Sobre Hildegard Angel

colunadahilde@gmail.com Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

O leilão de Glorinha Paranaguá, a embaixatriz do bom gosto

O encantamento do universo da saudosa embaixatriz Glorinha Paranaguá desde ontem passa pelo martelo da casa de leilões de Horácio Ernane. Além do acervo de Glorinha, estão incluídas algumas peças de coleções de outros sobrenomes bacana, como Larragoiti e Celidônio. Difícil acontecer um leilão com tanto bom gosto reunido.

Quando os embaixadores Paulo e Glorinha Paranaguá retornaram do último posto dele, no Marrocos, eles se instalaram na Avenida Atlântica, no Edifício Chopin, com vista para a piscina do Copa. Não demorou muito para Glorinha iniciar a sua produção de bolsas, inicialmente bolsas min, inspiradas na clássica Chanel, matelassê, em cetins coloridos, com um lacinho no local do fecho. Elas já vinham forradas de seda com estampa de pied de poule, inicialmente embaladas em saquinhos de seda preta, até os saquinhos passarem a ser iguais ao forro das  bolsas. Ainda sem a loja de Ipanema, Glorinha recebia as clientes na sala de seu apartamento, sem qualquer decoração. Eram caixas sobre caixas da mudança do Marrocos, que não haviam sido ainda sequer abertas. Foram bem uns dois ou três anos da sala cheia de caixas. E as bolsas de Glorinha se proliferando, desfiladas como troféus pelos salões cariocas. Troféus de bom gosto e diploma de “insider” da sociedade, pois ter uma bolsa Glorinha Paranaguá passou a conferir status. Quando enfim montou sua loja em Ipanema, na Praça Nossa Senhora da Paz, Glorinha, já viúva, se mudou para um apartamento do outro lado da praça, que ela decorou com o requinte de uma embaixatriz traquejada e o charme da mulher talentosa que era. E o quadrilátero da moda passou a ser o seu mundo. Era comum encontrar Glorinha caminhando por ali, no vaivém do trabalho, indo à missa na Igreja ao lado, conferindo as vitrines do Fórum. Sempre impecável, em seus vestidos chemisiers largos, sem corte na cintura, e que lhe caíam muito bem. Posteriormente, mudou-se para outro endereço na praça, e sempre com o mesmo décor de poltronas de xadrez azul e branco, com as banquetas iguais, bichos de porcelanas brancas, móveis de qualidade, ingleses, franceses, marroquinos, e quadros com assinaturas importantes. Ser recebida por Glorinha em sua casa era agradar os olhos, com coisas belas, e os ouvidos, com histórias de encantamento, daquela que circulou e frequentou no melhor dos mundos e chamava a duquesa de Windsor pelo prenome, Wallis.

 

 

 

Amir Haddad ganha trono e carro alegórico nos 25 anos do Círio Profano de Nazaré

Há 25 anos, a Cidade Velha de Belém do Pará ganhou seu Círio Profano de Nazaré, criado pelo diretor consagrado do mundo dos espetáculos, Amir Haddad, que no Rio de Janeiro comanda o Grupo Tá na Rua.

Inicialmente, com 50 artistas, hoje eles são mais de 500 atores e atrizes que encenam o Círio Profano, atraindo uma multidão pelas ruas da Cidade Velha, paralelamente ao Círio tradicional. Para celebrar as Bodas de Prata desse Círio do Amir, um super espetáculo, os participantes providenciaram um carro alegórico com trono, e lá veio ele, vestindo manto e com coroa de louros. Feliz e orgulhoso, o inovador do teatro brasileiro, que há décadas se dedica, de modo liberto e pleno, à construção de uma consciência artística engajada com as necessidades de expressar e de representar o Brasil e seu povo.

