LOOKS DE FESTAS NA LUCCI

Champanhe rosé, joias e lindos vestidos de festas, na tarde de coquetel organizado por Ana Carolina Villela, em parceria com a joalheira Andrea Pontes, que apresentou suas peças no atelier da Lucci na Dias Ferreira. A atriz Aparecida Petrowky, preparando-se para ser protagonista do longa O lado esquerdo do poeta, que começa a ser rodado em dezembro, foi a manequim da tarde…

Ana Carolina Vilela e Aparecida PetrowkyAna Carolina Villela e Aparecida Petrowky

Ana Carolina-Bruna Sideris e Andrea PontesBruna Sideris e Andrea Pontes

Ana Carolina-Aparecida Petrowky - desfile de jóias na Lucci foto Veronica Pontes  (6)Aparecida Petrowky

Ana Carolina Vilela -Tarde de jóias na Lucci  foto Veronica Pontes  (18)

Ana Carolina Vilella -Tarde de jóias na Lucci  foto Veronica Pontes  (21)

Ana Carolina Villela posa com sua moda

Ana Carolina-Aparecida Petrowky -Foto Veronica Pontes  (8)

Ana Carolina-Aparecida Petrowky

Aparecida Petrowky

Fotos de Veronica Pontes

CONGRESSO DE CIRURGIA PLÁSTICA REÚNE MAIS DE TRÊS MIL

Maior congresso da especialidade, o Congresso de Cirurgia Plástica, desta vez o 50º , reuniu até ontem no Rio de Janeiro, no Hotel Windsor, mais de três mil especialistas de todas as regiões do Brasil. Patrono da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o mestre dos mestres, professor Ivo Pitanguy foi homenageado no evento.

Ex-alunos de diversos países deram depoimentos relatando como o trabalho do professor Pitanguy influenciou suas carreiras e suas vidas. É mesmo um privilégio extraordinário, não só para os contemporâneos do cirurgião, como também para a própria cirurgia plástica, o advento deste gênio criativo, inovador e com um olhar científico de tal forma responsável, consequente e adiante de seu tempo como Ivo Pitanguy.

O tema central do encontro foi o contorno corporal. Pitanguy falou sobre cirurgia da face no painel do pré-congresso e participou ainda da Conferência Magna, em que discutiu o Binômio da Cirurgia Plástica Estética Reparadora.

Congresso-DSC_7622 Os cirurgiões Evaristo de Moraes e Ivi PitanguyOs cirurgiões Evaristo de Moraes e Ivo Pitanguy

Congresso-DSC_7613 Antônio Paulo Pitanguy Muller entre seu avô Ivo Pitanguy e seu pai Paulo Muller

Trinca de médicos: Antonio Paulo Pitanguy Müller, entre seu avô, Ivo Pitanguy, e seu pai, Paulo Müller

Fotos de Cristina Granato

A FESTA DOS 35 DE JOANNA FIGUEIRA DE MELO

Joanna Figueira de Melo comemorou seus 35 com festão na cobertura de São Conrado. Foi o reencontro de toda uma geração que agitou o Rio na década de 90. A turma festeira que circulava pelos domínios do Amaral, Gattopardo e Hippo.

Joanna recebeu com o marido, Jorge Oakim, em noite de muitos reencontros de ex-namorados e de amigos que não se viam há anos. Entre os que estavam lá, a mãe de Joanna, Cinthia, linda como sempre, e o irmão, Erick Figueira de Melo, com a mulher, Anne, Henrique e Paula Villela, Duda e Mariana de Almeida Magalhães, Paulo Cesar e Juliana Peixoto de Castro Palhares, Maria Paula de Vincenzi, Tereza Hermanny, Helio e Luli Fraga, James Castro Barbosa, Pedro Guinle e Duda Rudge, Luiz e Gisela Sève, Maricy Severiano Ribeiro.

O DNA festeiro de Joanna veio dos pais Cinthia e Magro, que nos deixou ano passado. Os Figueira de Melo amavam receber em sua charmosa cobertura na Gávea.

O GOLPE QUE JOÃO GOULART NÃO QUIS DAR

O colunista da Folha de São Paulo, Jânio de Freitas, em mais um de seus brilhantes artigos, discorreu sobre João Goulart. Recomendo a leitura. Jango em Brasília

Teve como resposta uma carta do janguista histórico professor Moniz Bandeira, cientista político e historiador. A carta agora circula, via email, em meio a um grupo de admiradores do ex-Presidente da República. Pelo muito que ela contém de importantes e esclarecedoras revelações sobre os bastidores do golpe que Goulart não quis dar, penso que deve ser transcrita aqui. Vamos lê-la:

“Prezado Jânio de Freitas,

teu artigo sobre Jango muito me comoveu. Estou plenamente solidário com o que escreveste. Minhas congratulações.

