SARAMANDAIA OU COMPLEXO DE VIRA LATA?

Nada a ver essa estética “Tim Burton” dada pela direção da novela à versão atual de Saramandaia. Dramaturgia essencialmente brasileira, com texto de Dias Gomes influenciado pela linguagem de Guimarães Rosa e suas “invencionices” do vocabulário, ação passada numa cidade imaginária que é puro interior do Brasil, com tipos nossos carregados na alegoria, o que tem Burton a ver com isso, meu Deus?!

Não sei se por desinformação ou desinteresse sobre nossa cultura, nossos escritores, ou se por excesso de colonização cultural, overdose de globalização, verdade é que essa nova geração da televisão brasileira cada vez se distancia mais da fonte legítima de nossa cultura e arte, das nossas raízes.

E fica tudo meio assim, assim, cheirando a cópia, a arremedo de primeiro mundo, tipo aquele clássico elogio de antigamente e que, curiosamente, voltou a ser tão atual: “tão bom quanto no exterior”.

 

4 ideias sobre “SARAMANDAIA OU COMPLEXO DE VIRA LATA?

  1. Tanto Platão quanto Aristóteles viam, na mimesis, a representação da natureza. Contudo, para Platão toda a criação era uma imitação, até mesmo a criação do mundo era uma imitação da natureza verdadeira (o mundo das idéias). Logo, a representação artística do mundo físico seria uma imitação de segunda mão.
    Já Aristóteles via o drama como sendo a “imitação de uma ação”, que na tragédia teria o efeito catártico. Como rejeita o mundo das idéias, ele valoriza a arte como representação do mundo. Esses conceitos estão no seu mais conhecido trabalho, a Poética.
    A novela original não era uma imitação do mundo, pois nada no Brasil se parecia com aquela “realidade falsificada” atravez da qual se escondia que viviamos sob uma ditadura brutal que torturava e matava brasileiros aos milhares. Sendo assim, esta nova Saramandaia é a imitação de uma falsificação do mundo. Não se enquadra no conceito de mimese platônico ou aristotélico.
    A “realidade falsificada” novelesca é, obviamentem algo bem diferente do “realismo fantástico” literário. Neste a fantasia remete ao mundo tal como ele é ou aparenta ser, naquela o mundo é deixado de lado como se não existisse ou precisasse ser escondido. O “realismo fantástico” usa a fantasia para revelar o mundo, a “realidade falsificada” emprega o mágico para entreter e desconectar as pessoas da realidade.

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