Os romanos, sem mesa, comiam deitados… Já as mesas de Beth Serpa nós aplaudimos de pé

Na Roma Antiga, a mesa de refeição ainda não havia sido inventada. Os romanos comiam deitados. As vasilhas eram colocadas em pequenas colunas com bandejas junto à cama. Imagino o festival de engasgos e arrotos. Mais adiante, lá pelo século VII, inventaram um tipo de mesa, que consistia numa prancha com cavaletes, que era montada e desmontada, toda vez em que comiam, sentados em bancos. O positivo era que, só nessa operação de pôr e tirar, os comensais já desgastavam as calorias do repasto. Aliás, é por esse motivo que até hoje usamos a expressão “pôr a mesa”, e isto é fato.

Bom saber que a palavra móvel, como hoje a conhecemos, vem justamente do tratamento dado ao mobiliário de antigamente, que não permanecia fixo num lugar. Ele era móvel mesmo, transportado de lá pra cá como bagagem, junto com os moradores, onde quer que fossem, em suas visitas e viagens. Os móveis eram ainda continuamente mudados de lugar, de acordo com as conveniências do cômodo. Assim, a Sala de Jantar, quando passou a existir, no século VIII, era totalmente desmontada, prancha e cavaletes, armário etc., e dava lugar à Galeria, a cada refeição, ufa!

Até que, já na Renascença, houve o advento da mesa fixa de refeição, que, com sua democratização, quase sempre era redonda e em madeira acaju. E os móveis enfim sossegaram, passando a ficar imóveis, em seus devidos lugares. Com isso, os moradores se tornaram mais sedentários, despendendo menos esforços. Ganharam quilinhos. Isso é História, meus amores, não estou inventando. E já que a mesa era fixa, vamos caprichar nos bancos, que não precisam mais ser transportados – pensaram os artesãos marceneiros da época. Os bancos então ganharam espaldares caprichados, braços entalhados, alguns até foram brindados com baldaquins emplumados e, mesmo, pódios altos, para que o personagem a se assentar estivesse à altura de sua pretendida elevada estatura.

(Ah, eu também quero uma cadeira com pódio e baldaquim de plumas, eu quero!).

Já se vai longe esse tempo… Não comemos mais deitados, nem precisamos montar prancha e cavaletes para comer. Muito menos saímos por aí com os móveis nas costas, quando viajamos ou visitamos alguém, e nossas cadeiras não possuem mais pódio ou baldaquim com plumas (uma pena!). Caminhamos uma longa estrada, bebê…. e chegamos às deslumbrantes, impactantes, mesas de jantar de Beth Serpa!

A última masterpiece de Beth foi toda florida com crisântemos bric (uau!),  tom que se repetia nos bordados do jogo americano de organdi branco. Tudo era detalhe para se admirar e para homenagear o maestro mais celebrado do Brasil, o erudito pop, Isaac Karabtchevsky, e sua mulher, Maria Helena.

Harmonia completa, afinação absoluta. Bravo, Beth! Bravo! Se estivéssemos numa frisa do Municipal, nos levantaríamos e aplaudiríamos de pé.

Um jantar de gratidão, já que foi o maestro Isaac Karabtchevsky quem orientou Serpa  à época da criação da Orquestra Sinfônica Cesgranrio, que em pouco mais de um ano já soma mais de uma centena de récitas de sucesso, no Brasil e no exterior.

Os presentes foram os habitués da casa, elenco múltiplo que somava empresariado,  judiciário, mídia, sociedade, mas cujo foco principal era a cultura – com o secretário da pasta no Estado, André Lazaroni, o maestro Eder Paolozzi, da Orquestra Cesgranrio, Myrian Dauelsberg, o diretor do Conselho de Cultura da Cesgranrio, Leandro Bellini, a pianista Carol Murta Ribeiro.

Vejam que mesa show!

Em primeiro plano, o maestro Isaac Karaabtchevsky, em seguida o maestro Eder Paolozzi,  Bia Lazaroni, Leandro Bellini

Belita Tamoyo, Leandro Bellini, Himalaia Tupy, da Secretaria de Cultura, Myrian Dauelsberg

Beth Serpa e o homenageado maestro Karabtchevsky, amigo do casal de longa data

Maria Célia Moraes e o desembargador Murta Ribeiro

O secretário de Cultura, André Lazaroni, a pianista Carol Murta Ribeiro, Walter Moraes e Miriam Dauelsberg

Serpa tendo à direita a amiga e homenageada de seu jantar, Maria Helena Karabtchevsky

2 ideias sobre “Os romanos, sem mesa, comiam deitados… Já as mesas de Beth Serpa nós aplaudimos de pé

  1. Tudo muito bonito e muito bom gosto. O que me incomoda nesses jantares são os arranjos florais interpondo os convidados, isso atrapalha a conversação com quem está à sua frente. Seria proposital?

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