Amir Haddad: coroa de louros, trono e manto, no carro alegórico, levado pela multidão da Cidade Velha

Amir acena para os participantes do Off-Círio de Nazaré
Cabeças descobertas ou cobertas com cocares, fitas e coroas, na celebração do Círio Profano, em Belém do Pará

Faunos, faunas e a biodiversidade balançaram o Marimbás

Os garçons eram faunos com chifres, recepcionistas serviam maçãs aos que chegavam e se cobriam com folhas de parreira, tal e qual Adão e Eva no convite para o casamento/aniversários. Costelas de Adão enfeitavam as paredes, uma serpente ondulava pelo carpete da decoração, onde o vermelho e o dourado imperavam. A noiva, Vera Tostes, com um quadro de Picasso na frente do vestido e outro nas costas. O noivo, Newton Cunha, com uma cobra de brilhantes na lapela do paletó de smoking. A cereja do bolo era uma maçã dourada.

Uma festa para se dançar bastante e rir muito. Uma ode à biodiversidade, reunindo várias espécies. A espécie dos museólogos, a das artes e todo o antiquariato do Shopping Cassino Atlântico, onde Newton só perde em número de lojas para a mega  Tok&Stok.

Um grande portrait fotográfico em preto e branco, por Antonio Guerreiro, entronizava na parede do Marimbás o novo casal Tostes-Cunha como festeiros oficiais cariocas, com muitos clicks para seu beijo na boca arrebatador, na pista de dança. Que sejam felizes para sempre, todos desejaram.

Faunos, Evas, Adão, Vera e Newton, em fotos de Marcelo Borgomgino

Três pílulas para ser feliz: Antigo Egito, festança e obra-prima

Ah, o glamour, a beleza, o luxo, a possibilidade de sonhar com o que há de maravilhoso e restrito aos muito poucos abençoados pela sorte. Sonhos que nos libertam do sufoco das frustrações, nos permitem ir muito além de todas as dificuldades, ambicionar o inacessível…

Mais do que sempre, neste Brasil de conflitos, ódios e desamor, é necessário o exercício de divagar, e nos imaginarmos no epicentro do eldorado maravilhoso. Proponho, então, para este fim de semana algumas pílulas de felicidade. Vamos a elas…

No Egito antigo, os animais também eram representações dos deuses. Cachorros, gatos, a ave ibis, até peixes eram mumificados ao morrer, para renascerem no próprio corpo. É o que podemos ver na exposição sobre o Egito, que o CCBB inaugura este sábado, onde há a sala do deus Osiris, toda verde – e que verde! – a cor da pele de Osiris. Podemos folhear digitalmente o livro Descriptions de L’Egypte, obra-mestra com 22 volumes da egiptologia, encomendado por Napoleão, quando conquistou o Egito, todo ilustrado com as riquezas e belezas que encontrou. Muitas delas, aliás, ele levou como souvenirs para Paris, tipo o colossal obelisco do Templo de Luxor, instalado na Place de La Concorde, com 30m, 246 toneladas, 3,2 mil anos e uma ponta de ouro maciço. Por ocasião da Copa do Mundo de 1998 na França, o obelisco foi restaurado, graças à generosidade do bilionário Bernard Arnault, que até a ponta de ouro recolocou. O momento apoteose da mostra é entrar na réplica da tumba mais bonita de todo o Egito, a de Nefertari, esposa de Ramsés II, considerada a mulher mais bela da Terra.

Com teto estrelado e paredes decoradas com imagens do Livro dos Mortos, representando todas as situações que a rainha deveria enfrentar, em seu caminho até o Além, onde seria julgada por Osiris para alcançar a imortalidade, a tumba é tão bonita quanto foi Nefertari.

Nefertari, a mais bela, nas pinturas de sua tumba no CCBB

A sede do Clube Marimbás, nas areias de Copacabana, foi projetada por Lúcio Costa com a forma de um barco e seus vários níveis de decks. Pois hoje, meus amores, o barco do Lúcio vai adernar ao balanço dos 400 convidados no deck mais alto, que nos navios de cruzeiro é o da primeira classe. Será a consagração do casamento recente da museóloga Vera Tostes, ex-diretora do Museu Histórico Nacional, com o antiquário Newton Cunha. Os amorosos veteranos conjugam um casamento moderno, devidamente oficializado por contrato já assinado de União Estável, cada um em sua casa. Distantes nas moradias, juntinhos nos corações, eles convidam para uma “Noite de artes e sedução” (como o amor inspira!), em que propõem “traje criativo, com arte e sensualidade através dos tempos”, ui!

