Babilônia: a sociedade, para ser dobrada em seus conceitos, não dispensa certa dose de hipocrisia

Postei na quarta-feira no Facebook:

“Mudanças Babilônia serão radicais. Casal de lésbicas, Natália e Fernanda, depois da big celebração festiva da oficialização de casamento, parte em lua de mel e só retorna lá perto do final. O público rejeitou…
A audiência de 20%, a mais baixa da história daquele nobre horário, realmente preocupa. Mas a trinca de autores talentosos vai saber dar a volta por cima, não tenho dúvida”.

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 Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro. Como bem disse o personagem Teresa, o amor é difícil de ser compreendido. A rejeição do público ao homossexualismo das duas senhoras, exposto logo no primeiro capítulo, deverá afastar os dois personagens da novela por um tempo, é o que se ventila nos bastidores de Babilônia. O que será um pena. Este seria um importante instrumento de quebra de preconceito, diminuindo a rejeição sofrida por muitas mulheres. Uma abordagem mais sutil do tema, com maior vagar, ao longo dos meses da novela, talvez alcançasse sucesso nessa intenção dos autores. Como aconteceu com o personagem homossexual Félix, de Mateus Solano, que terminou a novela Amor à Vida como ídolo popular, amado por todos.  


 

Suspeita para dar minha opinião, pois sou uma gilbertobragófila conhecida, faço isso neste sábado, e de modo cuidadoso, já que apenas desejo ver a novela rumar logo ao seu garantido sucesso, como tudo que traz a assinatura do grande autor com os parceiros de alto nível, Ricardo Linhares e João Ximenes, todos possuidores de ótimo texto:

Sinceramente, creio que o problema da baixa audiência da novela das 21 horas não são as maldades “em excesso” nem o lesbianismo. Maldades há e sempre houve nas novelas. E homossexualismo na TV já está se tornando lugar comum, inclusive o feminino. Acredito que, mesmo se todos os núcleos passarem a ser hetero, apenas com machos alfa e fêmeas beta, e formados só por criaturas bondosas, de corações adocicados, o ponteiro do ibope não oscilará para o alto, caso não se façam mudanças estruturais na história.

Vou abordar três pontos.

1 – A novela dá a impressão de se passar nos anos 80 e não no século 21, ano 2015. Favela com samba e sem funk? Sem Mcs, Popozudas, Anittas etc.? Advogada top, de escritório top do país, super antenada na moda, subindo a favela de mototáxi e morando num quarto sem reboco, nos dias de hoje? Nos anos 80, talvez. Favela “ilha da fantasia”, sem riscos, traficantes e PMs truculentos? Anos 1950.

2 – Muitas repetições de situações de outras novelas – em cartaz e passadas. a) Amiga “mui amiga”, como é o caso da atual novela das 7, os personagens Itália x Gabi. Bem, a trama Inês x Beatriz agora passou de ‘amiga invejosa obsessiva’ para ‘amiga rancorosa vingativa’, vamos ver se funciona. b) Atletismo na piscina (ao que parece para exibir torso masculino), como acontece na novela Alto Astral (com a estreia de Babilônia, as cenas de piscina da trama das 7 tiveram diminuição radical). c) O antiquário de Nathalia Timberg lembra o cenário de Julia Lemmertz (casa de leilões) da novela Em Família de Manoel Carlos. d) Sem esquecer que Fernanda Montenegro tem um filho homofóbico, tal e qual tinha José Mayer, o pai homossexual  em Império. Fosse uma filha homofóbica seria menos repetitivo.

3 – O artificialismo de algumas situações, como Beatriz (Glória Pires), mulher sem passado profissional importante, de repente, tornar-se presidente de um dos maiores conglomerados de empreiteiros do país, e a dona de casa ociosa Inês “virar” advogada, da noite pro dia, do mesmo grupo, acertando todas.

Novela é novela. No embalo da trama, a gente pode até encarar duas “Coras”, mas aceitar de início, quando ainda não há o envolvimento, esse coquetel de fantasia com realidade, é mais complicado.

Quanto ao homossexualismo das senhoras, acredito que o público o aceitará, se for com mais vagar, tato, sutileza (sic). A sociedade, para ser dobrada em seus conceitos, não dispensa essa dose de hipocrisia.

 

14 ideias sobre “Babilônia: a sociedade, para ser dobrada em seus conceitos, não dispensa certa dose de hipocrisia

  1. kkkkkkkkkkk…Hilde, essa parte dessa novela é a única que me prende, apesar da Glória, Natália e Fernanda não têm personagens, adoro esse casal, vou lutar para transformar num triângulo, quem sabe eu viro ator…

  2. acho que a novela está cheia de erros e não atribuo de maneira alguma ao beijo de nossas divas…se isso fosse bem encaminhado com o resto da trama as pessoas aceitariam….o problema é que o Gilberto bateu forte geral…o espelho é o terror de uma determinada classe…os ingredientes são bons mas a receita não deu certo….em tempo acho uma covardia o Gilberto sumir com as duas em busca de IBOPE.alguém vai ter que bancar seu desejo…nos o respeitaríamos muito mais se ele não cedesse ;;;coragem Gilberto!!!!!!

  3. Sou seu fã e venho acompanhando seus posts faz pouco tempo, mas tenho que discordar num ponto que você esqueceu de mencionar. Não entendo que seja hipocrisia mas lembro que milhares de famílias brasileiras creem em Deus e seguem seus preceitos como eu e minha família por exemplo. Não sou homofóbico e nem poderia já que Cristo veio para todos e não apenas para os héteros. Contudo Jesus disse a prostituta vá e não peques mais ou seja Jesus amava os pecadores mas abominava o pecado. Da mesma forma procuro amar o próximo independente de sua opção sexual mas não sou obrigado a aceitar que meus filhos e netos ou qualquer criança que ainda não possui discernimento sobre o tema, sejam bombardeados todos as noites com as estripulias de determinadas emissoras e seus autores de novelas que advogam em causa própria, não importando-se com seus telespectadores e seus familiares. Desculpe acho isso tudo muito apelativo e desrespeitoso, não sendo aceitável que criança ou mesmo adolescentes e seus avós tenham que achar normal duas senhoras se beijando na boca.

  4. Concordo com tudo que falou D. Hildegard. E concordo com tudo que todos falaram. Apesar de adorar Gilberto Braga e Glória Pires, o que sinto mais falta nessas novelas atuais é de um vilão assumidamente mal para o restante dos personagens, como era Odete Roitman. Carminha e Félix fingiam. Beatriz e Inês fingem. Fica tudo muito sem graça. Odete falava o que queria e todos tinham que ouvir, aguentar. Ela não matou, não derramou sangue e era odiada por todos. O pior de Babilônia: a Regina e a mãe dela (que mulheres chatas) e aquele núcleo do Marcus Veras. Esse último é dispensável. Super sem graça.

  5. E como é irritante … Essa novela está cheia de maus exemplos e estão focando onde não lhes cabe o direito de julgar, sinceramente nunca vi tanta hipocrisia, até no próprio autor que irá tirá-las do ar, deveria tirar os maus exemplos que ele escreveu, isso sim, como amantes, matar e etc … Um casal que se ama não é mau exemplo pra ninguém!! Hipócritas…

  6. Hilde querida, em minha opiniao, a cena so causou repudio pela avancada idade das personagens.Em um pais como o Brasil, onde a maioria nao sabe envelhecer graciosamente e se exagera no valor a “juventude”. Se fosem duas “gatinhas” esta hipocrisia nao existiria.Como voce bem revelou no caso daquele outro ator, bem jovem.Nao assisto novela mas vi referencias nas redes sociais a este “escandalo” de duas “velhas” lesbicas.Bjs Tatiana

  7. Desde que voltei a morar no Brasil, as únicas novelas que gosto de verdade, são as antigas que não conhecia! As atuais, maioria copia situação uma das outras,personagens que não convencem: criminoso virando bonzinhos (Félix), e corretos, virando do mal e bandido verdadeira inversão de valores ! A “rejeição” as lésbicas idosas,não dá pra entender, pois no espetacular filme “Flores raras”, não houve nem rejeição, nem protesto! Está havendo sim, uma “overdose” de gays nas novelas! Maioria, estereotipado! Na última, era quase maioria e está ficando chato !Nos cenários,as camas sempre encostada nas janelas, com as famigeradas persianas fechadas\meio abertas, com arvores do lado de fora; mesmo que seja no último andar,sempre sem vista pra lugar nenhum, é debochada nas redes sociais!..As ricas dormindo e acordando super maquiadas e de luz acessa ? Os “pobres” das novelas moram em casinhas decoradas no Casa Cor, com quadrinhos nas paredes, sofázinhos com mil almofadas, cozinhas de TV! Casa de pescador e ricos do Nordeste, com “abajur” ligado dia todo onde o que mais existe é claridade e vento!! Em Babilônia a meu ver, os cenários estão mais de acordo, principalmente as casas nas Favelas e cama fora da janela! Nas antigas, as moradias, roupas, combinam mais com o status financeiro e social dos personagens, fazendo com que sejam mais “reais”. Talvez isto explique o sucesso do” Rei do Gado”, “O dono do mundo”.Em “Dancing Days” o apto. do “Alberico” era “real ” em tudo ! Mesmos atores, fazendo sempre os mesmos personagens (typecasting) é o pior “Dejá vu” ! Pra saber se são realmente bons, tem que vê-los no Cinema ! “Pedra sobre pedra”, é um “Roque Santeiro” sem sal…..Os 10 mandamentos da Record está a altura dos velhos filmes Biblicos de Hollywood, levando em conta a diferença em dólares…

    • Confesso que sempre fui grilada com as camas encostadas nas janelas. E comparando a novela com “Flores rasas”… esta não entrou nas casas. No popular: não chegou ao povão.

  8. Concordo com os comentários sobre as repetições que tornam as novelas cansativas mesmo. Sobre o homossexualismo…ainda prefiro os meio caricatos, tipo bichas desvairadas, mas odiei a Xana. Convenhamos, o beijo das duas grandes damas no primeiro dia de exibição assustou os telespectadores. Tenho minha crítica particular: excesso de beijos barulhentos. Esse galã, o Bruno Gagliasso, além de ter uma dicção ruim, desconta nos beijos barulhentos, como diríamos…chupões. Assim como a maioria do elenco mais jovem. Lembram desentupidores de pias!!!!

  9. Hilde, vc conseguiu com este maravilhoso comentário , abordar algumas situações , que eu ainda não havia percebido ! Como vc tbm sou Gilbertiana! Concordo que com estes ajustes, a novela irá ser um sucesso!

  10. Uhau! Excelente comentario, sugestoes divinas, o melhor que li a respeito da Novela, parabens, esperemos que o autor mude pra engrenar.

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