UM PEZÃO DE BOI PARA GERENCIAR E AINDA COM GRANDES CHANCES DE SER GOVERNADOR DO RIO

Ontem, passei a tarde na minha casa da Usina, ouvindo trinados de passarinhos. Há oito anos, quando deixei de frequentá-la, o que mais se ouvia era o zumbido de balas cruzando os ares da Tijuca ou de explosões de granadas ou do alto-falante da Associação de Moradores da Favela do Borel, ecoando por toda a região, autorizando quem poderia subir ou descer o morro, de acordo com as ordens dadas pelo tráfico.

À noite, tínhamos ontem um coquetel a duas quadras de nosso prédio em Copacabana. Meu marido sugeriu que fôssemos a pé. Há poucos anos, seria um ato de loucura. Na volta, 11 da noite, ainda paramos para tomar um sorvete na esquina, assim, vestidos pra festa, meu marido de terno e gravata.

No coquetel, um dos convidados, morador do Recreio, justificou o atraso com o engarrafamento provocado por um carro que atravessou na frente do BRT, na Transoeste, provocando acidente.

A Transoeste! Conheci há duas semanas, quando fui a uma festa ‘julina’ em Guaratiba.
Que beleza! Ela liga a Barra da Tijuca a Santa Cruz e a Campo Grande, e o trajeto, que era feito em duas horas, agora leva pouco mais de meia. Para isso, foi aberto, entre o Recreio e Guaratiba, o Túnel da Grota Funda, projeto há anos sonhado, várias vezes licitado, jamais executado. Praticamente uma lenda urbana.

Outra lenda era a da linha 4 do Metrô, que um dia ligaria Ipanema à Barra. Mitologia tão remota quanto o 13º trabalho de Hércules. As obras, no entanto, já acontecem céleres, com conclusão prevista para dezembro de 2015 e o início de operação para 2016.

Só muita má vontade ou aguda deficiência visual não enxerga, logo que se atravessa o Túnel Zuzu Angel rumo a São Conrado, a reurbanização da Rocinha, a abertura das ruas na comunidade, o complexo esportivo com passarela de Oscar Niemeyer.

No Pavão Pavãozinho e Cantagalo, em Ipanema, quase cinco mil moradias agora têm rede de esgoto e elevador ligando à estação do Metrô. Qualidade de vida também para os pobres. Inclusão social.

Complexo do Alemão. Há o de antes e o de depois. Não dá para compará-los. Este novo tem cinema, creches, áreas de esportes, sistema de esgoto, tratamento de água, teleférico, transformando a vida de 300 mil pessoas.

O Porto Maravilha, recuperação sonhada há 30 anos, revolução da Zona Portuária só possível graças ao esforço conjunto federal, estadual, municipal, é o que diz o nome: maravilhoso! Para ele acontecer, foi necessário mudar até o Plano Diretor da Cidade. E vocês já foram ao Museu de Arte do Rio, o MAR?

Lembro da reinauguração do Teatro Municipal, totalmente restaurado e em tempo recorde, com presença do Lula presidente, como uma noite de emoção e demonstração de competência.

Quando estive no Parque de Madureira, nem acreditei. Fui apenas dar uma espiada e passei a tarde. Palco para shows, pista de skate, quadras, fontes para banho, lotado de gente sem medo de ser feliz. É a ‘praia do subúrbio’, necessidade sempre tão apregoada.

Por tudo isso, quando vejo esses atuais movimentos do governador Sérgio Cabral, reconsiderando posições e voltando atrás quanto a decisões polêmicas, como a do Quartel da Evaristo da Veiga e outras, acho acertadíssimo!

Cabral, animal político, percebe que, para se dar um passo à frente, muitas vezes têm-se que dar dois, três ou quatro passos atrás. É o jogo da conciliação, que se faz no dia a dia das costuras entre partidos, entre lideranças, e agora ele vê necessário exercê-lo em linha direta com a população. Nada mais que isso.