A capa do convite traz dois pelados bíblicos – Adão e Eva, e diz a lenda que os anfitriões irão assim “fantasiados”, tal e qual. Tenho minhas dúvidas, pelo que deles conheço.Mas não duvido que alguns convidados decidam seguir a sugestão… Ah, não esqueçam de levar latas de leite em pó ou Sustagem, para os aniversariantes Newton e Vera doarem a um hospital geriátrico.

A capa sugestiva do convite da festa no Marimbás, que pede “traje com sensualidade através dos tempos” 

Muitos estão chamando de imperdível e de obra-prima o filme Coringa, de Todd Phillips, passado no fim dos anos 70, que mistura drama, comédia e terror, abordando a miséria humana das doenças mentais. Coringa, o malvadão do universo das histórias em quadrinho do Batman, detestado pela sociedade, é mau sim. Mas um malvado enfermo, psicopata, que ora inspira horror, ora piedade. Os mais renomados críticos de cinema do mundo se estendem em comentários, e acham que a Academia de Cinema vai tirar o Coringa do baralho, dando a ele o Oscar. Fico com a análise enxuta da Verinha Bocayuva Cunha: “Super contemporâneo, Coringa reflete nossa realidade, vá correndo ver, melhor filme de minha vida.”

O Coringa, de Joaquin Phoenix, malvado psicopata

Luciano Huck, o candidato do pesadelo de João Dória

Hildegard Angel

Cogitar o nome de Luciano Huck para candidato a Presidente da República não é novidade. Por volta de 2004, no Jornal do Brasil, esta repórter mencionava o projeto político do apresentador de se tornar presidente do Brasil. Desde então, acompanhamos o fôlego assistencialista dos seus programas de TV, com doação de casas aos pobres e restauração de seus carros velhos.  O garoto da juventude dourada paulistana palmilhava com toda a paciência do mundo e muita simpatia a estrada poeirenta dos programas de auditório, das gravações nas areias de praia, das viagens ao interior do país, dos abraços e autógrafos e beijinhos sem ter fim, rumo – quem sabe? – ao destino final: Estação Planalto/Alvorada.

 

Originário de um ninho tucano puro-sangue, enteado do ex-ministro de Planejamento e ex-presidente do BNDES, Andrea Calabi, o jovem Huck sentiu dentro do próprio lar o doce sabor do poder. Cursou jornalismo, foi publicitário das escolas de Nizan Guanaes e Washington Olivetto, teve coluna social em jornal, e depois eletrônica, na TV, “Circulando”, e circulou, circulou, até estacionar seu Caldeirão na Globo, onde desde 1999 coleciona sucessos.

Luciano, que não é de brincar em serviço, vem cortejando a política passo a passo. Já em 2003 estava no palanque da entrega da Medalha Tiradentes, em Ouro Preto, na condição de amigo inseparável do governador Aécio Neves. Àquela altura, já recebera a medalha mineira em todas os seus níveis. Com o maior prestígio, cercado de ministros e do próprio presidente recém-eleito, Lula, Huck anunciava ali, diante da estátua de Tiradentes, a idealização do Instituto Criar, visando o desenvolvimento profissional dos jovens brasileiros na área da mídia. A ONG certa na hora exata.

