175º Aniversário do Ernesto Carneiro Ribeiro é celebrado hoje no Google

Ao “guglar”, hoje, tive curiosidade de saber quem era aquele personagem curvado, na ilustração em sépia, numa escrivaninha, com uma pena em sua mão, molhando um tinteiro. E soube que se tratava de Ernesto Carneiro Ribeiro, o educador baiano, graças a quem devo tudo o que aprendi. Pois estudei, no Rio de Janeiro, do jardim de infância ao último ano do Ginasial, os anos mais importantes da formação escolar, o básico, o fundamental, o secundário, no Colégio Carneiro Ribeiro, de Aderbal e Iracilda Carneiro Ribeiro, descendentes orgulhosos daquele Ernesto, que eu nunca soube direito de quem se tratava. Precisei ler o Google de hoje e ficar encantada. Resolvi, então, compartilhar com vocês, meus estimados companheiros de cotidiano, essas novidades recém sabidas.

Ernesto Carneiro Ribeiro, segundo hoje relata o Google, foi:

“O linguista destacou certos aspectos do português praticado no país que não eram percebidos pelos gramáticos, e tornou a língua a primeira com gramática adaptada em função da língua falada. Publicou A redação do projeto do código civil e A réplica do Dr. Ruy Barbosa (1905). Ribeiro morreu em sua terra natal, em 1920, aos 81 anos. Nesta sexta, são completados e celebrados 175 anos do seu nascimento.

No Doodle animado que o Google preparou em homenagem a Ernesto Carneiro, ele é ilustrado no meio da segunda letra “o” da marca da empresa, fazendo uma das coisas que mais gostava: escrevendo. Mas sua carreira começou de forma bem diferente, na medicina. Formou-se na Faculdade de Medicina da Bahia, em 1854, e depois passou a se dedicar ao magistério. Estudou no Liceu Provincial de Salvador.

Ernesto fundou dois colégios na Bahia. Em 1874, o Colégio da Bahia. Dez anos depois, inaugurou uma instituição com o seu próprio nome, o Ginásio Carneiro Ribeiro, que teve seu comando por 36 anos. Professor de português, ensinou muita coisa a nomes muito relevantes na cultura nacional, como Ruy Barbosa, Euclides da Cunha, Rodrigues Lima, Castro Alves, entre outros. Com Ruy Barbosa, porém, viria a ter uma grande polêmica.

A polêmica com Ruy Barbosa

Logo após a proclamação da República do Brasil, no primeiro governo do seu estado natal, Ernesto participou da política. Entrou para uma comissão convocada pelo seu governador Manoel Vitorino, visando a elaboração de um plano de ação educacional. Pouco depois, em 1902, foi incumbido pelo Ministro da Justiça e Negócios Interiores, José Joaquim Seabra, de realizar a revisão do Projeto de Código Civil brasileiro.

Ernesto Carneiro Ribeiro foi um grande gramático (Foto: Reprodução/Wikimedia)

Ernesto Carneiro Ribeiro foi um Grande Gramático

Foto Google

O projeto era substituir a legislação das Ordenações Filipinas, que já estava obsoleta, havia sido desenvolvido por Clóvis Beviláqua. Já com a bagagem de duas publicações muito destacadas, a Gramática Portuguesa Filosófica, de 1881, e ainda a sua principal obra, os Serões Gramaticais, de 1890, contando a visão histórica da Língua Portuguesa, e o aspecto científico do idioma, respectivamente, ele aceitou o convite.

No mesmo ano, Ruy Barbosa estava na presidência da comissão do Senado instituída para o estudo do trabalho de Beviláqua. Ele apresentou seu parecer sobre o projeto em três dias, com 560 páginas de severas críticas ao projeto legislativo. No seu “Parecer do Senador Ruy Barbosa sobre a Redação do Projeto do Código Civil”, que foi publicado na Imprensa Nacional em abril, chamou o texto de “obra tosca, indigesta, aleijada”.

Então, Ernesto Carneiro Ribeiro, em quatro dias, fez a revisão gramatical do projeto, com o nome de “Ligeiras Observações sobre as Emendas do Dr. Ruy Barbosa ao Projeto do Código Civil” e publicado no Diário do Congresso em outubro de 1902. Ruy publicou uma réplica posteriormente, e em 1905 Ribeiro fez sua tréplica, em 899 páginas: “A Redação do Projeto do Código Civil e a Réplica do Dr. Ruy Barbosa”.

Defendendo a normatização de peculiaridades do idioma português falado no Brasil, o que fazia do filólogo um pioneiro no assunto, Ernesto contribuiu muito para a formação dos estudos da língua e para a concepção da Lei 3.071, ou “Código Civil dos Estados Unidos do Brasil”, que só viria a ser publicado em 1º de janeiro de 1916.

Quatro anos depois, em 1920, ele veio a falecer, mas sua história e seu legado não foram esquecidos pelos brasileiros. E ainda existe o Colégio Estadual Ernesto Carneiro Ribeiro, na cidade de Feira de Santana, na Bahia. Em Vera Cruz, outra cidade baiana, existe uma Avenida Ernesto Carneiro Ribeiro.”

E, cá entre nós, meus amigos: em meu coração, sempre existirá gravado o nome Carneiro Ribeiro, que me deu a base escolar e a gramática que pratico…

Ver também:

Meu Colégio Carneiro Ribeiro

 

2 ideias sobre “175º Aniversário do Ernesto Carneiro Ribeiro é celebrado hoje no Google

  1. Oi Hildegard, boa noite. Olha, seria interessante primeiramente ver as conexoes do Professor Carneiro Ribeiro com outro grande baiano, o Professor Anísio Teixeira. Na Bahia o Anísio Teixeira (nos anos 60) foi o idealizador de umas escolas que levam o nome do Carneiro Ribeiro. E essas escolas são algo digno de destaque, pois são escolas que foram consideradas de avançada, são profissionalizantes, a tempo integral e totalmente voltadas à inclusão social. Em segundo lugar – e aproveitando da sua grande capacidade e do grande respeito que todos lhe temos – talvez não seja má idéia que a senhora faça uma averiguação, pois creio que o estado dessas escolas hoje em dia não é dos melhores. Sua ajuda, Hildegard poderia ser algo formidável. Muito obrigado.

  2. Hildegard, moro em Salvador e aqui da janela vejo a Ilha de Itaparica, onde nasceu Ernesto Carneiro Ribeiro. Como você, tinha apenas uma breve noção de quem realmente era esta esplêndida figura histórica. Temos de agradecer ao Google pela sensibilidade de revelar estes personagens pouco lembrados – brasileiros ou não – aos quais devemos muito da nossa fantástica experiência neste planeta.

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