Uma Furtiva Lágrima, o livro de Nélida Piñon

Uma Furtiva Lágrima, o livro de Nélida Piñon, é para se ir sublinhando a lápis, uma a uma, as passagens de retorno obrigatório. Seu precioso Estatuto do Amor é um libelo na defesa da mulher e na louvação ao amor – segundo ela “o melhor gesto na terra”. Escolho um parágrafo: “Esfrega as costas da mulher com a espuma do amor. Cuida para que a pele da companheira não se fira jamais por força da tua impaciência, desatenção. Vigia, atento, a tua violência. Ela é a parte obscura e sórdida da tua alma.”

A lágrima furtiva brotou como um exercício de entrega da escritora, deixando-se sucumbir “sem protesto”, depois de ouvir do oncologista a sentença de apenas mais três meses para viver.

Dando conhecimento do fato a poucos amigos, Nélida se recolheu em casa ao longo de meses para iniciar seu “Diário de morte”, acompanhada apenas do cão, Gravetinho, que, segundo diz, percebeu sua “vulnerabilidade”, e da cadelinha, Suzy.

Mas a morte não a inspira, e Nélida evita “traços poéticos e salpicos metafóricos”, enquanto enfileira palavras, encadeia sentimentos e frases, com o auxílio de uma companheira desde a infância: a imaginação.

Deixa-se levar a Nélida pelo imaginar, “negando as versões oficiais”, dourando a vida, embelezando até “os Campos Elísios”, em eventuais visões noturnas, o que não deve ser difícil para quem tem ao alcance da janela a mais bela das lagoas, a Rodrigo de Freitas. Isso ela nos conta no capítulo Estrelas e Quimeras.

A autora, que prega que “nada (em seu ofício) deve ser esquecido, deixado ao relento”, é integralmente fiel a tal princípio. De mãos dadas com o leitor, certa de sua discrição, segue Nélida, página por página, generosa, confiante em suas afinidades. Reveladora, ela se desdobra aos olhos de quem a lê, despetalando experiências, sentimentos, emoções. Testemunhar suas vulnerabilidades, junto com Suzy e Gravetinho, é o grande prêmio que a escritora nos confere nesse livro, em que faz “o melhor gesto da terra”: Nélida ama.

Nélida Pinon no lançamento de seu livro, ao lado do embaixador Marcos Azambuja, seu confrade na Academia Brasileira de Arte  Com Dalal Achcar

Com Aparecida Marinho, autografando Uma Lágrima Furtiva, que, segundo a coluna de Ancelmo de Góes, bateu recorde de vendas na primeira semana, deixando para trás até os mais bem vendidos livros de auto-ajuda do momento

Com a embaixatriz Laís Gouthier

Nélida e Paulo Henrique Cardoso

Sonia Machado, da Editora Record, uma entre os muitos donos de editoras presentes. O comentário era de que as apoteóticas noites de autógrafo de Nélida são únicas.

Com o professor Carlos Alberto Serpa

Com Luiz Carlos Ritter, que também foi anfitrião da noite, fazendo jorrar o bom champagne Taittinger, buffet de Adriana Mattar, decoração de Leo Araújo, cerimonial Stambowski

Com Antonio Rodrigues dos Santos, namoro de sua juventude, e Fernanda Basto

Ladeada  por Roberto Halbouti e Paulo Arguelles

O advogado Sérgio Bermudes, a juíza escritora  Andréa Pachá e o jornalista Roberto D’Ávila

Laura e Cícero Sandroni, companheiro de Nélida na Academia de Letras, enfrentaram a longa fila, que se estendeu desde as seis da tarde até 11 da noite

Com o escritor Victorino Chermont de Miranda, secretário-geral da Academia Brasileira de Arte, emoldurados pelas flores de papel crepon de Flavia Carrano que decoraram a livraria da Travessa Leblon, no lançamento trepidante, desde a entrada

Carlos Andreazza, editor do livro, rindo e não era à toa

Fernanda Montenegro e Fernanda Basto

Domício e Rejane Proença

Karla Vasconcellos, Suzy e Cora Rónai

Os imortais

Fotos de Marco Rodrigues

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