Lembrando um belo momento de minha vida, com o amigo Ivo Pitanguy

stela marinho, Ivo Pitanguy e Hildegard Angel

Stella Marinho, o professor Ivo Pitanguy e esta jornalista, na festa dos meus 30 anos, 1980, no Crystal Room do Régine’s, no Hotel Regency, de Park Avenue, em New York.

A festa foi oferecida pela querida Régina Choukroun. Um voo de brasileiros foi organizado pela agência de turismo de Bob Médici (sem parentesco), com mais de 200 amigos brasileiros partindo do Rio de Janeiro e se hospedando no Hotel Plaza (que depois o Trump comprou), entre eles também a querida Tônia Carrrero.

Stevie Wonder ao piano –  pois Régine não fazia por menos – celebridades várias, como Liza Minnelli, Ben Gazzara, Pelé, Eumir Deodato, Fernando Bujones, Eunice Kennedy Shriver (irmã de John Kennedy), Eleanor Lambert.

O professor Ivo Pitanguy, das maiores celebridades brasileiras no mundo, prestigiou com sua presença, que honra!

Ivo nunca falhou comigo. Por circunstâncias da vida, nossas famílias foram amigas. Desde seu pai, médico cirurgião, que operou minhas tias em Minas Gerais. Eles eram da mesma cidade Curvelo. Lembro-me, eu criança, de dr. Pitanguy, pai do Ivo, passeando pela Rua Barão da Torre, em Ipanema, já idoso, e mamãe o fazendo entrar em nossa casa para um cafezinho.

Helcius, o filho de Ivo e Marilu, foi padrinho do meu primeiro casamento. Enviuvei de João, refiz minha vida, e Ivo e Marilu foram os padrinhos do meu casamento com Francis.

Por mais eventuais que possam ser as relações em sociedade, a eventualidade jamais acontecia em se tratando do Ivo, um homem do mundo, que sabia retirar do convívio o que ele podia oferecer de melhor. Tinha o dom de fazer de uma conversa trivial um grande momento, uma troca de experiências, um aprendizado.

Viveu com intensidade durante 93 anos e até o último momento, extraordinário feito.

Na sexta-feira, apesar da proposta feita de se encaixar um suporte em sua cadeira de rodas para o transporte da tocha, fez questão de segurá-la, ele próprio, no percurso olímpico até o Palácio da Cidade, no qual os organizadores tiveram a gentileza de incluir o trecho diante de sua clínica da Dona Mariana. Quanta emoção para o sempre atleta Ivo!

No sábado pela manhã, trabalhou na revisão de um livro, reunindo trabalhos de recente congresso de que participou na Alemanha. À tarde, durante a penosa hemodiálise, não mais resistiu, e o mundo perdeu um grande cientista. E o Brasil perdeu um dos seus personagens mais ilustres. E seus amigos sempre chorarão a perda do Ivo inesquecível. 

Teve uma vida de trabalho exaustivo, realizações consagradoras e festas inesgotáveis, num entorno cintilante de princesas árabes, rainhas europeias, celebridades internacionais, em que circulava com naturalidade. Era o seu mundo.

Tais cenários e personagens deleitavam o esteta observador, mas era na leitura dos clássicos e nas artes, que o homem voltado para a pesquisa e a curiosidade sobre tudo que dissesse respeito ao universo, alimentava a alma.

Coube-lhe até o último momento o privilégio da memória e da lucidez. Durante seu tratamento, sua filha Gisela lia-lhe Voltaire, e ele completava as citações, de cor e salteado, em francês.

Nesta festa da foto acima de Régine, com o vestido azul de corpo bordado em sur tons pelo grego Michel de mãos de fada, eu era mais um personagem do mundo extraordinário e encantador.

Naquela noite, uma pequena multidão de repórteres de programas de TV americanos de celebridade estava lá, entrevistando.

Quando me revejo nesta foto, que me foi enviada pelo jornalista Ovadia Saadia neste momento triste da perda de um amigo, volta-me tudo à memória –  e eu era o centro das atenções no Crystal Room.

Quanta ousadia, estar sentada à mesa com o mestre Ivo Pitanguy e julgar que centralizava alguma coisa!…

 

10 ideias sobre “Lembrando um belo momento de minha vida, com o amigo Ivo Pitanguy

  1. Tinha que ser no mês de agosto, eu sempre acho um atentado contra o meu céu na terra, se eu pudesse, proibia que os meus falecessem em agosto, e o Ivo estava incluído, mas fazer o quê, Deus nunca me deu esse poder de forma tão indiscriminada. Que Deus tenha nosso Queridíssimo Dr. Ivo assim que ele possa e vamos pedir para que São Simão não peça documento e nem prose nada com ele. Grande abraço ALS.

    • Espero que o nome do genial Ivo Pitanguy seja dado a uma praça, cheia de árvores e flores. Ou a outro logradouro público. Ele merece muito mais.

  2. Hilde que privilégio, que emoção.
    Voce tem história lindas a contar e a emocionar.
    Beijos sempre doce, sempre gentil sempre Hilde.
    Vera e Luiz Bangel.

  3. As leis de Deus são implacáveis, levam os bons e, na maioria das vezes, ficam os canalhas, venais e hipócritas, cheios de saúde.

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