Jango foi um grande presidente, que, em meio à turbulência, não traiu a democracia, apesar de que  o general Amaury Kruel e outros chefes, impacientes com as crises do parlamentarismo lhe recomendassem dar um golpe de Estado. Também não aceitou a mesma sugestão de Brizola nem o ultimatum do general Kruel, que condicionou o apoio do II Exército ao governo, em face do levante de Minas Gerais, se ele fechasse o cgt, une e outras organizações populares, interviesse nos sindicatos e afastasse dos auxiliares­ do presidente da República apontados como comunistas. ao perceber o tom de ultimatum, passou a tratar Kruel cerimoniosamente, dizen­do-lhe com rispidez: “General, eu não abandono os meus amigos. Se essas são as suas condições, eu não as examino. Prefiro ficar com as minhas origens. O senhor que fique com as suas convicções. Ponha as tropas na rua e traia abertamen­te”. Goulart era um homem forte. Se fosse fraco, teria permanecido no poder como o presidente Arturo Frondizi, na Argentina, que capitulou e mesmo assim, desmoralizado, foi posteriormente deposto pelos militares.

Mas Goulart soube pelo professor Francisco Santiago Dantas que Afonso Arinos de Melo, nomeado ministro pelo governador Magalhães Pinto, lhe informara que Washington apoiava a su­blevação e que não só reconheceria a beligerância de Minas Gerais como interviria militarmente no Brasil, em caso de guerra civi1. Jango  refletiu sobre a gravidade e as conseqüências da situação, que acarretaria a intervenção norte-americana e a seces­são do Brasil, com a internacionalização do conflito.  Essa informação, confirmada pelos comandantes do I Exército, influiu sobre sua decisão ao verificar que não tinha condições de resistir.

A mim, em Mandonaldo, Jango disse: “Seria uma sangueira”. Seus adversários conspiraram com uma potência estrangeira para derrubar o governo legalmente constituído no Brasil. Goulart, porém, não sacrificaria sua pátria.

Cordial abraço, Moniz Bandeira”

 

LENNY NIEMEYER, A MAIS BEM-VESTIDA DA SEMANA!

Vocês votaram e elegeram Lenny Niemeyer como A Mais Bem-Vestida da Semana, com 156 votos (28% da preferência)

Na ocasião em que foi fotografada por Murillo Tinoco, Lenny prestigiava o evento Garcia 149, em Ipanema. Para a tarde, ela optou por um look total black – uma de suas cores preferidas – com blusa de mangas compridas e calça legging casando com sapatilhas bicolores à la Chanel. Simples, discreta e très chic!

LENNY NIEMEYER -  A MAIS BEM-VESTIDA DA SEMANA

Resultado da enquete:

ENQUETE

CARMEN MAYRINK VEIGA DÁ A GRANDE VIRADA DE DESAPEGO ZEN EM SUA VIDA E LEILOA TUDO (ou quase)

Depois de longa temporada em Los Angeles, onde foi ser vovó pela primeira vez, Beth Winston está de volta. E com a amada Beth in town retomamos nossa rotina dos almoços semanais/quinzenais com a querida Carmen, no Satyricon (seu preferido),  quando ela nos delicia com suas histórias e revelações.

E vamos à última de Carmen…

Carmen Mayrink Veiga está em seu “momento OLX”, aquele do “desapega, desapega” dos anúncios da TV.

Por uma série de motivos, a personagem principal da cena social brasileira decidiu se despojar de seu cenário precioso, cuidadosamente concebido, colecionado, garimpado, montado e construído por ela, ao longo dessas suas muitas décadas de majestade, soberania absoluta da elegância, posto que jamais perdeu, diga-se de passagem.

Sem fazer disso alarde, Carmen Mayrink Veiga, Primeira e Única, resolveu se desapegar de seus mais preciosos bens. A começar pelo apartamento glorioso da Avenida Rui Barbosa, que não vendeu mas pretende manter vazio e fechado, passando a viver no apartamento do prédio ao lado, menor, que foi anexado àquele apenas para ampliar a área das recepções.

Ali, no apartamento menor do prédio contíguo, Carmen vai passar a morar, num ambiente despojado, depois de reforma de uma arquiteta, cujo nome desconhece, contratada por seu filho, Antenor.

O novo ambiente será claro e “clean”, adaptado para suas necessidades especiais de cadeirante, exigindo portas amplas, batentes largos e ausência total de degraus. Carmen terá um living, para receber convidados, sua suíte e um quarto para o Tony.

Depois de perder seus melhores empregados, que a acompanharam por toda a vida, e todos por motivo de aposentadoria – a última foi a camareira de muitas décadas, que partiu há pouco menos de dois meses – Carmen não vê outra alternativa.
Não tem mais paciência, tempo ou saúde para treinar novos funcionários em ofícios e habilidades, que exige o serviço a pessoas de um círculo restritíssimo, já em processo de extinção, cujos hábitos e rituais pedem alta especialização.

Daí que, lá se foram, em São Paulo, na primeira semana deste novembro, ao bater do martelo, ao soar dos pregões do último leilão de Dag Saboya, ante uma plateia de abastados paulistanos, todos os móveis e objetos de valor que adornavam seu apartamento espetacular…

Privilegiados os compradores desse leilão, pois Carmen possui um senso raríssimo de qualidade, harmonia e beleza. Além de ser aplicada e muito bem informada sobre tudo que signifique luxo, sofisticação e elegância no altíssimo mundo aos que muito poucos têm acesso.

