Passeata de Pirro

Passeata de Pirro. Desfilou no Aterro, ao meio-dia deste sábado, uma fila única de carros, com forte aparato de viaturas policiais, na abertura e na fechadura. Na comissão de frente, um caminhão de som com oito pessoas na proa, sem máscaras e vestidas de verde e amarelo. Como não havia multidão, havia buzinas, contínuas, insistentes, estridentes, aborrecentes. Não se sabia o que pediam. Ouvia-se vez por outra um grito de “mito”. De um dos carros, partia, em volume alto, música com letra que grunhia “Bolsonaro”. Uma grosseria sem tamanho, invadindo o sábado e a privacidade de ouvidos já acostumados ao silêncio da quarentena. O que queriam? Protestavam contra quê? O “mito” está no poder, devidamente entronizado por eles. Mas o “mito” não aceita poder dividido. Câmara, Senado, Supremo, imagina! Para quê tantos palpites? Como ousam, se há o “mito”, o “mitooo”!!! Não querem um presidente, aspiram por um monarca com poder supremo. Um imperador. Czar. Um Todo Poderoso para reinar no país da verdade paralela, dos feitos virtuais, das conquistas de mentirinha, do progresso fictício. Um ditador fake para o país da fakeada, da fraquejada, da fancaria. Brasil em frangalhos, Brasil com F. De Feio.

 

 

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