Despedindo de Rosely de Thuin, vítima da E.L.A.

Rosely Eleonora de Thuin era uma linda e jovem mulher, que teve a pouca sorte de contrair a E.L.A., doença terrível, que vai paralisando os movimentos, imobilizando as possibilidades, congelando a vida, até inviabilizá-la completamente, e isso sob um martírio indescritível.

Rosely passou por isso durante quatro longos anos. Próxima ao término, só se comunicava através do computador, quando tudo o que pedia ao irmão, Rawlson, que amorosamente a acompanhou todo o tempo, era para ser levada à Suíça. No desespero de quem não suportava mais a sua vida aprisionada num corpo inerte, queria viajar para o país onde podia se submeter a uma eutanásia. Rawlson desculpou-se: “Irmãzinha, sou médico, última pessoa a quem você deveria pedir isso”.

E lá estava Rawlson, ontem, cumprindo sua última missão nessa via crucis, na missa de sétimo dia, na Igreja Nossa Senhora da Paz…

“Via, Veritas, Vita”, “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, disse o padre, lembrando-nos Cristo e a verdade inexorável, a de que todos nós, ali presentes, um dia seremos aquele ali ausente.

Foi um belo sermão sobre a humildade como princípio e essência de vida. Com palavras melhores que as minhas, o padre falou da inutilidade do orgulho e do egocentrismo, pois ao pó retornaremos, afinal.  Falou o tempo certo para nos iluminar com seu conhecimento, e talvez por humildade dispensou elogios a quem quis cumprimentá-lo pela homilia. Na hora de ministrar a comunhão, foi restritivo: apenas para os católicos praticantes, que frequentassem as missas em todos os domingos e feriados, tivessem as confissões em dia e não se deixassem seduzir por outras religiões. Mesmo assim, foi longa a fila de bocas famintas da hóstia consagrada.

Rosely, na missa de ontem, às seis e meia da tarde, foi nosso caminho, nossa verdade, nossa revelação da vida. Muito obrigada a ela.

Rosely de Thuin e seu irmão, Rawlson, em foto de Franklyn Toscano

2 ideias sobre “Despedindo de Rosely de Thuin, vítima da E.L.A.

  1. Encontrei minha amiga tarde, ela se foi e ñ pude nem dar- lhe um beijo de despedida! Estudamos juntas , no Anglo, éramos grudadas, meu nome Márcia, minha tristeza aqui tardiamente registrada!

  2. Minha esperança é que um dia a ciência descubra um tratamento para essa e outras doenças que tanto fazem sofrer. 🙁

    É triste demais!

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