Foram-se o famoso biombo Coromandel de 12 folhas do século 18 com imagens lacustres e barra florida, a cômoda D. Maria de jacarandá, com frisos florais em marqueterie, a cadeira de canto portuguesa D. João V de jacarandá, século 18, que pertenceu ao convento de São Francisco de Paraguaçu, em Pernambuco, com uma cabeça de leão entalhada no espaldar.

carmen coromandelO Coromandel de 12 folhas

Afinal, quem vai saber dar brilho à fabulosa e delicada coleção de bichos de prata maciça portuguesa, todos assinados pelo prateiro Luis Ferreira, com contrastes datados de 1938?

A escultura de cavalo de Tróia, com olhos de contas? O cisne-floreira riscado com penugem delicada  e com o corpo articulado? O hipopótamo, que quando a gente tocava a cabeça mexia, olhos de gemas preciosas, dentes e unhas de marfim?  Ou, o bicho que deles todos a mim mais impressionava: a tartaruga gigante, daquelas das ilhas Galápagos, com seu casco real envernizado sobre corpo de prata maciça, cabeça, patas, cauda balançante; e os olhos, parecendo vivos, em contas de vidro – ou de pedras, não sei.

carmem cO cisne floreira

carmen tA tartaruga de prata maciça portuguesa com casco real

Do mundo animal, também lá se foram, a cabeça de touro esculpida em granito e bronze por Mario Agostinelli; os vários Cães de Fó, um deles com a pelagem em cachos, cabeça móvel, século 19, de esteatita, outros, de porcelana chinesa, inclusive um “rouge de fer”, do século 19, o par de galos, também “rouge de fer”, dos quais eu não desgrudava os olhos quando decoravam a mesa dos almoços. Esmaltados no mesmo tom, os patos chineses realçados a ouro.

carmen agostinelCabeça de touro de Agostinelli

carrmen fó fcóCão de Fó “sang de boeuf”

carmen de fóCão de Fó incensório, de esteatita, cabeça móvel

carmen galosCarmen galos, “não dava para desgrudar os olhos”

carmen patosO par de patos

Já as esculturas das fênix chinesas são num vermelho mais fechado: “sang de boeuf”. Séc. XIX. Mas foram-se…

carmen sangue de bouefAs fênix “sang de boeuf”

Os bichos do “zoo” Mayrink Veiga não estarão mais juntos. Agora separados, donos diferentes, novos habitats.

De todos os animais de que se “desapegou”, Carmen há de sentir mais falta daquele mais discreto, escondido num cantinho do quadro de Di Cavalcanti “Menina com Gato”. Óleo, 100 x 80 cm, o gatinho é simples coadjuvante da tela estrelada pela menina exibida. Mas quem sabe do amor de Carmen pelos felinos já a imagina adquirindo o Di justamente por causa daquele gato quase imperceptível.

carmen di gatos“Menina com Gato”…. escondido, Di Cavalcanti

Outros Di da coleção de Carmen, partiram no pregão de Dag: um harmonioso vaso de flores, entre eles.

Quadros de brasileiros e de estrangeiros, como o francês Bernard Buffet. Um “Orfeu” esculpido no bronze por Bruno Giorgi. O famoso par de “Candangos” do mesmo artista. Esculturas de Ceschiatti.

carmen bernard buffetBernard Buffet

carmen bruno giori“Orfeu”, de Bruno Giorgi

carmen bg“Candangos”, de Bruno Giorgi

Tapeçaria francesa de Aubusson, século 18: paisagem no campo, com floresta, castelo e pássaros. Tapeçaria de Jean Lurçat. Tapeçaria espanhola antiga. Todas com selo de autenticidade no verso. Tocheiros austriacos, chocolateiras de prata. Tapete Meshed.

carmen lurçat , aubussonTapeçaria de Lurçat

carmen tapete MESHEDTapete Meshed

A ventarola vitoriana posta na mesinha de centro ao fundo do salão, com que Carmen, charmosa, ocasionalmente se abanava, decorada com arabescos a ouro e com cabo torneado com detalhes de marfim…

hilde com ventarola vitoriana de CarmenCom ventarola vitoriana de Carmen, em visita que fiz a ela este ano

carmen ventarola

Imagem brasileira representando o Cordeiro de Deus, vista logo à entrada do apartamento da Rui Barbosa, datada do século 19…

carmen cordeiro de deusO mais lindo Espírito Santo, “Cordeiro de Deus”, que já vi

O leiloeiro alardeava:   “Antigo par de cadeiras de braços javanesas em madeira ricamente entalhada e realçada a ouro apresentando. Espaldar em vazados sinuosos e pés em arco. Estofamento em tecido”. A cara de Carmen. Como será a cara da nova proprietária dessas belezuras?

carmen javanesasAs famosas cadeiras javanesas antigas de braço de Carmen, em que suas amigas gostavam tanto de estar, pela beleza, o conforto e a sofisticação, pois são a síntese da elegância de sua antiga dona, e de sua ousadia: a cara de Carmen! Aqui, Carmen é vista junto a uma delas e Mariza Coser na última reunião promovida por Carmen: o birthday party de seus gatos.

O par antigo de banquetas orientais onduladas,  de madeira, com ponteiras e cantoneiras de metal dourados, em que ela tratou de colocar uma almofada persa, tão antiga quanto as peças. E lá se iam elas, logo levadas por um comprador, tão pomposas…

carmen banq

A Imagem de Nossa Senhora da Conceição, século 18, que ela mantinha sempre florida, no pequeno oratório brasileiro em jacarandá D. João V.

carmen nossa senhora da conceição

Um dos highlights do cenário de Carmen: a imagem de São Miguel Arcanjo, quase um metro, século 18, realçada em ouro, com as vestes entalhadas em elegante movimento, que ficava sobre o piano Steinway, que também se foi.

carmen são miguel arcanjocarmen pianoO piano Steinway e o São Miguel Arcanjo

O par de tronos espanhóis do século 18, madeira tão nobre quanto a dona, com saia ricamente entalhada em profusão de volutas, encosto e assento em couro de época, tacheado, com ponteiras em forma de pinhas esféricas. Metro e meia de altura. Só mesmo a Carmen para tê-los em casa. Impressionavam.  Adorava encontrá-los a cada visita feita. As cadeiras preferidas de Carmen, antes da definitiva capitulação às cadeiras de rodas, por serem altas e muito confortáveis.

carmen ttPar de Tronos espanhóis do século 18, próprios para Sua Majestade Dona Carmen I e Única

Foi-se também a credencia portuguesa, século 18, com pernas levemente recurvas com entalhes de abacaxis estilizados, “pés em garras unidas por travessão inferior”, explicava o catálogo.

Partiu a Importante mesa de apresentação italiana, belo exemplar do estilo palaciano italiano século 19, elementos clássicos e barrocos, patinada e dourada, tampo de mármore verde rajado, apoiado em saia reta esculpida com friso de florões, medalhões de volutas, arranjos florais. Peça de coleção.

O biombo chinês de quatro folhas de laca “rouge de fer”, século 18; o serviço de jantar Companhia das Indias, Família Rosa, 91 peças,  as sopeiras “Chinese Imari”, tocheiros serafins portugueses, colunas barrocas em torsade, caixas chinesas de charão do século 18

carmen bO biombo de laca “rouge de fer”

A Sant’Ana Mestra com Nossa Senhora de pé ao seu lado.

Extraordinária cômoda D. José I de jacarandá do século 18 com pegas modeladas em carrapetas e espelhos das fechaduras esculpidos em belíssimos florões de marfim.

O leiloeiro anunciava os lotes, lances feitos, martelo batido, e o mundo encantado da alta sociedade brasileira mudava de mãos…

Carmen está absolutamente tranquila e feliz. Zen.

Quanto ao seu imenso guarda-roupa, a alta costura já foi toda doada para o acervo museológico do Instituto Zuzu Angel. As demais, as bolsas, os sapatos, as bijuterias, ela pretende fazer um grande bazar em casa, com araras na sala, chamar as amigas e vender tudo!

Ficará apenas com o essencial, aquilo que o novo apartamento comporta e que pede a nova vida, de menos festas, agora sem viagens, já que a dificuldade de mobilidade impede.

Está cada vez mais dedicada àquilo que sempre cultivou: a leitura, a paixão pelo cinema, o teatro. Mulher inteligente, jamais desprezou os prazeres intelectual e cultural.

Por essas e outras (por muitos motivos mais), admiro essa mulher e dou a ela essa alcunha de Primeira e Única da chamada Alta Sociedade Brasileira.

Enquanto tivermos Carmen, teremos o glamour, o refinamento e o senso do requinte e da qualidade.

O APELO DRAMÁTICO DA FILHA DE JOSÉ GENOÍNO

Aqui a transcrição da dramática entrevista dada ainda há pouco ao jornalista Eduardo Guimarães, pela filha do preso José Genoíno, Miruna, que se encontra em Brasília com a mãe, Rioko, aflitas, devido ao grave estado de saúde do ex-presidente do PT, com risco de morte (vide também matéria do jornalista Paulo Henrique Amorim  )

A matéria completa abaixo pode e deve ser lida em Blog da Cidadania

familia-do-genuino1José Genoíno com a família, abraçado pela filha, Miruna

Domingo, 17 de novembro de 2013

BLOG DA CIDADANIA

Eduardo Guimarães

Segue, abaixo, a transcrição da entrevista com Miruna Genoino.

*****

A imprensa está repercutindo o estado de saúde do seu pai, de que seria delicado e ele não estaria sendo mantido em boas condições, o que poderia gerar risco para a saúde dele. O que você pode dizer sobre isso?
No dia 24 de julho, meu pai contraiu a doença mais grave da cardiologia, uma dissecção da aorta, e teve que sofrer uma cirurgia de 8 horas, da qual tinha 10% de chance de sobreviver, mas ele sobreviveu porque é um guerreiro. Em seguida, porém, ele sofreu um micro AVC.

Meu pai está tomando cinco medicamentos diferentes em dois horários do dia. Até então, ele não tinha entrado em nenhum avião. O voo o fez passar mal, talvez a pressão da cabine. A médica que o acompanha nos informou que alguém que passou por tudo isso não poderia estar sendo submetido a tal pressão. Meu pai deveria ser hospitalizado.

Ele viajou ontem de manhã a Brasília e às duas horas da manhã deste domingo ainda não estava acomodado.

Estamos com uma grande preocupação com a saúde dele; é a nossa maior preocupação, agora. A nossa luta é para provar a inocência do meu pai, mas, neste momento, a grande preocupação é com a saúde dele.

Como está o emocional da sua família?
A gente está num momento muito, muito difícil. O meu pai, antes de sair de casa para ser preso, nos disse que já tinha ficado confinado muito tempo em cela forte [durante a ditadura] e que estava preparado para isso.

Ele tem dois netos, os meus filhos, e eles estão muito assustados…

As crianças estão com vocês aí em Brasília?
Eles ficaram em São Paulo.

Mas ele ter sido transferido para Brasília ainda nos causa um transtorno emocional ainda maior, porque a gente tem que ficar longe das crianças…

[Miruna chora]

É muito complicado o nosso estado emocional…

Miruna, você está abalada com tudo isso e, assim, não gostaria de prolongar esta entrevista. Mas como sabemos que você, com suas declarações, está ajudando a que as pessoas entendam que há seres humanos por trás de toda essa história, concluo perguntando o que a família de José Genoino tem a dizer à sociedade.
Pedimos que a sociedade se informe. Qualquer pessoa que se informar de verdade, que não assumir o discurso da Rede Globo, do jornal Folha de São Paulo, da revista Veja, de todos os grandes meios, ela vai saber que a única coisa que meu pai fez nesta vida foi colocar acima de tudo o ideal dele por justiça social…

[Miruna volta a chorar]

Ele saiu do sertão do Ceará para tentar melhorar a vida das pessoas. E a vida inteira ele se sacrificou em todos os sentidos porque essa sempre foi a única luta dele. Então, se as pessoas se informarem todo mundo vai saber o homem que ele é…

[Chora de novo]

Eu só peço isso….

[O pranto aumenta]

Que não assumam… O discurso… Dessa mídia… Que procurem saber a verdade, ouvir o outro lado, o que meu pai tem a dizer…

(…)

COM A PRISÃO DE DIRCEU E GENOÍNO FECHA-SE UM CICLO

(Artigo-reflexão  do jornalista luís nassif, análise muito bem elaborada, que tomo a liberdade de reproduzir neste blog, pois merece e deve ser conhecida por todos, neste momento pontual da história política brasileira, ao qual assistimos perplexos, entre a incredulidade e a pena)

Luis Nassif

A democracia se consolida nos grandes processos bem conduzidos de inclusão social e política.

Em determinados momentos da história, emergem novas forças políticas, inicialmente em estado bruto, ganhando espaço com a radicalização do discurso contra o status quo.

Em todos os tempos, as democracias passam por processos de estratificação nos quais os grupos que chegaram antes ao poder levantam um conjunto amplo de obstáculos – políticos, econômicos e legais – para impedir a ascensão dos que chegam depois.

Trava-se, então, uma luta feroz, na qual os grupos emergentes radicalizam o discurso, enfrentam as leis, as restrições e vão abrindo espaço na porrada.

É a entrada definitiva no jogo político que disciplina essas forças, enriquece a política e reduz os espaços de turbulência. Todos ganham. Rompe-se a inércia dos partidos tradicionais, amaina-se o radicalismo dos emergentes; abre-se mais espaço para a inclusão; permite-se uma rotatividade de poder que derruba a estratificação anterior.

Sem essas lideranças, as disputas políticas iniciais enveredam para o conflito permanente, deixando o legado de nações conflagradas, como na Colômbia e no México.

Daí a importância essencial dos líderes que unificam a ação, impedem a explosão das manadas e montam estratégias factíveis de tomada do poder dentro das regras do jogo.

Acabam enfrentando duas espécies de incompreensão. Dos adversários políticos, a desconfiança sobre suas reais intenções, manobrando o receio que toda sociedade tem em relação ao novo. Dos aliados, a crítica contra o que chamam de “acomodamento”, a troca do sonho por ações pragmáticas.

Em seu estudo sobre Mirabeau, Ortega y Gasset define bem o perfil do estadista e de outros personagens clássicos da política: o pusilânime e o intelectual. O estadista só tem compromisso com a mudança do Estado. É capaz de alianças com o diabo, desde que permita a suprema ambição de mudar um país, um povo. Já o intelectual se vale de todos os argumentos do escrúpulo como álibi para a não ação.

