CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, A MÃE DO POVO

Quando eu era pequenininha a Mãe do Povo não era a Dilma, era a Caixa Econômica Federal. Cresci ouvindo isso. Eram os anos JK. O Rio Dourado efervescia com as mineiras, amigas e ex-namoradas de Juscelino, vindas de Diamantina e de Belo Horizonte, e praticamente todas eram funcionárias da Caixa Econômica.

Juscelino deixou o governo e elas continuaram, funcionárias exemplares, atendendo atrás dos vidros dos guichês, onde eram penhoradas as joias.

A penhora de joias era um hábito corriqueiro, fazia parte de nossas vidas. Era a salvação da classe média. Todos penhoravam, pois a Caixa pagava direitinho, a avaliação era decente e se tratava de um dinheiro honesto,  nuns tempos de um Brasil bem mais difícil.

Ato contínuo, a Caixa continuou Mãe do Povo com a Habitação. As pessoas podiam comprar sua casa própria. A condição era de que o comprador não possuísse outro imóvel. Ele dava a entrada, calculada sobre um percentual do valor total do imóvel a adquirir, e o restante era pago em 12, 15, 20 anos, com direito a seguro que saldava o débito na totalidade em casos de doenças graves, incapacidade física ou morte. Meu primeiro apartamento comprei assim, pago em 12 módicos anos de mensalidades. A Caixa foi mesmo uma Mãe para mim.

Tive sorte, pois, logo depois a Caixa passou a financiar apenas novas construções e incorporações de luxo, por um longo tempo, até voltar a de novo financiar os imóveis modestos.

Bem, veio a época da Caixa Mãe da Poupança do Povo. E todo mundo poupou. Sequestraram a poupança. Devolveram – dizem quê. E o povo continuou poupando. Sei que, nessa do sequestro, sabe-se lá onde foi parar a Caderneta de Poupança que as minhas amigas unidas fizeram para meu filho ao nascer, lideradas pela madrinha dele, Titá Burlamaqui.

Nunca mais ouvi falar daquela Caderneta e de seus fundos. Assim como da minha própria conta, da qual, a cada extrato, o dinheiro depositado, em vez de aumentar, diminuía. Chegou uma hora em que eu estava devendo, sem jamais ter retirado um tostão! A Mãe do Povo inspirou-me ali outra Mãe, ou melhor, Mão. A Mão Boba.

Dois prejuízos: a Poupança para ajudar no futuro de uma criança recém-nascida, que sumiu, ninguém sabe, ninguém viu; e a minha conta, alimentada com meu salário, que também tomou Doril…

Agora leio que a Caixa “assumiu” como dela milhares de saldos…

Alguém aí sabe me informar o que devo fazer pra saber se nesse tacho dos lesados pela ex-Mãe do Povo sobrou alguma casquinha do supracitado dinheiro?

4 ideias sobre “CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, A MÃE DO POVO

  1. Vejo que a blogueira, antes defensora extremada dos petistas, do PT e dos mensaleiros, agora parece se enfileirar ao lado dos que começam a fazer oposição ao governo Dilma. Mas, com a máxima vênia, sem deixar de mencionar bem gente do calibre de José Dirceu (seria ele um intelectual do presídio?) e outros menos votados. E assim caminha a humanidade.

    • Não, não estou fazendo oposição ao Governo Dilma. Estou apontando um desacerto, como qualquer governo “desacerta”. Não sou vaca de presépio. Não sou radical de nada. Sou sincera. E os desacertos da Caixa remontam há muitos governos atrás, aliás. Eles se acumulam, desde que a Caixa resolveu deixar de ser um banco do povo para ser um banco comercial, que visa apenas o lucro.

    • Sr. Ariovaldo.Nao sou petista. Sou socialista a la Escandinavia.A Hilde sabe disto, porem, em uma DEMOCRACIA, respeitam-se as cores de outros ainda que nao compartilhemos das mesmas opnioes. Se nao gosta ou aprecia os blogs desta jornalista, porque a acompanha? Stockholm Syndrome? Boa tarde.

  2. Que coisa mais absurda!!!!!!!! WHAT????? Quem manda na Caixa? Contrate um advogado e caia em cima deles!!!!!! Mas isto foi agora ou no tempo do Collor?Que loucura. Best of luck! Bjs Tati

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