O povo do Rio de Janeiro dispensou, como intermediários, líderes, associações de classe, formadores de opinião, partidos. Resolveu falar pela própria boca, agir pelos próprios instrumentos.

Pode não ser todo o povo, mas é algum povo. Algum povo bem barulhento, que saiu dando chute, quebrando vidraça, armando camping, repercutindo na mídia, incomodando. Enfim, tem representatividade. Não pode e não deve ser ignorado. Sérgio Cabral sabe disso.

Há o outro povo, formado por jovens, que se manifestam nas ruas com civilidade e pelo mesmo motivo. Desabafar é bom, é saudável, transformador.

Há também o povo que não está na rua, que não dá chute em poste nem quebra vitrine, mas que gostaria de estar lá fora, bradando ao ar livre, concorda com esse tipo de manifestação e com o conteúdo dos protestos anti Cabral, anti tudo.

Há ainda o povo influenciável, mobilizado pelo Facebook, os programas de rádio, o noticiário de TV, jornais, as conversas, que viveu momentos de euforia naquela onda de catarse revoltosa, no discurso contra corrupção e desgoverno, mas que começou a se cansar, desde as cenas de lojas invadidas e saqueadas, mobiliário público destruído, engarrafamentos no trânsito etc.

Há os oportunistas, há as milícias, há o tráfico querendo ir à forra, pois a bandidagem também é uma parcela do povo.

Há de tudo.

O que não pode haver é falta de memória. E não há como negar: Sérgio Cabral fez e está fazendo um grande governo, costurando as parcerias com o governo federal e o municipal, habilidoso.

As realizações são todo dia. As UPPs, para mim, são as mais visíveis e transformaram o nosso cotidiano, nos deram sossego. Semana passada, foi o Hospital Estadual do Cérebro, dirigido pelo neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho, um privilégio para o Rio de Janeiro.

No aspecto político, o que está em questão, desde o início desses protestos, sabemos, não é Sérgio Cabral em fim de governo e que, ao ser reeleito, declarou a disposição de não mais se candidatar a cargo algum. O alvo é a sucessão, é o Pezão.

Mas o Pezão é um sucesso. Será preciso muita pólvora no barril para implodi-lo. Onde ele põe a mão, digo, o Pezão, as coisas acontecem. Vão pra frente.

Está aí a série de obras acima mencionadas, que, por ele ser dublê de co-tocador do Governo e tocador de suas obras, têm as suas pegadas.

Cabral empenha-se para, no arrefecer da tempestade, recuperar o prumo, retomar espaços estratégicos, construindo sua trincheira com inaugurações sucessivas, evidenciando o que foi realizado, refrescando a memória do eleitor sobre o já feito e o que há por ser entregue à população, ainda neste seu mandato.

Para isso, tem contado muito o auxílio do vice-governador Pezão. Um pezão de boi pra trabalhar, gerenciar e realizar. Qualidades raras em políticos, bons para fazer discurso, levar o povo no bico, mas, na hora de botar a máquina pública pra andar, é aquela dificuldade, não conseguem. Não têm cancha administrativa.

Outra coisa que deve incomodar a concorrência: Pezão passou os dois governos incólume, sem ter o nome vinculado pela mídia a escândalos.

12 ideias sobre “UM PEZÃO DE BOI PARA GERENCIAR E AINDA COM GRANDES CHANCES DE SER GOVERNADOR DO RIO

  1. Hoje fizemos o mesmo saímos da nossa casa na Xavier da Silveira às 21.00 hs para um jantar de aniversário na Ayres Saldanha, voltamos à 01.00 h andando, sem o menor problema. E ainda havia uma patrulhinha na entrada do metro Cantagalo. Realmente não fazíamos isso há alguns anos.

