Os interesses empresariais do presidente do Flamengo e o apagamento da memória histórica do clube

Coluna de Ancelmo de Góes, O Globo, 11/07/2019

A notícia acima publicada esta semana pelo colunista Ancelmo de Góes é esclarecedora do motivo que pode ter levado a diretoria do Flamengo a renegar seu atleta do remo Stuart Angel, que deu dois títulos ao clube, um deles o Campeonato do IV Centenário do Rio de Janeiro.

Stuart era voga do barco bi-campeão

Por ocasião da homenagem prestada por um grupo de associados a Stuart na sede do Remo, no 31 de março do golpe militar, a diretoria do presidente Rodolfo Landim expediu nota à imprensa para informar que não endossava aquela homenagem.

Desde sua morte, em 1971, assassinado pela ditadura, Stuart, que militava no MR-8, tem sido homenageado pelo Flamengo, seja com seu nome numa das estrelas no piso da entrada da sede, seja com um memorial inaugurado à beira da Lagoa, em solenidade concorrida e comovente, com vários ex-companheiros de remo e de militância política do atleta.

Stuart Angel, na estrela do piso da sede do Flamengo, junto a outros grandes do Remo

O saudoso treinador do remo, Buck, enaltecia o atleta em suas manifestações, e ex-companheiros ainda se lembram de quando o acolheram, clandestino, na garagem do clube, quando ele dormia num dos barcos e os remadores lhe levavam quentinhas. Partiu dele a iniciativa de deixar o local, temendo pelo risco que poderia representar para os rubro-negros solidários. Muitas diferentes histórias sobre esse tempo são contadas pelos antigos, de modo emocionado.

No jogo seguinte do Flamengo, pós-Bolsonaro com a camisa do clube, a faixa na saída do túnel no Maracanã

Ato contínuo à desfeita feita à memória do remador, o Flamengo passou a homenagear, de modo ostensivo, a corrente fascista da política brasileira. Um deputado que quebrou a placa de rua de Marielle Franco, o governador do “pimba na cabecinha” Wilson Witzel e o auge dessa bajulação foi o convite ao palmeirense Bolsonaro para assistir a uma partida do clube no Campeonato Brasileiro, contra o CSI, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, vestindo “o manto”, ao lado de Moro. Na semana em que o site The Intercept divulgou os primeiros vazamentos, que comprometem seriamente a atuação do ex-juiz na Lava Jato.

Por trás de tudo isso, o que agora se revelaria? A conveniência dos altos negócios do empresário Landim. Nojo!

A torcida criou esta camisa para arrecadar recursos e reconstruir, no Remo, o memorial de Stuart, que foi destruído na atual gestão, e a placa extraviada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *