Não sou médica, acredito que a maioria de vocês que me leem também não é. Mas me preocupa ver se propagarem pelo país as vinhas dessa ira que nada se parece com a tolerância ou com os princípios básicos de convivência entre os homens.
Os controversos laudos sobre a saúde do deputado José Genoíno fazem refletir.
Leiam aqui a Conclusão, não divulgada, do Laudo feito pela equipe da Câmara dos Deputados:
“trata-se de indivíduo sob risco de desenvolver futuros eventos cardiovasculares e progressão da doença considerando, em especial, os seguintes fatores: a idade, a presença de falsa luz (falso lumes) arterial parcialmente trombosada, o diâmetro da porção proximal do arco aortico de 41mm, o controle inadequado da pressão arterial e a labilidade da coagulação sangüínea por meio de RNI (Razão Normatizada Internacional). Nestas circunstancias, a atividade laboral poderia acarretar riscos de descontrole da pressão que, em associação a anticoagulação inadequada, aumentaria o risco de eventos cardíacos e cerebrais.”
Tradução: o deputado José Genoíno traz uma “bomba relógio” ativa dentro do peito (definição de Paulo Henrique Amorim).
Laudo da Câmara com a Conclusão em vermelho
Tudo é mesmo estranho, nebuloso, confuso…
São tantos interesses políticos, midiáticos, tamanha histeria insuflada, tal ódio envolvido, que qualquer noção de humanidade ou respeito ou ética é posta de lado, quando se trata de abordar um assunto de saúde extremamente delicado, de um cardiopata em situação aguda, com risco de um novo infarto, um derrame, morte.
O blog O Cafezinho, do jornalista Miguel do Rosário, se deu ao trabalho de saber quem são os médicos que examinaram José Genoíno na Papuda, a pedido do presidente do STF.
Eles são, revela o blog, os doutores Luiz Fernando Junqueira Júnior, Cantídio Lima Vieira, Fernando Antibas Atik, Alexandre Visconti Brick, e Hilda Maria Benevides da Silva de Arruda.
O professor de cardiologia da Universidade de Brasília e presidente da junta, dá nome à Turma Luiz Fernando Junqueira Junior – Medicina UNB, com página no Facebook, cujo administrador posta ofensas a Genoíno.
O cardiologista Cantídio Lima Vieira é um dos “Marajás do Jaleco”, segundo denúncia feita pela revista Isto é, de que, além dos salários de até R$ 40 mil, os médicos do Senado recebem verba do Congresso para atender em suas clínicas particulares.
Um deles, Alexandre Visconti Brick, é evangélico que participou daquela “oração da propina” com um deputado do DF que hoje está foragido; outro, Alexandre Visconti Brick. já manifestou seu entusiasmo, no Twitter, pela prisão dos réus do “Mensalão”. A cardiologista Hilda Maria da Silva de Arruda. da Silva de Arruda, no Facebook, chama o programa Mais Médicos de Maus Médicos.
Uma junta médica cuja impressão é de ter sido selecionada mais pela antipatia ao que politicamente o paciente representa do que pela biografia médica. Vale acessar O Cafezinho e ler a matéria completa e detalhada:
http://www.ocafezinho.com/2013/11/27/barbosa-contratou-medicos-antipaticos-ao-pt-para-tratar-do-caso-genoino/
Enquanto isso a médica da Papuda, a gerente da Saúde Prisional da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, doutora Larissa Feitosa de Albuquerque Lima Ramos, em entrevista ao R7, declarou:
— Dos 1.600 presos do CIR [Centro de Internamento e Reeducação], ele era o quadro mais grave. Na verdade, de todo o sistema prisional, nunca recebemos um caso assim, de um paciente que passou por uma cirurgia tão grave.
Disse mais:
— Falamos para o juiz da VEP [Vara de Execuções Penais], fomos bem claros que estávamos preocupados com a saúde dele. Aqui [na Papuda], não temos condições de atender um caso como o dele. Como o quadro clínico estava instável, nós falamos que ele não tinha condições de ficar no presídio porque não temos atendimento 24 horas. Quando acontece alguma emergência, temos que chamar o Samu ou usar a ambulância da Papuda. No caso dele, poderia não dar tempo e ser fatal.
Segundo a reportagem: “os médicos, que nunca haviam recebido um paciente com esse quadro, tinham receio de que não desse tempo de atendê-lo em caso de emergência”.