Seu casamento com Angélica, em 2004, foi uma apoteose midiática. A fórmula talvez não soasse tão inspiradora se a noiva fosse uma das namoradas anteriores dele. Como Eliana, em São Paulo, Ivete Sangalo, na Bahia, ou as princesinhas encantadas do reino social carioca, Astrid Monteiro de Carvalho e Chiara Magalhães. De forma elegante, cordial, sem fissuras, os namoros terminaram – e diferente não poderia ser, Huck é muito bem-educado. Sem a menor sombra de dúvida, Angélica era a celebridade perfeita para ocupar com ele um trono. Seja o trono de primeiro casal midiático ou o de primeiro casal da República. Juntos, formam uma família bonita, feliz e loura. Há precedentes notáveis na História. Como a Grace Kelly do príncipe Rainier, a Jacqueline de John Kennedy, a Lady Di de Charles. Huck thinks big.

Nos anos pré-eleição de 2013, Huck desviou-se da programação habitual de sua agenda e de seu Caldeirão, para demonstrar prestígio internacional. Em 2011, ele se fez fotografar ao lado do presidente Barack Obama, num evento de tecnologia em São Paulo, e registrou no Instagram: “A sabedoria de não se deixar levar pela vaidade, poder, dinheiro e fama. A força de liderar pelas ideias e ideais. A inteligência de aprender com as experiências vividas. A generosidade de usar a sua força para formar novas lideranças. A simplicidade do sorriso fácil, e do bom humor constante. Está aí um cara que eu admiro…” – estaria falando de si mesmo? E finalizou com um “Obrigado pelo convite!”, fazendo supor que este partira do próprio presidente americano.

Em seu Instagram, com Obama

No Rio de Janeiro, no evento do Theatro Municipal em que Obama discursou para 800 convidados do governador Sérgio Cabral, Huck ocupou frisa com Angélica e o filho Joaquim, e mais uma vez procurou demonstrar proximidade com o presidente dos EUA. Ele postou: “Eu o recebi na entrada do Teatro Municipal. Mega simpático. Olho no olho com todos. E um carisma muito fora do comum. Gostei do discurso. Gostei da presença. Importante para o Rio. Importante para o Brasil. Ele é o cara.” Mas não recebeu Obama sozinho. Entre os 800 demais, estavam Lázaro Ramos e Thaís Araujo, Christiane Torloni e Arlete Salles. Luciano, contudo, foi o único a ter uma foto no Twitter: “Eu e @barackObama no Teatro Municipal. Ficou meio sem foco, mas vale como registro de um momento especial. Valeu”.

A foto sem foco no Twitter

Coroando esse pacote, em janeiro de 2011, a Veja dedicou ao apresentador uma capa, ao lado de Angélica, com a chamada “A reinvenção do bom-mocismo” e a legenda “Angélica e Huck formam o casal de celebridades perfeito para um mundo politicamente correto”. Não precisavam dizer mais nada. Estava plantada a semente do “apresentador estadista”. Blogs e tweets propuseram uma hipotética “chapa tucana Aécio-Huck”, o que os tucanos chegaram mesmo a cogitar para fazer frente à presidente Dilma.

Dilma se reelegeu, Aécio prometeu não a deixar governar, e não deixou, houve o golpe e houve o affair JBS, com fortes respingos em Aécio. Huck apagou das suas mídias sociais as fotos com o amigo, e dizem os próximos que sequer seus telefonemas atendia.

Quando começaram a ser cogitados os candidatos a presidente em 2018, voltaram com insistência rumores sobre possível candidatura de Luciano Huck, logo frustrados pela notícia de que a Globo se opunha. O se provou verdadeiro em declaração posterior da emissora. Hoje, num cenário com maiores chances para emplacar um “Huck 2022”, ele volta a ser cogitado. Diz-se que desta vez com apoio da Globo, o que pode ser e pode não ser.  Como todo candidato a candidato, Luciano faz cara de paisagem, nega o interesse, enquanto a potencial primeira-dama-a-ser, Angélica, já fala na candidatura do marido como um “chamado” que “foge ao controle”.

