Thereza de Souza Campos e a Dinastia das Therezas da sociedade carioca

27 de junho 2020 – Instagram – da série “Memórias Sociais Brasileiras”

Thereza de Souza Campos posou com essas pantalonas de Mary Angelica para a coluna de Nina Chaves, O Globo, em 1969, em sua casa da Rua Mascarenhas de Moraes, em Copacabana

A homenagem à Thereza de Souza Campos, , que nos deixou recentemente, o grande mito da elegância brasileira, presença obrigatória em todas as listas das “10 Mais” do país nas décadas de 50, 60 e 70, a começar pelas de Jacinto de Thormes e, depois, as de Ibrahim Sued.

Thereza foi uma lenda, no tempo em que as mulheres da chamada “alta sociedade” eram as celebridades das capas das revistas (como esta aqui na página, da Manchete), e eram referências de moda, tendência, comportamento para todo o Brasil. Thereza era cantada em versos e canções populares. Qualquer etiqueta implorava para que ela usasse suas roupas, acessórios, joias, porque tudo que Thereza tocava virava ouro.

Era a grande “influencer” da época, ao lado de outras, como Lourdes Catão, Therezinha Muniz Freire, Guiomar Magalhães, Dolores Guinle. O bom gosto no vestir de Thereza se repetia na decoração. Depois de seu divórcio de Didu Souza Campos, ela se dedicou-se profissionalmente, e com sucesso, à decoração. Entre outros trabalhos, decorou o iate de Luís César e Glorinha (Pires Rebello) Magalhães. Mais tarde, casada com Sua Alteza Imperial, o príncipe Dom João de Orleans e Bragança, ela passou a ser chamada de “princesa dona Thereza”. Durante este casamento, ela decorou de modo magnífico a casa de Parati de Dom João, que ate hoje é referência dos editoriais de decoração. Além de ficar viúva de Dom João, Thereza sofreu a grande perda de seu único filho, Diduzinho, que desde jovem padeceu de uma doença nos olhos.

Nascida em Ubá, Minas Gerais, ela veio da Zona da Mata mineira para brilhar na nossa então Capital Federal e ensinar às mulheres como serem clássicas e originais ao mesmo tempo. Os Souza Campos eram a “primeira família” do glamour e da sofisticação. Depois daquele “reinado” do noticiário social, Thereza só poderia mesmo se casar com um príncipe de verdade, direto descendente de Dom Pedro. Ela soube enfrentar com dignidade e discretamente o declínio de sua situação financeira, e mesmo o físico, frequentando apenas pequenos grupos fechados da “aristocracia” social carioca. E sempre encantava. Espirituosa, inteligente, mordaz, enriquecia os ambientes com sua presença. Jamais abdicou da elegância. Ela figura na Coleção de Moda Grandes Personalidades, na Casa Zuzu Angel, Museu da Moda, com um conjunto preto de Ungaro, que bem expressa seu estilo.

Thereza, em capa da Manchete de 1958, com look clássico e severo, aparentando muito mais idade do que tinha na época

Thereza de Souza Campos enviou este seu terninho clássico do estilista francês de origem italiana Emanuel Ungaro, como doação para o museu da moda Casa Zuzu Angel, acompanhado de seu cartão brasonado de Princesa Orleans e Bragança.

R.I.P. Thereza, que nos deixou aos 93 anos, mesma idade com que partiu Lourdes Catão, morta pelo Covid. Aliás, a última vez em que encontrei Thereza foi no almocinho de Lourdes, pelo aniversário de Maria Alice de Araújo Pinho, todas elas amigas.

Eu costumo dizer que a sociedade carioca tem a “Dinastia das Therezas”. Algumas já se foram, como Thereza de Souza Campos, Thereza Muniz Freire, Thereza Castello Branco, Carmen Therezinha Mayrink Veiga. Outras ainda estão entre nós, encantando com seu bom gosto e a elegância. São Maria Thereza Williams, Therezinha Noronha, Thereza Muniz.

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