  2. Concordo plenamente. O Rio nunca esteve tão cuidado, com obras, polícia e segurança. Estive em São Paulo semana passada. participando de uma feira no quarto andar do Shopping Frei Caneca, roubaram a minha bolsa com todos os cartões, documentos e o pior: 70.000.00 de cheques de clientes. Minha bolsa estava atrás da mesa, numa cadeira. Bom, resumindo: fui fazer o B.O. na delegacia e fiquei impressionada. Tinham 43 pessoas na minha frente que tinham sido vitimas de assalto, furto ou arrastão. Fui reclamar com a organização da feira e me disseram que em São Paulo tem quadrilha para roubar bolsas de marcas e, em toda feira. isto acontece. Um absurdo. O Rio é um paraíso perto de São Paulo e temos que agradecer ao bom governo que estamos tendo nestes anos. Parabéns!!!!!!

  3. O que me incomodou nas manifestações é que “decidiram” que ele roubou. Ora, nem ponho a mão no fogo, ele vacilou sim, mas onde estão as provas do crime? Onde estão as provas de superfaturamentos, as provas de acertos? Eu até acredito que existam, mas entre achar e ter certeza, é um longo caminho para decidir que um politico tem que sair.
    Um grupo, que se acha O responsável e único apto a resolver todos os problemas quer tirá-lo de lá, porque assim decidiram e ponto. Quem lhes deu esse poder? Eu que não fui.
    Em tudo que vimos até o momento o que mais me decepciona é o comportamento do povo, seja A,B ou C. São atitudes nas atitudes do dia a dia que me chocam e que me levam a confirmar que o que está no poder é resultado do que somos.

  4. Parabéns, Hilde vejo que alguém não se deixou levar pela satanização de Cabral, tbm não me deixei e esta coisa ridícula de chamar Cabral de ditador, ninguém com mais legitimidade que vc para saber o que realmente é um ditador. Muita coragem sua de nadar contra a maré, parabéns!

  5. Moro no Leblon e as obras da ANtero Quental, na qual está 1 quadra do meu apê, acontecem 24 horas por dia 7 dias por semana. Sem respeito algum ao descanso dos moradores q trabalham e precisam descansar. Morar aqui é pagar IPTU abusivo e trabalhar não é opção!!! A obra PAvuna x Leblon samba na cara dos moradores, ignora e debocha da lei do silene no Leblon e a impunidade é uma certeza deles. Jamais na minha vida votarei em qq ser humano q more no Leblon. O desrespeito é a marca desse povo. Antes de passar por essa crueldade nem ligava para politica.Pq a estação ñ foi pelo clube Flamengo e parava na praça perto hospital e Lagoa Barra, economizando 1 estação e + útil q levar para praia. Eu q sempre andei a pé ou mesmo de onibus agora preciso de motorista. Tínhamos 2 carros, agora 5!! Saia a noite a pé para os restaurantes do bairro e agora nem celular mais usamos qd andamos pq é assalto na certa!
    Pode ser comum tudo isso para quem mora em Copacabana e até role uma felicidade de ver o Leblon destruido. Mas vi o q aconteceu na Arcoverde qd inaugurada. É a degradação ambiental sem volta.
    Matéria estranha essa!!!

  6. Tudo muito bem, tudo muito bom… mas por que temos de “agradecer” por essas “melhorias”? Os governantes são eleitos para isso mesmo, resolver os problemas do estado, da cidade. Não é um favor, eles não fazem mais do que suas OBRIGAÇÕES, e ainda é muito pouco o que estão fazendo.Mas, as verdadeiras melhorias de um governo se mede pela educação de qualidade, saúde pública decente, saneamento básico para todos e transporte público de qualidade, coisas que estamos a anos luz de termos, seja no Rio ou em qualquer outro estado/cidade desse país.

    • se não houvessem estas “melhorias” como que os ricos “passeariam” à noite ou tomariam sorvete mesmo com roupas de festa ou poderiam dormir à noite ouvindo passarinhos?
      e rede de esgoto,saneamento é questão de saúde pública porquê “neguinho” do morro mesmo doente trabalha na casa grande, digo mansão, e pode “contaminar’ o rico ou o filho do patrão, sei lá…sabem com é… doença atinge rico e pobre…

      • Violência que atinge pobre, atinge rico. Passarinho que canta pra pobre, canta pra rico também.

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