Caso o “descontrole” prevaleça, e Huck saia mesmo candidato, o principal incomodado será João Dória, que compartilha com ele o mesmo perfil “cashmere paulistano”, de agrado do eleitorado da direita, porém sem o plus da enorme audiência televisiva do concorrente, que seduz gregos e troianos, paulistas e baianos, gaúchos e pernambucanos…

A GLOBO TEM QUE SER MENOS IDEOLÓGICA E MAIS ESTRATÉGICA. SÓ COMPONDO COM LULA ELA CONSEGUIRÁ EVITAR SUA RUÍNA

Hildegard Angel

Que irônico é o destino da Rede Globo. Acuada pela possibilidade de extinção da “reserva de mercado” das comunicações no país, dado o desejo manifesto de Donald Trump de a AT&T entrar aqui para concorrer com ela; sob prejuízo mensal de cerca de 100 milhões imposto pelo fracasso econômico do país e o boicote publicitário de Bolsonaro; ameaçada pela concorrência cada vez maior dos veículos de mídia dos neopentecostais – formadores da opinião de enorme fatia de nosso povo, exército de crentes obedientes ao “voto de cabresto” ordenado por bispos e pastores, nesse contexto catastrófico, a única possibilidade de salvação para a Globo é se compor com um líder político carismático capaz de sensibilizar e mobilizar multidões, e assim mudar o curso desse desastre iminente que dela se aproxima. E esse líder se chama Luís Inácio Lula da Silva.

A Globo precisa, urgentemente, baixar armas e se render à necessidade de seu momento, enviando um emissário a Curitiba para estabelecer interlocução com Lula. O ativismo político da emissora deu ruim. Assim como aconteceu com a Fiesp, que, após o fiasco de seus patos amarelos com nossa indústria se esborrachando em ritmo galopante, agora cobre seu prédio da Paulista com a bandeira vermelha com estrelinhas amarelas da China comunista.

Também a Globo precisa planejar sua mudança de estratégia. Que poderá ser o reconhecimento público de seu erro no apoio sem limites à Lava Jato e a Sérgio Moro. Ela pode alegar, como já fez a Veja, que se deixou cegar por seu entusiasmo no combate à corrupção, e que houve sim excessos indesculpáveis, atropelos à Constituição e ao nosso Código Penal. Deve capitular à #vazajato do The Intercept, divulgando-a em sua plenitude, e manifestar (enfim!) sua estranheza em relação às delações premiadas, sem provas, por delatores sob a ameaça de penas quilométricas. Só assim, a platinada estará em condições de fazer oposição aberta a este governo, a Moro, e poderá liberar o Supremo para agir como o último vigilante de nossa Constituição que é e, enfim, ela poderá se redimir em relação a Lula.

Preconceitos à parte, o que faz a Globo ter esse pânico de Lula e do PT é a possibilidade de seu retorno ao poder, cassando a sua concessão ou estabelecendo limites ao monopólio que ela exerce. Um bom acordo entre essas partes, uma boa conversa, cada um concedendo um pouco, lado a lado, seria o mais conveniente agora. Pois Lula solto e sem pendências judiciais, Lula no comando do espetáculo é a única chance que a Globo tem, que nós todos temos, de nos livrarmos desse encosto poderoso que sufoca o país.

A Globo ainda maneja os cordões do teatro de fantoches chamado Brasil, mas como está se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

Acredito que se o grande estrategista Roberto Marinho estivesse vivo ele já teria feito isso.

Bolsonaro incendeia o Daily Mail com 10 páginas de comentários de leitores indignados

Assim como todos os grandes da mídia internacional, o Daily Mail também abriu espaço para a tragédia amazônica brasileira e, por extensão, à atuação de Macron, presidente da França, e aos comentários inacreditáveis de Bolsonaro, inclusive sobre Brigitte Macron. A resposta dos leitores foi impressionante: foram 10 páginas de comentários! O blog apresenta algumas das considerações mais relevantes feitas por leitores de diferentes parte do mundo. Algumas são tão, digamos, incisivas, que preferi deixar aos que não falam o idioma, recorrerem ao Google Tradutor Inglês-Português. Confiram…

axatak, Burnley, United Kingdom

Typical macho gits are destroying the planet just to SHOW they CAN and they don’t CARE .. and spit on opponents in passing, ignore the point (because you’re so MACHO you AREN4T going to argue logically, that would be beneath you) go straight for the personal insult – anyone who seems like ANY kind of minority, or a woman, or old, or young. anyone who disagrees find a personal insult to belittle them -any personal slur will do the rule is only the rich putty-face machos have an opinion and everyone else can zip it My guess is they are doing it because they have nothing in their pants. Obvious really.
N15bet, Glasgow

