“Costurando” a memória da Casa Collette

Aos 88 de idade e com muitas histórias para contar, a modista Liliana Syrkis, que chegou ao Brasil fugindo do nazismo e acabou dona do famoso ateliê de alta costura Casa Collette/Maison Liliana, narra a sua história no livro Lila, pela Editora Tix, de Ana Borelli, sua nora. Liliana é mãe do deputado federal Alfredo Syrkis,..

Lila Liliana Syrkis Costurando a memória da Casa Collette

Liliana, que vestiu nomes ilustres como dona Sara Kubitschek, Carmen Mayrink Veiga, Tereza Souza Campos, Lily Marinho, Neném Gutierrez e sua filha, Ângela Gutierrez, não guardou, porém, a memória de muitos dos desenhos das roupas, os famosos croquis…

Quem não lembra dos maravilhosos vestidos de noiva de renda bordada a mão feitos pela Casa Collette? Em seu livro, ela destaca dois vestidos de noiva: os de Antonia Mayrink Veiga e o desta Hilde de vocês. Em 2006, a Casa Collette fechou as portas premida por fatores vários, entre eles, a mão de obra da haute couture cada vez mais escassa. As histórias, porém, são muitas, e bastante interessantes. Como a da recuperação do véu da princesa Isabel para o casamento de outra princesa, a Maria Carolina de Orléans e Bragança. Liliana trouxe o tule de seda pura de Paris e quatro bordadeiras da equipe passaram 30 dias trabalhando nele…

Dona Liliana, como as clientes a chamavam, trazia da Europa os tecidos e as toiles de roupas criadas por grandes maisons, como Dior, Saint-Laurent, Grès e Balenciaga. No Brasil, ela fazia a réplica exata dos modelos. O trabalho era tão bem feito que até mesmo os aviamentos e o forro das roupas eram os mesmos das originais. Alguns dos vestidos eram mandados bordar em Paris, no mesmo atelier de bordados da roupa modelo, como foi no caso do meu vestido de noiva, levado por ela para ser bordado no Lesage

É importante dizer que Liliana nunca quis ser uma criadora de moda, o que pretendia era fazer com que suas clientes brasileiras tivessem acesso ao melhor da Alta-Costura europeia a preços acessíveis. E já que ela tanto falou nele (e eu também) eis aqui o meu tailleur-vestido-de-noiva, do segundo casamento, um lindo conjunto de saia e blazer rosa peau d’ange “Yves Saint-Laurent” Haute Couture. Vejam…

Hilde noiva Costurando a memória da Casa Collette

Hildegard Angel / 1988

No próximo dia 24, do lançamento do livro de Liliana Syrkis na Travessa de Ipanema, será lançado também um site e, para isso, a editora está em busca desse material: croquis e/ou fotos. Ana Borelli pede a quem tiver fotos dos vestidos ou dos croquis que envie através do e-mail contato@editoratix.com.br. A história de nossa moda e de nosso glamour precisa ser preservada…

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *