A DESPEDIDA DA ELEGANTE IRMÃ PRINCESA DE JACQUELINE KENNEDY ONASSIS

Correta, articulada e elegante, Lee Radziwill, diva do alto mundo, morreu na sexta-feira passada, em casa, na rua 72 East, Nova York, duas semanas antes de fazer 86 anos. Viveu bem, bebeu e fumou até os últimos dias, e já começava a sentir o isolamento próprio da idade, de quem perde os amigos, que se vão primeiro, inclusive sua irmã, Jackie O., quatro anos mais velha.  No último ano, Lee perdeu a mobilidade, mas não capitulou da vida social. Continuava a conviver em almoços e jantares em casa. Lee foi casada com o príncipe Stanislas Radziwill, o que glamourizou ainda mais sua imagem. Mas, a vida foi glamourosa desde sempre, filhas que ela e Jacqueline eram de Janet e John Verner Bouvier III, conhecido como Black Jack Bouvier.

BEM-VINDAS

Mas foi só após a morte do pai, em 1957, e com a fortuna herdada dele, que as irmãs Lee e Jacqueline Bouvier passaram a integrar o mundo do high Society, que conquistaram com o mesmo charme de seu pai e a mesma ambição de sua mãe. Elas não eram propriamente do círculo  WASP, da sociedade de Nova York, mas foram muito bem-vindas nele, pois representavam tudo que todos adoram, classe e juventude. Naquele auge da prosperidade do pós-Guerra, houve uma abertura para novos nomes sociais.

UM NOVO TEMPO

Para sua geração, as Bouvier foram “as irmãs que se casaram bem”. Porém, a fama lhes chegou foi com a ascensão de Kennedy a presidente. No período Kennedy, as irmãs personificaram o surgimento de um novo tempo. Quando os da chamada alta sociedade se tornaram celebridades da mídia.

Lee Radziwill em seu apartamento de Nova York

SÓ PARA CONVIDADOS

Foi “para convidados only” a missa de morte de Lee Radziwil, a princesa irmã caçula de Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis. Às 10 da manhã de segunda-feira, na Igreja de São Thomas More, em Manhattan, East, 89th Street. Eram cerca de 300 pessoas, inclusive sua sobrinha, Caroline Kennedy Schlossberg, a socialite Deeda Blair e os nomes da moda Marc Jacobs e Carolina Herrera, com Reinaldo. Os eventos fúnebres nos Estados Unidos são umm acontecimento. E quando são nomes dourados, é um festival de limousines na porta da Igreja e um desfile de elegância, com mulheres e homens de preto, elas com meias de nylon escuras e chapéu negro. Quando também não calçam luvas, como nos filmes de antigamente

No roteiro musical da miss de Lee, Coro e a Orquestra da Catedral do Divino São João, regidos por Ken Tritle, o organista David Briggs e a soprano Suzanna Philips, interpretando Puccini – “Música sem palavras”, a preferida de Lee para dormir – Bach, Brahms e Faure.

Sofia Coppola leu a primeira leitura, o Livro da Sabedoria – “as almas dos justos estão nas mãos de Deus, e nenhum tormento as tocará”. A filha de Lee, Tina, leu EE Cummings. Um amigo fez o Elogio à Lee. Em seguida, o coro e a soprano cantaram Amazing Grace. Havia enormes arranjos de flores rosa, verdes e brancas. Um convidado disse: “quando saímos da igreja, o Sol explodiu por trás das nuvens como se a própria Lee tivesse ordenado seu calor e brilho para que completássemos o dia.”

Lee Radziwill era protagonista. E o show da sociedade repete o enredo do show business, em que protagonista gosta de conviver apenas com protagonistas. Entre os poucos amigos ou conhecidos brasileiros da irmã de Jacqueline Kennedy, estavam o empresário brasileiro André Jordan, com quem o marido príncipe de Lee trabalhou no lançamento de um de seus resorts em Portugal; Lourdes Catão, no período em que viveu em Nova York; a empresária Vivi Nabuco; e os saudosos Jua e Fernanda Hafers, que recebiam o grande mundo social americano em casa, em Park Avenue, NY.

As divas sociais da geração de Lee Radziwill partem, levando tudo o que aprendemos a admirar e a acreditar, em se tratando de elegância, inspiração, bom gosto e refinamento.

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