Oh dear, Brazil must really be full of nuts to have elected him, he has just humiliated his entire country by his sexist remarks. Coming from a country obsessed by bums its really not surprising

Matthew , Byfleet, United Kingdom

He behaves like a child

LK85, Corona Del Mar, United States

Brazil is another country that has a disgraceful, nationalistic leader with false arrogance and dictator traits.

borntwopintsdown, Milan, Italy

Unfortunately this type of ignorant chauvinism and sexism are still alive and kicking in many latin cultures, especially among men of his generation

Su Merl, Florianópolis, Brazil

Bolzonaro, prioritizes personal interests above the interests of the Fatherland.

Saint David, london town, United Kingdom

Grow up Bolsonaro and stop the Amazon burning.

HelenedeTroie, Dambach-la-Ville

I know both women would prefer Macron over Bolsonaro

Lady 1001, Bermuda, Bermuda

Very offensive and immature comments, quite pathetic from a man destroying The Amazon!

JoeAmerican, Midwest, United States

It was pretty low class of Bolsonaro to make such a comment…. but really is anyone surprised?

Annie, Ontario_Canada

Wow, such infantile & immature behaviour from the leader of a country. When the Amazon has burned to a crisp after refusing all offers of help, this idiot will be blaming everyone else & asking for muito dinheiro. Just wait & see.

tarafire, Georgia, United States

Brazil president has shown the world has has a total lack of class.

stopanimalslaughter, Middleburg Heights Ohio, United States

How much is she costing you, Bolsonaro, per hour?

Errol Gunn, Pretoria, South Africa

Bolsonaro is an idiot of the highest order and his destruction of the Amazon will effect every living thing on this planet and as such he must be stopped before its too late and tried in front of the The Hague for crimes towards humanity.

annaisback, Bello, Greenland

WHO PAYS ATTENTION TO A CRAZY MAN THAT BURNS THE EARTH’S LUNGS. THEY HAVE TO LOCK THEM UP!

Sam, London

He is proving totally incompetent and I don’t understand why Brazil voted for him as this was known prior to him being elected.

jez, Derby, United Kingdom

It’s a pathetic man that targets another man’s wife because he is too much of a coward to confront the man himself. I hope Macron remembers this when Brazil turn’s into a desert and they start begging for aid. Bolsonaro is a weak fool.

Os interesses empresariais do presidente do Flamengo e o apagamento da memória histórica do clube

Coluna de Ancelmo de Góes, O Globo, 11/07/2019

A notícia acima publicada esta semana pelo colunista Ancelmo de Góes é esclarecedora do motivo que pode ter levado a diretoria do Flamengo a renegar seu atleta do remo Stuart Angel, que deu dois títulos ao clube, um deles o Campeonato do IV Centenário do Rio de Janeiro.

Stuart era voga do barco bi-campeão

Por ocasião da homenagem prestada por um grupo de associados a Stuart na sede do Remo, no 31 de março do golpe militar, a diretoria do presidente Rodolfo Landim expediu nota à imprensa para informar que não endossava aquela homenagem.

Desde sua morte, em 1971, assassinado pela ditadura, Stuart, que militava no MR-8, tem sido homenageado pelo Flamengo, seja com seu nome numa das estrelas no piso da entrada da sede, seja com um memorial inaugurado à beira da Lagoa, em solenidade concorrida e comovente, com vários ex-companheiros de remo e de militância política do atleta.