Aliás, nada mais cômodo que o niilismo de um Chico de Oliveira, do bom mocismo de Eduardo Suplicy, dos homens que pairam acima dos conflitos, como Cristovam Buarque, dos apenas moralistas, como Pedro Simon. Para não se exporem, não propõem nada, não se comprometem com nada, a não ser com propostas genéricas de aprovação unânime que demonstrem seus bons sentimentos, sua boa índole, sua integridade intelectual – e que quase nunca resultam em mudanças essenciais.

As mudanças no PT
É por esse prisma que deve ser analisada a atuação não apenas de Lula, mas de José Dirceu e José Genoíno.

Ambos passaram pela luta armada. Com a redemocratização, ingressaram na luta política e das ideias. E ambos foram essenciais para a formação do novo partido e para a consolidação do mito Lula.

Na formação do PT, cada qual desempenhou função distinta.
José Genoíno sempre foi o intelectual refinado. Durante um bom período dos anos 90 tornou-se um dos mais influentes formadores de opinião do Congresso e do país, com suas análises sobre regimento da Câmara, sobre reforma política, sobre defesa.

Já José Dirceu era o “operador”, trabalhando pragmaticamente para unificar o PT em torno de um projeto de tomada do poder e, a partir daí, de reformas.

A estratégia política do PT passava por sua institucionalização, por um movimento em direção à centro-esquerda, ocupando o espaço da socialdemocracia aberto pelo PSDB – devido à guinada neoliberal conduzida por Fernando Henrique Cardoso e à ausência de lideranças sindicais.

Não foi um desafio fácil. O PT logrou juntar em torno de si uma multiplicidade de movimentos sociais, a parte mais legítima do partido, mas, ao mesmo tempo, a parte menos talhada para a tomada de poder.

Foram movimentos que surgiram à margem do jogo político, desenvolvendo-se nos desvãos da sociedade civil e sem nenhuma vontade de se sujar com a política tradicional.

Por outro lado, o papel unificador de Lula o impedia de entrar em divididas. Tinha que ser permanentemente o mediador.

O papel do operador Dirceu
Sobrava para Dirceu o papel pesado de mergulhar no barro. De um lado, com o enquadramento das diversas tendências – o que fez com mão de ferro -, dando ao PT uma homogeneidade que tirava o brilho inicial do partido, mas conferia eficiência no jogo político tradicional trazendo-o para o centro.

E o jogo político exigia muito mais do que enquadrar os grupos sociais do PT.
As barreiras eram enormes. Passava por montar formas de financiamento eleitoral, pela aproximação com o status quo econômico, pelos pactos com os grupos que atuam na superestrutura do poder, com os operadores dos grandes interesses de Estado, pelo mercado, pelo estamento militar, pela mídia.

Dirceu foi essencial para essa transição, tanto para dentro como para fora.

Um retrato honesto dele, mostrará a liderança inconteste sobre largas faixas do PT, o único a se ombrear com Lula em influência interna e com uma visão do todo que o coloca a léguas de distância de outros pensadores do partido.

Mas também era dono de um voluntarismo até imprudente.

Lembro-me de uma conversa com ele em 1994 em Brasília, com Lula liderando as pesquisas. Falava do projeto popular do PT e do projeto de Nação das Forças Armadas, sugerindo um pacto não muito democrático.

Não por outro motivo, em diversas oportunidades Lula confessou que, se tivesse sido eleito em 1994, teria quebrado a cara.

Com o tempo, o voluntarismo foi sendo institucionalizado. Internamente, no governo, Dirceu exercia uma pressão similar à de Sérgio Motta sobre FHC. Queria avançar mais, queria menos cautela na política econômica, queria um projeto de industrialização.

Sua grande obra de arte política, nos subterrâneos do poder, no entanto, foi ter mapeado os elos da superestrutura que garantia FHC e inserido o PT no jogo.

Esse mapeamento resultou na viagem aos Estados Unidos, desarmando as desconfianças do Departamento de Estado, dos empresários e da mídia; a ocupação de cargos-chave no Estado, que facilitaram negociações políticas com grupos de influência. Nada que não fosse empregado pelos partidos que já haviam chegado ao poder e que precisaram garantir a governabilidade em um presidencialismo torto como o nosso.

O veneno do excesso de poder
Assim como Sérgio Motta, no entanto, as demonstrações de excesso de poder tornaram-no alvo preferencial da mídia.

Trata-se de uma regra midiática clássica, que não foi seguida por ambos. Quando a mídia sente alguém com superpoderes, torna-se um desafio derrubá-lo. Com exceção de ACM e José Serra – a quem os grupos de mídia deviam favores essenciais e, em alguns casos, a própria sobrevivência -, todos os políticos que exibiram musculatura excessiva – de Fernando Collor ao próprio FHC (no período de deslumbramento), de Sérgio Motta a José Dirceu – terminaram fuzilados.

No auge do poder de Dirceu, creio que foi o Elio Gaspari quem o alertou para o excesso de exibição de influência. Foi em vão.

O reinado terminou em um episódio banal, a história dos R$ 3 mil de propina a um funcionário dos Correios. Tratava-se de uma armação de Carlinhos Cachoeira com a revista Veja, visando desalojar o grupo de Roberto Jefferson para reabilitar os aliados de Cachoeira (http://bit.ly/19sMvtX).

O que era claramente uma operação criminosa midiática, de repente transformou-se em um caso político, por mero problema de comunicação. Roberto Jefferson julgou que a denúncia tinha partido do “superpoderoso” Dirceu, para amainar sua fome por cargos. E deu início ao episódio conhecido por “mensalão”.

E aí Dirceu – e o próprio Genoíno – sentiram o que significa ter chegado tardiamente ao jogo político, não dispor de “berço” e de blindagem contra as armadilhas institucionais do Judiciário e da mídia.

A cara feia da elite
É uma armadilha fatal. Para chegar ao poder, tem que se chegar de acordo com as regras definidas por quem já é poder. Mas, sem ter sido poder, não se tem a mesma blindagem dos poderosos “de berço”.

O episódio do “mensalão” acabou explodindo, revelando – em toda sua extensão – a hipocrisia política e jurídica brasileira, o uso seletivo das denúncias, o falso moralismo do STF (Supremo Tribunal Federal).

Nos anos 40, Nelson Rockefeller tinha um diagnóstico preciso sobre o subdesenvolvimento brasileiro: havia a necessidade de um choque de modernidade, de criação de uma classe média urbana que superasse o atraso ancestral das elites brasileiras, dominada pelo pensamento de velhos coronéis.

Uma coisa é a leitura fria dos livros de história, as análises de terceiros sobre a República Velha, sobre o jogo político dos anos 30, 40, 50. Outra, é a exposição dos vícios brasileiros em plena era da informação.

Para a historiografia brasileira, o “mensalão” é um episódio definitivo, para entender a natureza de certa elite brasileira, a maneira como o conservadorismo vai se impondo, amalgamando candidatos a reformadores de poucas décadas atrás, transformando-os em cópias do senador McCarthy. E não apenas no discurso antissocial e na exploração primária ao anticomunismo mais tosco, mas na insensibilidade geral, de chutar adversários caídos, de executar adversários moribundos no campo de batalha, de abrir mão de qualquer gesto de grandeza.

Expõe, também, de maneira definitiva, as misérias do STF.

Aliás, Lula e o PT foram punidos pela absoluta desconsideração pelo maior órgão jurídico brasileiro. Só o desprezo pelo STF pode explicar a nomeação de magistrados do nível de Ayres Britto, Luiz Fux, Joaquim Barbosa e Dias Tofolli, somando-se aos inacreditáveis Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Mello, à fragilidade de Rosa Weber e Carmen Lucia e ao oportunismo de Celso de Mello.

O resultado final do julgamento foi o acirramento da radicalização, o primado da vingança sobre a justiça, a exposição do deslumbramento oportunista de Ministros sem respeito pelo cargo.

No plano político, sedimentam no PT a mística de Genoino e Dirceu.

Se deixam ou não o jogo político, não se sabe. Mas, com sua prisão, fecha-se um ciclo que levou um partido de base ao poder, institucionalizou um novo jogo político e, sem o radicalismo dos sonhadores sem compromissos, permitiu mudar a face social do país.

Não logrou criar um projeto de Nação, como pensava Dirceu. Mas deixou sua contribuição para a luta civilizatória nacional.

A democracia brasileira deve muito a ambos.

OS ITALIANOS ESTÃO CHEGANDO… COM ESCALA NO OSCAR EM LOS ANGELES HOJE

DINO TRAPETTI E BETH WINSTON-Les Grands Chefs- foto Marcelo Borgongino (2)Dino Trapetti e sua “big sister” Beth Winston

O fim do ano se aproximando e… os amigos italianos do Rio estão chegando! Mauro e Elsa Gardenghi, como é tradição, já confirmaram a vinda de Milão para o Natal carioca.

Dino Trapetti escreve avisando que, este ano, sua chegada será um pouco adiada pois está desde quinta-feira em Los Angeles para assistir à super homenagem que será prestada hoje a seu grande amigo, o figurinista Piero Tosi, que receberá o “Life Achievement Oscar” (“Oscar da Carreira”) pelo trabalho realizado ao longo de toda a sua carreira.

Também receberão hoje seus “Life Achievement Oscars” os atores Angela Lansbury, Angelina Jolie e Steve Martin na cerimônia chamada Governor’s Awards, com a elite do show business presente, quando serão equiparados a outros que já receberam o mesmo prêmio, como Elizabeth Taylor, Oprah Winfey (ano passado),  Paul Newman, Jerry Lewys, Quincy Jones, Anthony Hopkins e Tom Hanks.

Piero Tosi, 86 anos,  como não pode viajar aos EUA, pediu para Claudia Cardinale representá-lo, e Dino Trapetti comparecerá como responsável pelo Atelier Tirelli, com que Piero Tosi trabalhou dirante toda a sua vida, grande amigo de Umberto Tirelli, que foi, e de Dino Trapetti, que é. Tosi assinou figurinos como La Traviata, A gaiola das loucas, e diz que esse prêmio é “a coroação da minha carreira”.

