JOANA D’ARC E OS VILÕES DE TOGA DA INQUISIÇÃO

Deixei para hoje a personagem que mais me emociona entre os grandes injustiçados da História: Joana D’Arc.

Sobre Joana D’Arc, os céticos insistem que, no que dela conhecemos, mito e realidade muitas vezes se confundem.

Porém, por mais precisão que os pesquisadores sérios busquem, sobre quais fatos da História remota podemos afirmar a total veracidade?

Joana foi a jovem que, liderando um exército francês na batalha dos 100 anos, libertou várias cidades francesas, dizendo-se sob inspiração divina, até cair durante o cerco de Compiègne.

Vendida aos ingleses, ela foi condenada por heresia e queimada viva em Rouen. Anos depois foi absolvida por um novo tribunal da inquisição, e no século passado, em 1920, foi tornada Santa Joana.

Conduzido pelo religioso Pierre Cauchon, o processo contra Joana D’Arc começou em 9 de janeiro de 1431 em plena Inquisição. Os outros acusadores foram Jean le Maistre, da Ordem dos Dominicanos, Jean Gravenet, inquisidor, profundo conhecedor das escrituras, Thomas de Courceles, reitor da Universidade de Paris, e dois frades mendicantes, Martin Ladvenu e Isembard de Ia Pierre.

Muitos bispos e cardeais ingleses participaram no processo, todos inimigos de Carlos VII, tendo em comum a intenção de provar que a “Donzela” era herege. O objetivo final daquele julgamento político era acusar Carlos VII de recorrer aos serviços de uma bruxa.

Então, Joana precisava ser culpada, precisava ser condenada, precisava ser bruxa.

Dissesse o que dissesse, respondesse o que respondesse, provasse o que provasse, nada disso contava. O que importava era condenar Joana, porque sua condenação ou sua absolvição teria grande peso no resultado do conflito da França com a Inglaterra.

Então, houve o julgamento vergonhoso, que se tornou inspiração para quilômetros de peças de teatro, poesias, tratados, textos vários, discursos, roteiros, encenações de todo o gênero, buscando repetir aquele tribunal de farsa, em que tudo que Joana dizia era interpretado de forma oposta, qualquer balbucio era grito, o mínimo gesto era amplo movimento, uma boa intenção era vista como péssima.

Declarada culpada no processo de condenação em 30 de maio de 1431, Joana d’Arc foi queimada viva em Rouen, aos 19 anos.

Muita gente da aristocracia, do poder e do próprio povo deve ter achado ótimo, brindado, dançado e festejado…

Os de hoje vão às igrejas, rezam por ela e pedem graças à Santa.

Hoje, cospem nas tumbas dos juízes cochons (porcos) Pierre Cauchon,  Jean le Maistre, Jean Gravenet, Thomas de Courceles, Martin Ladvenu e Isembard de Ia Pierre. Os vilões de toga da história inquisitorial.

Assim, ao longo dos séculos, desde a atuação dos tais jurados, a Justiça carrega as máculas daquela injustiçada que se tornou santa, do tribunal indigno, dos juízes porcos, surdos e cegos, mas não por imparcialidade. Ao contrário.

Surdos por impermeáveis à voz tonitruante da verdade. Cegos por usarem viseiras com os vidros da obtusidade do curto prazo.

Tais juízes vão dormir tranquilos as curtas noites da curta glória das bajulações. E perderão o sono nas longas noites do arrependimento…

Joana-DarcJoana D’Arc: queimada na fogueira por um tribunal inquisitorial que a satanizou por interesses políticos

5 ideias sobre “JOANA D’ARC E OS VILÕES DE TOGA DA INQUISIÇÃO

  1. Eh, quem sabe uma dia Dirceu tera o seu “J’accuse”. Mas ca pra nos, falta um ‘Zola’ na imprensa brasileira.

  2. Hilde sou sua seguidora, há muitos anos, desde o globo, quando eu era assinante, segui muito você no R7 e agora no seu próprio blog, visito todos os dias.
    Sou uma senhora de 67 anos, e estou sofrendo muito com este julgamento, que já considero perdido, ficar nas mãos de Celso Melo, não confio nele.
    Tenho pedido a Deus que me dê serenidade e me ajude a aceitar o que não posso modificar.
    Nem posso lhe pedir um apoio pois sinto que você está sofrendo como eu.
    Que Deus nos ajude Hilde.

  3. O Min Gilmar estava ensandecido. Argumentos jurídicos nenhum, políticos, sim. Chegou a debilidade de dizer “devemos dar embargos infringentes aos nossos filhos” e que “o julgamento desse deputado preso deveria ter sido no Juizado Especial Criminal”. Ouvir isso num voto de um Min do STF é D+. Depois interrompeu o Min Marco Aurélio para esbravejar que eram um exemplo para os novos juízes. Patético! Conclusão é que, para a maioria do STF, o respeito à Constituição e à Justiça, é só quando lhes convém. Aí é Habeas Corpus para cá e para lá, embargos aceitos, etc.

  4. Boa Noite Hildegardangel,
    E anterior a esse julgamento, houve o do judeu que foi condenando à morte pelo juiz da época, apesar de não conhecer nenhum crime por ele cometido, somente para atender ao povo.

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