Stuart Angel, na estrela do piso da sede do Flamengo, junto a outros grandes do Remo

O saudoso treinador do remo, Buck, enaltecia o atleta em suas manifestações, e ex-companheiros ainda se lembram de quando o acolheram, clandestino, na garagem do clube, quando ele dormia num dos barcos e os remadores lhe levavam quentinhas. Partiu dele a iniciativa de deixar o local, temendo pelo risco que poderia representar para os rubro-negros solidários. Muitas diferentes histórias sobre esse tempo são contadas pelos antigos, de modo emocionado.

No jogo seguinte do Flamengo, pós-Bolsonaro com a camisa do clube, a faixa na saída do túnel no Maracanã

Ato contínuo à desfeita feita à memória do remador, o Flamengo passou a homenagear, de modo ostensivo, a corrente fascista da política brasileira. Um deputado que quebrou a placa de rua de Marielle Franco, o governador do “pimba na cabecinha” Wilson Witzel e o auge dessa bajulação foi o convite ao palmeirense Bolsonaro para assistir a uma partida do clube no Campeonato Brasileiro, contra o CSI, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, vestindo “o manto”, ao lado de Moro. Na semana em que o site The Intercept divulgou os primeiros vazamentos, que comprometem seriamente a atuação do ex-juiz na Lava Jato.

Por trás de tudo isso, o que agora se revelaria? A conveniência dos altos negócios do empresário Landim. Nojo!

A torcida criou esta camisa para arrecadar recursos e reconstruir, no Remo, o memorial de Stuart, que foi destruído na atual gestão, e a placa extraviada.

Diplomatas brasileiros reagem à possível ida de Dudu Bolsonaro para embaixada em Washington

 

A polêmica estabelecida hoje no país, a partir do anúncio da intenção do presidente Jair Bolsonaro de nomear seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, motivou a manifestação da Associação dos Diplomatas Brasileiros – ADB, que congrega 1.500 dos nossos diplomatas.

O assunto alcançou os trending topics, com o debate agravado pela declaração do postulante ao cargo de que se sente qualificado para tal por ter feito intercâmbio nos Estados Unidos e ter preparado hambúrgueres no Maine. A Associação enfatiza,em sua nota, que “os quadros do Itamaraty contam com profissionais de excelência, altamente qualificados para assumir quaisquer embaixadas no exterior.”

Leiam o comunicado da ADB:

Nota Pública

A Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB) recorda que, atualmente, mais de 1.500 diplomatas representam o País e defendem os interesses nacionais nas embaixadas, consulados e delegações junto a organismos internacionais, além de trabalharem em diversos órgãos do governo federal — inclusive na Presidência da República -, nos quais  se encontram, hoje, mais de sessenta diplomatas cedidos.

Os diplomatas atuam em questões fundamentais nas áreas cultural, ambiental, econômica, comercial, proteção e defesa dos direitos humanos, cooperação, paz e segurança internacionais, dentre outras.

Iniciamos a carreira com uma formação ampla e consistente, por meio de um dos concursos mais rigorosos da administração pública, proporcional às exigências da atuação que precisamos ter dentro e fora do País.

Embora ciente das prerrogativas presidenciais na nomeação de seus representantes diplomáticos, a ADB recorda que os quadros do Itamaraty contam com profissionais de excelência, altamente qualificados para assumir quaisquer embaixadas no exterior.

Há mais de 100 anos os diplomatas brasileiros têm a construção da imagem e do desenvolvimento do País como seu objetivo maior, pelo qual norteiam, todos os dias, o seu desempenho. Esse é o papel para o qual foram e continuam sendo diligentemente treinados e preparados.

Associação dos Diplomatas Brasileiros

 

O dom premonitório do gênio do jornalismo Paulo Henrique Amorim

Paulo Henrique Amorim era um analista político notável. A revista Forum lhe presta homenagem reproduzindo texto seu de 9 de agosto de 2010, em que ele, numa manifestação premonitória, alerta que, depois de eleger Dilma, a classe C brasileira iria eleger o Berlusconi. Tal e qual de fato ocorreu.

Eis o texto de Paulo Henrique, localizado pela Forum, que o chama de “gênio (com G) do jornalismo”, o que de fato era:

A classe C vai eleger a Dilma e depois o Berlusconi

Por Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada 

Um fenômeno que os tucanos de São Paulo não perceberam foi, ao lado da ascensão das classes “D” e C” a partir de 2002 – clique aqui para ler “Como o Lula tirou o oxigênio do Serra” –,  a despolitização dessa trajetória.

A Classe Média engordou sem precisar mover uma palha política.

Não foi a uma reunião de sindicato.

Não foi a uma reunião da associação dos moradores.

Não fez panelaço.

Não fez greve geral.

Não fechou o Palácio dos Bandeirantes.

Não cercou o Congresso.

Não botou a Globo para correr.

Os argentinos morrem de rir.

A Classe C engordou porque o Lula pôs alpiste.

Pagou um salário mínimo mais decente.

Remunerou os aposentados.

Fez o crédito consignado.

Pagou o Bolsa Família.

Botou a criançada para estudar.

Levou os negros e pobres às faculdades privadas, com o Pro Uni.

Abriu universidades.

Vai democratizar o acesso à faculdade com o ENEM (que o PiG boicota incansavelmente).

Deu Luz para Todas (que o Serra não sabe o que é).

O Lula vai criar 2 milhões de emprego este ano.

Clique aqui para ver a tabelinha que compara FHC com Lula e entenda uma das causas do choro do Serra.

O Lula foi um paizão.

Reproduziu o Vargas.

E é por isso que não há uma única Avenida Presidente Vargas em São Paulo.

Como não haverá uma Avenida Presidente Lula em São Paulo.

E aí, nessa despolitização, é que reside o problema.

Como diz o meu cunhado, o Dany, com quem almocei no excelente Alfaia, um português de Copacabana.

(O bolinho de bacalhau quica)

O que mais impressiona o Dany é a absoluta despolitização do Brasil.

Logo, a despolitização deste impressionante fenômeno de mobilidade social.

A Classe Média é incapaz de perceber – observa o Dany – que a ascensão só foi possível porque uma houve uma importante vitória política: o Lula tirou o oxigênio da neo-UDN, os tucanos de São Paulo, que se tornaram a locomotiva do atraso ideológico.

Dany observa, com razão, que boa parte de despolitização se deve ao papel destruidor da imprensa (aqui entrei eu, com o PiG (*), é claro), que além de ser reacionária é inepta.

Na Europa, como se sabe, há excelentes jornais que conciliam qualidade com conservadorismo.

Aqui, isso não aconteceu.

E se a classe média sobe sem saber por quê, o que acontece ?

Me perguntei no avião de volta, ao deixar o Rio maravilhoso para passar sob o Minhocão…

O que acontece ?

A classe média pode ir perfeitamente para o Berlusconi.

Aliás, a classe média é a massa com o Berlusconi faz a pizza.

E, como diz o Mino Carta, a Dilma não é metalúrgica.

Essa camada proletária, sindical será removida com o tempo.

E a classe média não se lembrará de associar a TV digital ao estádio da Vila Euclides.

(Seria exigir demais, não, amigo navegante?)

Ou seja, o carisma do Lula  passará a ser by proxy.

E quando o Golpe vier?

Porque o Golpe contra presidentes trabalhistas sempre vem.

E quando o PiG (*) se associar a um Líder Máximo do Estado da Direita, que pode vir do Judiciário?

Quem é que vai para a rua defender a Dilma?

A Classe Média?

O Globo, na página A10, em reportagem do sempre excelente José Meirelles Passos, bate na trave.

Mas não chega lá – ainda.

Já, já a Classe Média dá uma rasteira no Lula e no PT.

Quem mandou tirar o povo da rua?

Tudo isso, se a Dilma não fizer nada.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.