causou graves prejuízos às personalidades do Society, que, inebriadas com a autossuficiência que lhe dava o aplicativo, dispensando os colunistas sociais como intermediários, passaram a fazer a crônica deles mesmos. O que motivou uma nada elegante exacerbação de vaidades e egocentrismos. Ostentação de luxos e exageros. Pior: aliada à superexposição de luxos e belezas, veio também a dos erros de português, de interpretação de texto e de posicionamento crítico. Enfim, não foi um período “chic” para a sociedade brasileira.

NOVA ERA

Bem faz nossa elite, que atualmente se recolhe no Instagram e se expõe apenas entre as quatro paredes de seu ambiente social, com a liberdade e a segurança da convivência dos iguais. Um clube privado virtual. Nasce mais uma Nova Era.

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