Democrata assumida

Via Instituto Zuzu Angel

Parece que a Moda americana é mesmo democrata e não faz questão nenhuma de esconder seu posicionamento, antes, durante e após as eleições que elegeram Donald Trump presidente. A toda poderosa Anna Wintour encabeça a turma e não deixa barato para a futura primeira-dama Melania Trump. A capa da edição de dezembro da Vogue US é ninguém menos que Michelle Obama, linda e esplendorosa, vestindo um longo de Carolina Herrera, acompanhada da seguinte chamada: “Michelle Obama, a primeira-dama que o mundo se apaixonou”. Quer resposta mais direta do que essa? 😉 Esta é terceira capa de Michelle na Vogue ao longo dos oito anos dos Obama no poder.

Outros nomes também se manifestaram. Marc Jacobs, Tory Burch, Prabal Gurung e a marca Public School fizeram camisetas pró-Hillary Clinton durante sua campanha.

Marc Jacobs com camiseta pró-Hillary após seu desfile na Semana de Moda de Nova York

A própria Anna Wintour é amiga de longa data de Hillary, demonstrando apoio, também, ao longo da campanha. Abaixo, ela aparece vestindo a t-shirt de Marc Jacobs pró-Hillary, ao lado de sua filha, Bee Shaffer, durante a fashion week.

Hillary e Anna, amigas de longa data

Recentemente, a designer de moda Sophie Theallet, membro do CDFA (Council of Fashion Designers of America) publicou uma carta aberta em suas redes sociais convocando boicote à família Trump. Sophie declarou que não irá vestir de maneira alguma a nova primeira-dama, pois não é conivente com um governo xenófobo, racista e homofóbico.

A estilista Diane von Furstenberg, que atualmente também preside o CDFA, apoiou declaradamente a eleição de Hillary, enviando uma carta para os mais de 500 membros do conselho de Moda com os seguintes dizeres: “Como podemos ajudar nas vésperas dessa nova era? Abrace a diversidade, seja mente aberta, seja generoso e tenha compaixão”. Para bom entendedor, meia palavra basta. 😉 Quando perguntada se vestiria Melania, Diane disse que a primeira-dama não vai precisar da ajuda de ninguém, pois ela sabe o que fazer.

Hillary e Diane. A designer não escondeu seu apoio à candidata.

Humberto Leon, diretor criativo da Opening Ceremony e da Kenzo, declarou que se Melania comprar suas roupas, não hesitará em dizer que ele não a apoia, e que outros designers deveriam fazer o mesmo.

Joseph Altuzarra, apesar de não apoiar Trump, disse que não é contra vestir pessoas que discordem de suas opiniões.

O único nome da Moda a declarar abertamente que não teria problemas em vestir Melania é Tommy Hilfiger: “Melania é uma mulher muito bonita e acho que qualquer designer deveria se sentir orgulhoso em vesti-la”, disse.

Na noite do primeiro discurso do marido, após o resultado das eleições, Melania apareceu vestindo um macacão branco assinado por Ralph Lauren. Questionada sobre isso, a marca declarou que a peça foi comprada por Melania e não feita especialmente para a ocasião. É sabido que Ralph Lauren é o principal conselheiro de estilo de Hillary Clinton, ajudando-a a moldar sua imagem ao longo de toda a sua campanha. Inclusive, em seu primeiro discurso após a derrota, Hillary vestiu Ralph Lauren.

Para o New York Times, a eleição de Trump pode simbolizar o fim de uma extraordinária relação da Moda com a Casa Branca, que nos anos Obama foi muito bem sucedida. Segundo o jornal, Melania em suas aparições públicas, durante a campanha do marido, não atentou para o fato de prestigiar a Moda americana, dando preferência a nomes da Moda europeia, como Balmain, Fendi, Roksanda Ilincic e Gucci, o que vai contra o discurso de Trump, que é o de fortalecer a indústria americana. Já Michelle Obama, desde o início, sempre foi uma grande incentivadora da Moda nacional, abraçando desde nomes mais acessíveis, como J.Crew, a novos talentos, como Jason Wu e Altuzarra, e nomes consagrados, como Michael Kors e Vera Wang.

Melania com macacão Ralph Lauren. Apesar de sua tentativa em prestigiar a Moda nacional, Melania, na maioria de suas aparições públicas, deu preferência a designers europeus, o que gerou criticas de estilistas americanos.

Quem irá se aventurar a vestir a futura primeira-dama sabendo que contará com a reprovação de seus colegas da indústria? É uma baita pressão! Se depender de Anna Wintour, os refletores da principal revista de Moda da América não se voltarão para a família Trump. E cá entre nós, ninguém quer ter uma Anna Wintour como inimiga número 1. 😉

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