O passo a passo para se chegar ao Paço

Depois de seis meses de obras que custaram R$ 2,9 milhões, recursos do BNDES, reabriu ontem, com coquetel para convidados, o nosso Paço Imperial. A partir de hoje até 12 de fevereiro, o público poderá conferir as melhorias, visitando a exposição 1911-2011 Arte brasileira e depois, da grande Coleção Itaú, iniciada há mais de seis décadas, somando 150 obras de 120 artistas…

O mesmo Paço deverá nos brindar, no fim de 2012, com a mostra comemorativa dos 80 anos de Ziraldo

O Paço foi o primeiro prédio tombado do Brasil transformado em espaço expositivo de arte contemporânea. Aberto em 1985, depois de ter passado, durante quatro anos, por uma primeira grande obra de reforma e restauro que lhe restituiu o aspecto do século 19, descaracterizado pelos diferentes usos, entre 1890 e 1982, servindo ao Departamento de Correios e Telégrafos...

Nas duas etapas da reforma, na anterior e na realizada agora, as obras revelaram surpresas tapadas sob as adaptações dos espaços burocráticos, como históricos arcos de madeira e de alvenaria…

Os projetos de ambas as etapas das obras foram do arquiteto Glauco Campello. Agora, as salas ganharam sinalização no lado interno, que contam nossa História. Assim, ficamos conhecendo a janela em que d. Pedro I comunicou sua permanência no Brasil, data conhecida como o Dia do Fico, bem como a sacada da Lei Áurea. Há ainda a Sala dos Archeiros, usada para eventos musicais e palestras, com novo tratamento acústico e sistema de ar condicionado silencioso…

O Paço Imperial é dirigido (e muito bem) por Lauro Cavalcanti

Esta é a história oficial. Agora vou contar a história extra-oficial, aquela que poucos sabem, da qual fui testemunha ocular e auditiva. A história que levou aquele prédio tão especial a deixar de servir de edifício burocrático dos Correios para ter sua nobre finalidade de hoje…

Estávamos num coquetel, o secretário de Indústria e Comércio do Estado do Rio de Rio de Janeiro, Carlos Alberto Andrade Pinto, o ministro das Comunicações, Haroldo de Mattos, o representante comercial do The New York Times, da Condé Nast e da Fairchild Publications no Brasil, João de Rezende, e eu, quando João, que morava em Nova York, disse para Carlos Alberto e o ministro: “É uma pena que o imóvel mais importante do Rio de Janeiro e um dos mais importantes da História do Brasil, o Paço Imperial, onde veio morar a Família Real, encontre-se em ruínas, servindo de prédio burocrático dos Correios. Ministro, por que o senhor não passa este prédio para o Carlos Alberto transformar num centro cultural do Estado?”…

Todos acharam a ideia ótima, o ministro concordou em abrir mão do prédio, seguiram-se os trâmites usuais e o milagre foi feito: está aí o belíssimo Paço Imperial restaurado, reconduzido à sua condição de prédio histórico, o patrimônio preservado. E louve-se a sensibilidade do ministro e a do secretário. Registre-se também a insistência de Carlos Alberto, que não deixou a ideia morrer, pois bom administrador público vai e realiza. Apesar de o Paço, ao final das contas, ter permanecido em esfera federal e não estadual, mas o que valeu foi o esforço de todos pelo bem comum…

Já contei esta história uma vez, em minha coluna no jornal, mas nunca é demais repeti-la. Para vocês verem que uma “criança”, às vezes, tem muitos “pais”. E que reconhecimento nunca é demais. E também pra se aprender que nem sempre as coisas acontecem exatamente como inicialmente se planeja. No caso do Paço Imperial, com todas as idas, vindas e tramitações, o arremate saiu muito melhor do que a encomenda…

Se Deus escreve certo por linhas tortas, ao que parece o Homem faz igual…

 

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A fachada do Paço após a recuperação

Paco Lauro Cavalcvanti Eduardo Saron Teixeira Coelho Foto ricardo Pimentel3 O passo a passo para se chegar ao Paço

Lauro Cavalcanti, Eduardo Saron (diretor do Itaú Cultural) e Teixeira Coelho (curador)

Fotos de Ricardo Pimentel

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