Luiza Brunet: “Agora vão reconhecer que Alex Deneriaz foi o grande Embaixador da Amazônia”

Luiza Brunet, amiga de grande estima de Alex Deneriaz e companheira incomparável nas nossas inúmeras celebrações cariocas, telefonou-me no dia seguinte à publicação deste texto. Falava apressada, num ímpeto só, descrevendo cada etapa dos 12 dias de padecimento do amigo:

“Ele me telefonou de Manaus, assim que passou mal e foi para o SUS”, relatou-me Luiza ao telefone. “Depois, vieram a internação, a descoberta da bactéria no coração, o coma, a ida para São Paulo em jatinho. A bactéria se alojou no pulmão e, em seguida, no fígado, quando ele não resistiu mais”, continuava Luiza num fôlego, sem vírgula, sem ponto, emocionando-se ao lembrar que, na véspera de nosso amigo descansar, sua filha Yasmine foi vê-lo no Sirio Libanês, falando baixinho ao seu ouvido: “Abandona o sofrimento desse corpo, Alex, isso não é para você”.  E agora, Hilde, Yasmine está chorando, arrependida, acha que Alex morreu por causa dela”.

Tudo tão dramático, tão distante daquele nosso amigo alegrão, irradiando vibração boa e “energia cristal” (assim ele dizia) para  todos à sua volta, enquanto bebericava as “flütes” e degustava as “lâminas”, que era como chamava os blinis de caviar ou de salmão. “Lâminas, tragam as lâminas”, brincava, fartando-se dos blinis. Alex adorava ser identificado com tudo que considerasse sofisticação…

Vestia-se de forma extravagante, colorida, sempre com colares. O mais indígena dos europeus! Apesar do sobrenome Deneriaz inspirar Grécia, sua origem familiar era austríaca, porém era de corpo e espírito totalmente amazônicos. Altíssimo e louríssimo.

Se a Amazônia teve um embaixador, um cidadão amazonense brioso de sua origem, orgulhoso da floresta, dos costumes, da cultura indígena, da força daquela natureza, este era o Alex. Foi o autêntico, o legítimo Embaixador da Amazônia no Sudeste Maravilha.

Lembro-me, ainda nos anos 80, quando me pediu para que eu fizesse um camarote amazônico para 200 pessoas no Baile do Scala. Conversei com Chico Recarey e Verinha, que também eram seus amigos, e fizemos o camarote. Em outra ocasião, também a pedido do Alex, fiz uma Festa Amazônica na minha casa da Usina. O Black Tie de inauguração do Instituto Zuzu Angel de Moda, no Palácio da Cidade, teve como Menu do jantar “Dégustation Des Poissons De L’Amazonie”. O chef Demar “importou” de Manaus toneladas de tambaquis, pirarucus, tucunarés, peixes saborosíssimos de rio, descobertas gastronômicas que eu devo ao meu bom amigo Alex. Numa outra vez, fizemos em casa um jantar pela Preservação da Amazônia, quando Cristiane Torloni colheu assinaturas para seu manifesto preservacionista, com várias lideranças presentes, como o professor Ivo Pitanguy, a viúva Roberto Marinho, Martinho da Vila. Ah, meu Baile Pré-Carnavalesco Amazônico, na varanda do Copacabana Palace, também foi influência dele.

Era isso: Alex mobilizava amigos, arregimentava as consciências em torno das causas da Amazônia. Várias vezes convidou a todos nós para festas e passeios, subindo o Rio Negro, o Rio Amazonas, para irmos assistir à focagem noturna dos jacarés, o fenômeno da Pororoca, espetáculos no Teatro Amazonas ou os desfiles dos bois Caprichoso e Garantido. Também para saborear a maravilhosa culinária da chef Charufe Nasser na Ponta Negra.

Alex conseguia ver a beleza do Amazonas. Amava profundamente a sua terra, que ele tinha olhos para ver e gostar. Assim como os estrangeiros têm. As celebridades internacionais, a nobreza europeia, os artistas consagrados, os preservacionistas, os cientistas, que hoje se voltam para a Amazônia, o fazem depois do Alex, que há 30 anos alardeava as maravilhas de seu estado, sua floresta, seus povos indígenas.

Ao encerrar seu telefonema, já com a voz já trêmula, me disse Luiza: “Agora, depois de morto, vão dar ao Alex o mérito que sempre lhe negaram. Finalmente vão reconhecer que ele foi o grande Embaixador da Amazônia”.

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Luiza Brunet e Alex Deneriaz, em foto do jornal A Crítica, de Manaus, onde Alex mantinha sua coluna social

 

5 ideias sobre “Luiza Brunet: “Agora vão reconhecer que Alex Deneriaz foi o grande Embaixador da Amazônia”

    • Bárbara Cavalcante, me permita, o fato é que quando essas coisas acontecem, o descanso em paz do Alex(que não conhecia, nunca li nenhum jornal da Amazônia(falha minha))ninguém esperava que fosse acontecer porquê são pessoas que fazem muita falta, e aí o falecimento torna-se muito inesperado, por isso nós pensamos que só quando morrem ficam importantes, não é Bárbara, é porque não se queria que ele se juntasse a Deus nem tão cedo.

  1. Senhora Hildegard Angel,
    Como amazonense gostaria de parabeniza.- la pela homenagem ao nosso grande amazonida Alex Denerias
    .

  2. Fico muito feliz com seu depoimento em primeiro pelo Alex que verdadeiramente foi tudo isto , e também por vivermos em um país que as pessoas que devem ser reconhecidas não são . Mas parabéns e que viva a energia cristal de Alex

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