É o primeiro “Life Achievement Oscar” conferido pela carreira de um figurinista, na história do prêmio. Tosi criou os figurinos de todos os filmes de Luchino Visconti, Bolognini, De Sica e mais. Enquanto o Atelier Tirelli executou todos esses figurinos.

Depois dessa emoção de hoje, nosso querido ítalo-carioca Dino Trapetti vai a Miami por alguns dias, para encontrar vários amigos, e, finalmente, no próximo dia 26, estará chegando ao Rio, recebido com tapete vermelho, banda de música, carinhos e beijinhos sem ter fim, pelas amigas cariocas que o adoram. A saber: Beth Winston, Gisella Amaral e eu, naturalmente.

Piero TosiAngela Lansbury, Angelina Jolie, Steve Martin e Piero Tosi são os homenageados hoje com o “Oscar da Carreira”, em Los Angeles.

Tosi é o primeiro figurinista da História do Cinema a merecer esse prêmio.

Seu grande parceiro nessa caminhada foi, é e tem sido o Atelier Tireii, de seus amigos Umberto Tirelli e Dino Trapetti, que está hoje em Los Angeles, para a cerimônia da entrega do prêmio, junto com Claudia Cardinale, representando Tosi, 86 anos, que não pode viajar.

Conheci Tosi, há cinco anos, no Atelier Tirelli, em Roma, apresentada por Trapetti. É um grande mito do cinema internacional. Autor dos figurinos de todos os filmes de Luchino Visconti, Bolognini, De Sica e mais…

CARTA ABERTA DE JOSÉ DIRCEU AO POVO BRASILEIRO

Publicado no Blog do Zé Dirceu  http://www.zedirceu.com.br/

15 de novembro de 2013
O julgamento da AP 470 caminha para o fim como começou: inovando – e violando – garantias individuais asseguradas pela Constituição e pela Convenção Americana dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário. A Suprema Corte do meu país mandou fatiar o cumprimento das penas. O julgamento começou sob o signo da exceção e assim permanece. No início, não desmembraram o processo para a primeira instância, violando o direito ao duplo grau de jurisdição, garantia expressa no artigo 8 do Pacto de San Jose. Ficamos nós, os réus, com um suposto foro privilegiado, direito que eu não tinha, o que fez do caso um julgamento de exceção e político. Como sempre, vou cumprir o que manda a Constituição e a lei, mas não sem protestar e denunciar o caráter injusto da condenação que recebi. A pior das injustiças é aquela cometida pela própria Justiça. É público e consta dos autos que fui condenado sem provas. Sou inocente e fui apenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha – contra a qual ainda cabe recurso – com base na teoria do domínio do fato, aplicada erroneamente pelo STF. Fui condenado sem ato de oficio ou provas, num julgamento transmitido dia e noite pela TV, sob pressão da grande imprensa, que durante esses oito anos me submeteu a um pré-julgamento e linchamento. Ignoraram-se provas categóricas de que não houve qualquer desvio de dinheiro público. Provas que ratificavam que os pagamentos realizados pela Visanet, via Banco do Brasil, tiveram a devida contrapartida em serviços prestados por agência de publicidade contratada. Chancelou-se a acusação de que votos foram comprados em votações parlamentares sem quaisquer evidências concretas, estabelecendo essa interpretação para atos que guardam relação apenas com o pagamento de despesas ou acordos eleitorais. Durante o julgamento inédito que paralisou a Suprema Corte por mais de um ano, a cobertura da imprensa foi estimulada e estimulou votos e condenações, acobertou violações dos direitos e garantais individuais, do direito de defesa e das prerrogativas dos advogados – violadas mais uma vez na sessão de quarta-feira, quando lhes foi negado o contraditório ao pedido da Procuradoria-Geral da República. Não me condenaram pelos meus atos nos quase 50 anos de vida política dedicada integralmente ao Brasil, à democracia e ao povo brasileiro. Nunca fui sequer investigado em minha vida pública, como deputado, como militante social e dirigente político, como profissional e cidadão, como ministro de Estado do governo Lula. Minha condenação foi e é uma tentativa de julgar nossa luta e nossa história, da esquerda e do PT, nossos governos e nosso projeto político. Esta é a segunda vez em minha vida que pagarei com a prisão por cumprir meu papel no combate por uma sociedade mais justa e fraterna. Fui preso político durante a ditadura militar. Serei preso político de uma democracia sob pressão das elites. Mesmo nas piores circunstâncias, minha geração sempre demonstrou que não se verga e não se quebra. Peço aos amigos e companheiros que mantenham a serenidade e a firmeza. O povo brasileiro segue apoiando as mudanças iniciadas pelo presidente Lula e incrementadas pela presidente Dilma. Ainda que preso, permanecerei lutando para provar minha inocência e anular esta sentença espúria, através da revisão criminal e do apelo às cortes internacionais. Não importa que me tenham roubado a liberdade: continuarei a defender por todos os meios ao meu alcance as grandes causas da nossa gente, ao lado do povo brasileiro, combatendo por sua emancipação e soberania.