Inferno Brasil


Eles chegaram, cuspindo no chão, chutando o cachorro, mijando no muro, surrando as mulheres, arrotando alto, pisando na grama, esmurrando a porta, contando mentiras, prometendo bater, matar, estuprar. Transformando nossas vidas num inferno.

Ela se encantaram com tamanha grossura, pintaram a boca, se enfeitaram de verde e amarelo, e saíram em campanha, sonhando com o dia de serem elas as surradas, chutadas, xingadas. Nos convencendo que de idiotas está cheio o inferno.

E o que prometeram, eles cumpriram. Passaram o trator no jardim, na cultura, na ciência, nas artes, no ensino, na saúde, nos índios, nos pretos. Em vez de empregos, distribuíram armas. Em vez de vacinas, venenos. Cloroquina, em vez de comida. Poeira, em vez de florestas. Pavimentando seus próprios caminhos ao inferno.

Terra devastada, inferno.

2 ideias sobre “Inferno Brasil

  1. Perfeito seu texto. Parabéns! Sou seu fã.

    Tomei a liberdade de publicá-lo no meu blog, Blog de Um Sem Mídia.

  2. Olá, Sra. Hildegard Angel!
    Meu nome é Arthur Freixo e, apesar de estudante do curso de Direito da UERJ, crio conteúdo de moda no meu perfil do Instagram (@arthur.freixo). Recentemente, contei a história de Zuzu Angel, num quadro intitulado “Moda sincera” na proposta de levar conhecimento de história da moda aos seguidores, e me espantou saber que muitos não conheciam a trajetória de Zuzu, que precisa ser contada e lembrada a essa nova geração. A memória se mantém pela persistência e pela constância. Por isso, gostaria de convidá-la para uma entrevista comigo em formato de bate-papo para conversarmos sobre quem foi Zuzu.
    Atenciosamente,
    Arthur Freixo

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